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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


Letras Mortas

lumasoliver@yahoo.com.br


T

empos atrás, em uma das minhas andanças pela terrinha, em bate papo com uma das minhas amigas, esta me falou que estava fazendo um curso de "Ciências Ocultas e Letras Apagadas". A mesma se referia aqueles cursos de férias, ou seja aqueles que trazem um conteúdo resumido, onde não se aprende muita coisa já que o período é muito curto. Vejo que esta tinha razão quando me ponho a pensar nos absurdos que ocorrem em nosso país, já que muitas "Leis" são iguais a esses cursos onde o seu processo contribui para que muitas situações acabem ficando pelo meio do caminho, e para outras as letras são consideradas, apenas como “letras mortas” ou “apagadas”  como diria a minha amiga.

 

Uma grande ironia ou uma grave certeza? O fato é que as letras podem ter vindo apagadas desde o começo da nossa história e talvez, por isso tenham ocorrido grandes revoluções, desde a "Francesa", ocorrida no século XIX onde a política e a ideologia do mundo foram constituídas, e tantas outras mais. Assim vemos algumas transformações acontecendo desde a colonização do nosso país até os dias atuais.

 

O “feudalismo” cria poderes políticos sem que estes atentem para a diversidade e competências estanques, desconhecendo também a homogeneidade e as conquistas reconhecidas de uma camada vulnerável, sobrepondo camadas de uma população sobre outra, onde só alguns são dotados de uma cultura diversa.

 

A acumulação do capital e o dogma frio que comanda a história da sociedade, hoje são caracterizados pela propriedade burguesa dos meios de produção e da exploração do trabalho assalariado, onde tudo isso faz parte de uma "lei" da dialética que não se tornam legítimas e vão dando lugar a uma produção de economia apenas com troca de supérfluo e cedendo lugar às manufaturas irreversíveis e fatais do aumento, bem como o acúmulo do "capital" nas mãos de poucos que vão expropriando as terras dos pequenos produtores da produção artesanal e assim do poder econômico.

 

Esta doutrina construída e fortalecida como uma tradição histórica aprofunda e agrava ainda mais a “vulnerabilidade social” nos países subdesenvolvidos. Embora alguns “movimentos sociais” existentes tenham antecipado o curso histórico geral, os problemas não seriam pertinentes a essa situação se o "feudalismo" não tivesse deixado o legado para prefixar os rumos do Estado moderno.

 

Podemos dizer que são “letras mortas” ou “apagadas” àquelas proferidas pela Princesa Isabel, ao libertar os escravos, quando vemos o "negro" sendo estereotipado e preso nos estigmas e preconceitos que lhes tiram as oportunidades de concorrer com o branco de igual para igual no setor econômico, no mercado de trabalho e tantas outras situações.

 

O "direito" é considerado pela ciência como lei ou regra e poder de ação, ou ainda, prerrogativa ou norma jurídica, podendo ser objetivo ou subjetivo. Este trás para nós um conceito muito importante que é o de "cidadania" que seria o direito de viver de forma decente. Mas, quando vemos estes muitas vezes não serem respeitados e nem atendidos ou legitimados, certamente o que vem à nossa mente é que realmente podemos considerá-los como "letras mortas".

 

Quando vemos as crianças e os idosos, considerados os mais frágeis, se transformando nas maiores vítimas da perversidade social, excluídos dos seus direitos, sendo tratados com indiferença e desprezo, também podemos considerar que essas garantias conquistadas pela legislação, são como "letras mortas" e ou “apagadas”.

 

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à saúde, à alimentação, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão. Assim reza à nossa “Carta Maior”. (Art. 227, Constituição Federal do Brasil)

 

Mesmo assim, a mortalidade infantil possui um alto índice, sendo responsável pela morte de mais de 40 mil crianças, que são vítimas de doenças comuns e desnutrição.

 

O trabalho infantil ainda é fato em nossa sociedade. Os nossos jovens são excluídos das escolas de qualidade onde muitos deles jamais irão chegar a uma universidade. Embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e a Constituição Brasileira (1988), garantam Direito à igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade e ainda educação para todos.

 

Muitos pais que são pobres, ainda não conseguem garantir uma boa educação para os seus filhos. Estes vão continuar pobres, já que não irão conseguir um bom estudo e assim, um bom emprego. Então, também não conseguirão progredir.

 

A maioria dos pais de famílias, hoje no Brasil, ganha menos de um salário mínimo. De acordo com o IBGE este entrou na década de 90 com uma população de 146 milhões de habitantes onde 64,5 milhões vivem abaixo da linha da pobreza.

 

Os assassinatos são rotineiros no Brasil, onde estes chocam o mundo por mostrar uma grande indiferença e descaso com a vida humana, esta é de certa forma, banalizada principalmente, a da mulher, apesar da existência da lei “Maria da Penha”.

 

A violência tomou conta até das pequenas cidades que eram mais pacatas, como é o caso de SRN, de acordo com notícias nos sites da região, onde se constata uma grande evolução de casos de homicídios, latrocínios e outros.

 

A falta de cidadania também é visível nas manifestações de pessoas que se agridem até via internet, onde se vê ameaças de morte, provocações, insultos e outros. Esse tipo de atitude num país democrático jamais poderia existir, já que é uma grande falta de respeito para com o seu semelhante. Seria como se estivéssemos remando contra a maré.

 

Todas essas mazelas provam a carência de "cidadania" de toda uma população onde vemos uma imensa quantidade de garantias que não saíram do papel ou não estão em exercício. Muitas pessoas as desconhecem.

 

O que se vê são Leis, Estatutos e CPIs sendo criadas para investigar e esclarecer problemas, revelar soluções que não irão sair do papel. E a história do Brasil vai sendo marcada por descasos de uma elite e de políticos corruptos e descomprometidos com os menos privilegiados, onde “caso social” vira “caso de polícia” e um evento tradicional, como aquele ocorrido em São João do Piauí vai deixando a marca de um povo que não ganha nem um salário mínimo e vê os políticos arrematando uma "leitoa" pelo valor quase de dois, ou de um frango a mais de mil reais (notícia postada em site) o que podemos considerar uma grande afronta aqueles que não ganham, sequer, nem um salário mínimo.

 

Há que se ascender essas luzes e procurar chegar ao ponto culminante, nem que seja por meio de "revoluções" permanentes, para que se possa varrer a parte negra da história e conjugarmos todos, o mesmo verbo para uma nova abertura de uma nova idade de uma nova geração de gente mais fortalecida, onde se possa afirmar um domínio político e não dilacerar a nação ou ameaçar a própria existência desta, onde se provoca uma guerra de expressões e agressões que vão deixando as suas marcas e ou feridas.

 

Como regra, podemos questionar tudo que se ouve e se lê independente de quem fala e de quem escreve. Para isso aumente a sua desconfiança, preze a sua liberdade. Lembre-se, diante de problemas difíceis, não há fáceis soluções. E os políticos, de má fé, estão aí dizendo para a população que vão resolver os seus problemas, onde estes com certeza, não irão acabar com a miséria e nem investir no crescimento econômico, como distribuição de renda ou investimento social.

 

O momento no cenário político é de "reflexão", sobretudo no que se refere à luta contra esses "senhores fidalgos" que fazem do voto mercadoria de "baixo valor", que compram voto para transformá-los em bens particulares de alto custo, por que as leis para estes são "letras mortas".

 

Portanto, caro (e) leitor, fique atento. A viagem pelas “urnas” pode ser uma viagem pelas mudanças de uma “nação”. Lembrem-se, raramente os jornais não falam, de forma explícita, as coisas como elas deveriam ser.

 

Atentem, também para o velho ditado. "Árvores doentes não dão bons frutos". Os velhos políticos que aí estão podem não ser os candidatos ideais, considerando as suas fichas.

 

A sua arma para revolução permanente é o "voto". Com ele você vai poder mudar, transformar, criar, questionar... Mas, cuidado! Você só vai poder questionar realmente se fizer uso deste, portanto, não fique em cima do muro. Votar significa dizer: eu posso questionar, eu posso denunciar, eu posso cobrar, eu posso fiscalizar. Eu “posso”, eu “devo”, pois foi para isso que declarei o meu voto. Seja criativo, combativo. Antes de votar justifique o seu voto, pois ele é mais poderoso do que você pensa. Vale a mudança de uma “nação”. E você só vai poder questionar se você votar, pois se você "anular" o seu voto, estará, de certa forma, privado de  questionar o não funcionamento das leis, por exemplo, ou do desenvolvimento da sua cidade ou do seu país, pois quando muitos lutavam, batalhavam para que as mudanças ocorressem você estava em cima do muro ou anulou o seu voto, perdendo, assim o direito de questionar.

 

Antes de votar verifique se as pessoas as quais você vai dá o seu voto são de confiança, são pessoas comprometidas com as causas sociais. Verifique o seu histórico político. Verifique, também se este já fez alguma coisa em prol do desenvolvimento pessoal ou coletivo da cidade. Assim você não irá estragar a única bala que você tem para disparar contra os fantasmas da desigualdade social.

 

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.