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Vemos comumente a seguinte
afirmação: “A educação
transforma a vida das pessoas”.
O conhecimento é a luz que
ilumina o caminho da promissão,
é a luz da libertação. E já diz
a sabedoria popular:
“O saber é o
único bem inalienável”.
Num primeiro momento traz o
desenvolvimento pessoal, num
segundo momento, o
desenvolvimento familiar, e num
terceiro momento, o
desenvolvimento social. Para
isso, é necessário um sistema
educacional de qualidade, com
compromisso sociocultural, com
lição de cidadania. Para RUBEM
ALVES, educador, não se pode
entender o processo
educacional, na sua totalidade,
se não se levarem em conta
fatores da ordem biológica,
psicológica, social, econômica,
política. Nesse meio
educacional, percebe-se a
existência de estudantes e de
carregadores de caderno, de
professores e de educadores.
Ser estudante é além de um
simples freqüentador de escola,
é estudar para a vida e para a
liberdade, considerando-se o
desenvolvimento sociocultural.
A mesma observação aplica-se em
professor e educador: ser
professor é uma profissão, a
pessoa faz aquilo como um “bico
profissional”, um meio de
sobrevivência; ser educador é
diferente, é uma vocação, a
pessoa exerce a função com
amor, com esperança em melhorar
a sua cidade, o seu estado e o
seu país. Cabe salientar que,
todas as situações requerem
pessoas motivadas, com
propósitos direcionados, para
concretização de um compromisso
social e cultural na profissão.
ALBERT EINSTEIN, no seu livro
‘Escritos da Maturidade’, que
trata da educação, diz:
“Atentem bem para o que é a
professora e a escola pública.
É ainda a escola, a educação, o
melhor instrumento que temos”.
Presenciamos certa negligência,
em algumas circunstâncias,
nesse foco educacional. Vemos,
em parte, escolas em que o
“professor” passa o conteúdo do
seu caderno para o caderno do
“aluno”, sem passar pela cabeça
de nenhum dos dois. Não se
valoriza, nesse caso, o
segmento educacional, existe
uma educação “faz de conta”.
Será que existem assuntos
desinteressantes ou pessoas
desinteressadas? Como medir
isso? O fato é que conheço
crianças que preferem as férias
ao período letivo, época das
aulas. O que está errado? ERNST
CASSIRER, pensador, afirmou que
a dificuldade real está menos
na aprendizagem de uma nova
linguagem que no esquecimento
da linguagem anterior.
WHITEHEAD, outro pensador,
observa: “Não
existe coisa pior para a
educação que as idéias inertes,
idéias que são meramente
recebidas, sem nenhum poder que
as relacione com a vida. Na
história da educação, um dos
fenômenos mais marcantes é que
instituições de saber, que num
momento estiveram vivas com o
fermento da genialidade, na
geração seguinte meramente
exibem pedantismo e rotina”.
ALBERT EINSTEIN, físico,
disse: “Jamais considere seus
estudos como uma obrigação, mas
como uma oportunidade invejável
(...) para aprender a conhecer
a influência libertadora da
beleza do Reino do Espírito,
para seu próprio prazer pessoal
e para proveito da comunidade à
qual seu futuro trabalho
pertencer”. PITÁGORAS, pensador
grego, foi taxativo:
“Eduquem as crianças e não
será necessário castigar os
homens”. CÍCERO, outro
pensador grego, alertou:
“Não basta conquistar a
sabedoria, é preciso usá-la”.
Então, não há outro caminho,
outro rumo, a não ser o da
educação. Quando a escola abre
caminhos, a vida abre as
portas. PAULO FREIRE, educador,
afirmou que a educação é a
semente do desenvolvimento.
BACON, pensador, falou o
seguinte bordão: “Conhecimento
é poder”. Poder de indignação,
de perceber as coisas erradas e
as certas, de ver o mundo com
outros olhos. É massa crítica.
Alguns educadores alertam:
“Quando estamos na escola
procuramos entender o mundo, ao
sairmos devemos estar aptos a
transformá-lo”.
Para ALBERT ENSTEIN, físico,
educação é o que sobre depois
que se esquece tudo o que se
aprendeu na escola: são as
virtudes, é o aprender a
pensar, é o aprender a estudar,
é a disciplina. Outros
pensadores dão uma referência
da escola ideal:
“A verdadeira escola é aquela
que faz do aluno um agente de
transformação social”. FRIGOTTO
e MACHADO, pensadores, dão uma
definição que reforça a tese:
“A escola deve ir na
direção de uma formação que
tenha a dimensão
científico-técnica, social,
política, cultural e estética
da formação humana”. Por isso,
uma instituição de ensino deve
ser mais que formatura, ser um
instrumento de formação
pessoal, social, profissional,
cultural.
A falta de instrução elementar
e a conseqüente incapacidade
cultural para a compreensão dos
problemas socioeconômicos no
nosso núcleo social, são a
regra nos grotões de atraso na
nossa região. Segundo JAMES
CLARKE (1810-1888), teólogo
americano, um político pensa na
próxima eleição e um
municipalista pensa na próxima
geração. DARCY
RIBEIRO, grande educador
brasileiro, amigo e companheiro
de luta do educador ANÍSIO
TEIXEIRA, nos seus últimos
meses de vida escreveu:
“Fracassei em tudo o que tentei
na vida. Tentei alfabetizar as
crianças brasileiras. Tentei
salvar os índios. Tentei fazer
o Brasil desenvolver-se
autonomamente, mas os fracassos
são minhas vitórias. Eu
detestaria estar no lugar de
quem me venceu”. Lembro
de um provérbio chinês: “Se os
teus projetos forem para um
ano, semeia o grão. Se forem
para dez anos, planta uma
árvore. Se forem para cem anos,
educa o povo”.
Portanto, deve ser nossa missão
fermentar o ambiente
educacional, para que aconteça
uma educação de verdade, que
promova um verdadeiro
desenvolvimento sociocultural
de todos os “alunos”, sem
distinção. É a melhor herança
que um pai pode deixar para um
filho, que um gestor público
pode construir para um povo.
Aplicar recursos públicos na
educação não representa gastos,
e sim investimentos. Estudar é
um sacrifício que nos traz um
bom retorno. Vamos trilhar por
esse caminho, essa conquista,
de interesse público.
Marcos Oliveira Damasceno
(Pesquisador) |