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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


Frouxidão Moral

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


           Trago este assunto para a arena dos debates, mesmo sendo ignorado por muitos, mas que traz consequências desastrosas para a coletividade. A discussão se fundamenta na observação e conclusão de que o tema passa do ofício individual para uma tarefa coletiva. Social. Isso na maioria dos casos. Temos a exceção. No entanto, a ‘Frouxidão Moral’ nunca foi de caráter localizado. A nossa colonização, enquanto País, sempre foi pautada na cultura da exploração (contrário de emancipação), fundada na ‘Frouxidão Moral’. Ausência de ética e decência. A moralidade sempre por parte da minoria e a imoralidade da maioria. É preciso ter coragem para se dizer isso. É a realidade dos fatos. 

 

Mas o pior disso tudo é a demagogia. Existem pessoas imorais, que ainda querem a caricatura de honestas, decentes e morais. Na concepção maquiavélica (de má fé) o desvio de conduta só é cometido pelos outros. Muitas vezes até mesmo os honestos e éticos são taxados como imorais. A demagogia é tamanha e quase generalizada. Isso porque a formação moral da sociedade brasileira (em regra) sempre foi assim, propícia à ‘Frouxidão Moral’. O que mudou do Brasil - Colônia para a contemporaneidade foi a forma como se apresenta o comportamento coletivo. A embalagem. O conteúdo é o mesmo. Onde se banalizam os fatores importantes, aqueles que ajustam e disciplinam o comportamento do ser humano

 

A ‘Frouxidão Moral’ anda lado a lado com a corrupção (deriva do latim corruptus que, numa primeira acepção, significa quebrado em pedaços e numa segunda acepção, apodrecido, pútrido). No Brasil existem pessoas honestas, mas há também um número muito maior de pessoas sem ética e sem respeito pelo próximo, egocêntricas (egoístas) e individualistas. Existe um sistema de corrupção tão forte aqui que, as faltas de cumprimentos de leis, e a falta de valores humanos estão exterminando os valores éticos brasileiros, fazendo com que muitas pessoas não pensem no bem da coletividade. E isso tem suas bases no período colonial, tempo em tudo era das “famílias” ou da “burocracia estatal”. Daí a nossa cultura permitir a prática da ‘Frouxidão Moral’. É uma decorrência trágica, e natural, desse traço cultural. Um problema de colonização. Implica dizer que, a corrupção está no nosso ‘DNA’, às vezes recessivo, às vezes dominante. O fato é que o nosso sistema sociocultural é corruptor, irresponsável e inconsequente. A sociedade, em regra, aceita e de certa forma até convalida a situação, o que torna o combate difícil. Assistir à corrupção faz com que o cidadão passe a descrer da capacidade do País de coibir erros. Daí, quem age certo começa a se questionar se vale a pena andar dentro da Lei. Para existir uma Justiça eficiente, no ponto de vista do exemplo e da escolha pelo justo, é preciso uma revisão mais abrangente, profunda e democrática. E rápida. Penso assim. E tenho em mente que se existe um corrupto, existe também um corruptor.

 

Infelizmente a luta social no Brasil, em regra, nunca foi limpa. Há pessoas que tentam corromper outras, infringem as regras, lançam mão de golpes baixos, para conquistar o que desejam. Isso a qualquer custo e por qualquer caminho. Querem ser malandras e enganar aos outros. Tem sempre alguém que fica o tempo todo imaginando de que forma ludibriar ao próximo. E aí surge a preocupação: “Será que os outros vão fazer comigo o que eu faço com eles?”. E o Brasil entra no lamaçal da imoralidade. E os éticos geralmente perdem. “A ética é um valor que, para funcionar, precisa ser vivido totalmente. Tem de ser um princípio, não admite dúvidas. Pessoas éticas criam uma carreira honrada, uma vida referencial aos outros. Confiáveis e confiantes, com um coração limpo e uma fé inabalável, bem – intencionadas, constroem um caminho mais seguro e mais rentável a todos. A honestidade deveria ser requisito elementar, uma obrigação, na convivência social”. (Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra e escritor renomado). Não sei se consigo acrescentar alguma coisa significativa nesta afirmação. Porém, posso assegurar que historicamente tivemos uma democracia “monetária” no Brasil. Isso é fato. E existem muitos brasileiros corruptos exigindo, de forma hipócrita e demagoga, ética e moral no Brasil. E quando estão numa agência bancária querem cortar a fila, quando vão à uma repartição pública querem levar vantagem etc.. Enfim, isso é o espelho da sociedade brasileira, na sua maioria. E o mais grave nisso tudo é que no Brasil, a corrupção não incomoda ao senso comum da maioria dos brasileiros. A sociedade está corrompida, e o maior corruptor é a ideologia vigente. Isso se deve àquelas imperfeições inerentes aos seres humanos na nossa origem enquanto colônia. Isso vem se arrastando há mais de 500 (quinhentos) anos. Ideais de justiça, igualdade e liberdade são sempre esquecidos quando o que existe são interesses cristalizados (permanentes, sem mudança) na busca por privilégios. Por vantagens.

 

São valores formados dentro do seio familiar, e posteriormente no meio social. E no final, a formação disso tudo (o conjunto de valores) gera a sociedade que vemos. Rui Barbosa (Rui Barbosa de Oliveira, 1849-1923/Bahia) dizia com convicção que se chegaria uma época em as pessoas teriam vergonha de ser honestas. "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto" (Rui Barbosa). Estamos próximos. E tenho minhas dúvidas se já não estamos nela (época) há muito tempo. E o reflexo disso é são os ofensores sendo admirados, os princípios se acabando e prevalecendo só o oportunismo, quando tudo entra no caminho da imoralidade, mas a maioria fica quieta porque tem uma fatia à espera. A corrupção existe no mundo todo, isso é da natureza humana. Não é uma particularidade do Brasil. Mas a impunidade (falta de punição) é algo bem brasileiro. Enraizado na formação moral constituída desde o Brasil – Colônia. E como dizia o médium Chico Xavier, ‘ambiente limpo não é o que mais se limpa, e sim o que menos se suja’. Pegando o gancho da confirmação dessa problemática, vale salientar que a parcela maior é originada do perfil do povo brasileiro: existem os brasileiros que fazem acontecer (minoria), os que esperam acontecer - esperam o mundo mudar para mudar a si próprio - (grande parcela), e os que não sabem o que está acontecendo (maioria).

 

O problema é praticamente sem solução. Primeiro, porque quase ninguém tem culpa e está errado. A culpa e o erro são sempre dos outros. “Todo mundo é honesto”. Isso me vem à lembrança de um caso da Justiça japonesa, envolvendo uma brasileira. No começo da audiência ela (brasileira) se dizia honesta, não tinha culpa de nada, negava os fatos (“contra fatos não há argumentos”). Mas até aí tudo bem. A defesa é um direito do cidadão. Mas o que chamou a atenção do juiz de Direito que julgava o caso foi a iniciativa daquela mulher em “santificar-se”. Pensava que estava no Brasil, sendo julgada pela nossa Justiça, que em regra é injustiça e deficiente. Que muitas vezes reproduz injustiças. E o juiz de Direito, ao término da primeira audiência, e ao anunciar a segunda, disse àquela brasileira (trazendo para a Língua Portuguesa): “Da próxima vez venha com defeitos”. Este caso é um reflexo da demagogia, do maquiavelismo e da hipocrisia existentes na nossa formação moral. Para o ‘Código de Honra do Japão’ tal atitude por parte da brasileira era sinônimo de desrespeito e achar que a Justiça japonesa era frouxa moralmente, como a nossa. Lá a formação moral é outra. Certa vez, um Ministro de Estado se suicidou porque foi descoberto um roubo que cometeu nas finanças públicas, onde ficou com tanta vergonha (pela pressão social do ‘Código de Honra’). Aqui no Brasil quem rouba é herói, louvado em praça pública. A indignação parte somente de uma minoria de brasileiros. Honra, honestidade, ética e decência são virtudes dos imbecis. É assim que é praticado nosso ‘Código de Honra’. Heróis são os espertalhões da Pátria.

 

Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier, 1746-1792/Minas Gerais), líder da ‘Conjuração Mineira’- conjuração: conspiração contra autoridade estabelecida-, já dizia na época do Brasil – Colônia que enquanto no Brasil ‘Ordem e Progresso’ significar ‘ordem para os pobres e progresso para os ricos’, continuar a desigualdade social e a falta de justiça (ou existir uma justiça injusta) continuará sendo um país – colônia. Nunca terá o respeito e a roupagem de uma nação, de uma república federativa. Recordo Tiradentes como um exemplo da hipocrisia do Brasil. Ele foi o herói que defendeu nosso País como um verdadeiro estadista, contra a exploração irracional da Coroa Portuguesa (notadamente contra os impostos), e foi julgado como o imoral, que cometeu desvio de conduta, alguém que desrespeitou a “Lei”. Foi executado em praça pública como exemplo de “cumprimento da Lei”. Lei da hipocrisia, da injustiça, da demagogia. A meu ver, o exemplo deixado foi este.

 

Isso traz um agravante: se não mudamos a nós mesmos (nossos hábitos, métodos, atitudes, valores culturais, conceitos morais, princípios éticos e normas comportamentais) como é que vamos mudar a coletividade? Segundo, vem a falta de exemplaridade. Se a geração atual não deixa nada como proposta de mudança para a vindoura, como é que vamos mudar? Ou pelo menos melhorar? Claro, a formação moral nem sempre é formada pelo convívio familiar-social. É também algo pessoal. Mas temos que admitir que a pressão social (para o bem ou para o mal) influencia muito. Os principais culpados somos nós mesmos. Só lamentamos, como se não houvesse nada a ser feito. Sempre esperamos pelo próximo, e não tomamos nossa atitude, não assumimos nossa parcela de responsabilidade. É o reino da hipocrisia (fingimento).

 

Não tenho a pretensão de consertar o Brasil. Muito menos o mundo. Isso é praticamente impossível. Pra não dizer impossível. Pra ser possível depende do impossível. Tempo? Não somente. Depende da mudança na formação moral da sociedade. E essa estrutura moral é muito complexa. Agora, quero sim, privilegiar a qualidade deste artigo, sua relação com a cultura (dos éticos, honestos, honrados, decentes), de tal maneira que se socialize a informação da necessidade de uma boa formação moral. E isso começa pelo gosto intelectual de cada um. O pensamento coletivo é formado pelo pensamento pessoal. Está na Bíblia, em Romanos 12.1-2: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Qualquer atitude que se torne injusta aos olhos do povo deve ser denunciada, qualquer repartição pública que provoque injustiça deve ser antipatizada e ter reprovação popular, porque isso causa prejuízo sentimental à sociedade, pois consome nossas energias, nosso tempo e nossas riquezas. Cada brasileiro tem dois ouvidos e uma boca, basta que os use de acordo.

 

Esperem um pouco! Vocês que fazem parte da trincheira da minoria (da ética, honra, moralidade e decência) não se “joguem ao mar”. Precisamos apenas de uma nova arrumação social. E cultural. Isso será possível a partir do momento em que a sociedade tomar para si a sede pela justiça, bem como formalizar uma concepção em que surjam normas de convivência social para a obtenção de outro padrão de comportamento. E as normas não podem continuar decorrendo (e o pior é que da maioria) de pessoas que se julgam detentoras da manifestação da vontade de todo o conjunto da sociedade. O debate não foi feito ainda na dimensão ideal. Desde já, as contribuições intelectuais e morais serão bem-vindas. Não podemos abrir mão deste conceito. A conduta humana é o vetor básico para a formação do meio social. É preciso ter uma margem da sociedade engajada na coordenação desse projeto. Não dá para se conviver com uma atrocidade dessa dimensão, com uma vida culturalmente desconfortável. Precisamos de exemplaridade (de bons conceitos, bons exemplos, boas referências e reservas morais), precisamos de justiça. Sendo assim, todos sairão ganhando.


 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno