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Às vezes, no presente, nos
encontramos sem um rumo
definido, enquanto sociedade.
Dessa forma, entra a
importância da História. A
importância de referências.
Estudar o passado, como base,
para uma reflexão do presente e
um planejamento do futuro.
Quero aqui, como pretensão
elementar, relatar a história
de personagens regionais,
claro, um breve histórico.
Fernando Pessoa, escritor,
certa vez disse que ‘tudo vale
a pena quando a alma não é
pequena’. Para tanto, nessa
missão em fazer esse registro,
tenho que ir por parte.
Começo pela Família
Oliveira, com os irmãos
capitão Deoclides
Oliveira (meu trisavô) e
capitão Gervásio Oliveira,
responsáveis pelos primeiros
recursos públicos chegados, de
forma oficial, à região. O
major Alexandre Oliveira
(meu bisavô), filho do capitão
Deoclides Oliveira, teve
grande relevância social na
região, notadamente na
infra-estrutura. O major
Alexandrino Oliveira,
sobrinho do capitão
Deoclides Oliveira, teve
papel notável na segurança
pública. Era quem redigia os
decretos oficiais, único
mecanismo documental para as
resoluções oficiais. Tempos
depois, veio o Jaime
Oliveira, filho do
Alexandre Oliveira, neto do
capitão Deoclides Oliveira,
e genro do João Damasceno,
grande líder comunitário,
emancipador de povos e de
culturas. Outra parte familiar
foi a família do Tiago
Oliveira, tido como um
intelectual regional. Teve
filhos brilhantes: Mariêta
Oliveira, esposa do
Janjão, professora –
mestra, a primeira de forma
oficial na região (somos o que
somos graças a ela, foi nosso
pilar); Adonias Oliveira,
uma figura de grande expressão
cultural, foi determinante no
desenvolvimento regional;
Efraim Oliveira, o grande
jurista prático (a ele devemos
muito no campo da democracia e
diplomacia). Ainda existiu,
nessa família, Antonino
Costa, genro do Tiago
Oliveira, vereador por 02
mandatos na década de 70, pelo
município de São Raimundo
Nonato. Tido como um dos
grandes impulsionadores da
Educação na região.
Em outra região, a
Família Rodrigues Damasceno,
tendo como patriarca João
Rodrigues Damasceno (meu
bisavô). Em 1920, fundou a Ala
Política da Localidade Ponta da
Serra, na qual, representava
algo em torno de 55% do
município de São Raimundo
Nonato, na época, tido como um
município extenso
territorialmente. Em 1922,
aderiu ao Comunismo como uma
alternativa de mudança
política, e se tornou
referência no Piauí sob o olhar
nacional de Astrojildo
Pereira. No período de 1924
– 1927, houve a Coluna Prestes,
liderada pelo general gaúcho
Luís Carlos Prestes, e
participou da recepção ao
“Cavaleiro da Esperança” (como
era chamado Prestes, por
andar montado a cavalos) em
Oeiras – PI. Em 1930, houve a
“Revolução de 30”, e sua
participação foi de forma
indireta, na Bahia, sendo que o
movimento direto partiu do Rio
Grande do Sul ao Rio de
Janeiro, comandado pelo general
Getúlio Vargas. Em 1931,
em 18 de fevereiro, foi um dos
entusiasmados a receber o Bispo
Dom Inocêncio, de quem
se tornou grande amigo, e que
após sua presença na região,
teve um olhar oficial por parte
do Poder Público às demandas da
população regional. Foi o
primeiro Bispo da Diocese de
São Raimundo Nonato, vale
ressaltar isso, e deu impacto
positivo para a pauta regional
de desenvolvimento. Em 1935,
veio a ANL (Aliança Nacional
Libertadora), e sua
participação foi similar a da
“Revolução de 30”. Em 1942, foi
nomeado ‘Juiz de Paz’ pelo
presidente Getúlio Vargas
e pelo governador Leônidas
de Castro Melo, época em
que implantou juntamente com
Dom Inocêncio a ‘Campanha
Liberdade e Propriedade’, que
registrou todas as terras e
pessoas da região. Em 1966,
idealizou o tão sonhado
município de Dom Inocêncio
(homenagem ao Bispo),
juntamente com Janjão e
José de Castro. Em
seqüência, veio a descendência.
João Rodrigues (Janjão),
delegado de polícia, sobrinho e
afilhado do João Damasceno,
comandante de várias batalhas
(notadamente a Batalha de Pau
de Colher) na defesa da honra e
da integridade moral e física
da região. Durante quase 60
anos exerceu o cargo de
delegado, e foi um dos homens
que mais trabalhou pela nossa
terra. Joaquim Damasceno
(meu avô), filho do João
Damasceno, está na política
desde 1943, é uma lenda viva,
são exatos 65 anos de
trajetória, participou de
grandes momentos nacionais e
regionais. Fez muito pela nossa
terra, pela nossa gente (ainda
é vivo). Hermino Damasceno,
filho do João Damasceno,
um dos maiores articuladores da
região já existente em toda
nossa história. Homem
respeitado. Joaquim Gomes,
sobrinho do João Damasceno,
homem de pulso firme, um dos
maiores oradores da região
(ainda é vivo). Alcides
Gomes, sobrinho do João
Damasceno, desenvolveu
serviços tabelionais e
jurídicos que permitiram a
promoção da dignidade das
pessoas e a garantia dos
direitos societários.
Guilhermino Rodrigues,
sobrinho do João Damasceno,
um tradicional líder
comunitário, um intelectual
político. Um verdadeiro
filósofo. Nessa estrutura
familiar, existiram os genros
do João Damasceno: o
extraordinário Celerino,
o grande cientista (dentista,
fotógrafo, cirurgião prático,
eletrônico e político);
Henrique (Calu),
irmão do Celerino,
importante no processo de
desenvolvimento
científico-estrutural a partir
dos anos 40; Nequinha,
também irmão do Celerino,
vereador por 04 mandatos (1989
– 1992, 1993 – 1996, 1997 –
2000, 2001 – 2004) pelo
município de Dom Inocêncio; e
João Mariano, um dos
precursores do comércio local,
determinante na estruturação
comercial-mercadológico
regional.
Teve a expressiva Família
Dias, que deu uma
contribuição significativa na
área social. O patriarca
Hermógenes Dias, professor
autodidata, grande pilar da
Educação, sendo um dos
primeiros de toda a região, e o
primeiro da nossa terra,
iniciou um processo de
desenvolvimento fundamentado na
Educação. Nesse campo, foi
mestre dos mestres. Mestre de
uma geração de intelectuais que
surgiu posterior a ele. Um dos
maiores educadores do Piauí,
chegou a ser lembrado pelo
governador Chagas Rodrigues,
em 1959, num discurso
oficial, como um exemplo de
luta e de trabalho social no
Estado. Era um homem destemido,
que fez história em toda a
região, filósofo, estudioso,
conhecia de tudo um pouco:
filosofia grega (tinha obras
literárias raras), histórias
populares (como literatura de
cordel), química, física,
matemática e português. E nunca
foi aluno de uma escola. Tudo
foi através da Autodidática.
Pelo seu esforço e vontade de
estudar e pesquisar, se tornou
numa espécie de menestrel
regional, um catedrático.
Vieram os descendentes.
Júlio Dias, cirurgião
prático, “médico” da região,
salvou muitas vidas, cuidou de
muita gente. Pesquisador, por
muitas vezes criou remédios
medicinais através da medicina
caseira (empírica), com plantas
medicinais da região. Criou
vacinas contra gripes para
idosos, crianças, enfim, um
gesto heróico para uma época
tão difícil pela ausência do
Poder Público. Andava até 100
km montado a cavalos para curar
uma pessoa, e vale salientar
que, era de forma voluntária e
não cobrava nada por isso. Foi
um dos mais notáveis
regionalistas já existentes na
nossa terra. Cinobelino Dias
(Maroto), homem
influente e altruísta, genro do
João Bonfim, foi
determinante na
representatividade do então
Território de Curral Novo, hoje
sede do município de Dom
Inocêncio. Tiago Dias,
grande jurista prático.
Também grandes personalidades
fizeram história, uma lista
enorme. Marcos Idalino
(meu nome é em sua homenagem),
precursor da política regional,
teve participação em grandes
momentos regionais e nacionais.
Licor, guerreiro de
muitas batalhas populares.
José Mariano Nunes, líder
da Localidade Ladeira.
Antônio Martins, grande
pecuarista, incentivador da
religiosidade, e quem mais
contribuiu financeiramente para
o desenvolvimento da região.
Amadeu, extraordinário
conselheiro, teve papel
importante nas festividades
regionais, notadamente na
Localidade Cacimbas. Cazé,
líder comunitário exemplar. Sua
personalidade era tão forte, a
ponto dos seus filhos terem
identidade vinculada a ele (Zé
do Cazé, Nilo do Cazé,
Antônio do Cazé...).
Lili, grande jurista
prático da Localidade Riacho
Seco. Barbosa,
pecuarista e um homem com
participação efetiva na
sociedade. Marcelino Galdino,
personalidade expressiva na
região, pelos investimentos e
aplicações que deram inovações
ao processo de desenvolvimento
regional. João Bonfim,
pioneiro no comércio local,
grande comerciante, através das
suas ações puxou o progresso
para então Território de Curral
Novo. Levi, irmão do
Lili, da Localidade Santa
Maria, foi um notável
pecuarista e um homem
preocupado com o
desenvolvimento da região. Era
atuante. Tilô, um homem
fisicamente gigante, figura
carismática na convivência
social local, notável líder da
Localidade Traíras. Mariano
de Sousa, grande pecuarista
da Localidade Cágados, com suas
negociações movimentava o
comércio local. Anísio,
pecuarista da Localidade Pé da
Serra. Isaías,
pecuarista da Localidade Inácio
Pinto. Alfredo,
comerciante da Localidade
Angical, um dos primeiros da
região, num raio de 50 km só
existia, na época, sua bodega.
José Marçal, foi o
fundador do esporte na região,
em destaque, o futebol. Foi o
primeiro, vale frisar isso,
jogador de futebol da nossa
terra, há mais de 50 anos
(ainda é vivo).
Enfim, esse resgate da
História, história de grandes
homens e mulheres da nossa
terra, gente da gente, e muitos
outros que existiram, serve com
uma finalidade elementar:
refletirmos o presente, após
uma memorização do passado,
para a tomada de rumo (futuro).
Nisso influi bastante a
chamada globalização. A relação
global/local. Esse conceito,
defendido por estudiosos,
resume-se a pensar global e
agir local. Esse é o
desafio colocado.
Marcos
Oliveira Damasceno
(pesquisador) |