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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


Minha utopia virou realidade

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


           Quando criança convivi com pessoas históricas da minha terra, foram meus amigos de infância (Zeca Damasceno, dona Bila, Celerino, Joaquim Damasceno, Janjão etc.). Foram meus amigos de roda de conversa (apenas meu avô Joaquim Damasceno está vivo). E tenho que lembrar ainda o meu tio Zé Caldeirão, ainda vivo, com 103 anos de idade. Aprendi com essas pessoas a ter apreço e interesse pela história popular. E passei a encontrar o elemento que unifica as obras, as passagens históricas e os personagens. Foi o principal trunfo, pois me permitiu montar o “quebra cabeça” da História. Aprendi com meu tio Zeca Damasceno as facetas de historiador (contar histórias, ouvir histórias e escrever histórias). “O historiador primeiro tem que ser memorialista”, sentenciava. São minhas memórias.

 

E passaram-me a missão de escrever a história regional (da minha região), história esta, que também ajudaram a construir. Eles formaram a segunda geração. A primeira geração foi a do meu bisavô João Damasceno, Alexandre Oliveira (meu bisavô), Hermógenes Dias, Júlio Dias, Antônio Martins, Benedito Marques e Marcos Idalino. A missão se aproximava de uma utopia (projeto irrealizável).

 

De início, necessitei de experiência. Como era uma pessoa inexperiente (tinha apenas 16 anos de idade), tive que me valer da experiência dos outros. Isso foi crucial. Naquele momento, por sinal complexo, não tinha um rumo já projetado. E na missão de criar um, vinha a insegurança. A aflição da expectativa do acerto ou do erro, do sucesso ou do fracasso. Tanta coisa envolvida com prazos resulta numa convivência sob pressão, que faz o tempo jogar contra. Mas percebi que os obstáculos são vencidos nos detalhes. É uma missão com bastante desgaste, requer uma motivação muito forte. Onde somos constantemente desafiados intelectualmente.

 

Li uma reflexão de um grande escritor: “Olhe para trás, e veja os obstáculos que você já superou, veja quanto você já aprendeu nesta vida e quanto já cresceu. Olhe para frente, não fique parado, levante-se quando tropeçar e cair; estabeleça metas, tenha planos e prossiga com firmeza. Olhe para dentro, e conheça seu coração e analise seus projetos; mantenha puros seus sentimentos; não deixe que o orgulho, a vaidade e a inveja dominem seus pensamentos e seu coração (...). Olhe para cima, há um Deus maior do que você,  que te ama muito e tem todas as coisas sob seu controle. Olhe para Deus, e perceba a profundidade, a riqueza e o poder da bondade divina. Sinta esse Deus que olha por você em todos os dias da sua vida!”.  Reforcei com as palavras do Roberto Shinyashiki, escritor: “Tenha mais problemas reais e menos problemas imaginários”. No entanto, não é um meio infalível, uma vez que podemos deixar escapar algumas oportunidades ou tropeçar por engano. A interpretação dos fatos pode errar. Os indícios podem apontar na direção errada. O processo decisório pode ser racional e ainda assim deixar de alcançar o objetivo traçado. A decisão provavelmente será melhor quanto mais indícios reunirmos e quanto mais tempo deliberarmos. Aprendi a acreditar mais na utilidade de um sincero desafio, um convite à lucidez, do que em palavras piegas.

 

Conversei com o professor Irailton Marques, meu amigo, bisneto do Benedito Marques: “É hora de viajarmos na máquina do tempo. Temos sempre que buscar a lição na História, para não cometermos erros no presente. Temos que conversar com algumas pessoas. Aprendermos com a experiência delas. Depois disso, começarmos a imaginar e a planejar o futuro. E isso deve ser feito no presente. É hora de fazer com que o presente melhore o futuro. Isso será fundamental”. E ele me disse: “Sempre viajamos na máquina do tempo. Quem nunca viajou? Ou para trás (relembrar o passado) ou para frente (imaginar o futuro). A história popular normalmente não é registrada de forma literária, através da Literatura. Fica apenas nas mentes daqueles que a viveram e guardam-na nas suas memórias”. Não existia até então, nenhum registro escrito. É uma história complexa, não é simples para se encontrar o modo de apresentá-la de forma correta e verídica, na íntegra, como realmente aconteceu. A autonomia de pensamento é a receita para tal situação. E ela se fundamenta em 4 (quatro) pilares: ser (é a nossa espiritualidade, nossa psicologia), conhecer (é o estudo, a pesquisa, a ciência), saber (é o conhecimento adquirido, a filosofia de vida) e fazer (é a ação, a arte, a prática).

 

Tive, por fim, uma visão melhor de psicologia da vida, com as palavras do professor Hermógenes, que concluiu: “A realidade não tem nenhuma obrigação de ser-nos agradável, de ser conforme o que gostaríamos que fosse. Nós, se quisermos não sofrer muito, não outra solução que não seja aprender a aceitá-la, acatar o que ela nos dá e como se apresenta. Somente quando nos libertamos da ilusão de que a realidade tem que ser agradável, é que começamos a ganhar a capacidade de amar, de criar, de sermos felizes. Em resumo: tome o sofrimento como desafio, e não como um motivo de abatimento e lamúria”. Segui em frente a minha luta. Lembrei-me, naquele momento, de um pensador que dizia: “Os problemas são inevitáveis, mas ser derrotado por eles é opcional”. A pressão social é uma coisa muito forte.

 

Não escrevo por acaso. Escrevo somente com o intuito de usar a Literatura como meio para o fim da valorização da história popular. Heróis anônimos que não são sequer lembrados pela História (tradicional). Então, o caminho literário é uma alternativa segura e eficiente nessa empreitada. As palavras, sejam escritas ou orais, têm um grande poder de transformação, muitas vezes não sabemos a importância que elas têm e concedem. Lembro-me de um trecho do artigo ‘O que é literatura de testemunho’, do pesquisador Fabrício Flores Fernandes, Doutor em Teoria e História Literária, publicado em Sapiência (Informativo Científico da FAPEPI - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí): “A literatura de testemunho, por extensão, é aquela em que o autor estabelece um pacto de veracidade com o leitor, reivindicando estatuto de verdade - em contraponto com a ficção – para seu relato. (...). Assumindo o dever de não deixar o que ocorreu cair no esquecimento, o autor do testemunho sabe que seu relato tem importante função social. (...)”.    

 

Existiram grandes projetistas por trás de toda nossa história. Existiram grandes acontecimentos que contribuíram para nosso desenvolvimento. Não é resultado de um acaso fortuito, destino ou sorte. Existiram batalhas, lutas, guerras, sangue, suor e muito trabalho. A história dessas pessoas não pode morrer. É nosso patrimônio. Somos o que somos graças a essa gente, que se dedicou e se empenhou.  Que construiu nossa base. Isso serve como referência para nossa geração, é a nossa bússola para sabermos sempre a direção, o conselho a que devemos dar ouvidos para tomar decisões sábias, e o parâmetro que temos que utilizar para avaliar todos os fatos e acontecimentos que nos envolvem. Entendo assim. O conteúdo da história popular traz a participação e as ações dos personagens da nossa terra. O protagonismo de homens e mulheres emancipadores. A contribuição das nossas famílias.

 

Aprendi que, se batalharmos, e não sairmos da retidão do trajeto necessário para suas realizações, nossos sonhos podem virar realidade. A continuidade de etapas é o truque central, já que os sonhos não se realizam imediatamente. Essa concepção eu adquiri. A concepção de que nada é impossível, de que utopia pode se tornar em realidade. Pode até ser difícil, mas não é impossível. Pode até não ser a regra, mas a exceção já abre um precedente da esperança e do otimismo. E qualquer brecha, por menor que seja, é o bastante para propiciar essa possibilidade.

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno

 

 

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