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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


O Grande Dia

lumasoliver@yahoo.com.br


O grande dia foi quando apresentei o meu TCC - Trabalho de Conclusão de Curso - à banca, sob o título: MOVIMENTOS MIGRAT?RIOS NO BRASIL: a migração nordestina, seus equívocos, sua relevância e as relações sociais.  Exatamente aos dezesseis dias do mês de junho, lá estava orgulhosamente, em frente às professoras, orientadora e arquidora e a uma platéia formada por colegas de curso e demais pessoas que ali estavam para prestigiarem os trabalhos.

 

A grande importância deste feito é que sua relação é à vida do nordestino aqui em São Paulo, contexto ao qual estou inserida. Naquele púpito, estava a falar, inclusive de mim. Portanto esse texto quero dedicar a todos os nordestinos aos migrantes de forma geral e também a todos que estão, de certa forma engajados na luta por direitos iguais e melhores dias para as gerações futuras.

 

Fazer esta pesquisa não foi fácil, já que é muito difícil o enfrentamento aos preconceitos e ás diversas formas de estereótipos e estigmas designados aos nordestinos. Mas após um ano e meio de trabalho, chega o dia em que devo dividir com o público aquilo que consegui descobrir devendo dividir com você leitor que é parte, ou não deste contexto.

 

 

O trabalho apresentou uma análise sobre a questão da migração, principalmente de sujeitos nordestinos para a cidade de São Paulo, onde num primeiro momento enfocamos a sua história e sua trajetória que perpassa desde os primórdios, chegando a contemporaneidade; os fenômenos migratórios no Brasil, os principais motivos da migração, o trabalho como meio de sobrevivência, os equívocos do fenômeno, principalmente, sua relevância com paralelo à sua identidade cultural, os estereótipos, os preconceitos, a discriminação e a segregação, estigmatizada pela sociedade afim de compreender como a questão é tratada.

 

Entre os objetivos que permeiavam o trabalho se destacavam a desmistificação das rotulações fortemente empregadas aos migrantes, concomitante, buscando discorrer e analisar qual o olhar do serviço social frente a compreensão dos principais fatores que condicionam essa questão no Brasil e seu modo de entender a problemática, sua trajetória, seus equívocos e analisar, de forma crítica, o seu papel profissional, estabelecendo e considerando os resultados obtidos para uma maior aproximação da migração como "questão social", sua natureza e o que esta provoca, para que se estabeleça um processo de uma relação saudável e de qualidade de vida entre as famílias em processo migratório, em especial, as nordestinas, que migram para a cidade de  São Paulo de modo a contribuir com o enfrentamento às dificuldades, aos preconceitos e os estereótipos que a sociedade lhes impõe, fundamentando-se inclusive por legislações, por se considerar que todo cidadão é um sujeito de direitos, onde  possui igualdade de tratamento perante as políticas sociais existentes. 

 

Os movimentos migratórios no Brasil não são fatos isolados, próprios do país, esse fenômeno é universal. A história da migração no país é a história de um povo em busca contínua, pela conquista da sobrevivência e está ligada diretamente à história de sua colonização. Uma história de exploração contínua e itinerante, que teve seu início no Nordeste, durante o ciclo do açúcar, o que levou essa parte do país a se desenvolver mais intensamente durante os séculos XVI e XVII.

 

Embora a região nordeste seja a que mais expulsa seus habitantes, aqui se constatou também que são bastante comuns a milhões de brasileiros, as motivações que os levam para a migração, além das econômicas, sociais e políticas, essas pessoas mudam também por motivos pessoais e subjetivos, razões pelas quais se veêm obrigadas, todos os anos, a sair das áreas rurais para as cidades, especialmente para as grandes metrópoles.

 

Mas constata-se também que muitos motivos atribuídos às causas da migração são equivocados, como é o caso da migração nordestina, que está ligada ao "fator seca". No entanto esse problema não está na escassez da água, nem nas irregularidades dos invernos, mas, na forma como a sociedade da região está organizada.

 

Como os interesses políticos do Brasil sempre foram comandados por grandes grupos econômicos, inicialmente as oligarquias agrárias; depois as urbano-industriais, e que esses grupos nunca atuaram ao lado dos mais desfavorecidos é que a luta da sociedade brasileira vai se consolidando pelo direito à igualdade social e esse direito vem se reconhecendo por conta de um enfrentamento de grandes desafios no campo social onde à última década tem significado a ampliação do reconhecimento pelo Estado, no esteio da luta dessa sociedade, dos seus direitos de cidadão e de toda população brasileira.

 

Contanto esses episódios devem ser tomados com muito cuidado e se começar a pensar no quanto somos enganados por esses políticos que usam o fenômeno para fazerem as suas políticas e assim as suas promessas que nunca se concretizam. ? claro que esses querem que o problema continue, senão estes não terão como fazer as suas campanhas, no período eleitoral. Daí o famoso "desvio de verbas", bem como a famosa "troca de favores".

 

Podemos pensar também que a consolidação da assistência social como política, direito e proteção social ainda exige o enfrentamento de importantes desafios. A IV Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em dezembro de 2003, em Brasília apontou como principal deliberação à construção e implementação de políticas sociais.

 

? válido dizer aqui também que nas últimas décadas foi dado um salto considerável, na questão social, onde muitas críticas e movimentos são realizados em relação às mudanças em todos os níveis. Podemos dizer que estão ocorrendo e prevalecendo a democracia liberal, tanto no campo político quanto jurídico, o que vamos chamar de estados de direitos democráticos, apesar desta democracia ser pouco mobilizada. Nos últimos dez anos tem se visto uma política econômica em detrimento de uma política social.

 

Quero lembrar que o presidente Lula, criou em 2004, o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que acelerou e fortaleceu o processo de suspensão da exigência da certidão negativa de débitos, que impedia esse ministério de repassar R$ 25 milhões por mês para os municípios. Mas quero lembrar também que esse processo foi graças a ampla mobilização nacional, quando em 2005, em evento realizado em Curitiba, onde reuniu 1.200 Gestores e Assistentes Sociais de todo o país e apresentaram a proposta do MDS a NOB e foram debatidos textos em municípios e estados com o apoio do Ministério, onde sua versão final foi aprovada em 14 de julho em reunião do Conselho Nacional de Assistência Social, e a partir de agosto do mesmo ano o Sistema ?nico de Assistência Social vira realidade.

 

Entender o fenômeno da migração, em especial a nordestina, como questão social e livre de qualquer forma de preconceito e compreender como essas famílias são atendidas, foi o maior propósito, para que se possa lutar para que os direitos destas, sejam atendidos, de acordo com a lei, e que se possa combater todas as formas de preconceitos, bem como,  lutar para que todas as políticas públicas venham a ser aplicadas de forma que que estas venham a ser contempladas.

 

Seja a história velha, ou seja, velha a história, o que se percebe é que, após estudos e análises bibliográficas bem como a conclusão da pesquisa de campo, a impressão que fica é que a problemática da migração nunca foi levada a sério pelos governantes, desde a colonização do Brasil, onde as jóias da Coroa Imperial, cujas, D. Pedro afirmou que não restariam uma, mas resolveria o problema da seca, ainda se encontram intocadas, de acordo com Andrighetti, num museu e a seca e a fome, estas vêm aumentando o número de suas vítimas a cada dia. Omissão pura e simplesmente, ou não exatamente.

 

Quando olhamos por esta ótica, conclui-se que é preciso criar, observar, escutar e estar atento à complexidade da vida das pessoas que migram e para tanto é necessário que, ao se definir atividades, se repensem os conceitos, as práticas e as relações que podem promover o bem-estar entre as pessoas, técnicos, famílias, usuários e comunidade em geral. E para tanto todos precisam estar envolvidos nessa luta, questionando e avaliando permanentemente os rumos do serviço social.

 

Não podemos esquecer que as políticas neoliberais não estão interessadas em diminuir custos, mas em garantir o lucro dos empresários, mantendo, assim o poder de uma mercantilização e uma transformação dos serviços sociais, que até então, eram direitos sociais que representavam e asseguravam o mínimo para as pessoas, e que tais direitos viraram mercadorias e serviços vendidos no mercado. Sem dúvida, o que se tem visto é uma política econômica em detrimento de uma política social. Assim podem ser vendidos todos estes serviços os quais se tem direito.

 

São tantos os "programas", mas, nenhum deles para, realmente, resolver os problemas, muitos deles somente para o "caixa dois", pois breve vem o período eleitoral e estes vão precisar de dinheiro para as suas campanhas.

 

Sem dúvida, o que poderia ser feito era a não omissão dos problemas pelos governantes e algumas medidas deveriam, sim, serem adotadas, de forma séria e correta, por meio de planejamentos e criações de órgãos públicos regionais, onde estes tenham o compromisso em minimizar os problemas.

 

Enfim, entendemos que, se não existirem rupturas não existirão (sem ironia) serviços; existirão apenas, falsas metamorfoses e roupagens novas para velhos princípios.

 

Neste trabalho deu para se perceber que não existem movimentos em prol da migração, seja ela nordestina ou não, para que essa se organize enquanto luta para a conquista de direitos.

 

Portanto, cumpre-nos, verificar se os novos serviços estão assumindo o caráter substitutivo, assumindo a demanda real dos migrantes, se os recursos financeiros e pessoais, tradicionalmente estão sendo destinados a esses sujeitos.

 

O ideal seria que, como ponto de partida, houvesse o respeito aos direitos a todos estes seres e a consciência de que, se houver solidariedade mais do que egoísmo, mais do que preconceito, mais do que discriminação, no relacionamento entre as pessoas, as injustiças sociais serão eliminadas e deixarão de existir, e só assim, a humanidade poderá viver em PAZ.

 

Lucineide e Profª Andreia Agda (orientadora)

 

Profª Dagmar (Diretora do Curso) Lucineide e Profª Eliane (Arquidora)

 

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.