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Ao longo da História, surgem
figuras que a memória coletiva
jamais esquece. É nesta
concepção que defino
ex-governador do Piauí
Chagas Rodrigues
(1922-2009), grande piauiense,
grande brasileiro. Antes de ser
um grande estadista, já era
admirado por ser um grande
homem. Tinha uma boa formação
moral, firmeza de caráter e
exemplo de ética e decência.
Não quero me ater à sua
biografia, mas apenas a um
relato singelo.
Na ocasião em que foi
Governador do Piauí
(1959-1962), sendo até hoje o
mais novo governador de nossa
história, teve uma relação
política próxima com meu bisavô
João Rodrigues Damasceno
(1890-1968). Meu bisavô
o admirava por ser um
dos poucos políticos do Brasil,
naquela
época, que se comprometia com a
justiça social, que lutava pela
redistribuição de renda e pelo
desenvolvimento. E o chamava de
“nosso Getúlio Vargas”,
referindo-se às conquistas
trabalhistas. Os valores mais
altos da dignificação do povo
foram defendidos. E também foi
o pioneiro no serviço social no
Estado. Lembro do meu avô (Joaquim
Rodrigues Damasceno) dizer
que foi o primeiro governador a
ter coragem de ir à nossa
região (São Raimundo
Nonato-PI), para abraçar a
causa da ‘Liberdade e
Propriedade’, uma missão do meu
bisavô, que na ocasião era Juiz
de Direito, juntamente com o
Bispo Dom Inocêncio, da
Diocese de São Raimundo Nonato
– PI, para organizar o setor
rural, através de uma
verdadeira reforma agrária.
Conseguiram! Mas correram risco
de morte do começo ao fim. O
então Governador Chagas
Rodrigues fez um discurso
emblemático: “Eu sou
governador do povo,
principalmente do povo sofrido.
Não tenho medo de morrer. É meu
dever ajudar quem precisa. E
não vou me acovardar. Contem
comigo!”. Suas palavras
foram importantes, deram a
repercussão necessária. Afinal,
foram ditas pelo governador do
Estado.
Já cresci ouvindo meu avô falar
sobre o Chagas Rodrigues,
onde dizia que foi um
extraordinário governador.
Muito corajoso para a época.
Enfrentou reformas
antipopulares, e que
contrariavam os interesses da
“elite” regional. Sempre
direcionou sua atenção e suas
ações, de maneira especial,
para o povo mais humilde.
Sempre na opção pela bondade, e
nesse espírito estava a força
do seu pensamento altruísta.
Nisso, estava também a receita
da própria felicidade pessoal.
Foi um governador com muita
dignidade e compromisso social.
Era admirado e respeitado pela
sua maneira cívica de atuação
política. Deixou o exemplo. E
muitas obras. Foi perseguido
pelas forças do atraso, da
linha da sujeira, porque não
fazia parte desse esquema, em
que não existia o cívico, o
interesse público. Ele era um
homem de personalidade forte,
de convicção, nunca se sentiu
intimidado, nem desalentado,
mesmo tendo que enfrentar o
coronelismo político existente
na época.
Chagas Rodrigues
sempre foi um homem em sintonia
com o Piauí. Foi um governador
popular, gentil e humanitário.
Um homem digno da nossa
admiração. Sua vida foi moldada
no trato diário com a causa
coletiva. Teve sua participação
marcada pela sua integração às
batalhas populares. Era
respeitado por todos,
independente de ideologia ou
agremiação partidária. Um
eterno sonhador e incansável
lutador para tornar nosso
Estado mais justo, mais feliz e
mais desenvolvido. No produtivo
governo do Governador
Wellington Dias, Chagas
Rodrigues, sempre é
lembrado a cada conquista
histórica. Falta fará, pelo
exemplo de compromisso, pela
dedicação e pelo sentido ético
e de honestidade que dava a
cada passo de sua vida. Será
sempre lembrado pelo povo do
Piauí e do Brasil.
Principalmente o legado da
democracia e da diplomacia.
Estará vivo eternamente
na lembrança do povo.

Marcos Damasceno
(pesquisador) |