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Relatos...

      

MARCOS OLIVEIRA DAMASCENO, 27 ANOS, ESCRITOR, CRONISTA, MEMORIALISTA, HISTORIADOR. NATURAL DE DOM INOCÊNCIO – PI. DOUTORANDO EM FILOSOFIA POLÍTICA, PELA INTERNATIONAL UNIVERSITY OFF CAMBRIDGE.


Joaquim Rodrigues Damasceno: o homem e a História

marcosdamasceno23@yahoo.com.br


Tudo começou com Valério Coelho Rodrigues, seu trisavô, nascido em 1713, na freguesia de São Salvador do Paço de Souza, Bispado do Porto - Portugal. Ele veio para o Brasil, chegando primeiro em São Paulo onde se casou com Domiciana Vieira de Carvalho, a “Paulistana”. Era baronesa. E a convite do Imperador Dom Pedro I, veio para o Piauí construir suas fazendas. Na época, o Piauí tinha uma pecuária forte. Tanto que as fazendas do próprio Dom Pedro I eram aqui, na região da antiga Oeiras, depois capital piauiense. E isso continuou com Dom Pedro II, onde surgiu a homenagem da nova capital piauiense (Teresina), situada na Chapada do Corisco, à sua mulher Teresa Cristina (Teresina: “Teres” de Teresa e “ina” de Cristina). Também, anos depois, surgiu a homenagem à baronesa “Paulistana”, na região das suas fazendas, no município de Paulistana-PI. Valério Coelho Rodrigues faleceu em 1813.

 

Depois veio o protagonismo de Manuel de Sousa Martins, o “Visconde da Parnaíba”, neto de Valério Coelho Rodrigues e primo de Basílio Rodrigues Damasceno, meu trisavô, e avô de Joaquim Rodrigues Damasceno (meu avô). Manuel de Sousa Martins nasceu em 08 de dezembro de 1767 na fazenda Serra Vermelha situada no município de Oeiras-PI, hoje localizada no município de Paulistana-PI. Era filho do português Manoel de Sousa Martins e de Ana Rodrigues de Santana (filha de Valério Coelho Rodrigues). Manuel de Sousa Martins foi importante na Independência da Província do Piauí, tendo presidido a Junta Governativa Piauiense (1823-1824), tendo sido seu primeiro governante (1824 a 1828), tendo sido presidente da Província do Piauí outras duas vezes (de 13 a 15 de fevereiro de 1829/de 7 de fevereiro de 1831 a 30 de dezembro de 1843). Faleceu no dia 20 de fevereiro de 1856, aos 88 anos, sendo sepultado junto ao altar-mor de Oeiras-PI, primeira capital do Piauí. Se não me falha a memória, o atual vice-governador do Estado do Piauí, Wilson Martins, é seu bisneto.

 

Assim definiu um historiador sobre Manuel de Sousa Martins: “Morria o homem, nascia o ícone piauiense que legou a seu povo o modelo de homem íntegro, dedicado e perspicaz nas coisas que fazia, leal às suas convicções e fiel às suas origens de nordestino sertanista. Honrou o seu Estado e, acima de tudo, dignificou o sentimento de patriotismo pelo Brasil.”

 

Para dar prosseguimento a essa história, surgiu o inteligentíssimo Antônio Coelho Rodrigues, neto de Manuel de Sousa Martins. Nasceu em Oeiras-PI, no dia 04 de abril de 1846. Filho de Manoel Coelho Rodrigues Filho e Ana Joaquina de Sousa Martins (filha de Manuel de Sousa Martins). Antônio Coelho Rodrigues estudou no educandário da fazenda do seu trisavô Valério Coelho Rodrigues, sendo o professor, o Padre Joaquim Damasceno Rodrigues, seu primo. Formou-se em 1866 em Direito, pela Faculdade de Direito de Recife, Estado do Pernambuco. Exerceu a advocacia. Elaborou na Comissão do Império o Código Civil (1897), o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Direito da Família, dentre outras teses. No monumental ‘Código Civil Brasileiro de 1916’, suas teses foram adotadas como anteprojeto. Dizem os historiadores que as teses de Antônio Coelho Rodrigues eram muito modernas para a época, por isso não foram adotadas integralmente. Rui Barbosa, seu amigo, certa vez comentou sobre a proposta de Antônio Coelho Rodrigues: “Dava direito aos que não tinha direito algum.” Vale salientar, que somente na ‘Constituição Federal de 1988’ é que seu texto foi adotado de forma integral, demonstrando ser, então, um homem visionário. Exerceu também a política. Foi Deputado Geral, hoje deputado federal,  pelo Estado do Piauí (1869-1872), Deputado Geral pelo Estado do Piauí  (1878-1886), senador da República pelo Estado do Piauí (1893-1896) e prefeito da cidade do Rio de Janeiro, então capital federal (1900 a 1903). Faleceu no dia 01 de abril de 1912.

 

Basílio Rodrigues Damasceno, meu trisavô, avô de Joaquim Rodrigues Damasceno (meu avô) e neto de Valério Coelho Rodrigues,  foi no final do século XIX para a região de baixo da antiga Oeiras. Não existiam nem os municípios de São Raimundo Nonato-PI e São João do Piauí-PI, os mais velhos. Hoje município de Dom Inocêncio-PI. E aqui construiu sua família. Teve vários filhos. Mas um teve destaque: João Rodrigues Damasceno, meu bisavô e pai de Joaquim Rodrigues Damasceno (meu avô). Nasceu em 1890. Foi um dos emancipadores da região. Em 1918 já era líder político. Participou da fundação do ‘Partido Comunista Brasileiro-PCB’ (1922), recepcionou a ‘Coluna Prestes’ em Oeiras-PI (1924-1927), particpou da ‘Revolução de 30’ (1930), solidarizou-se com a ‘Aliança Nacional Libertadora-ANL’ (1935), foi nomeado juiz de Direito pelo presidente Getúlio Vargas, como rábula (1942), idealizou com o bispo Dom Inocêncio a ‘Campanha Liberdade e Propriedade’, para o registro de pessoas e terras (1950). Participou da tentativa de emancipação do município de Dom Inocêncio-PI (1966), emancipado em 1988. Faleceu em 1968.

 

João Rodrigues Damasceno teve notáveis filhos. Cito três: Joaquim Rodrigues Damasceno (meu avô), José Rodrigues Damasceno–“Zeca” e Hermino Rodrigues Damasceno. Conheci e convivi com os três. Somente meu avô ainda é vivo.

 

Hermino Rodrigues Damasceno nasceu em 1930. Na época, um jovem letrado e com uma desenvoltura considerável. Tinha uma habilidade singular em resolver problemas, enumerar metas e prioridades, e coordenador missões. Do seu planejamento surgiram muitas obras sociais na região. Era muito organizado e muito sensível socialmente. E justo. Sempre preocupado em apresentar solução para os problemas sociais existentes na região. Foi quem nos educou e ensinou-nos desde cedo a trabalhar e a ter responsabilidade social. Deixou-nos o legado de utilidade pública. O então prefeito Bitoso Silva, de São Raimundo Nonato-PI, amigo da minha família, gostava muito dele.

 

José Rodrigues Damasceno - “Zeca” nasceu em 1927. Era escritor e historiador. Até hoje nunca conheci alguém que conhecesse melhor sobre a história popular da nossa região do que ele. Quantas vezes entramos na noite conversando sobre fatos e acontecimentos... Eu criança e ele já idoso. Era meu Mestre. Era minha âncora. Foi minha escola de cidadania e de formação humana.

 

Joaquim Rodrigues Damasceno, meu avô, nasceu em 1925. É a pessoa mais importante da minha vida. Desde criança já o acompanhava nas suas andanças pela vida pública. São 85 anos de idade e 67 anos de vida pública. Desde 1943. Suas experiências e sua história fizeram o diferencial na minha vida. Meu Mestre na política e na vida. Lembro quando criança que dizia: “Está com você é sentir alegria, ânimo pra vida e saudade do meu pai”.  A sua presença é fundamental, me dá ânimo para batalhar, coragem para enfrentar, fé para persistir e experiência para vencer. Quantas histórias vividas, histórias para contar...

 

(Meu avô e eu, na nossa conversa sagrada/2007)

 

 

(Meu avô recebendo a Medalha “Ordem Estadual do Mérito Renascença do Piauí”,

do governador Wellington Dias/Oeiras – 2010. Eu ao seu lado).

 

Pra finalizar, dizer que a História é nosso maior patrimônio (pessoal, familiar e social). Como diz uma frase célebre: “A História é uma construção de nós mesmos.”

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno