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Perfil:

- Técnico Agrícola, com Habilitação em Agricultura, pelo CEFET/PE;

- Bacharel em Engenharia Agronômica pela UESPI/PI;

- Extensão em Desenvolvimento e Comportamento Humano, pela FACINTER/PR;

- Extensão em Gestão em Administração e Marketing, pela ESAB/ES;

- Aperfeiçoamento em Planejamento Estratégico, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Projetos Educacionais, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Marketing na Gestão Empresarial, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Equipes, pelo PE?MS;

- Aperfeiçoamento em Práticas Pedagógicas, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Vigilância Sanitária, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão Financeira, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Hídricos, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Gestão Escolar, pelo PE/MS;

- Aperfeiçoamento em andamento em Empreendedorismo, pelo PE/MS;

- MBA Profissional em andamento em Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal, pela ESAB/ES.


Desenvolvimento Rural

mascosdamasceno23@yahoo.com.br


A seca é tida como a maior problemática do Sertão. Será, de forma direta, a causa do sofrimento dos sertanejos, ou uma conseqüência oriunda de outros problemas, como sociais e estruturais? O período seco é um fenômeno natural, certo de acontecer em todos os anos. O problema é a falta de estrutura, por parte dessa população, para o enfrentamento dessa época crítica. Não está somente relacionado, esse problema, com a ecologia, mas também com a economia. PÓLAN LACKI, uma grande personalidade na área, afirmou que o desenvolvimento é mais que um problema de falta de recursos, é um problema de insuficiência de conhecimento. Não existe região subdesenvolvida, o que existe é uma região sub-administrada.

 

Existem áreas no mundo que apresentam índices de pluviosidade inferiores aos nossos e, ainda assim, a seca climática que nelas incide não acarreta os efeitos danosos, de natureza econômica e social. Isso quer dizer que, naquelas áreas e nos países em que se situam, os povos já aprenderam a conviver com a seca, ou seja, com a insuficiência ou a falta de chuvas. O povo em geral vive em grande carência de suas necessidades mínimas, apesar dos enormes potenciais representados pelas terras férteis e os recursos naturais que a região oferece e que podem ser utilizados em diversas atividades rentáveis, de forma sustentável, desde que os gestores públicos optem trilhar pelo caminho da auto-sustentabilidade, que promoverá dignidade plena à população sertaneja. Ensinar o povo a conviver com a seca, como já o fizeram, em suas regiões semi-áridas, a Espanha, a China, a Califórnia, e dar-lhe as condições essenciais para essa convivência e para manter-se fixado à sua terra. Tudo isso é dever do gestor público, é respeito aos direitos de cidadania dos sertanejos, é acreditar em nossa gente, no seu potencial. A nosso ver, nenhuma região é pobre por natureza. Certamente, de uma forma ou de outra, existe alguma riqueza natural, alguma potencialidade que pode ser explorada, de forma sustentável, em benefício da sua população.

 

 Talvez, seja difícil essa transformação por causa de interesses tradicionais: há um cuidado cauteloso da “elite” política, no sentido de manter o homem do campo afastado das lutas emancipadoras, da possibilidade de buscar sua força, sua independência socioeconômica e cultural, e seus direitos constitucionais. Sempre existe, de um lado, um pequeno grupinho político bem posicionado e estabilizado economicamente, absorvendo todos os privilégios políticos, sociais e econômicos; controlando, em suas mãos, os poderes político e econômico. Do outro lado, uma grande massa pobre, excluída dos acontecimentos e benefícios socioeconômicos e políticos. Já dizia ZÉ AMÉRICO, poeta popular das frases de efeito: “A seca do pobre é o inverno do rico”. A miséria é o fator eleitoral determinante, isto é, causa-se a miséria ao nosso povo e, conseqüentemente, a dependência, a exploração, a escravidão política; é o maior e mais usual pilar político-eleitoral existente na nossa região. Como é que aqueles que se beneficiam, por ventura estão sempre no poder, da miséria para as conquistas eleitorais vão exterminá-la? Como diz a sabedoria popular: “A ignorância é a mãe de todas as misérias”.

 

É necessário se debater a comunidade como prioridade, prevalecendo o princípio da coletividade. Realizar-se programas apolíticos, sem conotação partidária, resultado do debate e do entendimento, do consenso, dos diferentes segmentos sociais. Se caminhasse a região para esse pensamento administrativo, poder-se-ia concretizar um planejamento sustentável a curto, médio e longo prazo.

 

Todo empreendimento deve atender ao Triplo “E”, isto é, Economia, Ecologia e Ética. Ser economicamente viável, gerar retorno financeiro à sociedade envolvida em torno de toda essa cadeia produtiva; ser ecologicamente correto, dar garantia de conservação ambiental, respeito ao meio ambiente; e ser socialmente justo, proporcionar a geração de emprego e renda para a população incidente. Para isso, detectam-se dois fatores preponderantes ao seu solucionamento: pesquisas e investimentos. Primeiro, a realização de um levantamento social, econômico e cultural, considerando-se fatores educacionais, necessidades e potencialidades no determinado território. Posteriormente, convém investimentos, colocar em prática o resultado desse levantamento, o diagnóstico obtido na diagnose; buscar a viabilização de programas determinantes à exploração, sustentável, desses potenciais, dessas riquezas naturais e artificiais; investir em tecnologias cabíveis ao empreendimento. Para isso, é preciso assegurar o que diz no Artigo 225 da Constituição Federal: “Todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

 

 Portanto, é necessário se trilhar sempre pelo caminho do Desenvolvimento Sustentável, isto é, aquele que satisfaz as necessidades das gerações presentes sem eliminar os recursos necessários para o desenvolvimento das gerações futuras. Tudo isso requer recursos, porém, é preciso ser prioridade administrativa. Por último, uma dose de cultura. Fazer com que o espírito otimista penetre no coração das pessoas; promover a garantia de vida digna; melhorar, de uma certa forma, a qualidade de vida dessa gente.

 

Mudar da pobreza para uma vida mais consentânea aos padrões humanos de dignidade, é preciso perseverança. Não se modifica da noite para o dia. O que não se pode admitir é que continuemos com a mesma situação problemática sem ser solucionada. Para isso, é necessário que os gestores públicos decidam realmente trabalhar, devotada e honestamente, em prol da região e de sua gente. Talvez assim, evitar-se-ia o Êxodo Rural, e viabilizaria-se o Sertão para que o nosso povo pudesse viver dignamente. Como se vê, novos desafios estão colocados para os que vêem nesse contexto de políticas públicas, uma oportunidade para mudar a realidade rural, ao invés de reproduzir padrões antigos. Certa vez GUIMARÃES ROSA fez a seguinte afirmação: “O nordestino é antes de tudo um forte”.

 

Dou meu testemunho da braveza do cidadão sertanejo, em cujos ombros suporta o peso das conseqüências de tanto desmando e falta de perspectivas de solução. Como diz a sabedoria popular: “Terra boa é a nossa!”. Não existe lugar mais confortável, melhor para se morar, do que aquele que nos deu sustento de vida, a nossa terra natal.

 

Marcos Oliveira Damasceno

(Pesquisador)

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Marcos Damasceno