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Em Dom Inocêncio, as coisas não
são levadas a sério por muitos.
Culpa de quem? Recorro ao
saudoso bispo Dom Inocêncio,
padrinho do nosso município:
“Culpa da cultura do
atraso”. Em minha terra
vi os forasteiros sendo
chamados de “meu povo”.
E vi-os chamando Dom Inocêncio
de “minha terra”.
Fui ignorado, desprezado,
humilhado, onde a maioria virou
as costas para mim. Mostrei um
novo caminho, mas não fui
enxergado. Disse: eu estou
aqui, pronto para o desafio,
mas fui ouvido. Culpa de quem?
Da cultura do atraso.
Engajei-me, me preparei, me
esforcei. Fiz a minha parte. E
demagogicamente, muitos ainda
diziam: “Você está
certo”. Mas preferiram
o errado. Assumi
responsabilidade, em que cobrou
de mim um peso histórico,
proveniente de uma covardia,
omissão, fraqueza e fragilidade
de espírito. Sem falsa
modéstia, o exemplo de coragem
e de prontidão foi deixado.
Preguei um novo rumo. Plantei a
semente do progresso.
Como se
diz no linguajar jurídico:
“O poder emana do povo”.
A culpa não é minha, é de
quem escolheu esse caminho.
Faço política com ideal,
seriedade e propostas.
Compartilhei do pensamento de
Petrônio Portela:
“Ninguém muda nada de fora”.
Entrei com o propósito
elementar de mudar, melhorar,
organizar, inovar, desenvolver,
unir. Não fui escolhido.
Arrependimentos? Na pior
hipótese, é demagogo. E na
melhor hipótese, é incompleto.
Tem que existir a correção dos
erros (a grandeza de reconhecer
o erro e a atitude de
corrigi-lo).
William Shakespeare
exclamou: “O ser grande
não é empenhar-se em grandes
causas: grande é quem luta até
por uma palha, quando a honra
está em jogo”. E
quem deve corrigir o erro? Quem
errou. A hipocrisia de se jogar
a culpa para quem não tem deve
ser banida.
“Ser pedra é
fácil, difícil é vidraça”,
afirma um filósofo. Criticar,
mostrar defeitos, apontar
falhas é fácil. Difícil é
assumir responsabilidades.
Muitos só querem o bônus da
vida, nada de ônus. Se servirem
do município, e não servirem ao
município. Entra o egoísmo e o
individualismo. A política é um
jogo de interesses. E é nela
que é representada os anseios
da sociedade. E é o instrumento
de solucionamento dos problemas
da sociedade. E junto com isso,
surgem os defeitos e qualidades
dos representados, a partir dos
representantes escolhidos. E
deu no que deu. E por que o
povo não protesta? Faço minhas,
as palavras de Martin Luther
King, líder do movimento
negro: "O que mais
preocupa não é nem o grito dos
violentos, dos corruptos, dos
desonestos, dos sem caráter,
dos sem ética. O que mais
preocupa é o silêncio dos
bons".
Resta os bons acreditarem no
seu potencial de luta. Como diz
Roberto
Shinyashiki, médico
psiquiatra, escritor renomado:
“Tentar, sempre; vencer,
talvez; desistir, nunca”.
Não podemos
admitir, de forma alguma, a
forma característica de um
município acovardado,
comodista, orgulhoso de sua
desilusão e, sobretudo,
ignorante. Ignorante do papel
decisivo, na originalidade
coletiva, onde falta sempre
atitude. É a inércia. O
colonialismo mental. O
conformismo cultural. A
aceitação de uma realidade
inconfortável, simplesmente
pelo fato de não existir nenhum
impulso revolucionário, de
nenhuma reprovação ou
indignação.
Isso vem de longe, a cultura do
atraso. Foi implantada por um
forasteiro garimpeiro. E a
forma com que o município foi
adminstrado por ele, pode ser
caracterizada como uma
sociopatia do poder, ou seja,
uma doença compulsiva destinada
a obrigar, a forçar as coisas.
Na perseguição de seus ideais é
autoritário, mandão e
incontrolável que manda em tudo
e de nada precisa. Decidido e
desconfiado, ele fiscaliza tudo
dentro de seus limites de
liderança, para que ninguém
cresça politicamente, de modo a
vir incomodá-lo. Amigos, só os
que concordam com ele dentro de
seu padrão de vida pessoal e
política, estando pronto para
perseguir os seus dissidentes.
Quem quiser tornar-se seu
inimigo, basta discordar de
suas idéias ou fazer censura em
relação ao seu modo de
administrar. Em matéria de
comunicação, é péssimo ouvinte
e ótimo falante, isto é, só
quer falar, mas não quer ouvir
ninguém. O que mais interessa
para ele, é o que ele próprio
pensa e nunca o que os outros
dizem. Sua vontade dominadora,
certa ou errada, tem de
prevalecer, atropelando o que
surge pela frente. Jeito
autoritário e mandão sempre
querendo bitolar o povo,
governar as pessoas conforme
seus princípios políticos. Ele
é um ditador nato. E está há um
bom tempo na cena do poder. Um
grupinho incompetente,
despreparado e prepotente, mas
que se agarra, a todo custo, no
timão do mando. Para tanto,
buscam qualquer caminho,
recorrem a todos os recursos
disponíveis, tais como
clientelismo, paternalismo e
outras práticas politiqueiras.
Certa vez Ulysses Guimarães
desabafou: “Não é o poder
que corrompe o homem. O homem é
que corrompe o poder. A
compra de votos favorece o
agravamento da pobreza, visto
que o enriquecimento ilícito
dos que exercem o poder à base
desse comportamento
absolutamente condenável
absorve o dinheiro público e
desmoraliza a democracia.
Repetem a velha fórmula que vem
dando certo em sucessivas
eleições. Uma vez eleitos,
geralmente se escondem, e o
povo que se dane: os votos
foram mesmo comprados,
portanto, até logo, até o
próximo embate eleitoral".
Os resultados são os dramas
sociais que se agravam, o
atraso socioeconômico e
cultural. A comunidade
incidente a este processo
político maquiavélico não
evolui, não cresce, não produz,
não gera riqueza ao seu povo.
E surgiu agora o filhote da
ditadura. E no momento, o
município de Dom Inocêncio
caracteriza-se com o descrédito
e arrependimento político. Por
todas as localidades percebemos
a revolta e a tristeza por
parte do povo. De quem é a
culpa? Da cultura do atraso.
Presenciamos um município
negligenciado, desordenado, sem
perspectivas de progresso.
Aquele que se apresentou como
solução, não está solucionando
nada. O povo de Dom Inocêncio
não merece o governante
municipal atual, que nada
condiz com a realidade. Mas o
escolheu. E ser um município
caracterizado pelo atraso, pelo
descaso administrativo, não
deve ser motivo de orgulho para
ninguém. Não acredito que o
nosso povo se sinta confortável
diante de tal situação. E
ficamos de luto. Luto pelas
crianças abandonadas, pelas
famílias marginalizadas, pelos
pais humilhados, pelas mães
desrespeitadas, pelas práticas
administrativas e políticas
mal-intencionadas.
Por isso é que é preciso mudar.
Principalmente, a mentalidade
social. Chega! É preciso que
se tenha um governante que seja
alçado ao poder maior do
município, estribado em um
programa de governo que não só
apresente um arranjo de
palavras sobre um papel, mas
expresse, seguramente, a
experiência de quem conhece os
problemas de Dom Inocêncio em
todas as suas facetas
socioeconômicas. Precisamos de
um administrador municipalista,
com visão descortinada, sem os
antolhos costumeiros daqueles
que só enxergam esse ou aquele
ponto isolado, incapazes de
visualizarem o contexto amplo e
maior do município. Porém, é
essencial novas cabeças, novas
mentalidades, novos métodos
administrativos e políticos,
decisões compartilhadas,
descentralização do poder,
gerenciamento participativo.
Ser um objeto da causa da
mudança política municipal. Em
Romanos 12.1-2, está
escrito uma grande mensagem
motivacional, onde diz o
seguinte:
“Transformai-vos pela renovação
da vossa mente”.
Conclui-se, porém, que a
mudança de vida só ocorrerá com
a mudança de atitude. Estamos,
enquanto grupo, na caminhada
política há 91 anos
(1918-2009). E queremos
continuar, com o mesmo
compromisso e com a mesma
proposta (desenvolver Dom
Inocêncio). Em toda a minha
empreitada fui sincero,
objetivo e transparente. Não
plantei ilusão, mas esperança.
Esperança de um filho que sonha
em ver sua terra desenvolvida,
com seu povo tendo uma melhor
qualidade de vida. “Me
magoe com a pior verdade, mas
não me iluda com a melhor
mentira”. Mas
sempre existe um número muito
maior de pessoas sem ética e
sem respeito pelo próximo, que
pensam só em si mesmas. A
sociedade inocentina, em regra,
aceita e de certa forma até
convalida a situação, o que
torna o combate difícil.
Para que o município se
construa e alcance o
desenvolvimento que quer,
dentro da racionalidade, da
estabilidade, e principalmente
da humanidade, com
personalidade própria,
precisamos superar o que tem
sido nossa maior fraqueza: a
mentalidade. É a falta de
visão, de informação e de
discernimento suficientes para
sairmos desse atraso
sociocultural que permite essa
cultura predominante, em regra,
da destruição. Primordialmente,
necessita-se de pessoas
visionárias e municipalistas,
que conheçam a identidade real,
e a realidade socioeconômica e
cultural, do nosso município. É
chegado a hora de se fazer uma
reflexão dos pós e dos contras,
das qualidades e dos defeitos,
dos fatores positivos e dos
fatores negativos, das questões
construtivas e das questões
destrutivas, das situações
confortáveis e das situações
desconfortáveis, do que está
certo e do que está errado, dos
pontos significantes e dos
pontos insignificantes, e
diante disso, efetivar uma
reciclagem cultural, no nosso
núcleo social, de toda essa
problemática e adotar
parâmetros necessários para o
desenvolvimento municipal.
Nunca se reuniram, como agora,
tantas condições favoráveis à
vitória dessa tese, na
instância municipal, acalentada
pela maioria do povo inocentino.
Quem abraça como suficiente
essa mediocridade trai o
município de Dom Inocêncio, e
demonstra não ter compromisso
com o seu desenvolvimento
cultural. Que seja esse o
momento em nossa história em
que decidamos partir para outra
situação melhor, outro caminho,
da prosperidade. Quem é do lado
do município de Dom Inocêncio
prega a doutrina da
prosperidade e quem é do lado
da ala forasteira aceita e
prega a cultura do atraso. O
povo inocentino não pode ser
intelectualmente desmoralizado.
Enquanto isso, o município
fervilha, espera e exige.
Marcos Damasceno
(pesquisador) |