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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE?MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Gestão Escolar, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Empreendedorismo, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES.


Desenvolvimento X Sustentabilidade: Desenvolvimento Sustentável

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


“A terra é um pequeno cesto de lixo cósmico transformado de maneira improvável não apenas num astro muito complexo, mas também num jardim, nosso jardim. A vida que ela produziu, da qual ela usufrui, da qual usufruímos, não surgiu de nenhuma necessidade a priori. Ela é talvez única no cosmos, é a única no sistema solar, é frágil, rara, e preciosa por ser rara e frágil”. (EDGAR MORIN e ANNE BRIGITTE KERN/Terra Pátria -1995). Segundo alguns pesquisadores, a definição mais aceita para ‘Desenvolvimento Sustentável’ é o ‘Desenvolvimento’ capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o ‘Desenvolvimento’ que não esgota os recursos para o futuro.


A pretensão deste relato resume – se a debater o significado da temática ‘Desenvolvimento Sustentável’, tema recorrente nos debates ambientais – ecológicos nas últimas décadas, sob o olhar do paradigma da ‘Sustentabilidade’. Para alcançar tal objetivo, pretende-se articular o princípio da ‘Sustentabilidade’ com questões ambientais oriundas do ‘Desenvolvimento’, que a cada dia estão mais presentes nas discussões da sociedade tecnológica e do consumo em maior escala. Isso implica a necessidade de uma maior produção, mais ainda, uma maior produtividade, provocada pelo desenvolvimento populacional acelerado.


“Desde o surgimento do homem na terra que se houve falar em agressão ao meio ambiente. É, contudo, a partir da Revolução Industrial, e, depois, do advento da globalização, que tal problemática começa a tomar contornos de realidade. Essa nova realidade preocupa toda a sociedade, pois, devido à aceleração industrial e tecnológica, dirigida pelos grandes grupos comerciais, estes, por excesso de discurso e falta de prática sobre educação ambiental, passam a utilizar-se de maneira irresponsável da tecnologia alcançada, gerando graves danos para o ecossistema. No fim, o almejado ‘Desenvolvimento’ torna-se totalmente insustentável, dando ensejo à emergência por um Direito Ambiental, isto em função de até bem pouco tempo o meio ambiente ser considerado como um bem livre (e ainda o é) ou quase livre, o que é conseqüência da visão de mundo da sociedade ocidental capitalista, atualmente nomeada como sociedade globalizada”. (MELLO, 1999). O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios. Se por um lado nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam significativamente. Diante desta constatação, surge a idéia do ‘Desenvolvimento Sustentável’. A sabedoria de GANDHI indicava que os modelos de ‘Desenvolvimento’ precisam mudar. Os estilos de vida das nações ricas e a economia mundial devem ser reestruturados para levar em consideração o meio ambiente.


Tanto nas regiões em desenvolvimento, quanto nas desenvolvidas, essa problemática existe. A existência de uma situação com perigos ambientais e inseguranças decorrentes do processo de modernização, uma vez que a modernização envolve não apenas mudanças estruturais, mas também a transformação das relações entre estruturas sociais e seus agentes. É a chamada sociedade de risco. Tudo isso, acarretado pelo crescimento populacional, pela industrialização, pela urbanização acelerada, pela poluição e pelo esgotamento dos recursos naturais. Sendo assim, estes fenômenos vêm causando uma degradação crescente e de efeitos imprevisíveis ao meio ambiente planetário. Diante dessa realidade complexa e alarmante, surgiu a todo vapor, e com grande relevância, o conceito ‘Desenvolvimento Sustentável’. Oriundo de uma crescente preocupação dos mais variados segmentos sociais com a constatação de que a organização da sociedade atualmente está em confronto com a sobrevivência, não só da espécie humana, como também, de outras espécies de seres vivos e do próprio meio ambiente, visto de forma global. No entanto, diante do que foi relatado anteriormente, procura-se enfrentar a questão do ‘Desenvolvimento’ versus ‘Sustentabilidade’. Segundo CAUBET, pesquisador, o mundo apesar de notáveis esforços retóricos, continua acentuando suas características e relações reais, podendo ser definido atualmente como financeiramente total, economicamente global, politicamente tribal e ecologicamente letal. BECK, outro pesquisador, afirma que os problemas existentes são tantos que as crises não são mais independentes umas das outras, mas sim diferentes crises que se integram formando um problema único e complexo. Vale salientar que, é inegável a necessidade do ‘Desenvolvimento’ para a humanidade, mas, esse ‘Desenvolvimento’ vem sendo, às vezes, praticado de modo errado, de maneira inconseqüente e irresponsável. A trilogia a ser alcançada como ideal para um empreendimento desenvolvimentista é a seguinte: ser economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente justo. Não há dúvidas de que a sociedade global precisa adotar objetivos comuns, para que aumente seu bem-estar social. Isso porque, o problema não está apenas ligado à degradação do ambiente natural, e sim, ao cultural. Denota – se , urgentemente, a necessidade de uma mudança de valores e de conceitos.


“O Brasil, por exemplo, é o país mais rico em biodiversidade no mundo, o que faz com que possua uma imensa vantagem e capacidade de gerar riquezas sobre os demais, especialmente neste século, que proclama o império da biotecnologia. Não é imotivadamente que há inúmeras empresas multinacionais instaladas no Brasil, buscando incansavelmente apropriar-se do patrimônio genético e consagrando a política mercantilista que marca a era do risco. A concessão de patentes a formas de vida pertencentes ao território brasileiro, por exemplo, e o monopólio que algumas empresas já adquiriram sobre os recursos genéticos do País, são assuntos que têm sido marcados por constantes críticas. Além disso, é preocupante o desconhecimento do próprio povo brasileiro sobre a riqueza e a importância da conservação da biodiversidade. A necessidade de concentrar esforços para a conservação biológica dos ecossistemas ameaçados e de sua biodiversidade não é uma discussão recente. Um ponto fundamental nesta discussão é a interação entre as sociedades humanas e a biodiversidade. Neste contexto, é de grande importância referir aqui que há, inclusive, uma apropriação dos saberes das comunidades indígenas brasileiras pelos cientistas, estrangeiros, que passam a conviver com os índios e apropriarem-se da cultura medicinal cultuada há anos por esse povo, para produzir remédios e ganhar o mercado e a propriedade do produto”. (ANGELITA WOLTMANN e LUIZ ERNANI BONESSO DE ARAÚJO/Panóptica – 2007). Diante da crescente e grave ameaça sobre os recursos naturais em todo o mundo, surgiu a preocupação de cunho preservacionista, o que culminou na expressão ‘Desenvolvimento Sustentável’, que prevê a geração de oportunidades de mercado, o encurtamento das cadeias produtivas e a inserção social. Ademais, o homem precisa mudar sua percepção sobre a vida e entendê-la como um todo, a fim de que haja maiores condições de preservá-la. O resultado disso é o ‘Desenvolvimento Sustentável’, ou seja, o aproveitamento dos recursos biológicos, sendo estes explorados de maneira racional, conservando a natureza e permitindo a harmonia entre a realização das atividades humanas e a preservação.


“O ‘Desenvolvimento Sustentável’ vem sendo divulgado por todo o planeta como uma forma mais racional de prover uma qualidade de vida equânime e socialmente justa. Este conceito adquiriu maior expressão através do Relatório Brundtland, encomendado pela ONU, e através da já referida Conferência UNCED-92 (Eco-92). Tanto o Banco Mundial quanto a UNESCO e outras entidades internacionais adotaram o conceito de ‘Desenvolvimento Sustentável’ para marcar uma nova filosofia do ‘Desenvolvimento’, que combina eficiência econômica com justiça social e prudência ecológica”. (BRÜSEKE – 1996). O debate travado tem o desígnio de demonstrar a complexidade de uma abordagem teórico-científica sobre a questão do ‘Desenvolvimento Sustentável’, tendo em vista que a natureza é a base material e energética para o desenvolvimento social da humanidade. Os acontecimentos ambientais são complexos, ou seja, não admitem a separação entre homem e natureza. O mais problemático nesse processo é que o homem esquece de que é, também, parte da natureza, e como tal, também pode ser visto como um recurso natural. Pode – se ressaltar, porém, a necessidade da alfabetização ecológica da humanidade. É preciso compreender a necessidade urgente de construir uma sociedade planetária consciente, tanto de cunho individual quanto coletivo. Contudo, os paradigmas do ser humano encontram-se em crise consigo próprio. CAPRA, pesquisador, comenta a respeito desta crise de consciência ou de percepção do ser humano, e ressalta a necessidade de um novo paradigma, ou seja, uma revisão dos pensamentos, percepções e valores do homem. A consciência ecológica é o homem dar-se conta de que a natureza é limitada. De que o ‘Desenvolvimento’ é necessário à sobrevivência da humanidade, mas não pode ser a qualquer custo, o planejamento racional é indispensável, visto que a conservação e preservação do meio ambiente devem ser consideradas.


As conseqüências de uma exploração ecológico-ambiental desgovernada, irracional e sem planejamento apropriado trazem a todos nós uma responsabilidade comum, e ao mesmo tempo essas conseqüências são de abrangência planetária, envolve toda a humanidade, independente de ser praticada na instância local. Essa crise entre homem e natureza não pode ser desperdiçada. É a oportunidade para que se efetive uma mudança na concepção/percepção de organização social do ser humano. Mesmo que a solução prática ainda esteja distante, é indispensável repensar a relação do homem com o meio ambiente, a fim de que seja introduzida uma nova consciência no ser humano, preocupada em respeitar a dignidade humana e a natureza como um todo.
 

Marcos Oliveira Damasceno

(pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno