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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


Celerino Antônio de Sousa

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


         Celerino Antônio de Sousa é um daqueles personagens que marcam a História. Figura ilustre da nossa terra. Pela expressão social na região. Diga-se de passagem, um homem com um Q.I. (quociente de inteligência) muito elevado. A meu ver, uma das pessoas mais inteligentes já existentes na nossa região. Faleceu em 2007, aos 85 anos de idade. Era irmão da minha avó paterna (Arcanja Maria de Jesus), e genro do meu bisavô João Rodrigues Damasceno. Conhecido pelo povo regional como um cientista. Era um homem prático e autodidata. Também polivalente. Mexia com muita coisa.

 

Sanfoneiro desde o tempo do Seu Januário, pai do Luiz Gonzaga (rei do Baião), ainda criança, na década de 20. Aprendeu sozinho. E ainda era instrumentalista. Ferreiro desde jovem, profissão que aprendeu com seu pai (José de Sousa“Zé Barrinha”), meu bisavô. Fazia coisas que eram “impossíveis” para a realidade estrutural da região, na época. Isso é fato. Há 60 anos já era fotógrafo. Muitas das fotos da época foram tiradas por ele. Foi subdelegado nos anos 50, onde desenvolveu muitos trabalhos de conciliação em litígios existentes na região, notadamente envolvendo questões de terras, juntamente com seu sogro (João Rodrigues Damasceno), meu bisavô, que na época era Juiz de Direito. Dentista prático há mais de 50 anos. Extraía dentes, fazia prótese etc. Atendia toda a região, desde Itaueira - PI, Oeiras - PI, Paulistana - PI, Canto do Buriti - PI, São João do Piauí - PI, Bom Jesus do Gurguéia - PI, Caracol - PI, Remanso - BA, Casa Nova - BA, e parte do Estado do Pernambuco. Num raio de 500 km ele era procurado. Foi importante nessa profissão, a História confirma isso. Pela necessidade da região passou a ser, nos últimos 40 anos, cirurgião prático. Isso depois da morte do extraordinário Júlio Dias, que exercia essa função. Serviu a muita gente. Vale ressaltar a coragem que teve em atuar, de forma empírica, numa área difícil, principalmente para época. Fazia serviços eletrônicos, principalmente em rádios, instrumento de grande relevância histórica para a comunicação regional. Teve também notável passagem pela política, por influência do seu sogro, meu bisavô João Rodrigues Damasceno. A prova disso é a sua permanência na memória coletiva. Isso porque deixou muito de positivo a favor da emancipação do nosso povo e da nossa terra. 

 

Tenho curiosidade pela História, notadamente pela história popular. E foi assim que me tornei um amigo do Seu Celerino (eu criança e ele já idoso). Considerava-me um neto, e eu o considerava um avô. Esse vínculo afetivo não se deu pelo grau de parentesco somente. Nossa afinidade, que se tornou em amizade, se enveredava pela apreciação à história popular, eu um simples aprendiz e ele um mestre. Sempre recorri a ele, com o intuito de saber algo sobre a história regional (acontecimentos, fatos, informações etc.). Aprendi com ele o sentimento de uma amizade verdadeira, a ter lealdade pelas pessoas, ser solidário, ser útil socialmente. Aprendi a ter convicção, firmeza de caráter e personalidade. Certa ocasião, quando conversávamos, juntamente com meu tio-avô Zeca Damasceno, ele me disse que a primeira regra para ser alguém ou conseguir algo é ter convicção. Ainda pontuou: “Se você não acredita em você (na sua capacidade) tudo fica mais difícil. E convicção é isso. É ter firmeza no que falamos e queremos conseguir”. Isso nos dar um entendimento porque ele era um homem destemido. Sua formação moral era um patrimônio da relação social de uma época, da sua geração. São valores culturais, conceitos morais, princípios éticos e normas comportamentais sagrados na sua concepção humana.

 

Celerino pertenceu a uma geração de criadores. Autodidatas que tinham curiosidade em aprender algo que seria útil à demanda local e tomavam a iniciativa. E foi nesta necessidade e percepção que Seu Celerino aprendeu de tudo um pouco. Atuou em várias áreas. Era um homem polivalente. Mas o mais relevante, como referência, foi sua representação para a emancipação da região. Sua utilidade social. Se percorrermos os quatro cantos do nosso município, um pouco mais de 11.000 (onze mil) habitantes, iremos perceber o quanto ele foi importante nas vidas das pessoas. Todas as famílias do nosso município, sem nenhuma exceção, foram ajudadas por ele. Seus serviços prestados são de um significado grandioso, de uma relevância incontestável. E isso se estende por toda a região, além dos limites geográficos do município. Sua identidade ficou marcada na memória popular.

 

Eu confesso que quando lembro o Seu Celerino recordo também da nossa amizade. Do quanto eu gostava de conversar com ele e vice-versa. Recordo da nossa afinidade, muita coisa que ele gostava eu também gostava. Em especial, conversar e contar histórias (e também estórias). E sempre me dizia: “Meu filho você é o único jovem que conheço que gosta de conversar com velho”. Contava-me tudo. Sua infância sofrida, seus sonhos, sofrimentos, lutas e conquistas. Lembro que uma vez ele desabafou comigo: “Tinha o sonho em ser médico para cuidar das pessoas. Não estudei, mas cuidei das pessoas”. Ele atuou como “médico” prático durante uma vida. E eu tive que pontuar: “O senhor não teve a oportunidade de estudar, mas dá uma lição em muitos que estudaram e que não tem o conhecimento prático, a visão profissional e a responsabilidade social que tem. Sua escola foi a vida. E sua vida é uma escola para minha geração”. E ele olhou por cima dos óculos e disse: “Esperei 70 anos para ouvir isso”. Mas na verdade ele não tinha crise existencial, quis apenas testar, através de mim, a concepção da minha geração sobre sua pessoa e seu trabalho.

 

Ele pertenceu a uma geração em quer não se esperava por oportunidade, se representava essa oportunidade. Criava as alternativas. Uma geração que não reclamava da situação, lutava para melhorá-la. Uma geração que tinha uma força de vontade, uma coragem, uma disposição pouco vista nos dias atuais. Hoje, a modernidade nos traz muita acomodação. Seu Celerino dizia: “Meu filho, o povo de hoje é do Paraguai. Até pra acordar dá trabalho”. Sua afirmação era baseada no fato de que a minha geração não tem o destemor, a determinação e a disposição que a dele teve. “Não tem coragem pra nada”, sentenciou. A época dele foi mais difícil, porém o povo era mais lutador. Uma geração criativa, que sabia fazer das dificuldades, oportunidades. Dizia a primeira regra: “O homem (humanidade) tem que acordar primeiro do que sol”.

 

Sou tomado pela emoção quando me lembro dele. O seu valor humano é imensurável, de uma dimensão enorme. Sua presença era algo contagiante e marcante. Mas também, me vem a alegria de ser um familiar dele, de ter tido o privilégio de ser seu amigo. Nossa amizade era verdadeira. O respeito que tinha por ele, e ainda tenho por sua memória, é algo inegociável, incondicional. Minha consideração por ele é sagrada. Passo por cima de qualquer coisa para honrar a confiança de sua amizade. E digo com muita convicção: um homem extraordinário como o Celerino Antônio de Sousa não nasce todo dia. Em cada século surge um.

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno

 

 

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