|
Uma rotina típica de dia de
sábado, no município de Dom
Inocêncio – PI, aquela
expectativa. Dia de sábado não
era um dia qualquer. O cenário
era o ‘Clube Recreativo
Municipal’. O motivo? Dia de
festa, tocada por ‘GILBERTO
DIAS, O Sanfoneiro Danado de
Bom’.
Desde jovem manifestou seu
talento musical, notável no
instrumento acordeom (popular
sanfona). Sua voz era
inconfundível. Trilhou
admirável caminho, assumindo-se
um grande sanfoneiro. Com o
mestre DOMINGUINHOS, com quem
tocou uma temporada, sempre
ouviu dele o bordão: “Puxa o
fole Gilberto. Me ajude nessa
caminhada”. ALCIMAR MONTEIRO,
discípulo do Luiz Gonzaga, um
dos autênticos forrozeiros
(mais de 50 anos de carreira
profissional), nos seus
encontros musicais, sempre
indagava: “Gilberto Dias como
estão as vaquejadas lá no
Piauí?”. JORGE DE ALTINO, o
maior aboiador e cantor de
vaquejada da atualidade,
segundo autoridades da área,
certa vez disse: “Compadre
Gilberto Dias, esta sua sanfona
tocando naquele pé da
serra...”. WALDONYS, um dos
melhores sanfoneiros da
atualidade, de acordo com
Dominguinhos, apresentou-o no
seu show com convicção: “É com
muito prazer que convido pra
tocar comigo, meu amigo, o
grande sanfoneiro Gilberto
Dias, do Piauí!”. GENIVAL
LACERDA, outra lenda do forró
pé de serra (mais de 50 anos de
carreira profissional), sempre
participou de seus CDs com o
seguinte propósito: “Gilberto,
vamos tocar forró pra este povo
dançar”. SIRANO, outro renomado
sanfoneiro, sempre o convidava
para a gravação de seus DVDs,
sempre gostou de dizer: “Puxa o
fole Gilberto”. LÁZARO DO
PIAUÍ, notável forrozeiro do
Estado do Piauí, certa vez
assegurou: “Considero o
Gilberto Dias o melhor
sanfoneiro do Piauí e um dos
melhores do Brasil”. Enfim,
EPITÁCIO PESSOA, RAIMUNDINHO DO
ACORDEOM, TARGINO GONDIM e
tantos outros.
GILBERTO DIAS identificou – se
com o forró, posicionou-se como
um “embaixador” da região.
Levou o nome da nossa terra por
onde passou. E com honradez.
Ousou e alcançou um lugar de
destaque na nação forrozeira.
Testemunho novos rumos na
história da musicalidade
regional depois da sua marca
(‘GILBERTO DIAS: O Sanfoneiro
Danado de Bom’). Com certeza, é
uma referência de
profissionalismo, de vida e de
sucesso.
GILBERTO DIAS será sempre
reconhecido como um defensor
incansável da música como
oportunidade para muitos
jovens. Sempre foi preocupado e
compromissado com isso. Com
essa causa. Enfrentou as
dificuldades da vida e os
obstáculos do mundo musical, e
mostrou sua capacidade, e seu
talento, desafiando barreiras e
concretizando suas ações, seus
planos, seus objetivos, seus
sonhos. Ousou quebrar
paradigmas, e mostrou que os
filhos da nossa terra têm
potencial e podem ser pessoas
de sucesso.
Sofremos todos nós, com a perda
de GILBERTO DIAS. Ao relembrar
essa história, sou tomado pela
emoção e pelo orgulho de ter
convivido com ele, um grande
sanfoneiro e um homem honrado.
São memórias que precisamos
retomar todos os dias, para a
valorização dos nossos valores
regionais.
GILBERTO DIAS, amigo de sempre
e para sempre! Salve a força da
nossa gente, em memória dele,
que tantas vezes chorou ao
carregar o peso das
dificuldades regionais, e ao
ver tantos sonhos perdidos por
falta de uma oportunidade. Ele
honrou com nossa terra, com
nossa integridade física e
moral. Uma vida exemplar.
A história do GILBERTO DIAS
representa uma história de
sucesso na região. Para aqueles
que querem alcançar seus
sonhos, tenham nele um espelho
de perseverança, de
autoconfiança e de sucesso.
Tenho certeza que ele está no
céu, tocando ao lado do LUIZ
GONZAGA, PEDRO SERTANEJO,
SIVUCA e tantos outros
sanfoneiros que admirava. Eu
nunca vou me esquecer do
‘Sanfoneiro Danado de Bom’! Meu
conterrâneo. Amigo de tantas
histórias vividas e de tantas
alegrias que nos proporcionou
com sua sanfona no peito. Ele
era um fenômeno.
Marcos
Oliveira Damasceno
(pesquisador) |