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Segundo o lingüista francês
ROLAND BARTHES, a primeira
coisa a se fazer é desobrigar a
leitura, sugerindo e motivando
a leitura por prazer. Para isso
não se pode propor a
obrigatoriedade, mas motivar
sem oprimir deixando que a
criança escolha o queira ler.
As pessoas têm que descobrir
que ler é divertido e
construtivo. Como disse
EMÍLIA FERREIRO: “Ante aos
múltiplos desafios do futuro, a
educação surge como um trunfo
indispensável à humanidade na
construção dos ideais de paz,
liberdade e justiça social”.
Ainda EMÍLIA FERREIRO, com
ideais tão amplos alusivos à
prática educativa não se pode
esquecer que as pessoas têm
estruturas de pensamentos
diferentes. Cada um tem pontes
que problematizam certa área. A
diferença que contemplam,
captam e transformam em
conhecimento a partir da
experiência pessoal. Deduz-se,
então, que o que se tem nos
grupos é a heterogeneidade de
pensamentos. São mundos e
realidades diferentes na cabeça
de cada um. São conhecimentos
diversos, modos diferentes de
leitura de mundo que não podem
deixar de ser levados em
consideração, porque não se
pode negar um ser já
instituído: o indivíduo que
deve se tornar sujeito da
história. É necessário que se
instituam práticas onde a
leitura esteja presente em
todos os aspectos. Isso implica
muitas atitudes... É levar para
sala de aula jornais, revistas,
rótulos, embalagens, receitas.
A maior disponibilidade de
materiais impressos para
contato direto com os alunos.
Não se forma leitores sem uso
dessa prática cotidianamente em
sala. Só se aprende a ler,
lendo!
Portanto EMÍLIA FERREIRO
alerta: “Hoje se precisa ler
para o aluno. Amanhã ele lerá
sozinho através da mediação que
fazemos entre esse e o objeto
do conhecimento, no caso, a
leitura. É válido reforçar que
a zona de desenvolvimento
proximal é a distância entre o
que o indivíduo faz com a
intervenção de outrem e o que
pode fazer sozinho. O
letramento só é possível se a
prática de leitura, como: conto
de histórias e extrapolação das
mesmas com os alunos for
diária... A leitura depende da
mediação, depende da forma como
é apresentada aos leitores em
potencial. Se lhe é desvelado
somente o caráter formal da
leitura, sem significado, mera
decodificação de símbolos; essa
perde seu princípio fundamental
que também é divertir, é forma
de lazer, de adquirir
conhecimento, além de
informar”.
Não é redundância, mas
necessidade de conotar ao
professor novamente a
relevância suprema de aproximar
o aluno de fontes escritas para
que eles percebam a função
social e a utilidade da
leitura, para que os alunos
possam ter consciência de que
esta é algo que ele vai dominar
não algo abstrato e que lhe
provoque sensação de pânico.
Isso acontece porque a leitura
lhe é apresentada em pequenas
partes que ele não compreende e
não utiliza. É necessário
abolir a ansiedade angústia
dessas crianças que tentam
adivinhar as palavras,
mostrando-lhes a importância da
compreensão, de pensar e
questionar a leitura, tomando
essa como construção de
significados a partir do que o
leitor busca, do conhecimento
que já possui e do que sabe
sobre a língua.
Cabe ressaltar, ainda que a
leitura não esteja restrita à
escola. A linguagem é um objeto
social, do qual o educando fará
uso por toda sua vida. Não
existe um processo real e
estruturado que possa ser
apreendido através de uma
metodologia aplicada por um
mediador. O que existe são
mundos e realidades que estão
nas mentes das pessoas que as
interpretam conforme suas
informações e experiências.
Portanto, não existe um único
método eficaz. A melhor
metodologia é aquela que
alcança o aprendiz nas suas
especificidades. A aquisição da
leitura é um processo muito
complexo, e deve ser
considerado como um dos fatores
fundamentais e favorecedores de
conhecimentos futuros, sendo
uma ferramenta essencial, ou
mesmo a estrutura mestra onde
são alicerçadas as demais
aquisições. É apoio para as
relações interpessoais, para a
comunicação e leitura de seu
mundo interno e externo, sendo
que quando um indivíduo não tem
solidificado realmente suas
cognições e estratégias de
leitura, poderá tornar-se
frustrado diante da educação
formal.
Terá deficitário todo o
processo evolutivo de
aprendizagem, apresentará baixo
rendimento escolar e pouco a
pouco sua auto-estima estará
minada, podendo manifestar até
reações reativas de
comportamento anti-social. Na
sua prática diária procure algo
que estimule seus alunos a
aproximarem-se da leitura. Se
gostarem de desenhar estabeleça
critérios para ilustração de
textos e histórias inicialmente
lidas pelo professor, frases e
fragmentos de pensamentos
abstraídos das histórias que
escutam. Depois passarão a
ilustrar aquilo que eles mesmos
lêem. Ofereça diversos gêneros
para que leiam de memória,
quadrinhas e músicas conhecidas
para que desenvolvam a
autoconfiança. Escrevam
bilhetes para todos os
funcionários da escola; para
destinatários reais. A cada
resposta, à vontade e o
interesse pela leitura
aumentam. Desta maneira, as
crianças vão desenvolver a
autoconfiança, sentirem-se
seguras para apreciar suas
próprias produções e as de
outrem e, a partir daí, a
curiosidade por ler não se
restringirá aos livros de
história, mas envolverá tudo
que os cercam. Através de
atitudes simples, como a
verificação da realidade e do
que realmente tem significado
para o aluno dentro de sua
cultura geral, sua capacidade
de comunicação, seu
autodomínio, sua sociabilidade,
suas expectativas em relação à
leitura, aliando essas
informações às mediações e
intervenções significativas,
coisas simples como cartas e
bilhetes, ou criar um ambiente
que convide à leitura podem se
transformar em situações
riquíssimas para aprendizagem.
As crianças não podem mais
esperar condições favoráveis.
Ainda que sejam muitas as
adversidades é preciso criar,
inventar situações para
progressos significativos em
leitura. Ainda que não esteja
só em nossas mãos o poder de
melhorar o mundo, o educando
deve sentir-se motivado e
preparado para contagiar e
contaminar sua realidade,
procurando minimizar a
distância entre o real e o
ideal. Há também que se
buscarem atividades prazerosas
de leitura como: ilustrar a
parte que mais gostou montar
catálogos, cartazes, sempre
pensando qual tipologia é mais
adequado à turma. O grande
valor da leitura de histórias e
outros gêneros, contados,
dramatizados ou lidos, está no
estímulo que à capacidade
criadora das crianças; no
desenvolvimento da imaginação e
na análise da seqüência dos
fatos. Também é condição
fundamental para dar elementos
para que a criança desenvolva
seus próprios textos.
A leitura feita pelo educador
constitui excelente meio para
que a criança compreenda a
necessidade e os propósitos da
leitura, além de elucidar a
pessoa que ainda não sabe ler,
o que encontrará adquirindo
habilidades em leitura; assim
sendo, esse tipo de leitura
desperta o gosto e o desejo de
saber ler. As histórias
contadas são bastante indicadas
nas séries iniciais. A história
contada tem mais enredos do que
no papel. Elas criam uma
atmosfera de mais afetividade e
intimidades, oferecendo ao
professor uma maior relação com
seus alunos. O que é preciso
conquistar, centímetro a
centímetro é a capacidade de
ler, traduzir, aprender e
criticar o texto proposto, pois
ler significa refletir, pensar,
estar a favor ou contra,
comentar, trocar opinião. São
essas questões que devem ser
colocadas na interpretação de
textos.
Marcos Oliveira Damasceno
(Pesquisador) |