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Relatos...

      

MARCOS OLIVEIRA DAMASCENO, 27 ANOS, ESCRITOR, CRONISTA, MEMORIALISTA, HISTORIADOR. NATURAL DE DOM INOCÊNCIO – PI. DOUTORANDO EM FILOSOFIA POLÍTICA, PELA INTERNATIONAL UNIVERSITY OFF CAMBRIDGE.


Kari Ramos, embaixador dos vaqueiros

marcosdamasceno23@yahoo.com.br


Kari Ramos

 

Kari Ramos é um daqueles piauienses que nos orgulha, enquanto povo e lugar. Grande embaixador da nossa cultura no resto do Brasil. Depois de conquistas importantes na carreira, merece nossa atenção e nosso respeito. Um lendário comunicador, que há anos está nessa longa estrada da vida. E é preciso se dizer: seu trabalho é sempre voltado para a cultura de raiz.  Suas influências são as coisas do sertão, do interior nordestino, influências que viveu na sua infância e juventude.

 

Um grande piauiense, um grande lutador. Um sonhador, que enfrentou os desafios impostos pela vida na busca de um sonho. Pode considerar-se que a luta faz parte da atividade da espécie humana, da vida das pessoas. Em qualquer segmento. Portanto, um realizador. Foi em busca de dias melhores no Estado de São Paulo, assim como milhares de piauienses. Como diz a música Pau de Arara de Luiz Gonzaga, o rei do Baião: "A sua malota era um saco, e o cadeado era um nó.”

 

Casa onde nasceu Kari Ramos

 

Kari Ramos tem um respeitável currículo no mundo da comunicação (televisões, rádios, eventos etc.). Mas gosto de defini-lo como o “embaixador dos vaqueiros da nossa região”. Ele tem uma história de vida que serve como referência para todos nós. História de lutas e conquistas. Para ele e para nossa região. É meu conterrâneo, e meu amigo. Sou fã do artista e do ser humano. Os dois se completam. E o conjunto disso gera uma grande personalidade, que tanto orgulha e engrandece nossa terra: Kari Ramos.

 

Sua biografia, na íntegra:

- Ildemar Dias Ramos ganhou logo cedo a alcunha de Kari Ramos. É natural de Anísio de Abreu-PI, sendo filho de Miguel Félix Ramos (vaqueiro tradicional) e Dona Eliza Dias Ramos. Nasceu, precisamente, no povoado de Caldeirãozinho. Foi para o Estado de São Paulo, assim como a histórica trajetória do retirante nordestino, em busca de trabalho e oportunidade. Trabalhou na construção civil, sendo também metalúrgico. Para fugir do serviço pesado fez um curso de cabeleireiro, profissão que ensinou aos seus 11 irmãos. Morou em São Caetano-SP, Santo André-SP, Santo André – SP (Vila Alpina), São Paulo-SP (Bairro da Mooca), Santa Isabel-SP, Itapetininga-SP, e por último, em Itu-SP.

- Como radialista trabalhou na rádio, de São Paulo-SP: ‘Imprensa FM’. Ainda nas rádios, de Itu-SP: ‘Cidade FM’, ‘Fax FM’, ‘Clube FM’ e ‘Convenção AM’. E nas rádios, de Salto-SP: ‘FM 90’ e ‘Amiga FM’.

- Como locutor de rodeio fez locução nas cidades de Cotia-SP, Sorocaba-SP, Mairinque-SP, São Roque-SP, Indaiatuba-SP, Cabreúva-SP, Ibiúna-SP, Vargem Grande Paulista-SP, Guarulhos-SP, Porto Feliz-SP, Boituva-SP, Itapetininga-SP e Itu-SP.

- Como apresentador televisivo trabalhou durante 6 anos, ao lado do amigo Zeca Módena, apresentando os programas ‘Rancho Sertanejo’ e ‘Rancho do Zeca e do Kari’, na TV Convenção de Itu-SP, e canal CNT para todo o Brasil. Em seus programas de televisão passaram muitas duplas sertanejas, dentre elas, duplas hoje conhecidas nacionalmente, de raiz e atuais, como: João Mineiro e Marciano, Teodoro e Sampaio, Zico e ZecaLiu e Léo, As Galvão, Pedro Bento e Zé da Estrada, Ataíde e Alexandre, João Bosco e Vinícius, Chico Amado e Xodó, Bruno e Marrone, Gian e Giovani, Zezé di Camargo e Luciano, dentre outras. E o rei da música sertaneja: Tinoco. Também grupos de pagode como: Negritude Jr (Netinho de Paula), Soweto, Os Travessos, Dudu Nobre, Art Popular, Só Pra Contrariar, dentre outros.

- Como organizador de eventos promoveu ‘Pagode’ toda sexta-feira, e ‘Bailão Sertanejo’ aos domingos, no Gorila’s Country Club, em Itu-SP.

- Também foi colunista social, e diretor do Jornal ‘Voz Ativa’ em Santa Isabel-SP.

 

Assim dizia Luiz Gonzaga, o rei do Baião: “Em nossa origem estão a fonte da nossa força espiritual e a motivação para lutarmos na vida. É também nossa memória central, tudo gira em torno dessa memória. Memória de tristezas, sofrimentos, sonhos, lutas e conquistas. É a vida. E quem nasce numa origem sofrida tem o privilégio de ter uma capacidade de luta diferenciada.” Essa constatação vem do fundo da alma, de uma experiência vivida, de uma lição de vida. E chega a ser um privilégio para aqueles que querem fazer história, por se tratar de um poço de preparo (emocional, humano e de idealismo). E uma capacidade de superação. Pois bem. Kari Ramos teve esse privilégio, passou por essa trajetória. É por isso que é um grande homem, preparado pela vida, guiado pelo otimismo e pelo desejo de superação. É a grandeza da nossa terra, da nossa gente.

 

Quem conversa com Kari Ramos sempre ouve dele: “Minha terra é minha fonte espiritual.” Sem esmorecer, diante de uma infindável luta pela dignidade da vaqueirama, há anos ele se dedica a essa causa, que para alguns pouco representa, nos dias atuais (modernos), ao que taxam como algo enfadonho e de pouca relevância. Mas, de fato, e justo, o ofício do vaqueiro é a bandeira mais autêntica da região Nordeste, desde quando o Brasil é Brasil. E para Kari Ramos é uma paixão. Por isso é reverenciado no mundo dos vaqueiros.

Homem de hábitos simples, muito apegado a sua origem, não delega a ninguém a responsabilidade de representar, e defender, a tradição do vaqueiro. O seu maior prazer da vida é está no meio dos vaqueiros. Tem um respeito profundo pelos vaqueiros. A começar por ser seu pai Miguel, um tradicional vaqueiro.

 

Seu trabalho, e sua presença na região, é uma oportunidade, e perspectiva, da vaqueirama reconquistar a visibilidade ofuscada pela modernidade, que não contempla, em regra, nossos costumes e tradições. Assim dizia Zé Grande, o rei dos vaqueiros: “A tradição do vaqueiro está se acabando com a modernidade.”

 

Toda essa história traz responsabilidade ao Kari Ramos, embaixador dos vaqueiros da região. Acredito que o fato de uma pessoa ser uma personalidade, uma referência, torna sua vida um magistério para os demais, em qualquer tempo. E em qualquer área. Requer a capacidade e resultados, mas se não houver responsabilidade social torna-se uma personalidade incompleta. Deve, sim, contribuir com sua terra.

 

Kari Ramos e seu pai Miguel

 

Missa do Vaqueiro de Caldeirãozinho

 

 

Existe uma forte simbiose (associação de dois seres vivos que vivem em comum). A simbiose entre Kari Ramos e os vaqueiros é algo admirável. É opção e paixão profissional. O embaixador dos vaqueiros justifica, com sua filosofia de vida: “Sou muito feliz com o que faço.” Um homem de boa vontade.

 

Nossa terra tem orgulho de Kari Ramos, pela sua história de vida. E por tudo que fez, e pretende fazer, pela nossa região. Vida longa para o embaixador dos vaqueiros!

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno