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No
dia 04 de setembro próximo,
completa um ano da morte do
Gilberto Dias, ‘O
Sanfoneiro Danado de Bom’.
Isso provoca sérias reflexões
em todos nós (familiares amigos
e fãs). Reflexões da
importância que teve o
Gilberto Dias para a
musicalidade regional (e
nacional – sua carreira musical
teve dimensão nacional), e sua
consagração, respeito
adquirido, e a falta que ele
faz nos dias de hoje. Reflexões
da sua amizade para com todos
nós. É sempre lembrado por
todos, em várias situações e
ocasiões.
Gilberto Dias
era alegre e brincalhão. Nossos
encontros eram divertidos. Saía
cada história (e estória)... A
sua lembrança permanece na
nossa memória. Nossa iniciativa
em escrever algo sobre ele tem
origem na saudade de um fã e
amigo.
Fez-se um ano do falecimento do
‘Sanfoneiro Danado de Bom’.
Durante sua existência,
demonstrou amor a sua terra, à
família e aos amigos. A dor da
sua perda permanece viva na
mente e no coração das pessoas.
Sanfoneiro de mão cheia.
Diga-se de passagem, um dos
melhores do Brasil. Tinha
sempre uma preocupação com os
detalhes, com a perfeição.
Sempre obstinado pela
profissão. Gizelda (sua
esposa) era o seu bom conselho,
a pessoa que lhe dava
sustentação nos bons e maus
momentos. Déborah e
Maryane (suas filhas) eram
seus xodós. E ainda contava com
a amizade do povo. E de amigos
de longas datas, como
Deuzinho (seu compadre),
Agapito Coelho, Totonho
enfim.
Gilberto Dias
é sempre lembrado como sinônimo
de liberdade, autoconfiança,
coragem, garra e
representatividade regional. Na
sua trajetória artística,
tornou-se um ‘embaixador’
da musicalidade regional, da
nossa música. Foi importante, e
o próprio Dominguinhos
(sanfoneiro) dizia isso, para a
promoção da cultura local. Da
nossa cultura. Ele deu
visibilidade a isso.
Gilberto Dias cantava
nossos valores, sentimentos,
alegrias, tristezas, costumes e
anseios. Assim, tornou-se um
símbolo.
A relação entre o Gilberto
Dias e o povo (“povão”,
como gostava de dizer), é algo
simbólico. É fruto da memória
popular. Ele sempre esteve,
está, e estará eternamente na
memória do povo. Assim dizia
Sérgio Buarque de Holanda,
escritor: “A memória
popular é uma construção social
que pode ser continuamente
elaborada e reformulada, mas
jamais esquecida. Isso porque
ela vem de uma relação
intrínseca com a produção de um
tempo ou de uma história”.
E na construção de sua
história, o Gilberto Dias
foi um homem que lutou pela
instituição da cultura popular
local no cenário nacional por
meio do forró. E assim, fazer
com que tivesse respeito e
respaldo. Além do mais, foi um
discípulo fiel do rei Luiz
Gonzaga. Um autêntico
sanfoneiro da bandeira do forró
pé de serra.
Uma questão fundamental para se
entender a importância da
história do Gilberto Dias
é analisar a forte participação
dele no processo de consagração
e expansão dos nossos valores
musicais regionais, no cenário
nacional. Sempre reprovou, e
provou isso na prática, o
discurso fácil da ‘terra
arrasada’, lugar sem valor
humano, cultural, artístico e
histórico. As condições
impostas pelas dificuldades
cotidianas não foram aceitas
por ele. Provou o contrário, e
o justo: somos uma terra de
valor, um povo de valor. E
talvez a melhor maneira de
lembrar o Gilberto Dias,
nessa data, seja analisando a
sua maior obra: representar bem
nossa terra, ter a amizade do
povo e ser um sanfoneiro
admirado e respeitado por
todos. Essa foi a luta, e o
sacrifício, de um herói. Essa é
a regra. A exceção disso não
merece atenção nem crédito. Em
suma, um lugar para cada coisa
e cada coisa no seu lugar.
O fato, é que o Gilberto
Dias sempre foi um
sanfoneiro orientado para
desafios, quebrar paradigmas,
desbravar caminhos e consolidar
sonhos, ideais e anseios. E
pela história que construiu,
merece nossos aplausos e
acolhimento. Sempre!
Marcos Damasceno
(pesquisador) |