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“A terra é um pequeno cesto de
lixo cósmico transformado de
maneira improvável não apenas
num astro muito complexo, mas
também num jardim, nosso
jardim. A vida que ela
produziu, da qual ela usufrui,
da qual usufruímos, não surgiu
de nenhuma necessidade a
priori. Ela é talvez única no
cosmos, é a única no sistema
solar, é frágil, rara, e
preciosa por ser rara e
frágil”. (EDGAR MORIN e ANNE
BRIGITTE KERN/Terra Pátria
-1995). Segundo alguns
pesquisadores, a definição mais
aceita para ‘Desenvolvimento
Sustentável’ é o
‘Desenvolvimento’ capaz de
suprir as necessidades da
geração atual, sem comprometer
a capacidade de atender as
necessidades das futuras
gerações. É o ‘Desenvolvimento’
que não esgota os recursos para
o futuro.
A pretensão deste relato resume
– se a debater o significado da
temática ‘Desenvolvimento
Sustentável’, tema recorrente
nos debates ambientais –
ecológicos nas últimas décadas,
sob o olhar do paradigma da
‘Sustentabilidade’. Para
alcançar tal objetivo,
pretende-se articular o
princípio da ‘Sustentabilidade’
com questões ambientais
oriundas do ‘Desenvolvimento’,
que a cada dia estão mais
presentes nas discussões da
sociedade tecnológica e do
consumo em maior escala. Isso
implica a necessidade de uma
maior produção, mais ainda, uma
maior produtividade, provocada
pelo desenvolvimento
populacional acelerado.
“Desde o surgimento do homem na
terra que se houve falar em
agressão ao meio ambiente. É,
contudo, a partir da Revolução
Industrial, e, depois, do
advento da globalização, que
tal problemática começa a tomar
contornos de realidade. Essa
nova realidade preocupa toda a
sociedade, pois, devido à
aceleração industrial e
tecnológica, dirigida pelos
grandes grupos comerciais,
estes, por excesso de discurso
e falta de prática sobre
educação ambiental, passam a
utilizar-se de maneira
irresponsável da tecnologia
alcançada, gerando graves danos
para o ecossistema. No fim, o
almejado ‘Desenvolvimento’
torna-se totalmente
insustentável, dando ensejo à
emergência por um Direito
Ambiental, isto em função de
até bem pouco tempo o meio
ambiente ser considerado como
um bem livre (e ainda o é) ou
quase livre, o que é
conseqüência da visão de mundo
da sociedade ocidental
capitalista, atualmente nomeada
como sociedade globalizada”.
(MELLO, 1999). O atual modelo
de crescimento econômico gerou
enormes desequilíbrios. Se por
um lado nunca houve tanta
riqueza e fartura no mundo, por
outro lado, a miséria, a
degradação ambiental e a
poluição aumentam
significativamente. Diante
desta constatação, surge a
idéia do ‘Desenvolvimento
Sustentável’. A sabedoria de
GANDHI indicava que os modelos
de ‘Desenvolvimento’ precisam
mudar. Os estilos de vida das
nações ricas e a economia
mundial devem ser
reestruturados para levar em
consideração o meio ambiente.
Tanto nas regiões em
desenvolvimento, quanto nas
desenvolvidas, essa
problemática existe. A
existência de uma situação com
perigos ambientais e
inseguranças decorrentes do
processo de modernização, uma
vez que a modernização envolve
não apenas mudanças
estruturais, mas também a
transformação das relações
entre estruturas sociais e seus
agentes. É a chamada sociedade
de risco. Tudo isso, acarretado
pelo crescimento populacional,
pela industrialização, pela
urbanização acelerada, pela
poluição e pelo esgotamento dos
recursos naturais. Sendo assim,
estes fenômenos vêm causando
uma degradação crescente e de
efeitos imprevisíveis ao meio
ambiente planetário. Diante
dessa realidade complexa e
alarmante, surgiu a todo vapor,
e com grande relevância, o
conceito ‘Desenvolvimento
Sustentável’. Oriundo de uma
crescente preocupação dos mais
variados segmentos sociais com
a constatação de que a
organização da sociedade
atualmente está em confronto
com a sobrevivência, não só da
espécie humana, como também, de
outras espécies de seres vivos
e do próprio meio ambiente,
visto de forma global. No
entanto, diante do que foi
relatado anteriormente,
procura-se enfrentar a questão
do ‘Desenvolvimento’ versus
‘Sustentabilidade’. Segundo
CAUBET, pesquisador, o mundo
apesar de notáveis esforços
retóricos, continua acentuando
suas características e relações
reais, podendo ser definido
atualmente como financeiramente
total, economicamente global,
politicamente tribal e
ecologicamente letal. BECK,
outro pesquisador, afirma que
os problemas existentes são
tantos que as crises não são
mais independentes umas das
outras, mas sim diferentes
crises que se integram formando
um problema único e complexo.
Vale salientar que, é inegável
a necessidade do
‘Desenvolvimento’ para a
humanidade, mas, esse
‘Desenvolvimento’ vem sendo, às
vezes, praticado de modo
errado, de maneira
inconseqüente e irresponsável.
A trilogia a ser alcançada como
ideal para um empreendimento
desenvolvimentista é a
seguinte: ser economicamente
viável, ecologicamente correto
e socialmente justo. Não há
dúvidas de que a sociedade
global precisa adotar objetivos
comuns, para que aumente seu
bem-estar social. Isso porque,
o problema não está apenas
ligado à degradação do ambiente
natural, e sim, ao cultural.
Denota – se , urgentemente, a
necessidade de uma mudança de
valores e de conceitos.
“O Brasil, por exemplo, é o
país mais rico em
biodiversidade no mundo, o que
faz com que possua uma imensa
vantagem e capacidade de gerar
riquezas sobre os demais,
especialmente neste século, que
proclama o império da
biotecnologia. Não é
imotivadamente que há inúmeras
empresas multinacionais
instaladas no Brasil, buscando
incansavelmente apropriar-se do
patrimônio genético e
consagrando a política
mercantilista que marca a era
do risco. A concessão de
patentes a formas de vida
pertencentes ao território
brasileiro, por exemplo, e o
monopólio que algumas empresas
já adquiriram sobre os recursos
genéticos do País, são assuntos
que têm sido marcados por
constantes críticas. Além
disso, é preocupante o
desconhecimento do próprio povo
brasileiro sobre a riqueza e a
importância da conservação da
biodiversidade. A necessidade
de concentrar esforços para a
conservação biológica dos
ecossistemas ameaçados e de sua
biodiversidade não é uma
discussão recente. Um ponto
fundamental nesta discussão é a
interação entre as sociedades
humanas e a biodiversidade.
Neste contexto, é de grande
importância referir aqui que
há, inclusive, uma apropriação
dos saberes das comunidades
indígenas brasileiras pelos
cientistas, estrangeiros, que
passam a conviver com os índios
e apropriarem-se da cultura
medicinal cultuada há anos por
esse povo, para produzir
remédios e ganhar o mercado e a
propriedade do produto”. (ANGELITA
WOLTMANN e LUIZ ERNANI BONESSO
DE ARAÚJO/Panóptica – 2007).
Diante da crescente e grave
ameaça sobre os recursos
naturais em todo o mundo,
surgiu a preocupação de cunho
preservacionista, o que
culminou na expressão
‘Desenvolvimento Sustentável’,
que prevê a geração de
oportunidades de mercado, o
encurtamento das cadeias
produtivas e a inserção social.
Ademais, o homem precisa mudar
sua percepção sobre a vida e
entendê-la como um todo, a fim
de que haja maiores condições
de preservá-la. O resultado
disso é o ‘Desenvolvimento
Sustentável’, ou seja, o
aproveitamento dos recursos
biológicos, sendo estes
explorados de maneira racional,
conservando a natureza e
permitindo a harmonia entre a
realização das atividades
humanas e a preservação.
“O ‘Desenvolvimento
Sustentável’ vem sendo
divulgado por todo o planeta
como uma forma mais racional de
prover uma qualidade de vida
equânime e socialmente justa.
Este conceito adquiriu maior
expressão através do Relatório
Brundtland, encomendado pela
ONU, e através da já referida
Conferência UNCED-92 (Eco-92).
Tanto o Banco Mundial quanto a
UNESCO e outras entidades
internacionais adotaram o
conceito de ‘Desenvolvimento
Sustentável’ para marcar uma
nova filosofia do
‘Desenvolvimento’, que combina
eficiência econômica com
justiça social e prudência
ecológica”. (BRÜSEKE – 1996). O
debate travado tem o desígnio
de demonstrar a complexidade de
uma abordagem
teórico-científica sobre a
questão do ‘Desenvolvimento
Sustentável’, tendo em vista
que a natureza é a base
material e energética para o
desenvolvimento social da
humanidade. Os acontecimentos
ambientais são complexos, ou
seja, não admitem a separação
entre homem e natureza. O mais
problemático nesse processo é
que o homem esquece de que é,
também, parte da natureza, e
como tal, também pode ser visto
como um recurso natural. Pode –
se ressaltar, porém, a
necessidade da alfabetização
ecológica da humanidade. É
preciso compreender a
necessidade urgente de
construir uma sociedade
planetária consciente, tanto de
cunho individual quanto
coletivo. Contudo, os
paradigmas do ser humano
encontram-se em crise consigo
próprio. CAPRA, pesquisador,
comenta a respeito desta crise
de consciência ou de percepção
do ser humano, e ressalta a
necessidade de um novo
paradigma, ou seja, uma revisão
dos pensamentos, percepções e
valores do homem. A consciência
ecológica é o homem dar-se
conta de que a natureza é
limitada. De que o
‘Desenvolvimento’ é necessário
à sobrevivência da humanidade,
mas não pode ser a qualquer
custo, o planejamento racional
é indispensável, visto que a
conservação e preservação do
meio ambiente devem ser
consideradas.
As conseqüências de uma
exploração ecológico-ambiental
desgovernada, irracional e sem
planejamento apropriado trazem
a todos nós uma
responsabilidade comum, e ao
mesmo tempo essas conseqüências
são de abrangência planetária,
envolve toda a humanidade,
independente de ser praticada
na instância local. Essa crise
entre homem e natureza não pode
ser desperdiçada. É a
oportunidade para que se
efetive uma mudança na
concepção/percepção de
organização social do ser
humano. Mesmo que a solução
prática ainda esteja distante,
é indispensável repensar a
relação do homem com o meio
ambiente, a fim de que seja
introduzida uma nova
consciência no ser humano,
preocupada em respeitar a
dignidade humana e a natureza
como um todo.
Marcos
Oliveira Damasceno
(pesquisador) |