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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


Poder Paralelo

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


           Ao adentrar neste tema, quero ressaltar que uma análise profunda do assunto é coisa para especialista na área, o que não sou. Mas isso não me impede de externar minha visão sobre a temática, como cidadão envolvido no contexto social, até mesmo como vítima.

 

Acompanhamos sempre ao noticiário. E vemos o drama social do tráfico de drogas (narcotráfico). Isso já virou rotina. Mortes, sequestros, tiroteios, violência pra todo lado. Todos os dias as manchetes dos jornais (mídia em geral) trazem matérias sobre esse drama social. E o problema só aumenta. Alguns analistas afirmam que a situação pode ser comparada a uma guerra civil. É o ‘Poder Paralelo’. O tráfico de drogas é uma espécie de ‘Estado Paralelo’.

 

Alguns especialistas lançam o bordão: “O nosso maior problema é o tráfico, não o consumo”. Discordo disso. O tráfico só existe porque existe um mercado consumidor. Ninguém montará um comércio, e irá pra frente, sem clientela. Claro que o consumo é incentivado por um sistema organizado do narcotráfico. Mesmo assim não justifica. Isso repete aquela velha máxima, por sinal errônea, de deixar as causas de lado e trabalhar apenas as consequências. É a velha história: “Matar o boi para não ter que curar o carrapato”. Chamo atenção para a questão da corrupção que assola nosso País. Quando se denomina o narcotráfico de ‘Poder Paralelo’ é porque existe uma grande rede que dá sustentação ao esquema. Policiais corruptos, população conivente, políticos patrocinados pelo narcotráfico, Justiça muitas vezes inoperante e omissa, e governantes com vocação de heróis (salvadores da Pátria). O problema é complexo. E requer um profundo conhecimento das causas e consequências. São pessoas identificadas como cúmplices do crime organizado. Ou que cometem erro de causa. Têm vínculo com o narcotráfico. Denota-se que são apenas pessoas e não estruturas. Não podemos generalizar.

 

Os danos à saúde e à ordem social são reconhecidos. As conclusões seguem a lógica dos números (estatística). O narcotráfico movimenta, segundo a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, bilhões em todo o mundo. A Colômbia é a sede de cartéis do narcotráfico. O mapa está traçado. Entra no Brasil pelas fronteiras da Região Norte, até chegar aos grandes mercados consumidores, notadamente a cidade do Rio de Janeiro – RJ. Não tenham dúvidas, em todo esse trajeto existem os facilitadores.

 

O problema é global. Portanto, a solução requer a mesma dimensão. “Há 200 milhões de usuários regulares de drogas no mundo. Desses, 160 milhões fumam maconha. A erva é antiga – seus registros na China datam de 2723 a. C. -, mas apenas em 1960 a ONU (Organização das Nações Unidas) recomendou sua proibição em todo o mundo. O mercado global de drogas ilegais é estimado em US$ 322 bilhões. A revista científica britânica The Lancet publicou, em 2007, uma pesquisa liderada pelo professor David Nutt, da Universidade de Bristol. O estudo classificava as drogas de acordo com três fatores: dano físico ao usuário, potencial de vício e impacto na sociedade”. (Revista Época, Sociedade/Drogas, Ruth de Aquino, 16 de fevereiro de 2009). Nisso surgem duas convicções. A primeira é que fracassou a política da repressão policial. E a segunda é que somente através da prevenção e de campanhas de saúde pública, pode reduzir o consumo. Isso de forma localizada. Exemplo: o problema do Rio de Janeiro demanda de uma ação federal, nas causas e consequências. Bloquear a entrada de drogas pelas fronteiras do País, através das Forças Armadas é como fechar o tubo de oxigênio desse esquema (narcotráfico). Depois vem a questão localizada de cada região.

 

O que mais incomoda nisso tudo é ver as famílias descuidadas, a começar pela própria estrutura familiar. Os pais delegam muitas vezes as atividades de cuidados dos filhos a outras pessoas. Assim, quem forma vínculo com essas crianças? O desnorteio é comum. A sabedoria indiana diz que ‘a violência no lar promove a violência social’. Imaginem aquelas crianças que estão em zona de risco, proximidades do tráfico de drogas. O mundo que estão inseridas podem induzi-las a experiências desastrosas, como por exemplo, a possibilidade de consumir drogas. Claro, cada pessoa escolherá o certo e o errado de acordo com sua formação humana, educação ou religião. Mas quando existe um descuido por parte dessas estruturas de valores, cria-se uma vulnerabilidade ao crime. Porém, isso não é automático. Mas é comum. Dá-se dessa maneira. Isso pela influência de amizades indevidas e meios sociais que as induzem a tal caminho. Entra também a questão social. Um Estado ausente socialmente, permite a consolidação do tráfico de drogas. E isso acaba muitas vezes criando vínculos com a população, que torna cúmplice do próprio crime. Daí a maior dificuldade de solução. Eles pensam assim: “Neste País não temos direito algum. Então, não teremos dever algum para com o País”. Surge então, o desrespeito à legislação brasileira. A ilicitude torna-se cada vez mais presente.

 

Os adolescentes são induzidos pela curiosidade e pelas influências sociais. Começam como experimentadores. Ocasionais consumidores. Depois vem a dependência química, e tornam-se usuários frequentes de entorpecentes. Existem também os fornecedores. César Fernandes, diretor da ONG Viva Rio, assegura que ‘a rapaziada começa a comprar de amigos e vê que pode ficar rico comprando e revendendo entra no crime sem se dar conta. Porque não há conversa, informação, prevenção’. É um reflexo. E neste caso, os adolescentes são tomados por uma perspectiva de melhoria de vida. Que é falsa.

 

A solução para o problema do tráfico de drogas, como se vê, não é só um assunto do Poder Público. É de todos. Na prevenção e no combate. É também uma questão global, extrapola as fronteiras do nosso País. Requer uma ação conjunta entre países com uma situação similar a nossa. Devem existir políticas públicas de Estado, e não apenas de governos. De início, precisamos de debates honestos e francos. De caráter técnico. A responsabilidade é de todos. Das famílias, das escolas, das igrejas, das instituições, de todos os segmentos sociais. Visto desse ângulo, a política de repressão pode ser suicida (um fracasso). Já é homicida (mata muita gente, inclusive inocentes). Agita mais do que soluciona. Como diz um bordão: “Violência só gera violência”. Precisamos de visões e ações inteligentes. Chega de violência, a sociedade não aguenta mais.

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno

 

 

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