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Não existe análise que não
provoque repercussões
(negativas ou positivas). Por
onde quer que você entre numa
questão dessa, não importando
qual seja, vai desembocar
direto no centro da mesma
encrenca, do mesmo impasse.
Mesmo que você saiba rastrear
um assunto, até suas raízes, na
estrutura da realidade, ainda
pode cometer equívocos,
injustiças e imprecisão. Tem
que pensar no assunto até que o
pensamento encontre seus
caminhos e coordenadas de tal
análise. Por onde (qual o
caminho mais sensato) e como
(de que maneira) ela deve ser
analisada.
Não é falar consigo mesmo,
combinar palavras ou argumentar
tentando explicar alguma coisa.
Não é nem construir deduções,
pois mais lógicas que sejam. É
preciso fatos (“Contra
fatos não há argumentos”).
Trata-se de tomar consciência,
e não de imaginar, deduzir.
Você não pode se abrir à
realidade construindo alguma
coisa em lugar dela.
Pois bem: o que seria
exatamente, no contexto geral,
uma ‘Sociedade Ideal’?
Primeiro, temos que lembrar que
‘Sociedade Ideal’ não é
necessariamente uma sociedade
perfeita. Com isso, em suma,
seria aquela na qual o ser
humano valeria mais do que as
coisas (“Devemos amar as
pessoas e usar as coisas, e
não, usar as pessoas e amar as
coisas”). Isso está
atrelado a 3 valores: respeito,
solidariedade e tolerância.
Nesse sentido, entende-se que
para existir a ‘Sociedade
Ideal’ será necessária
antes a existência do ser
humano ideal. Mesmo que o ser
humano busque o melhor para si
e para sua família, deve buscar
também o melhor para a
sociedade. Como também, age mal
quem deixa a cargo e outrem
decidir sobre o que é melhor
para si mesmo.
Sendo o ser humano senhor dos
seus próprios destinos, a
‘Sociedade Ideal’ é aquela
que garanta, a todo ser humano,
a realização dos seus sonhos,
sem que os outros atrapalhem, e
se possível, ajudem. No plano
organizacional, a autoridade
(ordem social) é que se
encarrega das regras, que não
pode ser confundida com
autoritarismo.
No Brasil, historicamente
formou-se uma sociedade
patriarcal, com uma cultura
individualista e materialista,
em regra, que reflete em todas
as áreas de atuação
populacional. Uma análise a ser
feita, é que a nossa
civilização (moderna) mostra
que houve um desenvolvimento de
bens materiais maior do que de
valores culturais. O
comportamento humano imprimiu
uma série de atitudes nas quais
a sensibilidade para a dimensão
espiritual da existência humana
foi reduzida, limitando o
significado da vida humana.
Muitas instituições, segmentos,
pesquisadores, personalidades
enfim, trabalham devotadamente
para confrontar com isso, e
mudar essa realidade. Ou pelo
menos melhorar.
Como consequência disso, a
sociedade, em regra, vai se
habituando a conviver com
crises de valores e perdendo a
capacidade de separar o justo
do injusto, o verdadeiro do
falso, o joio do trigo, o bom
do ruim. É preciso aprender a
refletir e a enxergar além das
aparências. O ser humano
(moderno), em regra, é
solitário, infeliz, egoísta e
doente (espiritualmente). E
distante da realidade, dos
outros e dele mesmo. Existem
estruturas e situações que
castram a iniciativa das
pessoas, coíbem manifestações
pessoais e sociais, não
oportunizam as pessoas,
praticam a exclusão, reprimem
talentos e inibem sonhos. Nisso
impõe a libertação e o
rompimento dessa injustiça,
opressão, prática desumana. Não
há convivência humana sadia
quando um ser humano escraviza
o outro.
Normalmente, o que provoca
conflitos, discórdia,
desentendimento, inimizade
etc., é a falta de regras e
limites na convivência humana.
Respeito às normas sociais (da
sociedade) e respeito entre as
pessoas (respeito recíproco).
Um procedimento justo gera um
resultado justo. Isso só é
possível numa sociedade
bem-ordenada. Para tanto, é
preciso que essas normas não
sejam letras mortas, sem valor
prático. Sendo assim,
atenderão aos desejos básicos
da sociedade: paz,
solidariedade e união.
A regra básica é respeitar cada
ser humano com suas
características e
peculiaridades. Não é fácil
isso na prática. Às vezes, nem
mesmo as nossas atitudes nos
agradam. Porém, se quisermos
nos relacionar adequadamente na
convivência humana, precisamos
nos relacionar bem primeiro com
nós mesmos, vencendo nossos
obstáculos internos. Se não
houver isso não haverá ser
humano ideal nem convivência
ideal e, consequentemente, não
haverá ‘Sociedade Ideal’.
Marcos Damasceno
(pesquisador) |