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Relatos...

      

MARCOS OLIVEIRA DAMASCENO, 27 ANOS, ESCRITOR, CRONISTA, MEMORIALISTA, HISTORIADOR. NATURAL DE DOM INOCÊNCIO – PI. DOUTORANDO EM FILOSOFIA POLÍTICA, PELA INTERNATIONAL UNIVERSITY OFF CAMBRIDGE.


Um ano sem Gilberto Dias

marcosdamasceno23@yahoo.com.br


No dia 04 de setembro próximo, completa um ano da morte do Gilberto Dias, ‘O Sanfoneiro Danado de Bom’. Isso provoca sérias reflexões em todos nós (familiares amigos e fãs). Reflexões da importância que teve o Gilberto Dias para a musicalidade regional (e nacional – sua carreira musical teve dimensão nacional), e sua consagração, respeito adquirido, e a falta que ele faz nos dias de hoje. Reflexões da sua amizade para com todos nós. É sempre lembrado por todos, em várias situações e ocasiões.

 

Gilberto Dias era alegre e brincalhão. Nossos encontros eram divertidos. Saía cada história (e estória)... A sua lembrança permanece na nossa memória. Nossa iniciativa em escrever algo sobre ele tem origem na saudade de um fã e amigo.

 

Fez-se um ano do falecimento do ‘Sanfoneiro Danado de Bom’. Durante sua existência, demonstrou amor a sua terra, à família e aos amigos. A dor da sua perda permanece viva na mente e no coração das pessoas. Sanfoneiro de mão cheia. Diga-se de passagem, um dos melhores do Brasil. Tinha sempre uma preocupação com os detalhes, com a perfeição. Sempre obstinado pela profissão. Gizelda (sua esposa) era o seu bom conselho, a pessoa que lhe dava sustentação nos bons e maus momentos. Déborah e Maryane (suas filhas) eram seus xodós. E ainda contava com a amizade do povo. E de amigos de longas datas, como Deuzinho (seu compadre), Agapito Coelho, Totonho enfim.

 

Gilberto Dias é sempre lembrado como sinônimo de liberdade, autoconfiança, coragem, garra e representatividade regional. Na sua trajetória artística, tornou-se um ‘embaixador’ da musicalidade regional, da nossa música. Foi importante, e o próprio Dominguinhos (sanfoneiro) dizia isso, para a promoção da cultura local. Da nossa cultura. Ele deu visibilidade a isso. Gilberto Dias cantava nossos valores, sentimentos, alegrias, tristezas, costumes e anseios. Assim, tornou-se um símbolo.

 

A relação entre o Gilberto Dias e o povo (“povão”, como gostava de dizer), é algo simbólico. É fruto da memória popular. Ele sempre esteve, está, e estará eternamente na memória do povo. Assim dizia Sérgio Buarque de Holanda, escritor: “A memória popular é uma construção social que pode ser continuamente elaborada e reformulada, mas jamais esquecida. Isso porque ela vem de uma relação intrínseca com a produção de um tempo ou de uma história”. E na construção de sua história, o Gilberto Dias foi um homem que lutou pela instituição da cultura popular local no cenário nacional por meio do forró. E assim, fazer com que tivesse respeito e respaldo. Além do mais, foi um discípulo fiel do rei Luiz Gonzaga. Um autêntico sanfoneiro da bandeira do forró pé de serra.

 

Uma questão fundamental para se entender a importância da história do Gilberto Dias é analisar a forte participação dele no processo de consagração e expansão dos nossos valores musicais regionais, no cenário nacional. Sempre reprovou, e provou isso na prática, o discurso fácil da ‘terra arrasada’, lugar sem valor humano, cultural, artístico e histórico. As condições impostas pelas dificuldades cotidianas não foram aceitas por ele. Provou o contrário, e o justo: somos uma terra de valor, um povo de valor. E talvez a melhor maneira de lembrar o Gilberto Dias, nessa data, seja analisando a sua maior obra: representar bem nossa terra, ter a amizade do povo e ser um sanfoneiro admirado e respeitado por todos. Essa foi a luta, e o sacrifício, de um herói. Essa é a regra. A exceção disso não merece atenção nem crédito. Em suma, um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar.

 

O fato, é que o Gilberto Dias sempre foi um sanfoneiro orientado para desafios, quebrar paradigmas, desbravar caminhos e consolidar sonhos, ideais e anseios. E pela história que construiu, merece nossos aplausos e acolhimento. Sempre!

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno