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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE?MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES;

- Mestrado em andamento em Ciência Política.


Estruturas de Valores

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


Resumidamente, temos 05 (cinco) estruturas básicas de valores: a família, a escola, a igreja, a sociedade civil e a mídia. O indivíduo tem como referência de valores cada uma delas, em cada etapa da sua formação humana. Se elas fracassarem, esse indivíduo perde o ponto referencial de valores sadios, benéficos ao seu desenvolvimento sociocultural, e educacional.

 

A exemplaridade é importante. A criança tem como referência elementar a família, em seqüência a igreja, a escola, a sociedade civil e a mídia, como foram mencionadas anteriormente. Mas nem sempre a sequência é esta. Existem casos em que a mídia chega antes das demais estruturas. Isso depende do nível de orientação familiar. E nisso entra a preocupação quanto às mídias mercantis, isto é, aquelas que são mais comerciais e menos educativas. Normalmente, as mídias mercantis são sensacionalistas, sempre optam por uma pauta em que a ordem do dia é escandalizar; tentam explorar o lado emocional das pessoas. Isso é uma falsa ilusão de sensibilidade social. O objetivo, por trás disso tudo, é a chamada audiência (o conhecido IBOPE). É o comércio midiático e seus interesses comerciais. A qualidade do conteúdo é sempre secundária. A educação de um povo fica em segundo plano. São lixos comerciais que são jogados para a platéia, e que as famílias, assim como outras estruturas, como as igrejas e as escolas, devem trabalhar uma orientação pessoal-social que dê preparo espiritual e racional para as pessoas, para ao confrontarem com tal problemática, terem uma opinião já formada.

 

A partir daí, aumenta a responsabilidade dessas estruturas referenciais de valores, pois para pregar a moralidade devem possuir moral. Por exemplo: um pai que bebe, não tem moral para reclamar o filho ao beber; a igreja que comete desvio de conduta, não tem moral para julgar e condenar o pecado de seus fiéis; a escola impotente e fragilizada, na sua essência, não tem força para moralizar o educando; a sociedade civil que erra, não tem moral para condenar o erro do indivíduo; a mídia que patrocina a baixaria, não tem aval para falar em cidadania. Recorro à sabedoria popular: “A palavra convence, mas é o exemplo que arrasta”. Primeiro, devemos ensinar com o exemplo, depois com os conceitos, disciplinas e rótulos. A trilogia RxRxR (respeito a si próprio, respeito aos outros e responsabilidade por nossos atos), é fundamental para uma boa convivência social. Nisso surge a firmeza de caráter, disciplina, força de vontade, humildade, concórdia etc.

 

O indivíduo normalmente, dentro da racionalidade, segue o que as referências fazem e não o que elas falam. Em resumo, é preciso ter em mente que respeito não se impõe, se conquista. Portanto, a imposição deve ser substituída pelo esclarecimento, pela conversa franca e pela exemplaridade. E o costume de casa sempre é levado pra praça, para a convivência social. O conflito surge nas 03 (três) paixões: ser, ter e poder: “Eu sou isso, eu sou aquilo. Eu tenho isso, eu tenho aquilo. Eu posso isso, eu posso aquilo”. É como se o indivíduo tivesse que consolidar uma dessas paixões, ou até mesmo as três, para se sentir numa situação “privilegiada”, ou seja, a sensação de “superioridade”. Caso contrário, vem a decepção e a depressão. Torna-se numa pessoa vulnerável à pressão social. Por exemplo: para mostrar poder o ser humano tende a dar ordem seja em quem for, até mesmo num animal de estimação. É o super-ego. Se não encontra essa oportunidade no meio social, chega em casa e descarrega no cachorro: “Cale a boca totó!”.

 

Talvez a estrutura mais complexa, que enfrenta a maior parcela de responsabilidade é a família. Família é a base de tudo. Tudo começa por ela, e termina por ela. A família é a célula da sociedade. É a base para qualquer indivíduo. É a pedra angular do ser humano. É a referência inicial de valores, conceitos e normas. Segundo a Constituição Federal, a nossa Carta Magna, ‘a família é a base da sociedade e seu dever, compartilhando com a sociedade e o Estado, é amparar as pessoas assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e seu bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida’. Sendo assim, os membros da família devem conservar essa estrutura familiar, seus processos de vida, manter suas posições junto ao grupo familiar e à sociedade. No entanto, fazendo uma paráfrase ao consultor Amarildo Georg, ‘a família passou a entrar em crise, principalmente de valores, é o vazio existencial promovido por uma educação familiar em que tornou os membros mais preocupados em ter do que em ser’. E ele alerta para o risco desse relaxamento normativo, na estrutura familiar: “Os lares não são mais aquele ninho familiar onde se compartilhava os sonhos, onde se praticava o afeto e o carinho, pois o núcleo era forte e inabalável. Hoje, a família não mais se reconhece. Amanhã, por conseqüência, será uma sociedade confusa e perdida”. Como fatores consequentes, podemos citar a violência física (agressão física, homicídios, suicídios etc), a emocional (agressão verbal sistemática, humilhação constante, insultos, privação de informação e isolamento social intencional), a econômica (furtos e roubos nos lares por próprios membros), e a negligência (falta de cuidados, monitoramento dos atos dos membros da família, filhos abandonados). É necessário, no entanto, a compreensão das transformações sociais e culturais que vêm acontecendo nos últimos anos. Porém, a família deve continuar sendo a referência básica, o núcleo sagrado, para os indivíduos. Isso porque, certamente, não automaticamente, o bom filho será um bom católico ou um bom evangélico, um bom estudante, um bom telespectador, e um bom cidadão. Há a necessidade de se manter o vínculo afetivo, mais ainda, entre os membros e a família. Isso passa pela transferência de atenção e carinho.

 

Não adianta censurar o pecador e o pecado permanecer. Zita Lago, grande personalidade na temática, PhD (Pós-doutora) em Gestão e Políticas Educacionais, foi minha professora, defende a ‘Tese das Micro-éticas’, pequenas normas, para disciplinar as crianças, separando o que é desejo do que é necessidade. Colocar limites. Pitágoras aconselhava: “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”. É ter coragem de dizer não. De desagradar. Isso tudo na certeza de que assim será melhor para a educação desse indivíduo. Segundo um psicólogo, ‘a língua é o chicote da alma’. Nisso entra também a transição cultural, o conflito entre a globalização e a identidade cultural de cada região. Até onde a globalização é benéfica? E quando passa a ser prejudicial ou dispensável? Qual a vantagem de se manter as características regionais, no contexto sociocultural? A passividade é outro fator preocupante. Ter o conhecimento não basta, precisa-se ter atitude. Deixar de ser um portador de direitos para ser um lutador pelo direito. Encontrar formas de lidar com esse conflito cultural, dosando a influência de cada parte, a globalização e a identidade regional. Só quebra paradigma quem tem conhecimento, como também, só perde as raízes quem não tem conhecimento.

 

A sociedade civil deu um salto qualitativo (a sociedade do conhecimento), ao seguir a trilha da informação e conscientização. A onda de mudanças sempre chega, independente das vontades individuais. E atinge tudo e a todos. Agora, é preciso cuidado. Seletividade. Não podemos aceitar tudo. No meio disso tudo existem coisas ruins, maléficas à formação humana das pessoas. Existe um bordão que diz: “Não existe bom sem defeito, nem ruim sem qualidade”. Então, nessa decisão é preciso muita cautela, muito controle e muita observação. Por fim, cada indivíduo, cada núcleo social, deve controlar essa avalanche, assimilando apenas aquele conhecimento que servirá como instrumento de melhoria de vida. Os lixos culturais devem ser excluídos. Devemos lembrar sempre que a cidadania é o valor elementar na sociedade.

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno