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Iniciarei com um trecho de uma
publicação da Fundação
Astrojildo Pereira: “A política
é vista pela maioria das
pessoas como algo nocivo e
pernicioso, como ação corrupta
e corruptora, imprópria para
ser praticada por uma pessoa
séria e responsável. É coisa de
gente graúda e pilantra. E se
trataria de um vale-tudo pelo
poder, em que não há princípios
nem escrúpulos”.
A política é uma missão nobre
do cidadão. Observe as palavras
do FERNANDO HENRIQUE CARDOSO,
ex-presidente da República - no
seu livro ‘Cartas a um jovem
político: para construir um
país melhor’: “Política não é
apenas ideal, é caminho para se
aproximar do ideal. Por mais
desmoralizada que seja
atualmente a atividade
política, alguém tem que se
ocupar da tarefa de governar
(...). E se os melhores não
cuidarem disso, a atividade
política fica nas mãos dos
piores, ou dos medíocres. Como
melhorar as coisas, como levar
o país para frente, se os bons,
os bem – intencionados, os
querem mais progresso e mais
justiça, ficam de fora? O que
fazemos e deixamos de fazer na
política faz toda a diferença.
Isso vai afetar a sua vida, a
vida da sua família, o seu
futuro. Todo mundo precisa
prestar muita atenção, porque
vai sofrer os efeitos da
política. Só entre na política
para tentar mudar as coisas
para melhor. Sonhe que será
possível, mas não se perca no
sonho: ajude a construir um
caminho que permita fazer com
que a vida das pessoas
melhore”.
Parafraseando um político
piauiense, o povo que não
discute política, está
entregando a política para os
maus políticos. A partir disso,
ocorre a interferência
econômica, comprometendo
seriamente a qualidade da
representação política e
qualquer esforço futuro para a
implementação das mudanças
estruturais que a sociedade
precisa. A política é o nosso
dia-a-dia, onde é necessário,
para a ampliação da democracia,
ampliar a participação do
cidadão no cotidiano político.
Confiram a indagação de um jurista:
“Representante eleito pelo voto
comprado não representa nada, e
povo que vende o voto não tem
representante interessado em
servi-lo, nem pode esperar uma
vida melhor. O povo não deve
embarcar em qualquer barco, sem
ter clareza para onde se vai”.
Vejam, portanto, alguns
ditados populares que se
encaixam perfeitamente à
temática: “As escolhas que
fazemos ditam a vida que
levamos”. “Voto não tem preço e
sim conseqüências”. “O povo que
vota por uma chinela, passa
quatro anos levando
chineladas”.
O eterno RUI BARBOSA, político baiano,
disse: “Existem
eleitores corruptos exigindo
políticos sérios e honestos”.
Não podemos ser ‘analfabetos
políticos’. O que é isso? Sobre
o assunto, confira as palavras
de BERTOLT BRECHT, poeta
alemão: “O pior analfabeto é o
analfabeto político. Ele não
ouve, não fala nem participa
dos acontecimentos políticos.
(...). O analfabeto político é
tão desinformado que se orgulha
dizendo que odeia a política.
Não sabe ele que da sua
ignorância política nasce a
prostituta, o menor abandonado,
o assaltante e o pior de todos
os bandidos, que é o político
vigarista, pilantra,
corrupto...”.
A política é a atividade mais nobre do
homem, pois quando efetivamente
praticada ela se faz em
benefício de todos, e não de
alguns. É no meio político onde
ocorre a realização dos desejos
econômicos, sociais,
profissionais e culturais de
uma sociedade. A política ideal
só se faz com trabalho, e não
com jogo de palavras. Se por um
lado a luta é cotidiana e
interminável, por outro lado, é
uma luta extremamente
gratificante, pois é solidária,
compartilhada com todos aqueles
que buscam e encontram na
política o ideal de justiça e
de progresso. Ampliar a
democracia implica massificar a
participação do cidadão no
cotidiano da política.
Já NIZAN GUANAES, publicitário, disse:
“Todo cidadão deve participar
efetivamente da política, para
não permitir que pessoas
descomprometidas com a
sociedade continuem usando a
política em benefício, único e
exclusivo, particular ou do seu
grupo. Portanto, vamos pensar
na coletividade, porque,
principalmente hoje, pensar em
todos é a melhor maneira de
pensar em si. Afinal é difícil
viver numa sociedade onde a
minoria morre de fome e a
maioria morre de medo, medo de
lutar. Para resolver o jogo da
vida e apagar o incêndio dos
problemas é preciso agir, isto
é, precisa-se fazer política”.
Certa
vez ULYSSES GUIMARÃES, mártir
da redemocratização do Brasil,
falou: “Quem não
se interessa pela política, não
se interessa pela vida”. Como
políticos, devemos ser capazes,
depois de uma eficiente
observação, de descobrir as
regras do jogo em que estamos
envolvidos. Observamos que uma
peça se movimenta de uma forma
e outra de outra. Percebemos
que todas as peças têm um valor
estratégico, e que o objetivo
do jogo é política. Esta
situação precisa mudar.
Para isso, é necessário que cada cidadão se
convença da necessidade de
fazer política, arregaçar as
mangas e se lançar na luta. Ao
lado disso, que se desenvolvam
esforços para devolver a
política seu caráter ético e de
serviço para o bem da
sociedade. Essa é a razão por
que, ao tratar de política,
preferimos nos concentrar na
análise lógica, pois ela se
abre num foco em que a nossa
decisão conta, em que as
pequenas alianças fazem uma
diferença, em que os indivíduos
e os grupos pequenos ganham
significação. Porque é somente
a partir de pessoas concretas
que a política é
transformadora. E a grande
questão que é colocada à
política é a possibilidade que
se abre de chegar uma realidade
com novos mecanismos políticos,
capazes de fazer explodir a
ação transformadora.
Marcos Oliveira Damasceno
(Pesquisador) |