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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


Mentira: causas e conseqüências, vantagens e desvantagens

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


           Trato para o debate um tema que sempre ocupou lugar de destaque no noticiário, bem familiarizado nas nossas vidas, comum no nosso cotidiano: a mentira. No entanto, o interesse despertado por este tema tem a ver com a consciência da importância (e da presença constante) da mentira em nossas vidas.

 

Mentir é falar algo contrário à verdade; é a expressão e manifestação contrária ao que alguém sabe, crê ou pensa. A verdade é parceira da sinceridade e da honestidade. Está em Tiago 3.18, msg: “Vocês podem desenvolver uma comunidade saudável e robusta que viva de acordo com Deus e desfrute os resultados se tão-somente derem conta da árdua tarefa de se relacionarem bem uns com os outros, tratando-se digna e honradamente”. Para Rick Warren, pensador, ‘devemos ter uma grande dedicação em falar a verdade de forma carinhosa, mesmo quando preferir passar por cima de um problema ou desconsiderar um assunto, isso requer sinceridade. Poucas pessoas podem contar com alguém que as ame o suficiente para dizer-lhes a verdade, então continuam no caminho da autodestruição’. O Rei Salomão, no Mundo Antigo, já dizia: “A resposta sincera é sinal de uma amizade verdadeira”. A meu ver, amigo sincero é aquele nos mostra nossos erros e nos ajuda a corrigi-los, e não aquele que nos esconde com o objetivo de nos poupar, fazendo com que vivamos num ambiente de mentiras. Como dizia um pensador: “Me magoe com a pior verdade, mas não me iluda com a melhor mentira”. Penso assim. Mas isso é muito relativo. No nosso dia-a-dia existe o seguinte equívoco: toda vez que uma verdade vem à tona e pode incomodar alguém, é rapidamente encoberta, com o intuito de conservar uma falsa situação de paz. Pessoas que não dizem o que pensam e não pensam o que dizem. O assunto nunca é resolvido, e permanece a mentira. Isso cria um ambiente doentio de segredos, onde nasce e vigora a fofoca. Não restam dúvidas de que a verdade é libertadora e, além do mais, dignifica aqueles que a valorizam.

Lamentavelmente, muitas pessoas se destroem por falta de verdade, de sinceridade e de honestidade. Precisamos amadurecer enquanto povo. Muitas vezes vivemos num ambiente pacífico, falta-nos, porém, uma convivência sincera, um meio sócio-cultural decente e civilizado. Aquiles, gladiador romano, dizia com indignação: “Odeio homem que diz uma coisa, mas esconde outra em seu coração”. Está na Bíblia, em João, 8.32: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. William Shakespeare: “A verdade nunca perde em ser confirmada”. Com toda a certeza a mentira não é indicação de inteligência, mas um sinal característico de uma vida sem Deus, que não ama a verdade, é a identificação de uma natureza pecaminosa. Verdade é reconhecer a mentira como aquilo que ela é: um pecado que nos separa de Deus. Essa é a diferença entre a verdade e a mentira. É vergonhoso como hoje em dia se lida levianamente com a mentira, de forma natural.

 

Mas a mentira é um tema complexo, e tem várias vertentes. Tem até o lado bom, qualidades. Vamos recorrer a alguns pesquisadores. Em Dom Casmurro, obra de Machado de Assis, Bentinho (personagem) ao esconder da mãe o seu amor por Capitu, disse: “A mentira é muitas vezes tão involuntária como a transpiração”. Implica dizer que mentimos o tempo todo, muitas vezes até sem perceber. São chamadas mentiras inofensivas, do ponto de vista da racionalidade de se evitar problemas maiores, poupar as pessoas de alguns dissabores. Até certo ponto, psicologicamente falando, isso tem um real valor. Mas pode ter consequências mais agravantes. O fato é que a mentira é condenada pela sociedade, por nós mesmos. Mas é preciso ter a sinceridade de se dizer que (isso é definição realística da problemática) existem situações em que a mentira chega a ser necessária. Na convivência social principalmente. É usada como meio de preservar os vínculos afetivos, a privacidade ou até mesmo a civilidade. Dependendo da situação isso tem relevância, é justificável. Na maioria das situações trocamos a sinceridade (a verdade nua e crua), ou a franqueza, por mentira inofensiva (meia verdade). Não sei se esse termo existe na teoria, mas na prática sim. São tidas como mentiras benéficas, se é que existe. E o psicólogo Jeff Hancock, professor da Universidade Cornell, nos EUA, confirma isso. E diz que os humanos mentem o tempo todo, mentem até para tornar a vida mais fácil. Platão, na Grécia Antiga, já dizia: “Mentir de forma consciente e voluntária tem mais valor do que dizer a verdade de forma involuntária”. A filósofa italiana Maria Bettetini, autora do livro Breve storia della bugia: da Ulisse a Pinocchio (Breve história da mentira: de Ulisses a Pinocchio) disse que esse tipo de mentira deliberada pelo o homem tem impulso criativo. Isso tudo implica dizer que o homem recorre à mentira como estratégia, creio eu, de evitar desastres. Isso traz a lembrança de um regime ditatorial, em que se mente para salvar vidas ou poupar torturas físicas ou mentais. Existem outros casos similares. São situações que mentir é mais conveniente do que dizer a verdade. E até mais humano. Mais plausível.

 

Agora, temos que lembrar as mentiras patológicas (produzidas pela natureza e modificações no organismo do ser humano). São farsas criadas pela imaginação de pessoas que praticam a patologia (que tem desordem mental). Construção de realidades fantasiosas. Pessoas que criam estórias para chamar atenção (se aparecer), despertar a atenção dos outros. Ou até mesmo a admiração. No Brasil isso é comum. Mentiras patológicas são comuns e rotineiras. São atitudes que trazem consequências desastrosas. Inventam mentiras de forma inconsequente, e irresponsável, para conseguir algo, sem nenhuma preocupação com as consequências disso, sem nenhum respeito por si próprio e pelos outros. São pessoas que possuem personalidades imaturas. São infantis e sem escrúpulos. E muitas vezes a mentira se torna em verdade. De tanto se repetir, acaba se transformando numa verdade. Isso porque é dita, em muitos casos, por pessoas que possuem certa credibilidade na sociedade, ou ocupam algum cargo de impacto social, e colocam o selo de verdade. E funciona. Mas vem a “conta” depois. E o pior malefício de uma mentira é que o mentiroso será sempre incapaz de crer ou confiar nas pessoas, pois a sua paranóia diz que são todas mentirosas, assim como ele.

 

Diante de tantas colocações e de tantas concepções, creio que só a verdade constrói. Só se chega a Deus através da verdade. Exceto, em casos em que a mentira salva uma vida ou evita um sofrimento maior. Caso contrário, a verdade sempre é o melhor caminho. Uma conversa franca. Miguel de Cervantes, educador, diz que ‘a verdade alivia mais do que magoa, e estará sempre acima de qualquer falsidade’. Porém, isso tudo depende da formação humana, e moral, de cada pessoa ou família; dos valores dos convívios familiar e social em que estamos inseridos; depende também do caráter e da personalidade de cada um. Como disse no início, o assunto é complexo. Quanto mais se pesquisa sobre o tema, mais se descobre que está arraigado as nossas vidas. Isso ao longo da história humana, desde o princípio. O que nos resta é conviver com ela no nosso meio, no nosso dia-a-dia. Cada um, sob a sua ótica (visão), e de acordo com seu senso crítico, adota a postura que achar mais sensata sobre o tema/ação. No entanto, devemos está atentos às suas conseqüências. Isso deve sempre ser medido, refletido.


 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno

 

 

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