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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE?MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Gestão Escolar, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Empreendedorismo, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES.


O poder da leitura

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


Segundo o lingüista francês ROLAND BARTHES, a primeira coisa a se fazer é desobrigar a leitura, sugerindo e motivando a leitura por prazer. Para isso não se pode propor a obrigatoriedade, mas motivar sem oprimir deixando que a criança escolha o queira ler. As pessoas têm que descobrir que ler é divertido e construtivo. Como disse EMÍLIA FERREIRO: “Ante aos múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à humanidade na construção dos ideais de paz, liberdade e justiça social”.

 

Ainda EMÍLIA FERREIRO, com ideais tão amplos alusivos à prática educativa não se pode esquecer que as pessoas têm estruturas de pensamentos diferentes. Cada um tem pontes que problematizam certa área. A diferença que contemplam, captam e transformam em conhecimento a partir da experiência pessoal. Deduz-se, então, que o que se tem nos grupos é a heterogeneidade de pensamentos. São mundos e realidades diferentes na cabeça de cada um. São conhecimentos diversos, modos diferentes de leitura de mundo que não podem deixar de ser levados em consideração, porque não se pode negar um ser já instituído: o indivíduo que deve se tornar sujeito da história. É necessário que se instituam práticas onde a leitura esteja presente em todos os aspectos. Isso implica muitas atitudes... É levar para sala de aula jornais, revistas, rótulos, embalagens, receitas. A maior disponibilidade de materiais impressos para contato direto com os alunos. Não se forma leitores sem uso dessa prática cotidianamente em sala. Só se aprende a ler, lendo!

 

Portanto EMÍLIA FERREIRO alerta: “Hoje se precisa ler para o aluno. Amanhã ele lerá sozinho através da mediação que fazemos entre esse e o objeto do conhecimento, no caso, a leitura. É válido reforçar que a zona de desenvolvimento proximal é a distância entre o que o indivíduo faz com a intervenção de outrem e o que pode fazer sozinho. O letramento só é possível se a prática de leitura, como: conto de histórias e extrapolação das mesmas com os alunos for diária... A leitura depende da mediação, depende da forma como é apresentada aos leitores em potencial. Se lhe é desvelado somente o caráter formal da leitura, sem significado, mera decodificação de símbolos; essa perde seu princípio fundamental que também é divertir, é forma de lazer, de adquirir conhecimento, além de informar”.

 

Não é redundância, mas necessidade de conotar ao professor novamente a relevância suprema de aproximar o aluno de fontes escritas para que eles percebam a função social e a utilidade da leitura, para que os alunos possam ter consciência de que esta é algo que ele vai dominar não algo abstrato e que lhe provoque sensação de pânico. Isso acontece porque a leitura lhe é apresentada em pequenas partes que ele não compreende e não utiliza. É necessário abolir a ansiedade angústia dessas crianças que tentam adivinhar as palavras, mostrando-lhes a importância da compreensão, de pensar e questionar a leitura, tomando essa como construção de significados a partir do que o leitor busca, do conhecimento que já possui e do que sabe sobre a língua.

 

Cabe ressaltar, ainda que a leitura não esteja restrita à escola. A linguagem é um objeto social, do qual o educando fará uso por toda sua vida. Não existe um processo real e estruturado que possa ser apreendido através de uma metodologia aplicada por um mediador. O que existe são mundos e realidades que estão nas mentes das pessoas que as interpretam conforme suas informações e experiências. Portanto, não existe um único método eficaz. A melhor metodologia é aquela que alcança o aprendiz nas suas especificidades. A aquisição da leitura é um processo muito complexo, e deve ser considerado como um dos fatores fundamentais e favorecedores de conhecimentos futuros, sendo uma ferramenta essencial, ou mesmo a estrutura mestra onde são alicerçadas as demais aquisições. É apoio para as relações interpessoais, para a comunicação e leitura de seu mundo interno e externo, sendo que quando um indivíduo não tem solidificado realmente suas cognições e estratégias de leitura, poderá tornar-se frustrado diante da educação formal.

 

Terá deficitário todo o processo evolutivo de aprendizagem, apresentará baixo rendimento escolar e pouco a pouco sua auto-estima estará minada, podendo manifestar até reações reativas de comportamento anti-social. Na sua prática diária procure algo que estimule seus alunos a aproximarem-se da leitura. Se gostarem de desenhar estabeleça critérios para ilustração de textos e histórias inicialmente lidas pelo professor, frases e fragmentos de pensamentos abstraídos das histórias que escutam. Depois passarão a ilustrar aquilo que eles mesmos lêem. Ofereça diversos gêneros para que leiam de memória, quadrinhas e músicas conhecidas para que desenvolvam a autoconfiança. Escrevam bilhetes para todos os funcionários da escola; para destinatários reais. A cada resposta, à vontade e o interesse pela leitura aumentam. Desta maneira, as crianças vão desenvolver a autoconfiança, sentirem-se seguras para apreciar suas próprias produções e as de outrem e, a partir daí, a curiosidade por ler não se restringirá aos livros de história, mas envolverá tudo que os cercam. Através de atitudes simples, como a verificação da realidade e do que realmente tem significado para o aluno dentro de sua cultura geral, sua capacidade de comunicação, seu autodomínio, sua sociabilidade, suas expectativas em relação à leitura, aliando essas informações às mediações e intervenções significativas, coisas simples como cartas e bilhetes, ou criar um ambiente que convide à leitura podem se transformar em situações riquíssimas para aprendizagem.

 

As crianças não podem mais esperar condições favoráveis. Ainda que sejam muitas as adversidades é preciso criar, inventar situações para progressos significativos em leitura. Ainda que não esteja só em nossas mãos o poder de melhorar o mundo, o educando deve sentir-se motivado e preparado para contagiar e contaminar sua realidade, procurando minimizar a distância entre o real e o ideal. Há também que se buscarem atividades prazerosas de leitura como: ilustrar a parte que mais gostou montar catálogos, cartazes, sempre pensando qual tipologia é mais adequado à turma. O grande valor da leitura de histórias e outros gêneros, contados, dramatizados ou lidos, está no estímulo que à capacidade criadora das crianças; no desenvolvimento da imaginação e na análise da seqüência dos fatos. Também é condição fundamental para dar elementos para que a criança desenvolva seus próprios textos.

 

A leitura feita pelo educador constitui excelente meio para que a criança compreenda a necessidade e os propósitos da leitura, além de elucidar a pessoa que ainda não sabe ler, o que encontrará adquirindo habilidades em leitura; assim sendo, esse tipo de leitura desperta o gosto e o desejo de saber ler. As histórias contadas são bastante indicadas nas séries iniciais. A história contada tem mais enredos do que no papel. Elas criam uma atmosfera de mais afetividade e intimidades, oferecendo ao professor uma maior relação com seus alunos. O que é preciso conquistar, centímetro a centímetro é a capacidade de ler, traduzir, aprender e criticar o texto proposto, pois ler significa refletir, pensar, estar a favor ou contra, comentar, trocar opinião. São essas questões que devem ser colocadas na interpretação de textos.

 

Marcos Oliveira Damasceno

(Pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno