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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


Educação pública, analogia do contexto geral

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


           Historicamente no Brasil constatamos uma linha de atuação na área da educação de forma demagógica. O debate é sempre quantitativo. São números e mais números. É a pura estatística. E a realidade “in loco” sempre é diferente dessa matemática. E além disso, o critério da qualidade não é apreciado, muito menos trabalhado. Isso no contexto geral, e estamos falando de ‘Educação Pública’, pela complexidade e dimensão é de difícil planejamento. O contexto geral é muito amplo e complexo. E cada região, cada caso, tem suas particularidades. Então, a tarefa de planejar é difícil. Porém, é necessária.

 

No entanto, não quero culpar setor “A” ou “B”, Poder Público ou profissionais da educação, pais enfim; os pecadores não vêm ao caso. Prefiro falar sobre o pecado, tratar o contexto geral do assunto. Dentre os fatores, a falta de didática e de metas de aprendizagem. Ao longo dos anos, a defasagem do currículo e dos conteúdos, a falta de relação com a realidade e uma série de outros fatores tiveram reflexos na não – aprendizagem. Mas a raiz de toda a problemática, creio eu, é o desprestígio que sempre sofreu a educação no nosso País. Claro, sempre temos avanços aqui e acolá. Mas o contexto geral sofre pouca transformação. A bem da verdade, não é prioridade. Temos o exemplo do Japão que foi totalmente destruído em 1945 na 2ª Guerra Mundial, e que hoje é a segunda maior potência do planeta. Isso porque investiu todos os esforços e recursos na educação do seu povo. Outro exemplo é a Austrália, que ficou sem estrada, sem saúde etc, para investir todos os recursos na educação. Hoje é um país desenvolvido. Enfim, os investimentos no Brasil são pífios para nossa demanda e potencialidade.

 

Quer um exemplo? Conheço funcionários públicos em Brasília-DF, capital federal, são meus amigos, que ganham salários exorbitantes para passar o dia tomando café, falando da vida alheia e conversando “abóbora”. Enquanto nossos professores enfrentam as piores dificuldades pelo Brasil a dentro (sol, chuva, acessos difíceis, falta de estrutura de trabalho, violência física na escola etc) e ganham menos do que 10% disso. Já fiz a conta. Onde está o exemplo. E o principal: a justiça. Pode ser legal, mas é imoral. E por aí vai. De onde vem então a motivação para educar e formar cidadãos? Sim, porque o Magistério é a profissão-mãe, forma todas as outras. Eu não acredito num sistema educacional com professores ganhando mal, com estruturas de trabalho normalmente deficitárias, inexistência de incentivos de qualificação, dentre outros. Enquanto continuar esse discurso da “embalagem” e pouco “conteúdo”, muito discurso e pouco resultado, por parte de quem tem poder sobre as políticas públicas e a definição dos rumos da educação, eu não acredito em transformação. Avanços? Existem, e muitos! Mas cada avanço leva anos para ocorrer, de maneira que quando vem chegar já está quase ultrapassado. RUI BARBOSA, há mais de 80 anos, já falava em algumas reformas para educação, e só agora surgiram. A produtividade é muito baixa. As reformas demoram demais. O sistema funciona devagar para nossa necessidade. Para a urgência do desenvolvimento. E sem educação universalizada e de qualidade, jamais haverá desenvolvimento.

 

Para tanto, é necessário integridade (administrativa e profissional). Não estou nem falando de perfeição. É de praxe (costume) no Brasil louvar qualquer melhora. As grandes transformações são desprezadas. Isso é pensar pequeno. É “apequenar” a importância da educação para o desenvolvimento. Não estou falando de governos, mas de um sistema. Somos todos culpados disso. Ser íntegro é fazer autocobrança, autocrítica. É dizer: “Eu errei aqui, acertei ali, preciso melhorar acolá”. Isso é planejamento. Administrar as metas e gerir os resultados. Integridade traz compromisso. Muitas vezes não existem compromissos, porque não existe integridade. E não existe integridade porque existe um sistema de escolha e representatividade com uma orientação, em regra, que desprestigia a educação. “Qualquer avanço está bom”. Não é culpa só de gestor público. Como dizia RUI BARBOSA: “É o sistema”. É preciso ter a coragem de se dizer que quem defende uma educação de qualidade é minoria neste País. Muita coisa funciona da boca pra fora. E essa minoria está acima da média no quesito qualidade.

 

Sempre tem alguém à frente da pasta da educação para fazer espetáculo, como é de costume, se aparecer, e logo ser candidato a alguma coisa. O cargo é só para holofote e poder. É sempre assim. MACHADO DE ASSIS nunca foi Ministro de Estado da Educação. FLORESTAN FERNANDES, DARCY RIBEIRO, ANÍSIO TEIXEIRA, RUBEM ALVES também não. CRISTOVAM BUARQUE foi, mas acabou sendo derrubado pelo sistema. Como dizia JÂNIO QUADROS, pelas forças ocultas. Sistema dos vícios, do fisiologismo, que não traz transformação. Isso é só para efeito de comparação. Países desenvolvidos, que têm a educação como prioridade, escolhem as maiores autoridades na área para a execução de planos de grande envergadura. O fato é que a educação é um tema usado com certa demagogia no Brasil. “Todo mundo é a favor de melhorar, mas poucos fazem alguma coisa para que isso aconteça”, ouvi isso do próprio CRISTOVAM BUARQUE, símbolo da tese da transformação real da educação para patamares melhores, no nosso País. As maiores conquistas na área têm sua participação. O que existe é muita conversa fiada. A pasta é tratada como uma coisa comum, e não como um instrumento de desenvolvimento. A maioria dos gestores públicos está na média, só faz o dever de casa, na marra. Porém, existe uma exceção que projeta metas mais ousadas. Pra se ter uma ideia, pegando nossa região como referência, quantos municípios possuem bibliotecas públicas, teatros, cinemas, escolas de música e de dança, estruturas de esporte etc.? São ferramentas essenciais para a transformação, e que fazem parte do conjunto de metas ousadas. No entanto, tenho que lembrar mais uma vez: a distância entre o desejável e o possível. Tem que ter recursos para isso, e para ter recursos tem existir o interesse, ser prioridade.

 

A responsabilidade é de todos. Basta lembrar-se da participação das famílias no planejamento e execução de metas para a educação. Está em jogo a informação e formação dos seus filhos. Cito um fato: na década de 60 um jovem tinha uma informação pior do que o jovem de hoje, ma por outro lado, tinha uma melhor formação. O miolo disso tudo, a causa principal, é um quase generalizado descuido por parte das estruturas de formação do indivíduo (família, igreja, escola, sociedade e mídia). Existe um descompasso muito grande entre estas estruturas. Pouca coisa está afinada. Chegam a existir conflitos de ideias e de valores. Sempre se evidencia aquele costume corriqueiro de se achar que a culpa é sempre dos outros. E “eu” sempre estou isento de parcela de responsabilidade. Muitos só querem o bônus, o ônus são poucos que aceitam. Essa é que é a verdade. Basta lembrar-se dos pais de alunos: muitos sequer pisam na escola para saber da situação do seu filho, não acompanham a sua educação, e depois querem jogar a culpa toda nos professores ou na escola. Nesse caso, quer que a escola faça o papel da família, o papel que eles (pais) não cumprem.

 

A sociedade como um todo tem que aparecer como gerenciadora da realidade do Magistério. Mais participação. Chamar pra si a responsabilidade. E depois cobrar tudo e de todos. Ser amiga dos professores (e de todos que fazem parte do processo da educação) e participar no cotidiano escolar, e nas demais estruturas de formação. Esse acompanhamento por parte dos pais ou responsáveis pelo educando é de suma importância. Chega a ser imprescindível. E o País não pode aparecer só como empregador, mas administrar metas e resultados. A escola não se resume à relação professor/aluno. Um sistema educativo deve ser entendido como a articulação de três subsistemas: o familiar, o escolar e o sócio-cultural. E quero lembrar, que as escolas perdem o sentido se não conseguem alfabetizar nem dar significado ao aprendizado. Diante disso, é necessário se rever o projeto pedagógico, e aperfeiçoar os métodos. Só haverá comprometimento se houver envolvimento. Temos que envolver todos nessa causa cívica.

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno