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Desde criança
ouvi esta frase do meu avô
Joaquim Rodrigues Damasceno:
“Gosto de pessoas de ação!”
Quem não conhece a frase
célebre: “Um quadro vale
por mil palavras.” Uma
obra e/ou realização é além de
palavras. Dá até respaldo para
o autor. A terceira frase é:
“Na vida não podemos ter dois
defeitos: medo e preguiça.”

(Meu avô Joaquim Damasceno,
recebendo a Medalha]
“Ordem
Estadual do Mérito Renascença
do Piauí”, Grau “Cavaleiro”,
das
mãos do então governador
Wellington Dias, pelos seus 67
anos
de vida pública/Oeiras – PI,
2010. Eu ao seu lado).
Modéstia a parte, fui moldado
por estas três frases, que
passaram a fazer parte de minha
vida. Não milito através de
falácias, mas de ação.
Incomoda-me a demagogia da
falsa indignação, ou então, da
indignação sem ação. Também o
idealismo e o julgamento de
pessoas que nada constroem ou
realizam. Muitos têm boca, mas
silenciam; têm olhos, e não
querem enxergar; têm
indignação, mas nunca agem ou
reagem; têm sonhos, mas não
lutam pela realização, ficam só
arrumando desculpas ou sonhando
sem nenhuma ação.
“Ninguém é
incompetente”,
dizia o sábio Tancredo Neves,
ex-presidente da República
Federativa do Brasil. A
incompetência para fazer coisas
boas é injustificável,
inadmissível. O que existe é má
vontade ou falta de desejo.
Como existe a competência para
fazer coisas ruins, erradas! Há
ainda os fracassados e
pessimistas, que ficam de
plantão agourando as coisas dos
outros (torcendo pelo pior), ou
as outras pessoas. Ora por
inveja, ora por incômodo (“dor
de cotovelo”). Mas inveja ruim
(aquela que não se quer pra
ninguém). Existe a inveja boa
(aquela que se deseja ter ou
ser também, assim como o
próximo).
Na vida é difícil agradar. Isso
é muito relativo. Surgem logo
alguns questionamentos:
“Agradar a quem? E como? Do meu
jeito? Ou do jeito dele?”
A felicidade pessoal é
incompleta e egoísta, é justa e
necessária a felicidade social.
Ensinaram-me assim.
Realizamo-nos melhor quando
vemos as pessoas ao nosso redor
realizadas. O mundo assim é
sempre melhor. E o pior disso
tudo é que aproveitamos melhor
a vida quando somos infelizes.
Desfrutamos melhor as coisas.
Parece até que a felicidade tem
um problema: limita! Só sei que
o que se perde em conforto
físico, lutando e batalhando
nessa vida, se ganha em
conforto mental, pelo
sentimento de dever cumprido.
Ou ao menos, pela certeza de
que tentamos, de que fizemos
algo, fizemos nossa parte.
Assim cumpriremos nossas
missões e deixamos nossa
contribuição social.
Civilidade demais não é bom.
Traz acomodação e resignação.
“Os problemas não
inevitáveis, mas ser derrotado
por eles é opcional.” (Fernando
Pessoa). Os problemas não
nos derrotam sem nosso
consentimento. E a vivência (e
convivência) com problemas é
sempre uma oportunidade de
aprendizagem, e até de
entretenimento. Temos que
aprender a conviver com os
problemas, e tirar as lições
das suas experiências. Sempre
existirá um problema na nossa
vida, quando mexemos aqui e
acolá. Aparece sempre algo pra
ser resolvido.
A vida sem problema não tem
graça nem aprendizado. Evita
desconforto, sofrimento,
angústia, raiva, tristeza etc.,
porém, dessa maneira, não
teremos (e não seremos) nada
nessa vida. Resumindo: onde há
o conforto, há normalmente
acomodação. Quando já temos
algo ou somos alguma coisa,
normalmente nos acomodamos e
não almejamos mais nada. Ou
pouca coisa, sonho pequeno. Da
mesma forma, onde há
desconforto há também agitação.
Isso é bom. Temos que sonhar,
querer, lutar. Se sonho
matasse, estaria morto. Sonho
sempre. Mas luto pela
realização de meus sonhos. Se
eu quero, vou atrás do que
quero. Não fico inventando
desculpa ou criando
dificuldade. Também não espero
pelos outros para realizar meus
sonhos, nem culpo ninguém pelo
meu fracasso. Busco parcerias e
alianças, pois ninguém atinge o
sucesso, ou vive a vida,
sozinho. Digo isso sem falsa
modéstia.
Em suma, gosto de ação. Mas com
planejamento. Uma das melhores
lições no episódio da
Independência do Brasil foi a
rapidez com que foi feita. Isso
é que é atitude! Atitude
planejada. Imagine se fosse
hoje, far-se-ia uma reunião
para deliberar problemas e
resolvê-los. Seria como sempre:
entrar-se-ia com nove
problemas, e sair-se-ia com
dez. Fazia era aumentar os
problemas. Sempre me lembro da
frase de Luís Veríssimo:
“Democracia é boa, mas
excesso atrapalha.” Em
regra, sempre surge a
subjetividade, acompanhada da
falta de ação. Não estou
defendendo a ditadura ou a
desordem, mas a ordem e a ação.
Dom Pedro I calou muita
gente que o considerava fraco,
sem atitude.
Vivemos numa sociedade
competitiva, qualquer fracasso
passa a figurar na imagem do
fracassado. Poucos perdoam ou
compreendem. Principalmente os
fracassados por natureza, que
querem uma desculpa para
continuar fracassados. Já os
fracassados pela luta não são,
na verdade, fracassados, e sim,
vitoriosos. Nem sempre
conseguimos as coisas de uma
vez, temos que persistir. Não
podemos criar trauma, e
ficarmos sem tentar novamente.
Desculpe-me se grosseiro
estiver sendo. Mas é o desgaste
de vivência, e convivência,
numa vida em que parece uma
selva competitiva. Também,
muitos não se contentam com
pouca coisa, querem é muito.
Isso já passa a ser um problema
também. É egoísmo puro. E a
‘Lei da Selva’, a lei do mais
forte (no caso aqui, do mais
poderoso), deixa sequela
sempre. Quer diretamente, quer
indiretamente. Sendo otimistas,
podemos dizer sempre que nem
tudo está perdido; sendo
pessimistas, afirmamos sem
cessar que ainda temos o que
perder.
Tudo é complicado nessa vida. A
Justiça, por exemplo, sofre o
peso maior disso. Muitos que
recorrem a ela se queixam dela.
Outros se recusam recorrer a
ela. Ora por falha dela, temos
que confessar isso, que
demonstra ser incapaz ou
influenciada; ora por falha de
quem recorre a ela, querendo
apenas formalizar sua decisão,
querendo uma Justiça pop
ou como um serviço público que
deve fazer “a minha vontade”, e
esquecer-se de ser justa. É
oportuno aqui lembrar duas
frases:
A primeira frase tem conotação
de resignação, é como que
estivesse dizendo: não mexa em
nada, deixe tudo como está. A
segunda frase tem conotação de
indignação, é como que
estivesse dizendo: vá à luta
sempre! E nessa empreitada de
irmos à luta sempre, surge uma
constatação: os sonhos
considerados grandes não são
grandes, se o nosso potencial
for suficiente. Passam a ser
realizáveis, restando apenas a
ação. São relativos à sua
potencialidade de realizá-los.
Como também, os sonhos pequenos
não são insignificantes, se
houver grandeza. Ser pequeno
com grandeza é melhor do que
ser grande sem grandeza. Sonhos
são sempre bem-vindos. E sonhos
sociais mais ainda. Agora, numa
visão bem prática, sonho não
deve ser imaginação. Sonhar é
detectar projetos e buscar suas
realizações. Devemos fazer com
que os conflitos resultem em
somas positivas. Divergências
são inevitáveis, até mesmo
rompimentos. O que devemos
fazer é usar os meios bons para
produzir fins também bons.
Pra finalizar, tenho que dizer,
é até um desabafo, que ainda
somos muito acomodados e
conformados, em regra, enquanto
povo e lugar. Nossos sonhos e
projetos estão aquém dos nossos
potenciais. Podemos muito mais.
Portanto, vamos querer mais. E
melhor. Deixar de lado esse
costume de ficarem só avaliando
os outros, como muitos,
pensando serem formadores de
opinião. Formadores de opinião
não têm relevância, e sim,
realizadores. Muitos gostam de
julgar os outros, ver defeitos
em tudo, e não têm nenhuma
utilidade social. Quem sabe das
coisas não fala, faz. É além de
palavras. É ação.
Marcos Damasceno
(pesquisador) |