“Agir
coletivamente está
de acordo com o
espírito de nossas
instituições, e
confio que, já que
nossas condições
são mais
favoráveis, e
nossos recursos
são maiores que os
dos nobres. Ao
invés de nobres,
tenhamos nobres
aldeias de homens.
Se for necessário,
deixemos de lado
aquela ponte sobre
o rio, façamos uma
pequena volta e
lancemos ao menos
um arco sobre o
abismo escuro da
ignorância que nos
cerca”. (Henry
David Thoreau,
1999, p. 78)
ara falar de
movimentos sociais
devemos lembrar
alguns nomes que
foram percussores
na idéia de
mobilização por
justiça e bem
estar social, que
fazem parte da
história como
mártir da luta
pela liberdade e
por dias melhores
para a sociedade.
Quero destacar
entre estes,
Joaquim do Amor
Divino Rabelo,
conhecido por Frei
Caneca, por vender
canecas quando
jovem. Condenado,
em janeiro de 1825
a morrer na forca,
por acreditar no
direito de os
povos decidirem
seu destino
político, mesmo
que para isto
fosse necessário
fazer uma
revolução. Seu
crime foi
participar
ativamente das
revoluções
liberais ocorridas
no Brasil. Mesmo
sendo preso após a
derrota da
Revolução
Pernambucana de
1817, o frei
voltou a incitar o
povo contra os
desmandos do
governo e, em
1824, foi um dos
líderes da
Confederação do
Equador.
No jornal
Typhis Pernanbuco,
criticava a
Constituição
outorgada por D.
Pedro I em 1824,
pois ela “não
garante a
independência do
Brasil, ameaça sua
integridade e
oprime a liberdade
dos povos”, dizia
ele.
Preso frei Caneca
foi o único líder
a não ser
imediatamente
executado. Foi
preciso que o
bispo de Salvador
o despojasse da
sua função de
padre, para que
alguém o
fuzilasse. Morreu
como morreram
outros que lutaram
pela verdadeira
independência do
seu povo.
Entende-se por
movimentos sociais
todas as formas de
enfrentamento e
reações coletivas,
em prol das
contradições
sociais que se
encontram fechadas
ao desenvolvimento
dos interesses de
uma sociedade.
Os movimentos
sociais surgem de
organizações bem
articuladas que
buscam um
objetivo, ou a
solução de um
problema coletivo
e ou, causas
imediatas
concretas. Tiveram
início na década
de 70, na França,
fluindo para
outros países.
No Brasil, se
questiona o
domínio
capitalista que é
cada vez mais
poderoso
ultrapassando
fronteiras, tanto
nacional, como
internacional,
determinando a sua
própria estrutura
social e
consolidando o
desenvolvimento
urbano industrial
que evidencia a
chamada “questão
social”, definida
a partir da
consciência social
de classe
trabalhadora e
seus direitos
sociais, e
obrigando o estado
a reatualizar suas
funções, que se
caracterizam mais
pelo exercício do
controle e da
repressão,
provocando
diversas formas de
luta.
A falta de
condições de
trabalho, os
baixíssimos
salários, o poder
aquisitivo baixo é
quem condiciona
estes
trabalhadores às
lutas para
descobertas de
novos caminhos,
tanto no Brasil
como em toda a
América Latina.
Estamos vivendo um
contexto em São
Raimundo Nonato, a
qual não é
diferente das
demais regiões,
onde os
professores estão,
há vários dias
lutando por
melhorias na
educação.
A criação da
Justiça do
Trabalho e da
Previdência
Social, bem como
dos Sindicatos
sinalizam para
esse caminho.
Os sindicatos,
embora sendo
consideradas
Instituições
Particulares, que
possui as suas
normas e sua
ideologia, ainda
são vistos como
forma de
enfrentamento
coletivo, para
determinadas
categorias como é
o caso de SRN.
Nos meus vinte
anos de São Paulo
dediquei mais de
dez ao Sindicato
dos Professores de
São Paulo
(APEOESP). Uma das
coisas que aprendi
é que quando o
sindicato chama
para uma greve ou
uma manifestação,
para reivindicar
qualquer coisa que
seja, este precisa
estar apoiado, em
primeiro lugar,
pelos seus sócios
e concomitante
pela categoria, e
em segundo pela
sociedade. Para
isso é necessário
que este tenha
argumentos com o
poder do
convencimento e
assim a adesão,
caso contrário
este sempre sairá
derrotado, uma vez
que esta é a
função do Estado
que de certa forma
legitima as suas
decisões de forma
a superar e a
convencer a
sociedade sempre
pensar o
contrário.
Para que haja
êxito nas
reivindicações do
sindicato é
necessário que a
população conte
com pessoal
politizado e
consciente dos
seus direitos, o
que, as vezes, não
é possível nem
mesmo dentro da
categoria. Esse
número, geralmente
é muito pequeno,
haja vista, a
função do Estado
que é despolitizar
a massa e
dominá-la, do
contrário este não
terá êxito nas
suas decisões.
No Brasil é normal
a lei não ser
cumprida, a
impunidade impera
em qualquer
situação. Cabe a
população, mais
consciente, se
unir e reunir em
espaços
democráticos, ou
através da
imprensa, para
estar
constantemente
repassando esses
valores.
È importante
lembrar aqui
também que quando
o indivíduo passa
a participar de
uma instituição
como o sindicato,
ele passa a ser
visto como
baderneiro e
anarquista.
O caminho é sempre
a negociação,
através de
movimentos
pacíficos, onde as
partes devem usar
do bom senso.
Quero dizer para
os professores e
professoras, meus
colegas de
profissão,
principalmente os
que estão à frente
da Instituição
(Sindicato) que as
admiro muito, bem
como a sua
coragem. O que eu
recomendo é que
estas devem sim
fazer um manifesto
durante o
Congresso. Esta é
uma oportunidade
única, onde estes
podem mostrar a
sua insatisfação,
não só para SRN, e
sim para o mundo.
Se organizem e
façam uma passeata
pacífica, sem
agressão e outras
formas de ataques.
Registrem esse
momento que a
categoria e a
sociedade só tem a
ganhar. Mostrem a
sua indignação e
capacidade de
lutar por seus
direitos e assim
por uma sociedade
mais justa, sem
qualquer tipo de
preconceito e
desigualdade
social. Pensem que
é o que nós
educadores podemos
fazer, além de
defender um mundo
hegemônico baseado
na totalidade, não
aceitando o
relativismo moral,
pois tudo aquilo
que é contra a
universalidade, é
intolerável.
O importante é não
pensarmos que as
conquistas não
serão imediatas,
já que estes
resultados,
geralmente são a
médio e longo
prazo. O que
importa é que
outros colegas que
virão possam
usufruir desta
conquistas que
foram através de
lutas de pessoas
que tinham ou
ainda tem a
capacidade de se
indignar.
Todos os sujeitos
singulares ou
particulares que
participarão dessa
construção devem
reconhecer o
direito de
revolução, isto é,
o direito de
recusar a lealdade
ao governo, e
opor-lhe
resistência,
quando sua tirania
ou sua
ineficiência
torna-se
insuportáveis e se
articular para
defender os seus
direitos e as suas
causas.
A construção da
democracia e do
socialismo jamais
vai existir se não
houver a luta por
direitos de
cidadania.
Fonte: Conjuntura
Sócias –
Movimentos sociais
e política social
– Souza, Maria
Luiza
Edital –
Movimentos urbanos
ou sujeitos em
movimentos
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