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Quando vamos conter as lágrimas do mundo?


01 de Ago de 2011

Fico imaginando aquelas crianças na Somália e Etiópia em campos de refugiados, desoladas por reflexos de conflitos armados entre rebeldes, milícias e tropas do governo, o quanto sofrem em meio essa vastidão de mundo, perfiladas pela miséria crônica de uma nação que desde o principio foi tida como o berço da desgraça, e para a História o berço da humanidade. O que podemos entender de sofrimento, o mundo inteiro vive um constante conflito armado, onde às vezes não são somente as armas de destruição imediata, mas também as armas ideológicas que impetram na nação sentimentos de revoltas, de ódio e resignação pela vingança, o que tem tornado o mundo difícil de entender e viver.

Na África vemos os conflitos resultarem nas desgraças provocando o aniquilamento de vidas, crianças morrem de fome, e quando vem alimentos das Nações Unidas, nem toda essa frente de ajuda chega a todos, e quando chega às vezes é insuficiente para atender a grande quantidade de miseráveis jogados aos refúgios da dor, a espera da morte insana aos olhos de abutres que esperam gananciosos para devorá-los, enquanto grande parcela do mundo briga para acumular trilhões e satisfazerem seus prazer momentâneos.

Enfim, o mundo vive um desolamento comumente atormentado, aonde a sociedade vem perdendo o senso do comum, e autuando em sobre vias escuras e incertas uma demagogia aos princípios do bem, aderindo a um mundo maldoso, perverso e enigmático. Não sabemos ao certo aonde iremos chegar um dia com essa tal de faz o que te dá na telha. Não temos mais pudor sobre as coisas, estamos apequenando cada vez mais nossos princípios morais, não há mais aqueles encontros familiares, cada um tem sua aldeia, sua tribo, e ignora aos que banquem a decência de tempos em que famílias respeitavam uns aos outros e não eram frívolos como hoje o são.

 

Recentemente ao ligar a tv pela manhã, vi em uns destes programas de desenhos ditos voltados para crianças, um personagem pedir a outro que tirasse a calcinha, fiquei estarrecido, indignado, pois minha cria vai nascer daqui a três meses. Espero não ter trauma no futuro, mas é chocante e abismável saber que a maioria de nossas crianças ficam sozinhas em casa, acompanhadas por estas ferramentas perversas incapazes de educar. E ainda tem pai que satisfaz a ambição de seus filhos dando lhes brinquedos que promovem a violência e a pornografia. O que é lamentável, mas é bonito, é caro, então é aceitável.

Notadamente não temos mais prazer em ler bons livros, a televisão vem tomando nosso tempo, tornando nos infantilizados por um lúdico que não traz resultados bons para o futuro.

Estamos desesojos de muitos futuros cheios de coisas alegres, de paz e de sossego, mas não resignamos a promiscuidade, e sonhamos ralo, investimos pequeno, desistimos de lutar no primeiro tropeço e perdemos a fé por acreditarmos em um mundo urgente onde não temos tempo para Deus.

O que fazer com tanta dor em uma sociedade que promove o escarcéu publicamente atropela e mata indefesos nas vias publicas, não respeita a vizinhança, não orienta as crianças para o que é certo ou errado? O que ensinar aos nossos filhos se eles já se sentem sábios demais, prontos para o mundo? Engano nosso é acreditar que as crianças já nascem prontas. Elas precisam de nós para entender os diversos caminhos que a vida desperta, precisam de afago e carinho para não se sentirem sozinhas, vazias e mesquinhas. Temos dado isso a elas, ou apenas temos acompanhados elas de longe como se fossem estranhas e donas de seus próprios destinos?

Conquistamos a longevidade, estamos vivendo mais, mas será que estamos aproveitando essa oportunidade? E quando abusamos da vida normal e optamos por drogas, o que será que estamos buscando? Satisfação? Condição para pertencer a um grupo? O que acontece como nossos jovens? Não temos heróis na droga, mas sim, fracassados, perdidos em um caminho que dificilmente tem uma saída, quando geralmente a porta que se abre é aquela que se fecha para sempre.

 Recentemente uma cantora jovem morreu em decorrência das drogas, era uma diva como dizem, dona de uma voz encantadora, porem desequilibrada, forte pela fama, mas fracassada na liberdade de escolha. Era rica e famosa, e o que devemos aprender disso tudo é que a vida é pequena, limitada e única, não devemos vacilar e permitir que nosso vazio seja ocupado por artes que promovem a dor e a perda.

Precisamos sair da ilusão e acreditar na realidade, não aceitando a como está, mas buscando reparos que venham a tornar o mundo capaz de sentirmos seguros, amados e amáveis. O mundo clama pelas nossas perdas, chora a cada dia, e demonstra isso a cada desastre, nós às vezes não queremos entender e aceitar que poderíamos pensar mais, fazer mais por nós mesmos.

Nosso instante aqui é único, passa tão rápido, não devemos perder o trilho do caminho, nem tão pouco a fé em reconstruir a cada dia um novo olhar sobre a vida, uma nova esperança e uma verdade para as incertezas. Vamos conter a dor e as perdas, pois estamos cansados de enxugar lágrimas.

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