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Kari Ramos
Kari Ramos
é um daqueles piauienses que
nos orgulha, enquanto povo e
lugar. Grande embaixador da
nossa cultura no resto do
Brasil. Depois de conquistas
importantes na carreira, merece
nossa atenção e nosso respeito.
Um lendário comunicador, que há
anos está nessa longa estrada
da vida.
E é preciso se dizer: seu
trabalho é sempre voltado para
a cultura de raiz. Suas
influências são as
coisas do sertão, do interior
nordestino, influências que
viveu na sua infância e
juventude.
Um grande
piauiense, um grande lutador.
Um sonhador, que enfrentou os
desafios impostos pela vida na
busca de um sonho.
Pode considerar-se que a luta
faz parte da atividade da
espécie humana, da vida das
pessoas. Em qualquer segmento.
Portanto, um
realizador. Foi em busca de
dias melhores no Estado de São
Paulo, assim como milhares de
piauienses. Como diz a música
Pau de Arara de Luiz
Gonzaga, o rei do
Baião: "A sua malota era
um saco, e o cadeado era um
nó.”

Casa onde nasceu Kari Ramos
Kari Ramos
tem um respeitável currículo no
mundo da comunicação
(televisões, rádios, eventos
etc.). Mas gosto de defini-lo
como o “embaixador dos
vaqueiros da nossa região”.
Ele tem uma história de vida
que serve como referência para
todos nós. História de lutas e
conquistas. Para ele e para
nossa região. É meu
conterrâneo, e meu amigo. Sou
fã do artista e do ser humano.
Os dois se completam. E o
conjunto disso gera uma grande
personalidade, que tanto
orgulha e engrandece nossa
terra: Kari Ramos.
Sua biografia,
na íntegra:
- Ildemar Dias
Ramos
ganhou logo cedo a alcunha de
Kari Ramos. É natural de
Anísio de Abreu-PI, sendo filho
de Miguel Félix Ramos
(vaqueiro tradicional) e
Dona Eliza Dias Ramos.
Nasceu, precisamente, no
povoado de Caldeirãozinho. Foi
para o Estado de São Paulo,
assim como a histórica
trajetória do retirante
nordestino, em busca de
trabalho e oportunidade.
Trabalhou na construção civil,
sendo também metalúrgico. Para
fugir do serviço pesado fez um
curso de cabeleireiro,
profissão que ensinou aos seus
11 irmãos. Morou em São
Caetano-SP, Santo André-SP,
Santo André – SP (Vila Alpina),
São Paulo-SP (Bairro da Mooca),
Santa Isabel-SP,
Itapetininga-SP, e por último,
em Itu-SP.
- Como
radialista trabalhou na rádio,
de São Paulo-SP: ‘Imprensa FM’.
Ainda nas rádios, de Itu-SP:
‘Cidade FM’, ‘Fax FM’, ‘Clube
FM’ e ‘Convenção AM’. E nas
rádios, de Salto-SP: ‘FM 90’ e
‘Amiga FM’.
- Como locutor
de rodeio fez locução nas
cidades de Cotia-SP,
Sorocaba-SP, Mairinque-SP, São
Roque-SP, Indaiatuba-SP,
Cabreúva-SP, Ibiúna-SP, Vargem
Grande Paulista-SP,
Guarulhos-SP, Porto Feliz-SP,
Boituva-SP, Itapetininga-SP e
Itu-SP.
- Como
apresentador televisivo
trabalhou durante 6 anos, ao
lado do amigo Zeca Módena,
apresentando os programas
‘Rancho Sertanejo’ e ‘Rancho do
Zeca e do Kari’, na TV
Convenção de Itu-SP, e canal
CNT para todo o Brasil. Em seus
programas de televisão passaram
muitas duplas sertanejas,
dentre elas, duplas hoje
conhecidas nacionalmente, de
raiz e atuais, como: João
Mineiro e Marciano,
Teodoro e Sampaio, Zico
e Zeca, Liu e Léo,
As Galvão, Pedro
Bento e Zé da Estrada,
Ataíde e Alexandre, João
Bosco e Vinícius, Chico
Amado e Xodó, Bruno e
Marrone, Gian e Giovani,
Zezé di Camargo e Luciano,
dentre outras. E o rei da
música sertaneja: Tinoco.
Também grupos de pagode como:
Negritude Jr (Netinho de
Paula), Soweto, Os
Travessos, Dudu Nobre,
Art Popular, Só Pra
Contrariar, dentre outros.
- Como
organizador de eventos promoveu
‘Pagode’ toda sexta-feira, e
‘Bailão Sertanejo’ aos
domingos, no Gorila’s
Country Club, em Itu-SP.
- Também foi
colunista social, e diretor do
Jornal ‘Voz Ativa’ em Santa
Isabel-SP.
Assim dizia
Luiz Gonzaga, o rei do
Baião: “Em nossa origem
estão a fonte da nossa força
espiritual e a motivação para
lutarmos na vida. É também
nossa memória central, tudo
gira em torno dessa memória.
Memória de tristezas,
sofrimentos, sonhos, lutas e
conquistas. É a vida. E quem
nasce numa origem sofrida tem o
privilégio de ter uma
capacidade de luta
diferenciada.” Essa
constatação vem do fundo da
alma, de uma experiência
vivida, de uma lição de vida. E
chega a ser um privilégio para
aqueles que querem fazer
história, por se tratar de um
poço de preparo (emocional,
humano e de idealismo). E uma
capacidade de superação. Pois
bem. Kari Ramos teve
esse privilégio, passou por
essa trajetória. É por isso que
é um grande homem, preparado
pela vida, guiado pelo otimismo
e pelo desejo de superação. É a
grandeza da nossa terra, da
nossa gente.
Quem conversa
com Kari Ramos sempre
ouve dele: “Minha terra é
minha fonte espiritual.”
Sem esmorecer, diante de uma
infindável luta pela dignidade
da vaqueirama, há anos ele se
dedica a essa causa, que para
alguns pouco representa, nos
dias atuais (modernos), ao que
taxam como algo enfadonho e de
pouca relevância. Mas, de fato,
e justo, o ofício do vaqueiro é
a bandeira mais autêntica da
região Nordeste, desde quando o
Brasil é Brasil. E para Kari
Ramos é uma paixão. Por
isso é reverenciado no mundo
dos vaqueiros.
Homem de hábitos
simples, muito apegado a sua
origem, não delega a ninguém a
responsabilidade de
representar, e defender, a
tradição do vaqueiro. O seu
maior prazer da vida é está no
meio dos vaqueiros. Tem um
respeito profundo pelos
vaqueiros. A começar por ser
seu pai Miguel, um
tradicional vaqueiro.
Seu trabalho, e
sua presença na região, é uma
oportunidade, e perspectiva, da
vaqueirama reconquistar a
visibilidade ofuscada pela
modernidade, que não contempla,
em regra, nossos costumes e
tradições. Assim dizia Zé
Grande, o rei dos
vaqueiros:
“A tradição do
vaqueiro está se acabando com a
modernidade.”
Toda essa
história traz responsabilidade
ao Kari Ramos,
embaixador dos vaqueiros da
região. Acredito que o fato de
uma pessoa
ser uma personalidade, uma
referência, torna sua vida um
magistério para os demais, em
qualquer tempo. E em qualquer
área. Requer a capacidade e
resultados, mas se não houver
responsabilidade social
torna-se uma personalidade
incompleta. Deve, sim,
contribuir com sua terra.

Kari Ramos e seu pai Miguel

Missa do
Vaqueiro de Caldeirãozinho
Existe uma forte
simbiose (associação de dois
seres vivos que vivem em
comum). A simbiose entre
Kari Ramos e os vaqueiros é
algo admirável. É opção e
paixão profissional. O
embaixador dos vaqueiros
justifica, com sua filosofia de
vida: “Sou muito feliz
com o que faço.” Um
homem de boa vontade.
Nossa terra tem orgulho de
Kari Ramos, pela sua
história de vida. E por tudo
que fez, e pretende fazer, pela
nossa região. Vida longa para o
embaixador dos vaqueiros!
Marcos Damasceno
(pesquisador) |