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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


Zé Grande: o Rei dos Vaqueiros

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


          Escrever sobre a história popular tem um objetivo elementar: fazer justiça pela história da gente, pessoas anônimas, desprestigiadas pela História (tradicional), e que engrandeceram, de fato, o nosso processo de emancipação. É o caso do José Alexandre Oliveira (1917-2008), conhecido popularmente como “Zé Grande”. Era grande no tamanho, no espírito e na coragem. Era meu tio-avô. Considerado o rei dos vaqueiros. Era o vaqueiro voador. Pelo que se tem registro foi o melhor já existente na nossa terra. E um dos maiores da história do Nordeste. Tanto que virou lenda. Igual a ele só Raimundo Jacó, que se tornou mito dos vaqueiros, depois de ter sido assassinado covardemente, na madrugada de 8 de julho de 1954, no Sítio de Lages, distrito do município de Serrita - PE. O cantor Luiz Gonzaga, seu primo, chegou a dizer que foi um covarde crime. Foi quando surgiu a cantiga legendária ‘A morte do vaqueiro’ (Composição: Luiz Gonzaga e Nelson Barbalho), cantada pelo rei do Baião. Uma homenage. O local do crime se tornou um local de romaria. Daí a nossa preocupação em registrar isso, para simbolizar a categoria, engrandecer nossa terra e fazer justiça pela história da nossa gente.

 

O vaqueiro é um homem corajoso e forte. E a sua imagem, seu simbolismo, sua identidade cultural, e sua importância são muito presentes nas nossas vidas. Todos nós temos a presença da vocação, e da profissão, do vaqueiro nas nossas famílias. Talvez toda família na Região Nordeste tenha o ofício do vaqueiro representado nos seus membros familiares. É o trabalhador da caatinga, que vive a enfrentar os seus perigos para cuidar do gado. Sua lida diária é intensa, montado a cavalo percorre a fazenda certificando-se da segurança do gado solto, em terrenos extensos, arrebanhando-o aos currais. Geralmente sua labuta é assim. Para enfrentar o perigo entre os espinhos e pontas de paus da caatinga, o vaqueiro veste sua vestimenta própria (também equipamento de proteção individual) feita de couro, composta por perneira (calça), gibão (jaqueta), chapéu, peitoral (avental), luvas e botas. Para os vaqueiros com mais essência, é motivo de orgulho. O aboio é o canto que caracteriza o vaqueiro, quando abóia para conduzir o gado, transmite seus sentimentos. O vaqueiro trabalha com o boi, vive em função do boi, veste roupa feita com o couro do boi.  Uma das características do vaqueiro é que, além de ser um homem muito trabalhador, também tem que ser um homem destemido na luta com os animais.


O cavalo é o companheiro de trabalho, que o liberta tão logo terminadas suas lidas diárias. Ao fim da tarde, quando o sol descamba, retorna ele da lida. E acorda muito cedo para mais um dia de labuta.  E como diz um trecho da música de Eduardo Mendonça, cantada por Luís de Jovino e Guel Pacheco:
“Vaqueiro nasce vaqueiro/Está na raiz do coração/O seu corpo tem o cheiro
das caatingas do sertão”.

 

“Zé Grande” quando criança gostava de estripulia. Não gostava de sentar, era inquieto. Sua brincadeira preferida era montar em burro, jumento ou cavalo brabo (no linguajar do interior são aqueles animais que não foram ainda amansados, preparados como meio de transporte). Pulam iguais em rodeio. Claro, sem que seu pai (meu bisavô Alexandre Oliveira) soubesse. Isso lhe rendeu muitas fraturas, sofreu muitos acidentes (e muita fama), mas nunca encontrou um animal (cavalo/burro/jumento) que o derrubasse. Junto com Antônio Lameu, seu irmão por parte de mãe, e meus tios-avós Jaime Oliveira e Antonino Oliveira, os mais velhos dos filhos do Alexandre Oliveira, fazia coisas vistas somente em filmes de faroeste.  À noite, uma escuridão imensa, ele montado numa burra, menos de 20 anos de idade, ia pra cacimba velha - só existia ela como fonte hídrica para os animais por perto - do Caldeirão (localidade que morava meu bisavô). Só pra correr atrás de éguas brabas nos pés de morros. Os irmãos só ouviam pedra chiar, os tropelos da burra, a mata estralar e o barulho do tombo das éguas. Derrubava uma por uma. Dava uma carreira atrás e derrubava só pra ver o tombo. Não perdia nenhuma carreira. Os irmãos ainda ponderavam: “Zé Grande é melhor a gente parar e voltar pra casa”. E ele dizia: “Só mais uma vez uma”. E ficou treinado nisso.

 

Era tão bom, que poderia está montado em qualquer animal (cavalo/burro), que pegava tudo. De dia e de noite. Era extraordinário. Corria atrás de éguas brabas com um cabresto na mão, e pulava do cavalo que estava montado para uma das éguas e botava o cabresto e conseguia fazê-la parar. Outras vezes, pendurava no pescoço de uma das éguas e derrubava-a. Meu tio-avô Jaime Oliveira, preocupado, dizia: “Zé Grande vamos embora senão o papai vai saber, e nós vamos levar uma surra”. E começaram a aparecer animais machucados dos tombos que o “Zé Grande” dava. E minha bisavó Amélia, na ocasião, disse: “Alexandre é preciso ver o que os meninos estão aprontando todo dia na cacimba, daqui eu só escuto a zoada deles”. Desconfiado, meu bisavô Alexandre Oliveira foi observar o que estava acontecendo na cacimba velha todos os dias, ao anoitecer. Fala-se que ao chegar à cacimba velha, montado no seu cavalo, sem que seus filhos o percebesse, ficou observando o que estavam aprontando. Na justa hora o “Zé Grande” estava dando uma carreira numas jumentas. E meu bisavô ficou observando a coragem e a habilidade dele. Nada normal. Era atitude de um bom vaqueiro. Não havia vaqueiro igual. Derrubou a jumenta chega o chão estralou. E por azar, a jumenta machucou uma perna. E meu bisavô ficou preocupado com a jumenta, e muito feliz pelo filho, que se despontava como um grande vaqueiro. E meu bisavô apenas olhou para o “Zé Grande” e pensou consigo mesmo: “Este menino tem jeito de bom vaqueiro”.

 

Meu bisavô estava decidido dar um cavalo dos bons para o “Zé Grande”. E surgiu um boi para ser buscado na casa do Antônio Martins, muito amigo dele, na localidade Cabeça da Serra. Isso foi em 1941. E disse: “Zé Grande vá buscar esse boi mais o Jaime. Mas peçam pro vaqueiro do Antônio Martins colocar uma careta e um cambão ainda no curral”. Isso temendo eles não conseguirem trazer o cujo boi. Era um boi grande, mas não muito brabo. Quando chegaram lá o Antônio Martins disse: “Estes meninos não levam o boi. Vão acabar deixando ir embora”. O Jaime Oliveira como sempre foi ajuizado e responsável, já foi logo dando o recado. Inclusive a recomendação para o vaqueiro colocar a careta e o cambão no boi. E dentro do curral tinha um boi grande, muito brabo. Fala-se que esse boi deu um trabalho danado pros vaqueiros do Antônio Martins. Foi preciso 5 (cinco) vaqueiros bons pra pegá-lo.  E na confusão pra laçar o boi do meu bisavô, o cujo boi brabo acabou saindo do curral, arrombou a porteira. E o “Zé Grande” estava na porteira do curral, montado num cavalo não muito bom. E já saiu junto com o boi brabo, e numa velocidade assustadora sumiram na mata. O próprio Antônio Martins ficou observando a coragem do “Zé Grande”, mas jamais pensava que aquele jovem teria capacidade de pegar sozinho aquele boi. E os vaqueiros da fazenda acompanharam, mas um pouco atrasados. Logo que entrou na mata o “Zé Grande” conseguiu derrubar o boi, e quando os outros vaqueiros o alcançaram já estava com o boi amarrado. Ficaram admirados com a ação que viram daquele jovem vaqueiro. Quando chegaram de volta com o boi, o Antônio Martins já foi dizendo: “Dessa vez vocês pegaram fácil o boi”. Achando que tinha sido seus vaqueiros. E se assustou com o que ouviu dos seus vaqueiros: “O rapaz foi quem pegou o boi sozinho. Quando o alcançamos já estava com ele amarrado”. E o Antônio Martins disse: “Não é possível. Meu filho seu pai sabe que você é assim?” (um bom vaqueiro). Dias depois é que meu bisavô soube, pelo próprio Antônio Martins do feito do seu filho na pega do boi brabo. E meu bisavô encomendou no Pernambuco um bom cavalo para dar de presente ao “Zé Grande”. Custou uma nota, muito caro. No dia que o cavalo chegou o “Zé Grande” não dormiu tribulando com esse cavalo. Junto com o cavalo, ganhou também todos os arreios novos (equipamentos para montaria). Ao entregar o cavalo prometido, meu bisavô disse: “Pode montar nele, que será seu. Mas tome cuidado: ele não corre, voa”. E com esse cavalo “Zé Grande” fez muita história, deu muito orgulho ao meu bisavô e se tornou o rei dos vaqueiros.

 

Pouco tempo após ganhar o cavalo de presente, e já com a fama de bom vaqueiro, “Zé Grande” estava indo juntamente com meu bisavô Alexandre Oliveira e Antônio Lameu para a localidade Lagoa das Pedras. Os três montados a cavalos. E o “Zé Grande” no seu cavalo bonito. Muito arisco. Bastava apontar o rumo que disparava como um foguete. Foi quando na beira da rodagem, de dentro de uma roça, pela cerca, surgiu uma raposa. Já saiu veloz. E o “Zé Grande” sempre foi atento e rápido. Bastava surgir qualquer coisa correndo que ele já estava preparado para correr atrás. E com a cuja raposa foi assim. Quando a avistou já se preparou para pegá-la. E pegar raposa, um animal pequeno, num cavalo (pela questão da altura) é difícil. Não é pra todo mundo. Pra qualquer vaqueiro. E a vontade do “Zé Grande” de dar uma carreira naquela raposa foi impulsionada mais ainda quando ouviu do meu bisavô: “Testa o cavalo nesta raposa”. Mas jamais achava que ele ia conseguir pegá-la. Pelo menos nunca tinha ouvido falar que algum vaqueiro tivesse pegado uma raposa. E soltou o cavalo na raposa. Como o cavalo era bom, e o vaqueiro melhor ainda, antes do canto da roça, poucos metros de carreira, ele já estava com a raposa pega pelo rabo. Foi de uma rapidez tremenda. E meu bisavô disse pro Antônio Lameu: “Pegou mesmo”. E o Antônio Lameu reforçou: “O Zé Grande é um grande vaqueiro”. Esta história da raposa correu a região, e a fama de bom vaqueiro do “Zé Grande” também. E passou a ser chamado para pegar boi em várias regiões. Até em outros Estados. Pegou boi na Bahia e no Pernambuco. A procura por ele era grande. Na época existiam muitos bois no mato, brabos que só um bom vaqueiro pegava. E logo surgia a decisão: “Vamos chamar o Zé Grande pra pegar”.  E foi assim a vida do “Zé Grande”. No exercício de sua profissão, também sua vocação, que no fundo, era também sua paixão. O que mais gostava de fazer na vida. Era o prazer de sua vida. Pra pegar um boi ele estava sempre no ponto.  E gostava de desafios. Quando sabia de um boi que nenhum vaqueiro conseguia pegar, ele ia lá oferecer sua ajuda. “Dar uma carreira”, como gostava de dizer. E nunca abotoou (deixou ir embora sem pegar) um boi. Nessa sua vida de vaqueiro encontrou bois fáceis de pegar, mas encontrou também bois difíceis. Sofreu vários acidentes. Mas sempre pegava. Era um vaqueiro corajoso, que se aproximava a loucura (no sentido de ser destemido). Enfrentava perigos de toda natureza. Podia lascar com tudo, mas focava o boi e pegava.

 

Essa sua coragem (que não era comum) foi confirmada na localidade Contador, na pega de um boi. Foi chamado, como sempre, para pegar um boi encantado, que muitos vaqueiros da redondeza já haviam abotoado. Resolveu dar uma carreira nele, como gostava de dizer. Pegou seu cavalo e foi. Chegou à casa do dono do boi à noite, depois da janta. E já foi perguntando: “Pra que lado está o boi?”. E o dono da casa, disse: “Primeiro vamos apiar (descer do cavalo) e jantar”. Era o final da década de 40. E o “Zé Grande”, já encourado (com os equipamentos de vaqueiro) disse: “Só aceito um pouco de água. E quero um vaqueiro pra mostrar o ponto do boi (onde sempre é visto)”. E o dono da casa pontuou: “Não. Vamos deixar o boi pra amanhã. Até mesmo que você não vai conseguir pegá-lo de noite. E ainda só. Hoje mesmo uns 3 (três) vaqueiros tentaram pegá-lo e não conseguiram. E era de dia”. O boi era grande, brabo e valente. Já havia furado vários cavalos. Aterrorizado vários vaqueiros. E a fama de boi encantado (que ninguém conseguia pegar) já estava pela redondeza. E o “Zé Grande” insistiu: “A lua está clara. Quero tentar (era modesto) hoje ainda. Tenho que voltar. Amanhã tenho que está de volta em casa”.  Então, o dono do boi (também dono da casa) concordou. E ordenou seu filho a pegar um cavalo na roça pra acompanhar o “Zé Grande” até o ponto do boi. E o menino, filho do dono da casa, disse despachadamente: “Pra quê? Não pegaram de dia, vão pegar de noite. Ainda mais só um vaqueiro”. Isso pela chateação em ter que levantar àquela hora, já estava dormindo, pra ir à roça buscar um cavalo. Mas teve que ir. Naquela época, ordem era ordem.

 

Nisso juntou-se também um vizinho do dono do boi, que já havia participado de todas as tentativas de pegar o boi. E como vaqueiro é uma categoria muito unida e solidária, jamais deixa um companheiro só.  Foram os 3 (três): o dono do boi, o vaqueiro vizinho e o “Zé Grande”.  O dono do boi, ao avistar a boiada, disse: “Ele é pra está no meio deste gado”. E o “Zé Grande”, como sempre foi ativo e rápido, já foi se preparando para o sinal verde, a hora de disparar atrás do boi. E o vaqueiro vizinho apontou com o dedo para o cujo boi: “Ali está o boi. É aquele”. E quando olhou pro lado o “Zé Grande” não estava mais, já estava lá na frente de parelha com o boi, e ganhou mata adentro. E ficaram sem saber pra onde ele foi. Só ouviam mata estralar. E foram atrás, também correndo muito, pelo barulho escutado de longe. Mas sem conseguir alcançá-lo. O outro vaqueiro falou pro dono do boi, sobre o “Zé Grande”: “Valei-me nossa Senhora esse vaqueiro é doido”. E seguiram no rumo. E o “Zé Grande” entrou nesse boi rasgando (como se diz no interior). Quando o boi virava pra furar o cavalo, ele enfrentava-o com muita força com o ferrão (equipamento para futucar o boi). Era um homem forte. Até que botou o boi para uma mata muito fechada, difícil de campear (poucos vaqueiros conseguem). E ele dizia que lugar assim era melhor ainda. E era na descida de uma serra. E quando avistou o abismo, ele avançou no boi. Caíram os 3 (três): o “Zé Grande”, o cavalo e o boi. O cavalo caiu atrás, e ele pulou em cima do boi e conseguiu derrubá-lo na frente. Caiu agarrado ao boi. O cavalo sofreu um corte profundo na testa, o boi se machucou todo e o “Zé Grande” fraturou uma costela. O relevo era ruim, muito acidentado e perigoso. Nisso o outro vaqueiro e o dono do boi, muito longe do local, e já sabendo o rumo que havia tomado o “Zé Grande” (rumo ao abismo da serra), e por não ouvir mais nenhum barulho, achavam que ele havia morrido. E algum tempo depois conseguiram localizá-lo. E ele estava lá caído no chão, o boi peado (amarrado) e o cavalo amarrado ao lado. Mesmo machucado, ainda peou sozinho o boi. Em menos de 1 (uma) hora ele pegou o boi. E sozinho. E ainda à noite. E num lugar (relevo) ruim. Ao chegar ao local o dono do boi admirado, que na época já era um idoso, disse: “Você é o melhor vaqueiro já vi em toda minha vida”. E o outro vaqueiro, ainda impressionado, emendou: “E essa sua coragem. Deus me livre”. O fato é que pegou o boi. E depois do café, despediu-se do dono da casa (também dono do boi), e foi embora. Perguntado quanto foi seu serviço disse: “O boi já me pagou”. O boi do Contador deu nome e fama ao “Zé Grande”. Creio que sua atenção em dar uma carreira nele, como gostava de dizer, foi como um desafio de vaqueiro. Não como exibicionismo ou amostramento. Mas como valorização do ofício do vaqueiro, e por gostar de desafios dessa natureza. E também por uma questão de solidariedade. E seu nome correu por toda a redondeza. “Zé Grande”, o rei dos vaqueiros.

Por essas histórias contadas, e por tantas outras, o “Zé Grande” ganhou um apelido de vaqueiro voador. Isso pela sua rapidez, sua velocidade no campo. Era muito violento do ponto de vista da agilidade. Foi em sucessivas pegas de bois que ficou conhecido como o vaqueiro voador. Nessas pegas de bois, uma espécie de mutirão, ele era escalado para pegar os bois mais difíceis. Era um vaqueiro especial. O homem era mesmo voador. O ritmo dele no campo era incomum. Ninguém nunca conseguiu alcançá-lo numa pega de um boi. A História confirma isso, nenhum vaqueiro até hoje consegue fazer o que ele fazia como vaqueiro. Seus companheiros não precisavam ter preocupação: num instante, ele pegava o boi, noutro instante estava de volta. A fama de vaqueiro voador se consagrou popularmente. E não tinha mais sossego. Era sempre chamado pra pegar bois encantados. Esse é o maior significado deste registro, pelo que representou historicamente, representa e sempre representará o vaqueiro nas nossas vidas. E a profissão do vaqueiro trouxe desenvolvimento para nossa terra, onde já se tornou patrimônio cultural. E nisso vejo a grandeza do “Zé Grande: o rei dos vaqueiros”, um dos vaqueiros do Nordeste, e o melhor da nossa terra. Eu estava lá no seu velório, e vi os vaqueiros da região lançar o bordão: “Zé Grande: o rei dos vaqueiros”. E cantaram a ‘Morte do vaqueiro’, cantiga do Luiz Gonzaga. Nisso, surgiu a ideia de um livro, que será publicado ainda este ano, intitulado “Zé Grande: o rei dos vaqueiros”. Que continuemos sempre nessa linha de pesquisa e de literatura, escrevendo as histórias da nossa terra e da nossa gente.

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno

 

 

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