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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE?MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Gestão Escolar, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Empreendedorismo, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES.


Nossa Terra, Nossa Gente.

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


Às vezes, no presente, nos encontramos sem um rumo definido, enquanto sociedade. Dessa forma, entra a importância da História. A importância de referências. Estudar o passado, como base, para uma reflexão do presente e um planejamento do futuro.

 

 Quero aqui, como pretensão elementar, relatar a história de personagens regionais, claro, um breve histórico. Fernando Pessoa, escritor, certa vez disse que ‘tudo vale a pena quando a alma não é pequena’. Para tanto, nessa missão em fazer esse registro, tenho que ir por parte.

 

Começo pela Família Oliveira, com os irmãos capitão Deoclides Oliveira (meu trisavô) e capitão Gervásio Oliveira, responsáveis pelos primeiros recursos públicos chegados, de forma oficial, à região. O major Alexandre Oliveira (meu bisavô), filho do capitão Deoclides Oliveira, teve grande relevância social na região, notadamente na infra-estrutura. O major Alexandrino Oliveira, sobrinho do capitão Deoclides Oliveira, teve papel notável na segurança pública. Era quem redigia os decretos oficiais, único mecanismo documental para as resoluções oficiais. Tempos depois, veio o Jaime Oliveira, filho do Alexandre Oliveira, neto do capitão Deoclides Oliveira, e genro do João Damasceno, grande líder comunitário, emancipador de povos e de culturas. Outra parte familiar foi a família do Tiago Oliveira, tido como um intelectual regional. Teve filhos brilhantes: Mariêta Oliveira, esposa do Janjão, professora – mestra, a primeira de forma oficial na região (somos o que somos graças a ela, foi nosso pilar); Adonias Oliveira, uma figura de grande expressão cultural, foi determinante no desenvolvimento regional; Efraim Oliveira, o grande jurista prático (a ele devemos muito no campo da democracia e diplomacia). Ainda existiu, nessa família, Antonino Costa, genro do Tiago Oliveira, vereador por 02 mandatos na década de 70, pelo município de São Raimundo Nonato. Tido como um dos grandes impulsionadores da Educação na região.

 

Em outra região, a Família Rodrigues Damasceno, tendo como patriarca João Rodrigues Damasceno (meu bisavô). Em 1920, fundou a Ala Política da Localidade Ponta da Serra, na qual, representava algo em torno de 55% do município de São Raimundo Nonato, na época, tido como um município extenso territorialmente. Em 1922, aderiu ao Comunismo como uma alternativa de mudança política, e se tornou referência no Piauí sob o olhar nacional de Astrojildo Pereira. No período de 1924 – 1927, houve a Coluna Prestes, liderada pelo general gaúcho Luís Carlos Prestes, e participou da recepção ao “Cavaleiro da Esperança” (como era chamado Prestes, por andar montado a cavalos) em Oeiras – PI. Em 1930, houve a “Revolução de 30”, e sua participação foi de forma indireta, na Bahia, sendo que o movimento direto partiu do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, comandado pelo general Getúlio Vargas. Em 1931, em 18 de fevereiro, foi um dos entusiasmados a receber o Bispo Dom Inocêncio, de quem se tornou grande amigo, e que após sua presença na região, teve um olhar oficial por parte do Poder Público às demandas da população regional. Foi o primeiro Bispo da Diocese de São Raimundo Nonato, vale ressaltar isso, e deu impacto positivo para a pauta regional de desenvolvimento. Em 1935, veio a ANL (Aliança Nacional Libertadora), e sua participação foi similar a da “Revolução de 30”. Em 1942, foi nomeado ‘Juiz de Paz’ pelo presidente Getúlio Vargas e pelo governador Leônidas de Castro Melo, época em que implantou juntamente com Dom Inocêncio a ‘Campanha Liberdade e Propriedade’, que registrou todas as terras e pessoas da região. Em 1966, idealizou o tão sonhado município de Dom Inocêncio (homenagem ao Bispo), juntamente com Janjão e José de Castro. Em seqüência, veio a descendência. João Rodrigues (Janjão), delegado de polícia, sobrinho e afilhado do João Damasceno, comandante de várias batalhas (notadamente a Batalha de Pau de Colher) na defesa da honra e da integridade moral e física da região. Durante quase 60 anos exerceu o cargo de delegado, e foi um dos homens que mais trabalhou pela nossa terra. Joaquim Damasceno (meu avô), filho do João Damasceno, está na política desde 1943, é uma lenda viva, são exatos 65 anos de trajetória, participou de grandes momentos nacionais e regionais. Fez muito pela nossa terra, pela nossa gente (ainda é vivo). Hermino Damasceno, filho do João Damasceno, um dos maiores articuladores da região já existente em toda nossa história. Homem respeitado. Joaquim Gomes, sobrinho do João Damasceno, homem de pulso firme, um dos maiores oradores da região (ainda é vivo). Alcides Gomes, sobrinho do João Damasceno, desenvolveu serviços tabelionais e jurídicos que permitiram a promoção da dignidade das pessoas e a garantia dos direitos societários. Guilhermino Rodrigues, sobrinho do João Damasceno, um tradicional líder comunitário, um intelectual político. Um verdadeiro filósofo. Nessa estrutura familiar, existiram os genros do João Damasceno: o extraordinário Celerino, o grande cientista (dentista, fotógrafo, cirurgião prático, eletrônico e político); Henrique (Calu), irmão do Celerino, importante no processo de desenvolvimento científico-estrutural a partir dos anos 40; Nequinha, também irmão do Celerino, vereador por 04 mandatos (1989 – 1992, 1993 – 1996, 1997 – 2000, 2001 – 2004) pelo município de Dom Inocêncio; e João Mariano, um dos precursores do comércio local, determinante na estruturação comercial-mercadológico regional.

 

Teve a expressiva Família Dias, que deu uma contribuição significativa na área social. O patriarca Hermógenes Dias, professor autodidata, grande pilar da Educação, sendo um dos primeiros de toda a região, e o primeiro da nossa terra, iniciou um processo de desenvolvimento fundamentado na Educação. Nesse campo, foi mestre dos mestres. Mestre de uma geração de intelectuais que surgiu posterior a ele. Um dos maiores educadores do Piauí, chegou a ser lembrado pelo governador Chagas Rodrigues, em 1959, num discurso oficial, como um exemplo de luta e de trabalho social no Estado. Era um homem destemido, que fez história em toda a região, filósofo, estudioso, conhecia de tudo um pouco: filosofia grega (tinha obras literárias raras), histórias populares (como literatura de cordel), química, física, matemática e português. E nunca foi aluno de uma escola. Tudo foi através da Autodidática. Pelo seu esforço e vontade de estudar e pesquisar, se tornou numa espécie de menestrel regional, um catedrático. Vieram os descendentes. Júlio Dias, cirurgião prático, “médico” da região, salvou muitas vidas, cuidou de muita gente. Pesquisador, por muitas vezes criou remédios medicinais através da medicina caseira (empírica), com plantas medicinais da região. Criou vacinas contra gripes para idosos, crianças, enfim, um gesto heróico para uma época tão difícil pela ausência do Poder Público. Andava até 100 km montado a cavalos para curar uma pessoa, e vale salientar que, era de forma voluntária e não cobrava nada por isso. Foi um dos mais notáveis regionalistas já existentes na nossa terra. Cinobelino Dias (Maroto), homem influente e altruísta, genro do João Bonfim, foi determinante na representatividade do então Território de Curral Novo, hoje sede do município de Dom Inocêncio. Tiago Dias, grande jurista prático.

 

Também grandes personalidades fizeram história, uma lista enorme. Marcos Idalino (meu nome é em sua homenagem), precursor da política regional, teve participação em grandes momentos regionais e nacionais. Licor, guerreiro de muitas batalhas populares. José Mariano Nunes, líder da Localidade Ladeira. Antônio Martins, grande pecuarista, incentivador da religiosidade, e quem mais contribuiu financeiramente para o desenvolvimento da região. Amadeu, extraordinário conselheiro, teve papel importante nas festividades regionais, notadamente na Localidade Cacimbas. Cazé, líder comunitário exemplar. Sua personalidade era tão forte, a ponto dos seus filhos terem identidade vinculada a ele (Zé do Cazé, Nilo do Cazé, Antônio do Cazé...). Lili, grande jurista prático da Localidade Riacho Seco. Barbosa, pecuarista e um homem com participação efetiva na sociedade. Marcelino Galdino, personalidade expressiva na região, pelos investimentos e aplicações que deram inovações ao processo de desenvolvimento regional. João Bonfim, pioneiro no comércio local, grande comerciante, através das suas ações puxou o progresso para então Território de Curral Novo. Levi, irmão do Lili, da Localidade Santa Maria, foi um notável pecuarista e um homem preocupado com o desenvolvimento da região. Era atuante. Tilô, um homem fisicamente gigante, figura carismática na convivência social local, notável líder da Localidade Traíras. Mariano de Sousa, grande pecuarista da Localidade Cágados, com suas negociações movimentava o comércio local. Anísio, pecuarista da Localidade Pé da Serra. Isaías, pecuarista da Localidade Inácio Pinto. Alfredo, comerciante da Localidade Angical, um dos primeiros da região, num raio de 50 km só existia, na época, sua bodega. José Marçal, foi o fundador do esporte na região, em destaque, o futebol. Foi o primeiro, vale frisar isso, jogador de futebol da nossa terra, há mais de 50 anos (ainda é vivo).

 

Enfim, esse resgate da História, história de grandes homens e mulheres da nossa terra, gente da gente, e muitos outros que existiram, serve com uma finalidade elementar: refletirmos o presente, após uma memorização do passado, para a tomada de rumo (futuro). Nisso influi bastante a chamada globalização. A relação global/local. Esse conceito, defendido por estudiosos, resume-se a pensar global e agir local. Esse é o desafio colocado.

 

Marcos Oliveira Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno