.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

   

      

 

Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE?MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Gestão Escolar, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Empreendedorismo, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES.


Dom Inocêncio López Santamaría

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


O Bispo Dom Inocêncio está vivo eternamente na lembrança do povo da região. Trata-se de um grande líder religioso, digno da nossa admiração, e um dos emancipadores da região. Homem exemplar, honesto, honrado, socialmente sensível e altruísta. Era um grande parceiro e amigo do meu bisavô João Damasceno. É sabido dos laços verdadeiros de amizade entre eles. Ele foi o nosso primeiro compromisso estético e o nosso senso psicológico.

 

 “DOM INOCÊNCIO LÓPEZ SANTAMARIA, nasceu em Sovellanos (Burgos) – Espanha em 28 de dezembro de 1874. Procedia da família mais pobre daquele povoado. Até os quinze anos foi pastor e peão braçal. Entrou na Ordem dos Mercedários, que se tornou Ministro Geral. Foi nomeado Bispo de uma região atrasadíssima do Nordeste e grande figura do episcopado brasileiro. Trocou todas as mordomias religiosas das instituições romanas pelas selas duras e as secas impiedosas do sertão piauiense. Aí durante quase 30 (trinta anos), numa austera pobreza ele desenvolveu um trabalho humano e religioso que vale a pena recordá-lo. A Ordem Mercedária (da qual foi Mestre Geral), a Igreja (da qual foi Bispo) e o povo da Diocese de Bom Jesus (do qual foi Pastor) não o esqueceu jamais e celebram sempre sua memória como um gratificante dom de Deus. Lêem sua vida como a reedição de um belo romance da fé e do amor doação; e o seu trabalho apostólico naquela região, como uma epopéia do amor humilde e da entrega sem reservas. Durante 28 (vinte e oito anos) no Piauí Dom Inocêncio realizou um duro e austero trabalho religioso, social e cultural: inspirou e deu forma a institutos religiosos, criou escolas e mandou abrir estradas, mas sobretudo administrou, com heróico grau de santidade, sua ação evangelizadora naquela imensa e atrasada região. Sempre disposto, com entusiasmo contagiante, pregava, celebrava, escrevia, ensinava e administrava tanta sorte de serviços. Nunca estava ocupado demais como para não cuidar de detalhes que considerava essenciais, como visitar os presos e os doentes, catequizar as crianças, falar aos jovens. Preocupava-se com a saúde espiritual, moral e física de cada pessoa. E mais: tinha sempre um sorriso para cada um que dele se acercava, uma palavra de conforto para cada dor, de encorajamento para todos. Apesar de trabalho numa das regiões mais pobres da terra, nunca deixou de acreditar naquele povo que ele amava com o coração de pai e ao qual ele sempre se antecipava na busca de soluções para todos os grandes problemas que afligiam a região”. (Revista Mercê). São poucos os que têm a coragem moral e cívica de abandonar as conveniências mesquinhas do luxo e enfrentar um desafio social e religioso numa região até então isolada. Servir ao povo e a Deus. Não tenho conhecimento de outra pessoa, que num impressionante ato de coragem, senso de justiça e prontidão, combatesse todas as mazelas sociais e econômicas existentes no cenário regional. Uma liderança religiosa autêntica e comprometida com o povo, que num gesto de compaixão mostrou a necessidade de se romper com um sistema arcaico e elitista, e se adotar uma forma de convivência com igualdade, liberdade e fraternidade.

 

Quem conheceu o caráter do Bispo Dom Inocêncio sabe muito bem o quanto ele ficaria feliz em ver essa manifestação. Sua vida foi moldada no trato diário com a causa coletiva. É bom lembrar da sua inestimável importância para o aperfeiçoamento e fortalecimento da cultura e educação regional, sua identidade regionalista, seu espírito coletivista, seu altruísmo, seu profundo conhecimento sobre o contexto social regional, sua participação marcada pela sua integração às batalhas populares. Um homem catedrático.

 

Ligado à causa social e religiosa, ele gostava de ser identificado como um Mestre, o mais legítimo e o mais compromissado. De uma forma tal que, era um líder religioso respeitado entre todos, independente de ideologia, de linha de pensamento. Isso era unanimidade. Era um detabedor experimentado, debatia os assuntos socioeconômicos e culturais da nossa região com propriedade. Sua maneira de defender o processo de desenvolvimento para a região era singular, com forte instinto de educador e de regionalismo, de um eterno sonhador e incansável lutador para tornar a região numa terra mais desenvolvida, mais justa e mais feliz.

 

Meu bisavô João Damasceno foi nomeado ‘Juiz de Paz’ na região em 1942, pelo Presidente Getúlio Vargas e pelo Governador Leônidas de Castro Melo, e juntamente com o Bispo Dom Inocêncio, nos anos 50, então Bispo da Diocese de São Raimundo Nonato, idealizou trabalhos importantíssimos para a região. Consolidaram todas as comunidades da região, demarcaram terras, construíram estradas, reservas hídricas, registraram pessoas, registraram terras, construíram os primeiros pólos comerciais da região, fizeram a primeira reforma agrária do Piauí. Mas o que mais marcou foi a idealização da ‘Campanha Liberdade e Propriedade’. Havia muitos conflitos de terras, entre os coronéis rurais e o povo socialmente excluído. Dom Inocêncio justificou: “Não haverá liberdade se apenas um for colonizado em seu próprio território. A propriedade deve ser um direito de todos”. Vale salientar que registraram todas as terras e todas as pessoas da região. Promoveram o estado de dignidade à nossa gente e organizaram politicamente nossa terra.

 

Morreu aos 81 anos de idade, em 1958, e está sepultado na Catedral de São Raimundo Nonato. Os 50 anos da morte de Dom Inocêncio estão sendo lembrados a cada conquista na região, como por exemplo a existência deste Portal SRN. Ele era o padrinho de tudo isso. Este Portal segue os ensinamentos dele, ao exercer o papel de educador, conscientizador, mobilizador, instrumento de formação humana, de massa crítica, e de desenvolvimento sociocultural.

 

 Trata-se de uma manifestação espontânea, motivada pela sua importância para a região e pela amizade que tinha para com meu bisavô. Isso aproxima-nos mais dele, faz a saudade se agudizar e nos dá uma dimensão da história regional. Sua história nos diz muito para melhor entender a situação atual. Gostaria de lembrar do desejo do meu bisavô, em 1966, no projeto de emancipação do nosso município (Dom Inocêncio), em homenagear um amigo, um guerreiro, um visionário, um líder, um homem que foi importante para o desenvolvimento da região. Dom Inocêncio faleceu em 1958 e meu bisavô em 1968. Mas o seu desejo foi atendido. E somente em 1988, foi emancipado o município de Dom Inocêncio. Grande parte da história regional se confunde com a história desse líder combativo e humanista, desse educador de uma importância significativa na melhoria da região. Essa visitação à história dá uma idéia clara de como foi o nosso passado, e a luta de grandes homens como Dom Inocêncio. Como também, nos dar a certeza de estarmos próximo dele, que a cada dia mais falta faz, pelos exemplos de compromisso com a região, pela dedicação e pelo sentido ético e de honestidade que dava a cada passo de sua vida. Um visionário que buscou fazer da sua experiência e participação, formas de utilizar seu conhecimento para colaborar na construção de uma sociedade mais desenvolvida e melhor para todos nós.

 

Trata-se de um homem especial, que buscou a paz, que promoveu o amor, e que tornou a nossa terra mais feliz, mais alegre, mais fraterna e mais desenvolvida. Escolheu ser alguém especial, escreveu uma história que poucos conseguem escrever, isso porque exige características sérias e determinantes para tal missão.  Dom Inocêncio será sempre lembrado pelo povo da região...

 

Marcos Oliveira Damasceno

(Dom Inocêncio – PI)

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Painel de Notícias | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno