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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE?MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Gestão Escolar, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Empreendedorismo, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES.


Dom Inocêncio e sua própria Lei

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


Esse pretenso herói de Dom Inocêncio é apenas um homem dotado de um acentuado senso psicológico, que levaria-o a compreender até os mais blindados sentimentos do povo inocentino, a ponto de explorá-lo em benefício de seus interesses pessoais, que eram os de transformar o município de Dom Inocêncio em sede do seu refúgio, e dominar religiosamente e politicamente toda a nossa região. Resolvi escrever porque fiquei indignado quando percebi que esse homem era um “herói” sem nenhum caráter, nem moral nem psicológico, era um apóstata, um corrupto da fé.

 

Ninguém melhor do que esse homem para anestesiar os impulsos revolucionários das massas populares. Depois, para o heroísmo, não restaria mais nenhum obstáculo. Assim, controlando a alma, o corpo e os sentimentos amorosos do povo inocentino, caminharia para o privilégio de ser considerado um “santo”. Observando as atitudes e realizações desse homem, vejo um pouco de merecimento e até tenho reconhecimento. Mas, por outro lado, muito aproveitamento, muita exploração. Estimulava a esmola, a caridade entre a população humilde, a fim de torná-la cada vez mais dependente economicamente e, daí tirar o proveito que entendesse. Forçou o povo a esmolar e a acreditar que ele era o único responsável pela libertação da nossa região.

 

Se fizermos uma visitação à história política e socioeconômica do nosso município, vamos descobrir que há 40 anos atrás era uma região rica, o povo vivia melhor. De lá para cá, enquanto os avanços foram chegando noutras regiões, em Dom Inocêncio a ditadura governamental, a corte gerencial, não teve a necessária preocupação, o descortino mental, para perceber e implantar modelos administrativos que significassem progresso, desenvolvimento e bem-estar para o povo inocentino. Sem executar quaisquer planos de interesse popular, transformou o povo, em regra, em amontoado de ignaros, aos quais não dá atenção. Os pobres inocentinos participam apenas das sobras desse banquete deletério. Pobre Dom Inocêncio, que ainda houve essa nociva liderança político-religiosa. Infelizmente no município de Dom Inocêncio, “Município Educação”, a grande maioria não possue praticamente nenhuma massa crítica.  De acordo com SIMÓN BOLÍVAR, general venezuelano, um povo ignorante é instrumento cego de sua própria destruição.

 

A pobreza sempre foi o tema básico de seus discursos. Porém, não tem dado seguimento prático àquilo que verbaliza. Ele sempre se comportou como um esmoler que distribui benesses. Vendia, lá fora, a pobreza e a miséria do povo e da região e, posteriormente, determinava a parcela a ser aplicada. Sempre se valeu da dinheirama frouxa, coletada em fontes suspeitas, para alicerçar suas ambições pessoais, no engodo do povo pouco informado e muito carente. Sempre controlou a população de Dom Inocêncio, em parte, através da filosofia do conformismo, prometendo-lhe em troca de sua resignação, esmolas e outras medidas assistencialistas. Os recursos existentes, conquistados em nome da miséria do povo, não são empregados como deveriam, na implantação de ações que tragam resultados consistentes e sustentáveis, na promoção de uma melhoria permanente da condição de vida da população. Ao contrário, são distribuídos alguns poucos recursos, já que o grosso toma um rumo “especial”, de maneira infame e desumana, com um fim específico: manter o povo no cabresto, observando os seus interesses político-eleitorais.

 

Talvez, ninguém teve mais oportunidades de desenvolver a nossa região do que ele, se assim não fez é porque é contra o desenvolvimento regional, a sua atuação sociopolítica resume-se ao assistencialismo. Isso demonstra claramente a sua intenção: conservar a dependência popular ao seu controle político, através da filantropia. Ficar insensível à miséria e ao sofrimento do povo inocentino já é lamentável, mas fazer dessa miséria motivação de aproveitamento, de turismo, não é tolerável. Cresci em Dom Inocêncio, ouvindo o seguinte bordão: “Fulano de tal é o pai dos pobres”. Quer dizer: é preciso que existam os pobres, para que surja também essa paternidade. Para ele a pobreza há que ser mantida, pois o contrário, o seu título de paternalista entraria em desuso. Aí está a razão de tudo. Se ele está tirando proveito para si e para os que rodopiam no entorno, se está tudo tão bom para eles, para que mudar? Nada de lutar pela mudança da situação problemática vigente.

 

Lembro perfeitamente de uma cena que presenciei, em Dom Inocêncio, quando criança, onde uma senhora o procurou para fazer uma reivindicação, leia na íntegra: “Pade vim pidir uma ajuda pra minha famia”.  E ele respondeu com arrogância: “Não tenho, não tenho, não tenho...”. E aquela senhora pedinchou: “Mas pade tô pricisando”. E ele, como de praxe, se irritou: “Vá pro inferno, vá morrer”. Pegarei como raiz do problema, o fato de que foi ele próprio que alimentou essa cultura assistencialista, indigna para qualquer pessoa que tenha o mínimo de senso crítico e de dignidade. Esmola é humilhante. Pedir que o que for é mendicância. Porém, tais pessoas não podem ser culpadas, mas compreendidas. São frutos do meio sociocultural histórico, do paternalismo regional. Certamente, a meu ver, é a causa maior dos danos culturais e morais existentes na nossa terra. Também, com absoluta certeza, o grande entrave para o empreendedorismo na região. Não consigo entender: JESUS CRISTO era revolucionário, pregava o dever da desobediência civil do povo cristão ao Império Romano, especificamente ao Governo de PILATOS. Tinha uma postura libertária, reprovava qualquer medida que viesse ameaçar a liberdade da população cristã. E qual o motivo da existência dessa filosofia conformista? Vejo incoerência nisso. Houve um desvio de conduta. Na Bíblia, em JEREMIAS 2:19, diz o seguinte: “A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão: sabe, pois, e vê, que mau e quão amargo é deixares ao Senhor teu Deus, e não teres o meu temor contigo, diz o Senhor”.

 

O fato é que o mais vultoso roubo é praticado nas profissões honestas. Que fazer? Desistir, e não mais se indignar com tanto descaramento? Não, ao contrário: continuar, persistir na luta. Afinal, já aparecem notáveis sinais de reação popular no nosso município. É o povo que começa a avançar em passos seguros, em muitas localidades interioranas, na busca pela liberdade e pelo desenvolvimento. O apóstolo TIAGO, em Tiago 1.26, é muito objetivo ao definir a religião: “É um conjunto de atitudes que a pessoa toma em relação a Deus, a si mesma e ao seu semelhante”.

 

Sou católico com muito orgulho. E a nossa Igreja Católica foi importante, e continua sendo, para o desenvolvimento sociocultural da humanidade. Tenho mentalidade religiosa liberal, e sou religioso por necessidade de encontrar um sentido para a vida, uma referência moral, uma consultoria espiritual, um padrão cultural, a idéia de procurar fazer o bem aos outros e trabalhar, dentro do possível, para que a justiça social vá abrindo caminho neste município. Desconfie-se de todo político, de toda liderança política, religiosa, intelectual que fala ou propõe-se a emancipar social e economicamente um povo, à base do tradicional populismo: doações, empreguismo, assistência paternalista etc. Cabe recordar aqui, os versos de JOSÉ DANTAS e HUMBERTO TEIXEIRA, cantados por LUIZ GONZAGA, o Rei do Baião: “Seu Doutor/ uma esmola para o homem que é são/ ou o mata de vergonha/ ou vicia o cidadão”. É preciso insistir que muito mais eficiente é ensinar a pescar do que doar o peixe. Não dê esmola, dê futuro. Todas as famílias de Dom Inocêncio, sem nenhuma exceção, têm uma dívida a saldar para com a nossa região e o seu povo. Esta dívida tem mais de 40 anos.

 

Marcos Oliveira Damasceno

(Pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno