Portal SRN | O jornalismo forte de São Raimundo Nonato e região
 
Entrementes

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

  Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Zeferino Junior

 

 

 

Zeferino

  z_junior@bol.com.br

Alexandre Rocha
André Pessoa
Cineas Santos
Edjalma Borges
João Ricardo
Luma Maria
Zeferino Junior
 

 

 

Jáder barbalho: proteger o povo de si mesmo?


19 de Jan de 2012

A posse de Jáder Barbalho no Senado, depois de “liberada” pelo judiciário, deveria suscitar discussões acaloradas na sociedade, no meio acadêmico e jurídico.

As bases de um sistema jurídico e do nosso “método” de fazer justiça estariam, aí, sendo colocados à prova.

O que é fazer justiça? O que é fazer a coisa certa numa sociedade que adotou determinada concepção de justiça? Seria legítimo um sistema jurídico barrar um cidadão que obteve quase dois milhões de votos?

A lei poderia tutelar o eleitor a ponto de higienizar o ambiente, retirando do processo um senhor representante-mor de um sistema apodrecido que finca raízes em nosso solo desde a colonização?

Se o povo que o elegeu ignorou isso, deve o legislador podar a vontade popular, ignorá-la, a fim de preservar um sistema gestado para atender o bem comum? O que é o bem comum, afinal?

Ou mais ainda: os legisladores teriam essa lucidez para entender que a vontade de mais de quase dois milhões de eleitores deu-se por coação, pressionada por fatores que desbordam da escolha pura e consciente?

Sendo assim, o próprio sistema falhou? Não deu as condições necessárias para que os eleitores escolhessem dentro de um ambiente livre?

E, por fim: a soberania popular é só um adorno? Ou os limites impostos pela lei é o que civiliza o povo, que deve ser protegido de si mesmo? E aí estaria a verdadeira soberania?

Questões e questões que deveriam, no mínimo, servir de mote para discussões num país infenso a debates que demandam um pouco mais de elaboração.

Quantos professores de Direito levariam esses questionamentos para a sala de aula? Quantos recomendariam aos alunos uma leitura sobre as concepções de justiça forjadas durante séculos, a partir de Aristóteles, por exemplo, com sua idéia do justo?

Ou ensinar a disciplina jurídica é só expor os códigos ao alunado. É só apresentar a parafernália do sistema legal, suas vicissitudes e as fontes que emanam as leis e os diplomas legais.

Que tal ler um pouco sobre o utilitarismo – fazer justiça é otimizar o bem-estar da maioria; que tal submeter os alunos às complexas idéias de Kant sobre liberdade e/ou as de John Rawls, com sua concepção que, só sob o “véu das incertezas”, poderíamos “celebrar” um “contrato social” ideal. Enfim.

Seria alvissareiro que as nossas “autoridades” jurídicas e acadêmicas provocassem discussões desse naipe. Quem sabe assim, esses dilemas morais e jurídicos a que somos submetidos no dia-a-dia não fossem mais bem apreendidos e internalizados.

Uma dica preciosa: Leiam "Justiça - O que é fazer a coisa certa", de Michael J. Sandel, tradução brasileira – um dos cursos mais concorridos de Harvard.

Zeferino Júnior – Servidor Público – z_junior@bol.com.br

       PARCEIROS  


 

 


COLUNISTAS  LINKS DO PORTAL  SITES PARCEIROS  O PORTAL
  Alexandre Rocha    Logomarca    Pé de Figueira    Rua R. Diógenes da Silveira, 561
  André Pessoa    Eleições    Cabeça de Cuia    Bairro Gavião
  Cineas Santos    Bandeira      CEP: 64770-000
  Edjalma Borges    História      São Raimundo Nonato - PI
  João Ricardo    São Raimundo Nonato      Telefone: (89) 8118 1142
  Luma Maria    Serra da Capivara    
  Marcos Damasceno    Telefones úteis    
  Zeferino Junior
       

© Copyright - Portal SRN® 2005 - 2011 -  Melhor resolução: 1024 x 768 -  É permitida a reprodução de matérias deste Portal, desde que citada a fonte
Diretor: Weslley Moreira   -  MSN: weslleymoreira@hotmail.com  -  E-mail: portalsrn@gmail.com  -  Grupo: WM Comunicações