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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


Brasil: pátria amada

lumasoliver@yahoo.com.br


O projeto AXÉ que na língua africana iorubá, significa força mágica, desenvolvido na Bahia é hoje uma lição de cidadania. Este consegue fazer o que os governantes não são capazes, a um custo muito inferior a de outros projetos governamentais que ajudam os meninos e meninas de rua a construírem projetos de vida, e transformam garotos em cidadãos.

 

Criado em 1990, em Salvador pelo então advogado e pedagogo italiano Cesare de Florio la Rocca, o Axé atende hoje mais de duas mil crianças e adolescentes.

 

O projeto tem cunho educativo e foi projetado para os filhos e as filhas da exclusão, principalmente aqueles que estão em condição de rua. Com uma receita simples, onde a competência pedagógica dos educadores de rua estimula a permanência de jovens que são incentivados a um projeto de vida inovador, e estes passam a reconhecer a si próprio, não apenas como Sujeitos de Direito, mas, Sujeitos de Desejo.

 

A administração eficiente, bem como o respeito pela criança, o incentivo, a formação e bons salários para os educadores é que fazem a diferença. O projeto vê a ética e a estética como pilares fundamentais de um novo projeto de uma vida digna para os meninos e meninas que a sociedade já tinha condenado à exclusão definitiva.

 

Vendo este projeto, bem como a sua forma de vê a realidade podemos fazer um parâmetro com o que vimos ocorrer na nossa seleção, em relação à sua administração.

 

Vimos um Brasil mais uma vez nas mãos de poucos, onde estes podiam decidir por milhões. E ainda por cima, de forma autoritária e arrogante como foi a do nosso técnico Dunga. Onde o resultado foi à tristeza estampada no rosto de milhões de brasileiros.

 

Nos anos setenta o Brasil, embora sobre um regime militar, fez o seu povo se alegrar, pelo menos com a vitória na copa, onde muitos estudiosos alegam que estes estavam com uma baixo-estima que veio a melhorar com a vitória. Hoje podemos dizer que não é ditadura militar que os fazem tristes, mas, a ditadura de um país subdesenvolvido que vive na espera. Portanto vamos esperar mais quatro anos.

 

Brasileiro está sempre na espera... Espera na fila do INSS por uma aposentadoria e afins... Espera na fila do SUS por saúde... Espera na fila dos tribunais pela resolução de uma causa... Espera na fila dos bancos para pagar as suas contas... Espera no ponto do ônibus para ir para o trabalho... Enfim, a vida do brasileiro se resume numa longa espera em todas as filas do cotidiano por melhores dias.

 

Ficamos apenas a nos perguntar. Por que isso ocorre? Quem paga para que os brasileiros vivam assim? Quem é responsável por tudo isso?

 

Ao fazermos um paralelo com as duas situações, podemos chegar a uma conclusão naquilo que, segundo Alexandre Pelagi vai chamar de “Involução”, onde este afirma que de acordo com livro editado em 1901.

 

A civilização atual, potentemente aparelhada, transformou a face da terra; aproximou os povos, suprimindo as distâncias. A instrução derramou-se, as instituições melhoraram. Uma grande batalha se empenha entre o passado que não quer morrer e o futuro que faz esforços por vir à vida. Em favor dessa luta, o mundo se agita e marcha; um impulso irreversível o arrasta, e o caminho percorrido, os resultados adquiridos, faz-se pressagiar conquistas mais admiráveis, mais maravilhosas ainda. Porém, se os progressos efetuados nas ordens físicas e intelectuais são notáveis é, pelo contrário nulo o adiamento moral. Neste ponto, o mundo parece antes recuar, as sociedades humanas, febrilmente absorvidas pelas questões políticas e financeiras, sacrificando os seus interesses morais ao bem estar material...

 

Este afirma ainda que, apesar de ter se passado um século é como se essas referências fossem aos dias de hoje, onde este se sente como a formiga sendo observada pelo gigante e a velocidade de seus passos é imensa, mas o gigante que a observa, o espaço que avança é insignificante, e a distância que percorre não leva a lugar algum.

 

A ciência trás, através de psicólogos, uma análise na questão Dunga, onde este passa para seus adeptos cenas de violência como aquela em que este esmurra a trave de ferro no banco de reserva, o que segundo estes, incentiva o jogador a cometer o lamentável ato de pisotear o seu adversário, bem como a expressão de Robinho visivelmente irritado em campo, já que este é considerado uma pessoa dócil. Outra cena que estes comentaram é aquela onde o Maradona, mesmo derrotado, abraça seus súditos um a um, coisa que o Dunga não fez, mostrando que a moral, apesar dos avanços da ciência e do conhecimento, a cada dia faz crescer, no coração do homem a ignorância de si mesmo, desconhecendo a miséria que se alastra ao seu redor, provocada pela sua ganância e seu egoísmo... Assim, a este, ou a quem quer que sejam responsáveis pela “derrota”, as lágrimas daqueles que vivem pela alegria de vê o seu time ganhar, nada importa, o mais importante é que estes já estão com suas vidas dominadas pelo capitalismo que corrompe e que faz a alegria de poucos, em detrimento da maioria, pois estes estão ocupados, apenas com seus interesses e não os da maioria, já que o sucesso é uma virtude exclusiva e solitária e estes já o detém.

 

Além de tudo isso o que nos resta é torcer. Isto por que somos brasileiros. E brasileiro não foge à luta. Torcer por um país onde o bem estar material não seja sinônimo de felicidade. Independente de qualquer situação. Brasileiro é movido pela esperança e pela alegria, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo. Torcer para que tenhamos sempre pessoas preocupadas com as nossas crianças e com os nossos jovens, assim como os executores do Projeto Axé. No país ainda há pessoas boas que se preocupam com o futuro. Torcer para que as pessoas continuem a cada dia saindo da "involução". A tecnologia nos oferece esses recursos é só não permanecermos em berço esplêndido. Torcer para rompermos com um passado de estereótipos e estigmas que nos aprisionam e nos amordaçam nos privando assim, da liberdade, equidade e também dos nossos direitos e desejos. Para isso precisamos que cada um de nós possamos ir à luta. Precisamos continuar participando, inovando, denunciando,  revolucionando... E o mais importante: confiando, já que a confiança em si próprio é o primeiro segredo para o sucesso e  para que continuemos a "evoluir".

 

Para os mais consolados em 2014 será diferente. Essa também é a opinião da "cúpula", ou seja, "os donos do poder" pois estaremos disputando em casa. Então só nos resta esperar...

 

 

Até  lá, quem "viver", "verá"!!!!!!!!

 

 

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.