|

Nelson Rodrigues – o maior de todos
– certa vez asseverou que a
liberdade era mais importante que o
pão. Nelson sabia o que estava
dizendo. Conhecedor profundo da
natureza humana, o cronista
pernambucano, radicado no Rio, via
com clareza solar que o pão sem
liberdade é a receita macabra para
a eliminação das divergências, das
opiniões e do....indivíduo.
Se o
pão é preparado e entregue pelas
tiranias, pode acreditar que elas
querem em troca a sua alma, a sua
capacidade de discernir, de pensar
livremente, de resistir aos
impulsos nefastos dos que estão no
poder para realizar fantasias
homicidas disfarçadas de
generosidades.
Os
“intelequituais” pró-Cuba, aquela
Ilha caribenha governada, há 53
anos, por facínoras e assassinos,
costumam exaltar o modelo alegando
que lá há saúde pública e educação
gratuitas de boa qualidade, além
dos avanços nas práticas
esportivas.
Traduzindo: há “pão”, portanto a
liberdade é só um detalhe, uma
conquista, digamos, burguesa. Se os
“Comandantes” têm a chave do
futuro, conhecem o caminho que
levará o povo a amanhãs
sorridentes, a novas auroras, a um
novo homem, despojado dos valores
capitalistas amesquinhados, pra que
liberdade.
Deus
Meu!!! Quanto lixo já se produziu
empunhando essa bandeira, quantos
milhões ficaram no caminho, viraram
adubo só por discordar dessa
empulhação malandra, dessa teoria
liberticida, que já matou, só de
fome punitiva, vinte milhões na
antiga União Soviética.
A
ilha dos Castro – o fato de ser
ilha remexe os instintos mais
primevos de nossos
“revolucionários”, afinal
metaforiza a ideia de sociedade
igualitária, longe das seduções
capitalistas que transformaram o
“homem-bom” de Rousseau num ser
desprezível – é uma imensa prisão
sem grades: seus habitantes têm que
pedir autorização ao governo para
sair de lá, forçando milhares a
fugir do país para o exílio.
A
presidente Dilma, ao visitá-la,
preferiu, já que seria uma
deselegância falar de corda em casa
de enforcado, fazer mesuras aos
ditadores, apontando o “campo de
concentração” americano – a prisão
de Guantânamo – num símbolo de
afronta aos direitos humanos.
Para
os de direita – expressão que
ganhou emprestado roupas demoníacas
-, a reprimenda por deixar cerca de
300 prisioneiros, acusados de
terrorismo, sem as garantias
constitucionais do Estado
Democrático de Direito; para os de
esquerda, nenhuma objeção, nenhuma
admoestação por transformar uma
nação numa grande prisão a céu
aberto, onde nem o pão se consegue
produzir para trocar por liberdade.
Não é
de estranhar essa atitude. Dilma
foi forjada nesse ideário: lutou
num grupo armado contra a
desprezível e abjeta ditadura
militar brasileira para implantar,
aqui, o regime dos irmãos
homicidas. Era uma ditadura pela
outra.
A
ditadura de direita caiu, foi pra
lata de lixo da história; a de
esquerda, felizmente, não
prosperou, mas ganhou a simpatia
dos “progressistas”, dos cadernos
culturais dos jornais e das salas
de aula das universidades. Por
isso, a fala da Presidente não
incomoda (quase) ninguém. Ah,
Nelson, que falta enorme você faz.
|