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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


Quem vai, quem fica

lumasoliver@yahoo.com.br


Estive ausente por uns dias, por que estive viajando. Fiz uma viagem maravilhosa, na companhia de autores maravilhosos, como: Dora Martins e Sônia Vanalli, por meio de sua obra “Migrante”; Editth Oliveira e José Micaelson, através do seu livro “Seca no Nordeste; Amanda Paloto, na revista, “Nova Escola”; Eder Sader e seu livro,”Quando Novos Personagens Entraram em Cena”; Regina Bega e seu livro, “Migração no Brasil e tantos outros, além de documentos na internet. Estava elaborando o Projeto e o primeiro capítulo do meu TCC – Trabalho de Conclusão de Curso, que tem como tema: “Movimentos Migratórios no Brasil, a Migração Nordestina, Seus Equívocos, Sua Relevância e as Relações Sociais”.

 

Quero compartilhar com vocês, caros leitores, a minha leitura sobre a história dessas pessoas e os melhores momentos dessa viagem, ora felizes, ora de angústia. Felizes pela grande oportunidade do aprofundamento ao conhecimento da temática e triste por acabar constatando uma realidade que há muito existe e que parece não ter fim. Mas, mesmo assim quero convidá-los a virem comigo nesta maravilhosa nau do conhecimento, que é a leitura.

 

Com esta pesquisa, pretendo chamar a atenção sobre o crime de preconceito contra o migrante, um melhor atendimento, pelos órgãos públicos àquilo que lhes é de direito, e que está preconizado na Lei, em especial aos nordestinos, que representam a maior parte desse universo e muitos encontram-se em situação de vulnerabilidade social. Morando em favelas, com seus filhos fora da Escola e tendo que conviver com os maiores problemas de ordem natural ou não.

 

A história conta que o homem da Pré História levava uma vida nômade. A baixa temperatura o obrigava viver em cavernas. Sem conhecer a agricultura e a criação de animais, este se alimentava da caça, pesca e coleta de frutos, o que o obrigava a esta forma de vida. Portanto a migração não é um fenômeno atual. Ela é antiga: desde os tempos primitivos o homem se desloca pelo espaço.

 

As sociedades tribais que existem hoje não se assemelham em nada às antigas. Isto mostra que elas percorreram caminhos diferentes, transformando-se e seguindo direções e formas diferentes.

 

No Brasil os movimentos migtratórios não são fatos isolados, própios do país, esse fenômeno é universal. A história da migração no país é a história de um povo em busca contínua, pela conquista da sobrevivência e está ligada diretamente à história de sua colonização. Uma história de exploração contínua e intinerante, que teve seu início no Nordeste, durante o ciclo do açúcar, o que levou essa parte do país a se desenvolver mais intensamente durante os séculos XVI e XVII.

 

Muitos motivos atribuídos às causas da migração são equivocados, como é o caso da migração nordestina, que está ligada ao fator “seca”. No entanto, esse problema não está na escassez da água, nem nas irregularidades dos invernos, mas na forma como a sociedade da região está organizada.

 

São bastante comuns, a milhões de brasileiros, os motivos que os levam para as migrações, além das motivaçãoes econômicas, socias, e políticas, temos que considerar que as pessoas migram ainda por motivos pessoais e subjetivos, razões pelas quiais se vêem obrigados, todos os anos, a sair das áreas rurais para as cidades, especialmente para as grandes metrópolis.

 

É bom lembrar aqui que os interesses políticos do Brasil sempre foram comandados por grandes grupos econômicos, inicialmente, as oligarquias agrárias; depois, as urbano-industriais. Sabemos que esses grupos jamais atuaram ao lado dos mais desfavorecidos.

 

Atualmente, há uma forte tendência em se julgar o comportamento das pessoas que migram de uma região para outra, no que diz respeito, a sua cultura, sua dialética e seus vícios de linguagens, bem como sua adequação ao meio social, principalmente às nordestinas. O homem ao se deslocar da sua terra é rotulado pela sociedade, que tem uma visão equivocada sobre os motivos de sua mudança e esse passa a sofrer alguns tipos de preconceito, pela sociedade, que não compreende, como uma situação de sobrevivência, tidos como índice de normalidade da criatura humana como ser social.

 

Amanda Paloto, relata que para conhecer o fenômeno da migração interna no Brasil é preciso conhecer o perfil da população e as interações culturais. Esta faz uma séria crítica à forma como a Escola trata os alunos que são provenientes de outras regiões e como ocorrem as interações culturais com o prpósito de ajudar estes alunos a identificar e comprender essas interações.

 

“É uma pena, mas muitas vezes as características da migração, principalmente no âmbito cultural, são tratadas de forma improvisada na sala de aula”, analisa Sueli Furlan, geógrafa da, Universidade de São Paulo (USP) e selecionadora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10.

 

O problema da seca no Nordeste, que origina a miséria no sertão, não é de ordem da escassez da  água nem na irregularidade dos invernos, mas na forma como a sociedade da região está organizada. Dizer que o semi-árido nordestino não é viável significa afirmar que um terço das terras do planenta não pode ser habitado e explorado produtivamente, pois esse é o percentual de terras áridas e memi-áridas do mundo.

 

Então, em lugares e épocas diferentes, grupos humanos, insatisfeitos com suas condições de vida, sempre se movimentaram. Ninguém abandona suas raízes sem que haja necessidade. Ninguém sai de seu próprio país, estado ou cidade se ali se encontra bem! E essas saídas nem sempre são boas soluções para os problemas de quem sai! Estão aí os estrageiros que vieram para cá provando a verdade dessa afirmação.

 

A todo momento, pessoas deixam a sua cidade de origem rumo a outras para ficar permanentemente ou só morar por um tempo, determinado ou não. São os migrantes, que aqui, no Brasil, representam 40% da população, segundo dados da pesquisa Nacional por amostra de domicílios (PNAD) de 2007, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora os fluxos migratórios tenham sido mais intensos nas décadas de 1960 e 70, a circulação ainda é grande: recentemente, 10 milhões de brasileiros (5,4% da população) se mudaram para outro lugar.

 

Há pouco tempo , na Escola em que trabalho, atendi uma senhora que solicitava uma matrícula para seu filho, pedi, como de costume, os documentos dela e da criança. Quando vi esta era de São Raimundo Nonato.

 

Falei: – Olha que legal você é do Piauí, de SRN!

Esta respondeu: - Não! Eu sou é daqui.

Eu respondi: - Mas o seu RG é de SRN.

Ela repetiu: - Mas eu sou é daqui.

Quando peguei o documento do filho, este também, era de SRN. Eu não falei mais nada, pois já havia entendido tudo.

 

Há vinte anos atrás, quando cheguei a São Paulo, quando da ocasião que fui trabalhar numa Escola, ao chegar ao banheiro, na anti-sala, auvi uma Professora falar: - Vocês já viram que essas proofessoras do Nordeste estão ensinando errado para as crianças? E é um tal de falar “ôxente”! Na época éramos três professoras que tínhamos começado, quase que no mesmo dia, onde uma era do Ceará, a outra era da Bahia e eu que era do Piauí. Na hora eu argumentei! Por acaso, o “ôxente” do Nordeste, não é o “tchê” do Rio Grande do Sul? O “uai” de Minas Gerais e o “caramba” de São Paulo? Nenhuma dessas palavras estão no dicionário, elas são vistas como dialeto regional, ou você não sabe? Também falei para esta que quem ensinava errado as crianças eram elas, que ao invés de falar o nome da vogal “e” falavam “ê” e “o” estas falavam “ô”, sendo que ao pronunciar o nome da vogal, o som tem que ser aberto, pois estas não levam “acento”. O legal foi que eu acabara de pegar uma cartilha na editora, onde confirmava o que eu estava falando. Aí já sabe, virou um debate muito gostoso, inclusive, foi assunto de reuniões pedagógicas. Portanto quero dizer que este tipo de preconceito é comum, é por isso que a mãe, esconde a sua origem.

 

Mas, nós nunca devemos achar normal, aquilo que não está dentro dos parâmetros legais, e sim nos indignarmos.

 

É por isso que eu nunca neguei a minha origem e sempre combati o preconceito contra os nordestinos. Nunca aceitei ser chacoteada. Sempre respondo ás ironias, que não são poucas. Nunca larguei o sotaque, pelo contrário, faço questão de mantê-lo, como forma de as pessoas me respeitarem como eu sou e de onde eu vim.

 

Ainda há muito o que se fazer, nesta questão. Os nordestinos ainda são humilhados e tratados com diferença, também nas escolas. Não há um respeito, regional, as vezes, nem pelos profissionais, o que é muito grave. Isso está bem claro na reportagem da revista Nova Escola de agosto de 2009 – “Gente que chega, gente que sai” de Amanda Paloto, onde esta enfoca a problemática e sugere um Projeto didático.

 

O país tem condições, de sobra de reverter essa situação, dando uma melhor assistência aos brasileiros, para que estes não tenham que mudar da sua terra natal, ou sja, para que estes não venham a ser uns “desraizados”.

 

É necessário que se faça valer os direitos do cidadão e que os políticos criem vergonha na cara e, ao invés de colacar dinheiro na meia, não cueca, ou onde quer que seja, invistam em projetos sociais que venham minimizar as desigualdades e a exclusão social.

  

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.