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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


O Menestrel da Sabedoria Popular

marcosdamasceno23@yahoo.com.br


Essa denominação de ‘Menestrel’ não se fundamenta na cartilha acadêmica, é uma expressão usada nos tempos da autodidática. Pronunciada popularmente ‘Mestre’. Era uma forma de prestigiar aquelas pessoas de notável sabedoria. Sabedoria popular, aquela adquirida através do cotidiano da vida, da experiência. Homens e mulheres intelectuais, letrados, com embasamento empírico, porém, pensamentos científicos. Explico! A teoria que existe na atualidade tem como base de pesquisa o empirismo construído por essas pessoas. Por essas experiências.

 

É relevante dizer que se valorizava muito a sabedoria popular, o conhecimento prático. Tinha-se a vida como escola. Homens e mulheres estudiosos e observadores. Pesquisadores natos e com grande habilidade comunicativa. E isso era tradição. Em qualquer meio social tinha sempre o “Sócrates” da comunidade. Aquela pessoa tida como conselheiro. Um verdadeiro ‘Mestre’. Alguém que sempre podia ser consultado com a certeza de um rumo mostrado. E esse conhecimento e o pôster eram passados de geração para geração.

 

Dessa forma, quero ressaltar o papel intelectual relevante que o meu tio-avô José Rodrigues Damasceno, conhecido popularmente como Zeca Damasceno, teve no meu meio social, como um ‘Menestrel’ da sabedoria popular. Foi meu amigo de infância (eu criança e ele idoso). Já é falecido. Se fosse vivo, completaria neste mês de junho de 2009, 82 anos de idade. E quanto a minha formação humana, literalmente devo tudo que sei sobre a sabedoria popular a ele. Foi ele quem me ensinou o valor do conhecimento popular, da história popular, da sabedoria popular. Era da geração do Ariano Suassuna, Chico Anysio, Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, em que a cultura popular tinha forte atenção, e ocupava um lugar sagrado na formação moral das pessoas. Cada um numa área diferente (humor, música, literatura, teatro etc), mas como fundo de pesquisa sempre a cultura popular.

 

Aprendi a gostar da sabedoria popular através da sua influência intelectual. Tinha-me como seu sucessor. Porém, nunca aceitei esse pôster. Acho-me muito novo pra tal posição. Apenas sou um discípulo seu. Um defensor e apreciador da história popular. História do povo, notadamente sertanejo. Histórias das nossas raízes familiares. Sempre me dizia com convicção: “O conhecimento da escola (acadêmico) é importante, mas o que forma homens de expressão é o conhecimento popular. Conhecer as histórias populares e seus personagens. Fatos e acontecimentos. Era assim na Grécia Antiga. E deve ser assim na lida com os embates da vida. Grandes homens conhecem profundamente suas raízes e a história popular”. Levei a sério seus ensinamentos. E vejo hoje que não teria conseguido concretizar metas sem esse conhecimento popular. São verdadeiras lições de vida. E meu tio-avô Zeca Damasceno era um verdadeiro ‘Menestrel’ nisso. Ele sempre teve o interesse e a preocupação em me passar as histórias que conhecia. Talvez, como mandava a tradição: passar esse conhecimento de geração para geração. Ainda cheguei a catalogar mais de 1.200 histórias. Porém, perdi o controle. É um campo literário muito vasto. Sei boa parte delas.

 

(Foto/Zeca Damasceno)

 

Quantas vezes entramos na noite conversando sobre fatos e acontecimentos. Eu criança e ele já idoso. São coisas que às vezes não damos importância, mas que na verdade são a essência da vida. Basta observar os grandes homens, são formados nessa orientação. São detalhes. E a vida é feita de detalhes. Na época, eu dava importância, preciso confessar isso, por curiosidade de criança. E hoje, vejo o quanto isso foi importante para mim. Conhecer a experiência dos outros. Isso me deu maturidade.

 

Ele era meu “Ariano Suassuna”. Até hoje nunca conheci ninguém que conhecesse melhor sobre a história popular da nossa região do que ele. Gostava de conversar, transmitir conhecimento e assimilar conhecimento. Sempre me dizia: “Converse sempre com as pessoas. Isso é oportunidade de aprendizagem. Observe sempre as coisas e a conversa das pessoas. E nas rodas de conversas, nunca seja fanático ou radical. Seja diplomático e moderado. Respeite as diferenças. Sempre aprendemos alguma coisa. Toda pessoa tem algo a ensinar. E a aprender”. Percebe-se que esse título de ‘Menestrel’, dado pela sabedoria popular, demandava de certa habilidade de comunicação e observação. Não é qualquer pessoa que tem essa habilidade. Isso não é comum. Até mesmo porque é uma vocação. É preciso gostar. Ter um bom diálogo e interesse pela atenção das pessoas.

 

Então, diante desses esclarecimentos não poderia deixar de mencionar o ‘Menestrel’ Zeca Damasceno. Era uma verdadeira enciclopédia. Sonhamos juntos com muita coisa. No entanto, o destino da vida nos colocou em caminhos diferentes. Mas ele está no céu ao lado do meu bisavô João Damasceno. Estão me ajudando, como força espiritual, a realizar minhas metas no campo literário.

 

(Foto/João Damasceno)

 

Essa é a principal lembrança que tenho da minha infância. Lembrança do ‘Menestrel’ da sabedoria popular Zeca Damasceno. Lembrança da nossa amizade. Era minha âncora. Meu ‘Mestre’. Dava-me alegrias. E muito conhecimento. Em resume, foi minha escola de cidadania e de formação humana. Sua presença física se foi, mas espiritualmente continuamos juntos. Em vida, me orientou. Agora do céu, me motiva a continuar a caminhada da história popular. Ao ‘Menestrel’ da sabedoria popular, com emoção.

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno