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Escrever sobre a
história popular tem um
objetivo elementar: fazer
justiça pela história da gente,
pessoas anônimas,
desprestigiadas pela História
(tradicional), e que
engrandeceram, de fato, o nosso
processo de emancipação. É o
caso do José Alexandre
Oliveira (1917-2008),
conhecido popularmente como
“Zé Grande”. Era grande no
tamanho, no espírito e na
coragem. Era meu tio-avô.
Considerado o rei dos
vaqueiros. Era o vaqueiro
voador. Pelo que se tem
registro foi o melhor já
existente na nossa terra. E um
dos maiores da história do
Nordeste. Tanto que virou
lenda. Igual a ele só
Raimundo Jacó, que se
tornou mito dos vaqueiros,
depois de ter sido assassinado
covardemente, na madrugada de 8
de julho de 1954, no Sítio de
Lages, distrito do município de
Serrita - PE. O cantor Luiz
Gonzaga, seu primo, chegou
a dizer que foi um covarde
crime. Foi quando surgiu a
cantiga legendária ‘A morte
do vaqueiro’ (Composição:
Luiz Gonzaga e Nelson
Barbalho), cantada pelo rei
do Baião. Uma homenage.
O
local do crime se tornou um
local de romaria. Daí a nossa
preocupação em registrar isso,
para simbolizar a categoria,
engrandecer nossa terra e fazer
justiça pela história da nossa
gente.
O vaqueiro é um
homem corajoso e forte. E a sua
imagem, seu simbolismo, sua
identidade cultural, e sua
importância são muito presentes
nas nossas vidas. Todos nós
temos a presença da vocação, e
da profissão, do vaqueiro nas
nossas famílias. Talvez toda
família na Região Nordeste
tenha o ofício do vaqueiro
representado nos seus membros
familiares. É o trabalhador da
caatinga, que vive a enfrentar
os seus perigos para cuidar do
gado. Sua lida diária é
intensa, montado a cavalo
percorre a fazenda
certificando-se da segurança do
gado solto, em terrenos
extensos, arrebanhando-o aos
currais. Geralmente sua labuta
é assim. Para enfrentar o
perigo entre os espinhos e
pontas de paus da caatinga, o
vaqueiro veste sua
vestimenta própria (também
equipamento de proteção
individual) feita de couro,
composta por perneira (calça),
gibão (jaqueta), chapéu,
peitoral (avental), luvas e
botas.
Para os vaqueiros com mais
essência, é motivo de orgulho.
O aboio é o canto que
caracteriza o vaqueiro, quando
abóia para conduzir o gado,
transmite seus sentimentos. O
vaqueiro trabalha com o boi,
vive em função do boi, veste
roupa feita com o couro do boi.
Uma das
características do vaqueiro é
que, além de ser um homem muito
trabalhador, também tem que ser
um homem destemido na luta com
os animais.
O cavalo é o companheiro de
trabalho, que o liberta tão
logo terminadas suas lidas
diárias. Ao fim da tarde,
quando o sol descamba, retorna
ele da lida. E acorda muito
cedo para mais um dia de
labuta. E como diz um trecho
da música de Eduardo
Mendonça, cantada por
Luís de Jovino e Guel
Pacheco:
“Vaqueiro nasce
vaqueiro/Está na raiz do
coração/O seu corpo tem o
cheiro
das caatingas do sertão”.
“Zé Grande”
quando criança gostava de
estripulia. Não gostava de
sentar, era inquieto. Sua
brincadeira preferida era
montar em burro, jumento ou
cavalo brabo (no linguajar do
interior são aqueles animais
que não foram ainda amansados,
preparados como meio de
transporte). Pulam iguais em
rodeio. Claro, sem que seu pai
(meu bisavô Alexandre
Oliveira) soubesse. Isso
lhe rendeu muitas fraturas,
sofreu muitos acidentes (e
muita fama), mas nunca
encontrou um animal
(cavalo/burro/jumento) que o
derrubasse. Junto com
Antônio Lameu, seu irmão
por parte de mãe, e meus
tios-avós Jaime Oliveira
e Antonino Oliveira, os
mais velhos dos filhos do
Alexandre Oliveira, fazia
coisas vistas somente em filmes
de faroeste. À noite, uma
escuridão imensa, ele montado
numa burra, menos de 20 anos de
idade, ia pra cacimba velha -
só existia ela como fonte
hídrica para os animais por
perto - do Caldeirão
(localidade que morava meu
bisavô). Só pra correr atrás de
éguas brabas nos pés de morros.
Os irmãos só ouviam pedra
chiar, os tropelos da burra, a
mata estralar e o barulho do
tombo das éguas. Derrubava uma
por uma. Dava uma carreira
atrás e derrubava só pra ver o
tombo. Não perdia nenhuma
carreira. Os irmãos ainda
ponderavam: “Zé Grande é
melhor a gente parar e voltar
pra casa”. E ele dizia:
“Só mais uma vez uma”.
E ficou treinado nisso.
Era tão bom, que poderia está
montado em qualquer animal
(cavalo/burro), que pegava
tudo. De dia e de noite. Era
extraordinário. Corria atrás de
éguas brabas com um cabresto na
mão, e pulava do cavalo que
estava montado para uma das
éguas e botava o cabresto e
conseguia fazê-la parar. Outras
vezes, pendurava no pescoço de
uma das éguas e derrubava-a.
Meu tio-avô Jaime Oliveira,
preocupado, dizia: “Zé
Grande vamos embora senão o
papai vai saber, e nós vamos
levar uma surra”. E
começaram a aparecer animais
machucados dos tombos que o “Zé
Grande” dava. E minha
bisavó Amélia, na
ocasião, disse:
“Alexandre é preciso ver o que
os meninos estão aprontando
todo dia na cacimba, daqui eu
só escuto a zoada deles”.
Desconfiado, meu bisavô
Alexandre Oliveira foi
observar o que estava
acontecendo na cacimba velha
todos os dias, ao anoitecer.
Fala-se que ao chegar à cacimba
velha, montado no seu cavalo,
sem que seus filhos o
percebesse, ficou observando o
que estavam aprontando. Na
justa hora o “Zé Grande”
estava dando uma carreira numas
jumentas. E meu bisavô ficou
observando a coragem e a
habilidade dele. Nada normal.
Era atitude de um bom vaqueiro.
Não havia vaqueiro igual.
Derrubou a jumenta chega o chão
estralou. E por azar, a jumenta
machucou uma perna. E meu
bisavô ficou preocupado com a
jumenta, e muito feliz pelo
filho, que se despontava como
um grande vaqueiro. E meu
bisavô apenas olhou para o
“Zé Grande” e pensou
consigo mesmo: “Este
menino tem jeito de bom
vaqueiro”.
Meu bisavô estava decidido dar
um cavalo dos bons para o
“Zé Grande”. E surgiu um
boi para ser buscado na casa do
Antônio Martins, muito
amigo dele, na localidade
Cabeça da Serra. Isso foi em
1941. E disse: “Zé Grande
vá buscar esse boi mais o
Jaime. Mas peçam pro vaqueiro
do Antônio Martins colocar uma
careta e um cambão ainda no
curral”. Isso temendo
eles não conseguirem trazer o
cujo boi. Era um boi grande,
mas não muito brabo. Quando
chegaram lá o Antônio
Martins disse: “Estes
meninos não levam o boi. Vão
acabar deixando ir embora”.
O Jaime Oliveira
como sempre foi ajuizado e
responsável, já foi logo dando
o recado. Inclusive a
recomendação para o vaqueiro
colocar a careta e o cambão no
boi. E dentro do curral tinha
um boi grande, muito brabo.
Fala-se que esse boi deu um
trabalho danado pros vaqueiros
do Antônio Martins. Foi
preciso 5 (cinco) vaqueiros
bons pra pegá-lo. E na
confusão pra laçar o boi do meu
bisavô, o cujo boi brabo acabou
saindo do curral, arrombou a
porteira. E o “Zé Grande”
estava na porteira do curral,
montado num cavalo não muito
bom. E já saiu junto com o boi
brabo, e numa velocidade
assustadora sumiram na mata. O
próprio Antônio Martins
ficou observando a coragem do
“Zé Grande”, mas jamais
pensava que aquele jovem teria
capacidade de pegar sozinho
aquele boi. E os vaqueiros da
fazenda acompanharam, mas um
pouco atrasados. Logo que
entrou na mata o “Zé Grande”
conseguiu derrubar o boi, e
quando os outros vaqueiros o
alcançaram já estava com o boi
amarrado. Ficaram admirados com
a ação que viram daquele jovem
vaqueiro. Quando chegaram de
volta com o boi, o Antônio
Martins já foi dizendo:
“Dessa vez vocês pegaram
fácil o boi”. Achando
que tinha sido seus vaqueiros.
E se assustou com o que ouviu
dos seus vaqueiros: “O
rapaz foi quem pegou o boi
sozinho. Quando o alcançamos já
estava com ele amarrado”.
E o Antônio Martins
disse: “Não é possível.
Meu filho seu pai sabe que você
é assim?” (um bom
vaqueiro). Dias
depois é que meu bisavô soube,
pelo próprio Antônio Martins
do feito do seu filho na pega
do boi brabo. E meu bisavô
encomendou no Pernambuco um bom
cavalo para dar de presente ao
“Zé Grande”. Custou uma
nota, muito caro. No dia que o
cavalo chegou o “Zé Grande”
não dormiu tribulando com esse
cavalo. Junto com o cavalo,
ganhou também todos os arreios
novos (equipamentos para
montaria). Ao entregar o cavalo
prometido, meu bisavô disse:
“Pode montar nele, que será
seu. Mas tome cuidado: ele não
corre, voa”. E com esse
cavalo “Zé Grande” fez
muita história, deu muito
orgulho ao meu bisavô e se
tornou o rei dos vaqueiros.
Pouco tempo após ganhar o
cavalo de presente, e já com a
fama de bom vaqueiro, “Zé
Grande” estava indo
juntamente com meu bisavô
Alexandre Oliveira e
Antônio Lameu para a
localidade Lagoa das Pedras. Os
três montados a cavalos. E o
“Zé Grande” no seu cavalo
bonito. Muito arisco. Bastava
apontar o rumo que disparava
como um foguete. Foi quando na
beira da rodagem, de dentro de
uma roça, pela cerca, surgiu
uma raposa. Já saiu veloz. E o
“Zé Grande” sempre foi
atento e rápido. Bastava surgir
qualquer coisa correndo que ele
já estava preparado para correr
atrás. E com a cuja raposa foi
assim. Quando a avistou já se
preparou para pegá-la. E pegar
raposa, um animal pequeno, num
cavalo (pela questão da altura)
é difícil. Não é pra todo
mundo. Pra qualquer vaqueiro. E
a vontade do “Zé Grande”
de dar uma carreira naquela
raposa foi impulsionada mais
ainda quando ouviu do meu
bisavô: “Testa o cavalo
nesta raposa”. Mas
jamais achava que ele ia
conseguir pegá-la. Pelo menos
nunca tinha ouvido falar que
algum vaqueiro tivesse pegado
uma raposa. E soltou o cavalo
na raposa. Como o cavalo era
bom, e o vaqueiro melhor ainda,
antes do canto da roça, poucos
metros de carreira, ele já
estava com a raposa pega pelo
rabo. Foi de uma rapidez
tremenda. E meu bisavô disse
pro Antônio Lameu:
“Pegou mesmo”. E o
Antônio Lameu reforçou:
“O Zé Grande é um grande
vaqueiro”. Esta
história da raposa correu a
região, e a fama de bom
vaqueiro do “Zé Grande”
também. E passou a ser chamado
para pegar boi em várias
regiões. Até em outros Estados.
Pegou boi na Bahia e no
Pernambuco. A procura por ele
era grande. Na época existiam
muitos bois no mato, brabos que
só um bom vaqueiro pegava. E
logo surgia a decisão:
“Vamos chamar o Zé Grande pra
pegar”. E foi assim a
vida do “Zé Grande”. No
exercício de sua profissão,
também sua vocação, que no
fundo, era também sua paixão. O
que mais gostava de fazer na
vida. Era o prazer de sua vida.
Pra pegar um boi ele estava
sempre no ponto. E gostava de
desafios. Quando sabia de um
boi que nenhum vaqueiro
conseguia pegar, ele ia lá
oferecer sua ajuda. “Dar uma
carreira”, como gostava de
dizer. E nunca abotoou (deixou
ir embora sem pegar) um boi.
Nessa sua vida de vaqueiro
encontrou bois fáceis de pegar,
mas encontrou também bois
difíceis. Sofreu vários
acidentes. Mas sempre pegava.
Era um vaqueiro corajoso, que
se aproximava a loucura (no
sentido de ser destemido).
Enfrentava perigos de toda
natureza. Podia lascar com
tudo, mas focava o boi e
pegava.
Essa sua coragem (que não era
comum) foi confirmada na
localidade Contador, na pega de
um boi. Foi chamado, como
sempre, para pegar um boi
encantado, que muitos vaqueiros
da redondeza já haviam
abotoado. Resolveu dar uma
carreira nele, como gostava de
dizer. Pegou seu cavalo e foi.
Chegou à casa do dono do boi à
noite, depois da janta. E já
foi perguntando: “Pra que
lado está o boi?”. E o
dono da casa, disse:
“Primeiro vamos apiar (descer
do cavalo) e jantar”.
Era o final da década de 40. E
o “Zé Grande”, já
encourado (com os equipamentos
de vaqueiro) disse: “Só
aceito um pouco de água. E
quero um vaqueiro pra mostrar o
ponto do boi (onde sempre é
visto)”. E o dono da
casa pontuou: “Não. Vamos
deixar o boi pra amanhã. Até
mesmo que você não vai
conseguir pegá-lo de noite. E
ainda só. Hoje mesmo uns 3
(três) vaqueiros tentaram
pegá-lo e não conseguiram. E
era de dia”. O boi era
grande, brabo e valente. Já
havia furado vários cavalos.
Aterrorizado vários vaqueiros.
E a fama de boi encantado (que
ninguém conseguia pegar) já
estava pela redondeza. E o
“Zé Grande” insistiu:
“A lua está clara. Quero
tentar (era modesto) hoje
ainda. Tenho que voltar. Amanhã
tenho que está de volta em
casa”. Então,
o dono do boi (também dono da
casa) concordou. E ordenou seu
filho a pegar um cavalo na roça
pra acompanhar o “Zé Grande”
até o ponto do boi. E o
menino, filho do dono da casa,
disse despachadamente:
“Pra quê? Não pegaram de dia,
vão pegar de noite. Ainda mais
só um vaqueiro”. Isso
pela chateação em ter que
levantar àquela hora, já estava
dormindo, pra ir à roça buscar
um cavalo. Mas teve que ir.
Naquela época, ordem era ordem.
Nisso juntou-se também um
vizinho do dono do boi, que já
havia participado de todas as
tentativas de pegar o boi. E
como vaqueiro é uma categoria
muito unida e solidária, jamais
deixa um companheiro só. Foram
os 3 (três): o dono do boi, o
vaqueiro vizinho e o “Zé
Grande”. O dono do boi, ao
avistar a boiada, disse:
“Ele é pra está no meio deste
gado”. E o “Zé
Grande”, como sempre foi
ativo e rápido, já foi se
preparando para o sinal verde,
a hora de disparar atrás do
boi. E o vaqueiro vizinho
apontou com o dedo para o cujo
boi: “Ali está o boi. É
aquele”. E
quando olhou pro lado o “Zé
Grande” não estava mais, já
estava lá na frente de parelha
com o boi, e ganhou mata
adentro. E ficaram sem saber
pra onde ele foi. Só ouviam
mata estralar. E foram atrás,
também correndo muito, pelo
barulho escutado de longe. Mas
sem conseguir alcançá-lo. O
outro vaqueiro falou pro dono
do boi, sobre o “Zé Grande”:
“Valei-me nossa Senhora
esse vaqueiro é doido”.
E seguiram no rumo. E o
“Zé Grande” entrou nesse
boi rasgando (como se diz no
interior). Quando o boi virava
pra furar o cavalo, ele
enfrentava-o com muita força
com o ferrão (equipamento para
futucar o boi). Era um homem
forte. Até que botou o boi para
uma mata muito fechada, difícil
de campear (poucos vaqueiros
conseguem). E ele dizia que
lugar assim era melhor ainda. E
era na descida de uma serra. E
quando avistou o abismo, ele
avançou no boi. Caíram os 3
(três): o “Zé Grande”, o
cavalo e o boi. O cavalo caiu
atrás, e ele pulou em cima do
boi e conseguiu derrubá-lo na
frente. Caiu agarrado ao boi. O
cavalo sofreu um corte profundo
na testa, o boi se machucou
todo e o “Zé Grande”
fraturou uma costela. O relevo
era ruim, muito acidentado e
perigoso. Nisso o outro
vaqueiro e o dono do boi, muito
longe do local, e já sabendo o
rumo que havia tomado o “Zé
Grande” (rumo ao abismo da
serra), e por não ouvir mais
nenhum barulho, achavam que ele
havia morrido. E algum tempo
depois conseguiram localizá-lo.
E ele estava lá caído no chão,
o boi peado (amarrado) e o
cavalo amarrado ao lado. Mesmo
machucado, ainda peou sozinho o
boi. Em menos de 1 (uma) hora
ele pegou o boi. E sozinho. E
ainda à noite. E num lugar
(relevo) ruim. Ao chegar ao
local o dono do boi admirado,
que na época já era um idoso,
disse: “Você é o melhor
vaqueiro já vi em toda minha
vida”. E o outro
vaqueiro, ainda impressionado,
emendou: “E essa sua
coragem. Deus me livre”.
O fato é que pegou o boi. E
depois do café, despediu-se do
dono da casa (também dono do
boi), e foi embora. Perguntado
quanto foi seu serviço disse:
“O boi já me pagou”. O
boi do Contador deu nome e fama
ao “Zé Grande”. Creio
que sua atenção em dar uma
carreira nele, como gostava de
dizer, foi como um desafio de
vaqueiro. Não como
exibicionismo ou amostramento.
Mas como valorização do ofício
do vaqueiro, e por gostar de
desafios dessa natureza. E
também por uma questão de
solidariedade. E seu nome
correu por toda a redondeza.
“Zé Grande”, o rei dos
vaqueiros.
Por essas histórias contadas, e
por tantas outras, o “Zé
Grande” ganhou um apelido
de vaqueiro voador. Isso pela
sua rapidez, sua velocidade no
campo. Era muito violento do
ponto de vista da agilidade.
Foi em sucessivas pegas de bois
que ficou conhecido como o
vaqueiro voador. Nessas pegas
de bois, uma espécie de
mutirão, ele era escalado para
pegar os bois mais difíceis.
Era um vaqueiro especial. O
homem era mesmo voador. O ritmo
dele no campo era incomum.
Ninguém nunca conseguiu
alcançá-lo numa pega de um boi.
A História confirma isso,
nenhum vaqueiro até hoje
consegue fazer o que ele fazia
como vaqueiro. Seus
companheiros não precisavam ter
preocupação: num instante, ele
pegava o boi, noutro instante
estava de volta. A fama de
vaqueiro voador se consagrou
popularmente. E não tinha mais
sossego. Era sempre chamado pra
pegar bois encantados. Esse é o
maior significado deste
registro, pelo que representou
historicamente, representa e
sempre representará o vaqueiro
nas nossas vidas. E a profissão
do vaqueiro trouxe
desenvolvimento para nossa
terra, onde já se tornou
patrimônio cultural. E nisso
vejo a grandeza do “Zé
Grande: o rei dos vaqueiros”,
um dos vaqueiros do Nordeste, e
o melhor da nossa terra. Eu
estava lá no seu velório, e vi
os vaqueiros da região lançar o
bordão: “Zé Grande: o rei
dos vaqueiros”. E
cantaram a ‘Morte do
vaqueiro’, cantiga do
Luiz Gonzaga. Nisso, surgiu
a ideia de um livro, que será
publicado ainda este ano,
intitulado “Zé Grande: o rei
dos vaqueiros”. Que
continuemos sempre nessa linha
de pesquisa e de literatura,
escrevendo as histórias da
nossa terra e da nossa gente.
Marcos Damasceno
(pesquisador) |