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Tudo começou com Valério
Coelho Rodrigues, seu
trisavô, nascido em 1713, na
freguesia de São Salvador do
Paço de Souza, Bispado do Porto
- Portugal. Ele veio para o
Brasil, chegando primeiro em
São Paulo onde se casou com
Domiciana Vieira de Carvalho,
a “Paulistana”. Era
baronesa. E a convite do
Imperador Dom Pedro I,
veio para o Piauí construir
suas fazendas. Na época, o
Piauí tinha uma pecuária forte.
Tanto que as fazendas do
próprio Dom Pedro I eram
aqui, na região da antiga
Oeiras, depois capital
piauiense. E isso continuou com
Dom Pedro II, onde
surgiu a homenagem da nova
capital piauiense (Teresina),
situada na Chapada do Corisco,
à sua mulher Teresa Cristina
(Teresina: “Teres”
de Teresa e “ina”
de Cristina). Também, anos
depois, surgiu a homenagem à
baronesa “Paulistana”,
na região das suas fazendas, no
município de Paulistana-PI.
Valério Coelho Rodrigues
faleceu em 1813.
Depois veio o protagonismo de
Manuel de Sousa Martins,
o “Visconde da Parnaíba”, neto
de Valério Coelho Rodrigues
e primo de Basílio Rodrigues
Damasceno, meu trisavô, e
avô de Joaquim Rodrigues
Damasceno (meu avô).
Manuel de Sousa Martins
nasceu em 08 de dezembro de
1767 na fazenda Serra Vermelha
situada no município de
Oeiras-PI, hoje localizada no
município de Paulistana-PI. Era
filho do português Manoel de
Sousa Martins e de Ana
Rodrigues de Santana (filha
de Valério Coelho Rodrigues).
Manuel de Sousa Martins
foi importante na Independência
da Província do
Piauí,
tendo presidido a
Junta Governativa Piauiense
(1823-1824),
tendo sido seu primeiro
governante (1824
a
1828),
tendo sido presidente da
Província do Piauí outras duas
vezes (de
13
a
15
de fevereiro
de
1829/de
7 de
fevereiro
de
1831
a
30
de dezembro
de
1843).
Faleceu no dia 20 de fevereiro
de 1856, aos 88 anos, sendo
sepultado junto ao altar-mor de
Oeiras-PI, primeira capital do
Piauí. Se não me falha a
memória, o atual
vice-governador do Estado do
Piauí, Wilson Martins, é
seu bisneto.
Assim definiu um historiador
sobre Manuel de Sousa
Martins: “Morria o
homem, nascia o ícone piauiense
que legou a seu povo o modelo
de homem íntegro, dedicado e
perspicaz nas coisas que fazia,
leal às suas convicções e fiel
às suas origens de nordestino
sertanista. Honrou o seu Estado
e, acima de tudo, dignificou o
sentimento de patriotismo pelo
Brasil.”
Para dar prosseguimento a essa
história, surgiu o
inteligentíssimo Antônio
Coelho Rodrigues, neto de
Manuel de Sousa Martins.
Nasceu em Oeiras-PI, no dia 04
de abril de 1846. Filho de
Manoel Coelho Rodrigues Filho
e Ana Joaquina de Sousa
Martins (filha de Manuel
de Sousa Martins). Antônio
Coelho Rodrigues estudou no
educandário da fazenda do seu
trisavô Valério Coelho
Rodrigues, sendo o
professor, o Padre Joaquim
Damasceno Rodrigues, seu
primo. Formou-se em 1866 em
Direito, pela Faculdade de
Direito de Recife, Estado do
Pernambuco. Exerceu a
advocacia. Elaborou na Comissão
do Império o Código Civil
(1897), o Estatuto da Criança e
do Adolescente, o Direito da
Família, dentre outras teses.
No monumental ‘Código Civil
Brasileiro de 1916’, suas teses
foram adotadas como
anteprojeto. Dizem os
historiadores que as teses de
Antônio Coelho Rodrigues
eram muito modernas para a
época, por isso não foram
adotadas integralmente. Rui
Barbosa, seu amigo, certa
vez comentou sobre a proposta
de Antônio Coelho Rodrigues:
“Dava direito aos que não
tinha direito algum.”
Vale salientar, que somente na
‘Constituição Federal de 1988’
é que seu texto foi adotado de
forma integral, demonstrando
ser, então, um homem
visionário. Exerceu também a
política. Foi Deputado
Geral, hoje deputado federal,
pelo Estado do Piauí
(1869-1872), Deputado Geral
pelo Estado do Piauí
(1878-1886), senador da
República pelo Estado do Piauí
(1893-1896) e prefeito da
cidade do Rio de Janeiro, então
capital federal (1900 a 1903).
Faleceu no dia 01 de abril de
1912.
Basílio Rodrigues Damasceno,
meu trisavô, avô de Joaquim
Rodrigues Damasceno (meu
avô) e neto de Valério
Coelho Rodrigues, foi no
final do século XIX para a
região de baixo da antiga
Oeiras. Não existiam nem os
municípios de São Raimundo
Nonato-PI e São João do
Piauí-PI, os mais velhos. Hoje
município de Dom Inocêncio-PI.
E aqui construiu sua família.
Teve vários filhos. Mas um teve
destaque: João Rodrigues
Damasceno, meu bisavô e pai
de Joaquim Rodrigues
Damasceno (meu avô). Nasceu
em 1890. Foi um dos
emancipadores da região. Em
1918 já era líder político.
Participou da fundação do
‘Partido Comunista
Brasileiro-PCB’ (1922),
recepcionou a ‘Coluna Prestes’
em Oeiras-PI (1924-1927),
particpou da ‘Revolução de 30’
(1930), solidarizou-se com a
‘Aliança Nacional
Libertadora-ANL’ (1935), foi
nomeado juiz de Direito pelo
presidente Getúlio Vargas,
como rábula (1942), idealizou
com o bispo Dom Inocêncio
a ‘Campanha Liberdade e
Propriedade’, para o registro
de pessoas e terras (1950).
Participou da tentativa de
emancipação do município de Dom
Inocêncio-PI (1966), emancipado
em 1988. Faleceu em 1968.
João Rodrigues Damasceno
teve notáveis filhos. Cito
três: Joaquim Rodrigues
Damasceno (meu avô),
José Rodrigues Damasceno–“Zeca”
e Hermino Rodrigues
Damasceno. Conheci e
convivi com os três. Somente
meu avô ainda é vivo.
Hermino Rodrigues Damasceno
nasceu em 1930. Na época,
um jovem letrado e com uma
desenvoltura considerável.
Tinha uma habilidade singular
em resolver problemas, enumerar
metas e prioridades, e
coordenador missões. Do seu
planejamento surgiram muitas
obras sociais na região. Era
muito organizado e muito
sensível socialmente. E justo.
Sempre preocupado em apresentar
solução para os problemas
sociais existentes na região.
Foi quem nos educou e
ensinou-nos desde cedo a
trabalhar e a ter
responsabilidade social.
Deixou-nos o legado de
utilidade pública. O então
prefeito Bitoso Silva,
de São Raimundo Nonato-PI,
amigo da minha família, gostava
muito dele.
José Rodrigues Damasceno -
“Zeca”
nasceu em 1927. Era escritor e
historiador.
Até hoje nunca conheci alguém
que conhecesse melhor sobre a
história popular da nossa
região do que ele. Quantas
vezes entramos na noite
conversando sobre fatos e
acontecimentos... Eu criança e
ele já idoso. Era meu Mestre.
Era minha âncora. Foi minha
escola de cidadania e de
formação humana.
Joaquim Rodrigues Damasceno,
meu avô, nasceu em 1925. É a
pessoa mais importante da minha
vida. Desde criança já o
acompanhava nas suas andanças
pela vida pública. São
85 anos de idade e 67 anos de
vida pública. Desde 1943. Suas
experiências e sua história
fizeram o diferencial na minha
vida. Meu Mestre na política e
na vida. Lembro quando criança
que dizia: “Está com você
é sentir alegria, ânimo pra
vida e saudade do meu pai”.
A sua presença é
fundamental, me dá ânimo para
batalhar, coragem para
enfrentar, fé para persistir e
experiência para vencer.
Quantas histórias vividas,
histórias para contar...

(Meu avô e
eu, na nossa conversa
sagrada/2007)

(Meu avô recebendo a Medalha
“Ordem Estadual do Mérito
Renascença do Piauí”,
do governador Wellington Dias/Oeiras
– 2010. Eu ao seu lado).
Pra finalizar, dizer que a
História é nosso maior
patrimônio (pessoal, familiar e
social). Como diz uma frase
célebre: “A História é
uma construção de nós mesmos.”
Marcos Damasceno
(pesquisador) |