Estive ausente por
uns dias, por que
estive viajando. Fiz
uma viagem
maravilhosa, na
companhia de autores
maravilhosos, como:
Dora Martins e Sônia
Vanalli, por meio de
sua obra “Migrante”;
Editth Oliveira e
José Micaelson,
através do seu livro
“Seca no Nordeste;
Amanda Paloto, na
revista, “Nova
Escola”; Eder Sader
e seu livro,”Quando
Novos Personagens
Entraram em Cena”;
Regina Bega e seu
livro, “Migração no
Brasil e tantos
outros, além de
documentos na
internet. Estava
elaborando o Projeto
e o primeiro
capítulo do meu TCC
– Trabalho de
Conclusão de Curso,
que tem como tema:
“Movimentos
Migratórios no
Brasil, a Migração
Nordestina, Seus
Equívocos, Sua
Relevância e as
Relações Sociais”.
Quero compartilhar
com vocês, caros
leitores, a minha
leitura sobre a
história dessas
pessoas e os
melhores momentos
dessa viagem, ora
felizes, ora de
angústia. Felizes
pela grande
oportunidade do
aprofundamento ao
conhecimento da
temática e triste
por acabar
constatando uma
realidade que há
muito existe e que
parece não ter fim.
Mas, mesmo assim
quero convidá-los a
virem comigo nesta
maravilhosa nau
do conhecimento,
que é a leitura.
Com esta pesquisa,
pretendo chamar a
atenção sobre o
crime de preconceito
contra o migrante,
um melhor
atendimento, pelos
órgãos públicos
àquilo que lhes é de
direito, e que está
preconizado na Lei,
em especial aos
nordestinos, que
representam a maior
parte desse universo
e muitos
encontram-se em
situação de
vulnerabilidade
social. Morando em
favelas, com seus
filhos fora da
Escola e tendo que
conviver com os
maiores problemas de
ordem natural ou
não.
A história conta que
o homem da Pré
História levava uma
vida nômade. A baixa
temperatura o
obrigava viver em
cavernas. Sem
conhecer a
agricultura e a
criação de animais,
este se alimentava
da caça, pesca e
coleta de frutos, o
que o obrigava a
esta forma de vida.
Portanto a migração
não é um fenômeno
atual. Ela é antiga:
desde os tempos
primitivos o homem
se desloca pelo
espaço.
As sociedades
tribais que existem
hoje não se
assemelham em nada
às antigas. Isto
mostra que elas
percorreram caminhos
diferentes,
transformando-se e
seguindo direções e
formas diferentes.
No Brasil os
movimentos
migtratórios não são
fatos isolados,
própios do país,
esse fenômeno é
universal. A
história da migração
no país é a história
de um povo em busca
contínua, pela
conquista da
sobrevivência e está
ligada diretamente à
história de sua
colonização. Uma
história de
exploração contínua
e intinerante, que
teve seu início no
Nordeste, durante o
ciclo do açúcar, o
que levou essa parte
do país a se
desenvolver mais
intensamente durante
os séculos XVI e
XVII.
Muitos motivos
atribuídos às causas
da migração são
equivocados, como é
o caso da migração
nordestina, que está
ligada ao fator
“seca”. No entanto,
esse problema não
está na escassez da
água, nem nas
irregularidades dos
invernos, mas na
forma como a
sociedade da região
está organizada.
São bastante comuns,
a milhões de
brasileiros, os
motivos que os levam
para as migrações,
além das motivaçãoes
econômicas, socias,
e políticas, temos
que considerar que
as pessoas migram
ainda por motivos
pessoais e
subjetivos, razões
pelas quiais se vêem
obrigados, todos os
anos, a sair das
áreas rurais para as
cidades,
especialmente para
as grandes
metrópolis.
É bom lembrar aqui
que os interesses
políticos do Brasil
sempre foram
comandados por
grandes grupos
econômicos,
inicialmente, as
oligarquias
agrárias; depois, as
urbano-industriais.
Sabemos que esses
grupos jamais
atuaram ao lado dos
mais desfavorecidos.
Atualmente, há uma
forte tendência em
se julgar o
comportamento das
pessoas que migram
de uma região para
outra, no que diz
respeito, a sua
cultura, sua
dialética e seus
vícios de
linguagens, bem como
sua adequação ao
meio social,
principalmente às
nordestinas. O homem
ao se deslocar da
sua terra é rotulado
pela sociedade, que
tem uma visão
equivocada sobre os
motivos de sua
mudança e esse passa
a sofrer alguns
tipos de
preconceito, pela
sociedade, que não
compreende, como uma
situação de
sobrevivência, tidos
como índice de
normalidade da
criatura humana como
ser social.
Amanda Paloto,
relata que para
conhecer o fenômeno
da migração interna
no Brasil é preciso
conhecer o perfil da
população e as
interações
culturais. Esta faz
uma séria crítica à
forma como a Escola
trata os alunos que
são provenientes de
outras regiões e
como ocorrem as
interações culturais
com o prpósito de
ajudar estes alunos
a identificar e
comprender essas
interações.
“É uma pena, mas
muitas vezes as
características da
migração,
principalmente no
âmbito cultural, são
tratadas de forma
improvisada na sala
de aula”, analisa
Sueli Furlan,
geógrafa da,
Universidade de São
Paulo (USP) e
selecionadora do
Prêmio Victor Civita
– Educador Nota 10.
O problema da seca
no Nordeste, que
origina a miséria no
sertão, não é de
ordem da escassez
da água nem na
irregularidade dos
invernos, mas na
forma como a
sociedade da região
está organizada.
Dizer que o
semi-árido
nordestino não é
viável significa
afirmar que um terço
das terras do
planenta não pode
ser habitado e
explorado
produtivamente, pois
esse é o percentual
de terras áridas e
memi-áridas do
mundo.
Então, em lugares e
épocas diferentes,
grupos humanos,
insatisfeitos com
suas condições de
vida, sempre se
movimentaram.
Ninguém abandona
suas raízes sem que
haja necessidade.
Ninguém sai de seu
próprio país, estado
ou cidade se ali se
encontra bem! E
essas saídas nem
sempre são boas
soluções para os
problemas de quem
sai! Estão aí os
estrageiros que
vieram para cá
provando a verdade
dessa afirmação.
A todo momento,
pessoas deixam a sua
cidade de origem
rumo a outras para
ficar
permanentemente ou
só morar por um
tempo, determinado
ou não. São os
migrantes, que aqui,
no Brasil,
representam 40% da
população, segundo
dados da pesquisa
Nacional por amostra
de domicílios (PNAD)
de 2007, feita pelo
Instituto Brasileiro
de Geografia e
Estatística (IBGE).
Embora os fluxos
migratórios tenham
sido mais intensos
nas décadas de 1960
e 70, a circulação
ainda é grande:
recentemente, 10
milhões de
brasileiros (5,4% da
população) se
mudaram para outro
lugar.
Há pouco tempo , na
Escola em que
trabalho, atendi uma
senhora que
solicitava uma
matrícula para seu
filho, pedi, como de
costume, os
documentos dela e da
criança. Quando vi
esta era de São
Raimundo Nonato.
Falei: – Olha que
legal você é do
Piauí, de SRN!
Esta respondeu: -
Não! Eu sou é daqui.
Eu respondi: - Mas o
seu RG é de SRN.
Ela repetiu: - Mas
eu sou é daqui.
Quando peguei o
documento do filho,
este também, era de
SRN. Eu não falei
mais nada, pois já
havia entendido
tudo.
Há vinte anos atrás,
quando cheguei a São
Paulo, quando da
ocasião que fui
trabalhar numa
Escola, ao chegar ao
banheiro, na
anti-sala, auvi uma
Professora falar: -
Vocês já viram que
essas proofessoras
do Nordeste estão
ensinando errado
para as crianças? E
é um tal de falar “ôxente”!
Na época éramos três
professoras que
tínhamos começado,
quase que no mesmo
dia, onde uma era do
Ceará, a outra era
da Bahia e eu que
era do Piauí. Na
hora eu argumentei!
Por acaso, o
“ôxente” do
Nordeste, não é o
“tchê” do Rio Grande
do Sul? O “uai” de
Minas Gerais e o
“caramba” de São
Paulo? Nenhuma
dessas palavras
estão no dicionário,
elas são vistas como
dialeto regional, ou
você não sabe?
Também falei para
esta que quem
ensinava errado as
crianças eram elas,
que ao invés de
falar o nome da
vogal “e” falavam
“ê” e “o” estas
falavam “ô”, sendo
que ao pronunciar o
nome da vogal, o som
tem que ser aberto,
pois estas não levam
“acento”. O legal
foi que eu acabara
de pegar uma
cartilha na editora,
onde confirmava o
que eu estava
falando. Aí já sabe,
virou um debate
muito gostoso,
inclusive, foi
assunto de reuniões
pedagógicas.
Portanto quero dizer
que este tipo de
preconceito é comum,
é por isso que a
mãe, esconde a sua
origem.
Mas, nós nunca
devemos achar
normal, aquilo que
não está dentro dos
parâmetros legais, e
sim nos indignarmos.
É por isso que eu
nunca neguei a minha
origem e sempre
combati o
preconceito contra
os nordestinos.
Nunca aceitei ser
chacoteada. Sempre
respondo ás ironias,
que não são poucas.
Nunca larguei o
sotaque, pelo
contrário, faço
questão de mantê-lo,
como forma de as
pessoas me
respeitarem como eu
sou e de onde eu
vim.
Ainda há muito o que
se fazer, nesta
questão. Os
nordestinos ainda
são humilhados e
tratados com
diferença, também
nas escolas. Não há
um respeito,
regional, as vezes,
nem pelos
profissionais, o que
é muito grave. Isso
está bem claro na
reportagem da
revista Nova Escola
de agosto de 2009 –
“Gente que chega,
gente que sai” de
Amanda Paloto, onde
esta enfoca a
problemática e
sugere um Projeto
didático.
O país tem
condições, de sobra
de reverter essa
situação, dando uma
melhor assistência
aos brasileiros,
para que estes não
tenham que mudar da
sua terra natal, ou
sja, para que estes
não venham a ser uns
“desraizados”.
É necessário que se
faça valer os
direitos do cidadão
e que os políticos
criem vergonha na
cara e, ao invés de
colacar dinheiro na
meia, não cueca, ou
onde quer que seja,
invistam em projetos
sociais que venham
minimizar as
desigualdades e a
exclusão social.
Luma, Lucineide Maria.