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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE?MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Gestão Escolar, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Empreendedorismo, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES.


Júlio Dias, memória de um grande homem

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


Ao longo da História, surgem figuras que a memória coletiva jamais esquece. São seres humanos atuantes, fiéis à causa coletiva e com grande importância sociocultural. É nesta concepção que defino o Sr. Júlio Dias da Silva, conhecido popularmente como Júlio Dias.

 

Nasceu no final do século XIX, sem muita precisão ao ano, na localidade Curral Novo, hoje sede do município de Dom Inocêncio - PI. Filho do Sr. Hermógenes Dias da Silva, o maior educador cívico já existente na região, e Dona Vitalina Dias da Silva. Sua história de vida é uma referência para toda região. Já cresci ouvindo meu avô paterno (Joaquim Damasceno) falar sobre o Júlio Dias, já ensinado pelo seu pai, meu bisavô paterno (João Damasceno). Meu avô dizia que foram contemporâneos.

 

           Segundo populares, ele foi um dos mais expressivos da história regional. Sua história de vida forma um livro. E dos bons. Foi um homem polivalente: médico prático, ferreiro, joalheiro, tabelião, Juiz de Paz, professor, músico, fotógrafo, marceneiro, político e cientista. Destacou – se na medicina prática, na época tinha uma demanda ainda maior do que hoje e com desafios maiores. Era uma espécie de rábula, pessoa que exercia a profissão sem diploma. Um autodidata. Foi o “médico” do povo. E segundo relatos, nunca errou um diagnóstico. Fazia partos, cirurgias, consultas médicas, receitava remédios, no qual, ele mesmo fabricava. Muito antes de se descobrir o soro antiofídico, ele já havia descoberto uma receita que funcionava como ímã na remoção do veneno da cobra. Isso através de uma pedra quente e chifre de veado (animal da fauna local). Fabricava esse produto e aplicava em pessoas picadas de cobra. E dava certo, eram salvas. Era um gênio. Exerceu essa profissão como voluntário, nunca cobrou nada por isso. Viajava grandes distâncias para atender uma pessoa enferma, montado a cavalos. “Isso para ele era um prazer”, relata seu genro (Valter Gomes). Na opção pela bondade estava a força do seu pensamento altruísta. Estava também a receita da própria felicidade pessoal.

 

Júlio Dias como médico

 

      De acordo com sua biografia, feita pela Escolinha Júlio Dias, como joalheiro fazia verdadeiras obras de arte (peixes de ouro, jóias etc). Como ferreiro, fez uma agulha de injeção, feita de ouro, para aplicação de medicamentos. Ainda sobre sua atuação nessa profissão, meu avô materno (Manoel Oliveira) conta que seu pai, meu bisavô materno (Alexandre Oliveira), certa vez o procurou para o conserto de um rifle (calibre 44). E o Júlio Dias o consertou muito bem e ainda se atreveu a fabricar suas balas (munição). Mas pediu alguns dias, precisava primeiro fazer a máquina própria para carregar o cartucho. E ainda descobriu a receita para fabricar a pólvora, através de uma substância retirada de uma árvore da flora local. Era um homem de uma inteligência incomum. Foi também um amante da música: tocava sanfona (pé-de-bode), violão, clarinete, cavaquinho e realejo. Fala-se que foi a referência para musicalidade regional. A inspiração. Ele foi quem descobriu esses instrumentos musicais para a região, e os socializou. Gostava também de fotografar, e ainda montou um laboratório para revelar as fotos na sua própria casa. As fotos mais antigas na região, em que se conhece, foram tiradas por ele. Era um cientista.

 

       Foi professor, uma espécie de vocação hereditária. Herdou a profissão do seu pai Hermógenes Dias, dito como o maior educador cívico da região. Foi a sua grande escola, ele próprio. Era o tempo da chamada autodidática. Nessa tarefa foi importante na educação de crianças, jovens e adultos. Deu uma contribuição educacional para a geração dos meus avós. Foi ainda tabelião, onde participou de muitas missões tabelionais ocorridas na região, lideradas pelo Bispo Dom Inocêncio. Depois foi promovido a Juiz de Paz. Nesse cargo, lutou em defesa dos que não tinham voz. Não fechou os olhos como muitos, diante de uma realidade cruel e cheia de injustiças sociais. Lutou do começo ao fim por um ideal de paz, concórdia e fraternidade. Não aceitava nenhum tipo de conflito, de guerra. Era um cidadão de todos os povos. Um homem simples que pertencia ao povo. Estava sempre à sua disposição. Muito acessível. Os valores mais altos da dignificação do povo foram defendidos.

 

       Exerceu a política. Foi vereador pelo município de São Raimundo Nonato, Estado do Piauí. Exerceu o cargo com muita dignidade e compromisso social. Meu avô paterno (Joaquim Damasceno) conta que o Júlio Dias era muito admirado e respeitado pela sua maneira cívica, e civilizada, de atuação política. Deixou o exemplo. E muitas obras. Tanto que foi perseguido por políticos da linha da sujeira, representantes do atraso, por que não fazia parte desse esquema, em que não existia o cívico, o interesse público. Meu bisavô paterno (João Damasceno) tinha no Júlio Dias uma referência da política do bem e de resultados sociais. Era um regionalista autêntico. Homem de personalidade fortíssima, nunca se sentiu intimidado, nem desalentado, mesmo tendo que enfrentar o coronelismo político existente na época.

 

Júlio Dias como vereador

 

      Faleceu no dia 18 de novembro de 1963. Com a força de quem dignifica os ditames da sua consciência, Júlio Dias sempre trabalhou, inventou, criou, solucionou, serviu, colaborou, com a esperança de que não seria em vão a sua luta. Foi um homem em sintonia com a vida, e com a região, um exemplo de humildade e de sabedoria. Era um homem popular, gentil e humanitário. Deu uma contribuição histórica no campo social, cultural e intelectual na região.

 

       Se existe alguém na nossa terra que merece todas as honrarias, esse homem é Júlio Dias. Vale registrar, que foi homenageado na gestão do prefeito Luiz de Sousa Santos (Luiz da Benta), em Dom Inocêncio – PI, onde o Posto Municipal de Saúde recebeu seu nome: Posto Júlio Dias. Em referência à sua atuação como médico prático. Também tem seu nome memorizado na Escolinha Júlio Dias, no nosso município (Dom Inocêncio – PI). A esse homem devemos muita coisa.

 

Marcos Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno