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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


Mulheres, libertas quae será tamen

lumasoliver@yahoo.com.br


 

Um certo internauta, quando da ocasião em que iniciava a minha carreira como colunista deste jornal, onde escrevi um dos meus primeiros artigos “O Congresso”, declarou, no mural de recados, que eu não tinha assunto para escrever. O mais incrível de tudo é que assunto não tem faltado. Os assuntos surgem no dia a dia do nosso cotidiano e o próprio jornal, bem como seus leitores nos dão ideias. A verdade é que estou com uma vasta lista de espera.

 

Dias atrás o nosso leitor “Marcos”, no mural de recados, relatou sobre uma certa mulher, que em uma roda de conversa, onde o assunto era uma mulher como prefeita, definiu estas apenas como “donas de casa, que serviam somente para cuidar dos filhos e do marido”, o que me provocou uma grande inquietação e o incentivo a escrever este artigo sobre o tema: “Mulheres, liberdade embora que tardia” haja vista a temporada em que, em Guarulhos representei a “Mulher” na Coordenação da UBM – União Brasileira de Mulheres – ocasião em que, também era dirigente do Partido PC do B.

 

Atualmente estou realizando um círculo de palestra sobre “Violência Doméstica” com ênfase na mulher, no campo de estágio, na ONG São José Operário, em Itaquera São Paulo. Entendendo que não poderia deixar de manifestar a minha opinião, o que seria me omitir a um assunto o qual é pertinente, e o “comentário” se dá num momento histórico em que não nos permite este tipo de manifestação.

 

Desde as conquistas da Revolução Francesa, que tinha como lema Igualdade, Liberdade e Fraternidade, que são reivindicadas pelas feministas, que acreditavam que os direitos sociais e políticos adquiridos a partir de revoluções deveriam se estender também às mulheres enquanto cidadãs.

 

Os movimentos feministas, tiveram sua origem no ano de 1848, na Convenção dos Direitos da Mulher em Nova Yorque, adquirindo cunho reivindicatório por ocasião das grandes revoluções. Algumas conquistas podem ser registradas como consequência da participação da mulher nesta revolução, como exemplo o divórcio, que na convenção da mulher em Nova Yorque adquiriu cunho reivindicatório por conta das grandes revoluções.

 

O movimento feminista ganha força por ocasião da Revolução Industrial, quando a mulher assume postos de trabalho e é explorada pelo fato de que assume uma tripla jornada de trabalho, dentro e fora de casa.

 

Vale lembrar aqui, aquele 08 de março de 1857, em Nova Iorque, em que centenas de corajosas mulheres, tecelãs de uma fábrica de Cotton, organizaram a primeira greve feita exclusivamente por mulheres. Estas tinham uma jornada de trabalho de 16 horas e reivindicavam jornada de 12 e salários compatíveis com os dos homens, bem como licença maternidade.

 

Durante repressão, pelos patrões, e pela polícia, estas procuraram abrigo dentro da fábrica, onde foram encurraladas. Os seus agressores trancaram as portas ateando fogo e queimando vivas 129 delas.

 

Fatos como este, de tamanha crueldade fez com que a ativista mais famosa, dos direitos feministas, Clara Zetkin, fizesse a proposta de que o dia 08 de março fosse declarado como o “Dia Internacional da Mulher”.

 

Um ano depois, mais de um milhão de mulheres se manifestam na Europa e a data passou a ser comemorada como símbolo da Luta da Mulher pela emancipação no mundo todo.

 

As feministas afirmam que sua luta não tem por objetivo destruir tradições ou a família, mas, alterar a concepção de que “lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos e do marido”. O compromisso dos movimentos feministas é pôr fim a dominação masculina e à estrutura patriarcal. Com isso, acreditam, garantirão a igualdade de direitos sem, contudo, assumir o espaço dos homens.

 

No Brasil a origem do feminismo dá-se no século XIX, onde as primeiras manifestações desafiaram ao mesmo tempo a ordem conservadora que excluía a mulher do mundo público (do voto, do direito como cidadã) e de propostas mais radicais que iam além da igualdade política, mas que abrangia a emancipação feminina, pautando-se na relação de dominação masculina sobre a feminina em todos os aspectos da vida da mulher, polemizando as estruturas da sociedade e provocando uma grande discussão sobre os rumos.

 

A constituição de 1891 excluía a mulher do voto. Muitas mulheres requereram seu alistamento sem sucesso. A  constituição de 1889 deu a elas esse direito, mas na última versão essa medida foi abolida, predominando a ideia de que a política era uma atividade desonrosa para a mulher.

 

Alguns momentos históricos se destacam no avanço da luta da mulher, entre eles as greves de 1917, em 1922 o surgimento do Partido Comunista do Brasil e a realização da Semana de Arte Moderna em São Paulo.

 

Em 1922, Nísia Floresta, considerada pioneira no feminismo brasileiro, cuja meta é conquistar a igualdade de direitos entre homens e mulheres e garantir a participação desta na sociedade de forma igual a dos homens e Berta Lutz fundam a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que lutava pelo voto, pela escolha do domicílio e pelo trabalho de mulheres sem autorização do marido.

 

No país, o Rio Grande do Norte é pioneiro na legalização do voto feminino, em 1927, onde a primeira eleitora registrada foi Celina Guimarães Viana. Em 1933, finalmente é elaborado o código eleitoral que estendia o voto e a representação política às mulheres. A primeira deputada do Brasil foi Carlota Pereira de Queirós, representante do sexo feminino, foi eleita em 1934.

 

Nas décadas de 60 e 70, o feminismo eclode na Europa e nos Estados Unidos bastante impulsionado pela efervescência política e cultural que essas regiões passavam na época que colocavam em cheque os valores conservadores da organização da sociedade, e, é neste contexto que se discute o livro O segundo sexo de Simone de Beauvoir e que as americanas se despem dos sutiãs em praça pública.

 

Durante a Ditadura Militar as mulheres organizaram-se, independentemente de partidos políticos, idade e classe social, para formar uma militância contra o regime militar. Em 1975 a ONU organizou o “Ano Internacional da Mulher”, passando a ser discutida a questão da mulher, nas Universidades e em meio aos profissionais liberais.

 

Os movimentos feministas, atualmente tem como bandeira de luta, no Brasil, o combate à violência doméstica, que atinge índices elevados no país ( 70% das mulheres sofrem esse tipo de violência) e o combate à discriminação no trabalho.

 

Maria da Penha, a protagonista da Lei, levou 20 anos lutando para colocar seu companheiro e agressor na cadeia. Este tentou, por três vezes, matá-la, deixando-a tetraplégica. Foi necessário denunciar o Brasil na Corte Internacional, onde esta  foi indenizada provocando a criação da lei que leva o seu nome.

 

A legalização do aborto (que atualmente só é permitido em condições excepcionais) e a adoção de estilos de vida independente são metas de alguns grupos.

 

São muitos os movimentos em prol da igualdade de direitos da mulher, mas infelizmente ainda vemos atitudes como esta citada no mural. A consciência deveria vir da própria mulher, haja vista sermos maioria no país, as pesquisas mostram que no Brasil há 100 mulheres para 80 homens, uma porcentagem muito considerável, com a possibilidade de reverter qualquer situação democrática, como é a questão de uma mulher no poder.

 

Portanto, enquanto as mulheres não se auto-valorizarem e se manifestarem a favor delas próprias, vamos sempre ser minoria diante dos homens, principalmente naquilo que diz respeito, à política e a conquista de direitos, uma vez, que o machismo ainda impera. Se observarmos o exemplo está justificado, neste jornal, no quadro de colunistas, onde se vê apenas uma mulher, legitimando-se uma porcentagem de apenas 10%, o que considero o mínimo do mínimo. Vendo por esta ótica penso que a questão em nossa cidade ainda tem um caminho muito longo a percorrer.

 

Nós que lutamos pela igualdade entre homens e mulheres e que queremos um mundo mais justo e mais humano não devemos aceitar que comentários desse tipo sejam proferidos, principalmente por mulheres. Por que esta deve representar e batalhar contra as injustiças que condenamos e mostrar que muitas conquistas beneficiam hoje a humanidade e são frutos do esforço, da força e do heroísmo de grandes mulheres. 

 

Lembro que há alguns anos atrás, não me recordo exatamente o ano, em férias em SRN, a minha amiga Ana Stela Negreiros, a “Teca”, estava fundando uma organização pró mulher.

 

Na oportunidade, esta sabendo que eu tinha um certo domínio no assunto, mostrou-me o Estatuto, o qual estava em estudo. Achei que estava muito bom, mas desde então, não tenho notícias de há quantas anda o movimento. Até gostaria de saber e pedir que ela convidasse essa amiga do Marcos a participar das reuniões, para abrir um pouco mais a mente, pois este enfatizou que esta tem curso superior, o que é mais grave, já que esta deveria estar contribuindo com o combate a esse tipo de preconceito.

 

Quero, aqui neste espaço, enaltecer todas as mulheres que lutam por liberdade e igualdade de gênero e expressão e dizer que devemos incentivar sim, uma mulher para a prefeitura de SRN. E por que não? Quem sabe seria a solução de tantas mazelas. Para isso é necessário que seja uma mulher de fibra, preparada e determinada. Uma cabra da peste, que não tenha Complexo de Cinderela, para que não se deixe ser manipulada e venha a se comportar como algumas citadas neste jornal.

 

Aquela famosa frase que diz “atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”, faz tempo que não existe mais, hoje elas estão é do lado e em alguns momentos à frente.

 

Dan Brown em seu livro “O Código Da Vinci”, relata que a mulher era quem estava cotada para chefiar a igreja, quando da ocasião da última reunião de Jesus e seus apóstolos, (última ceia), na última hora decidiram entregar a chave para S. Pedro. Esta mulher era Maria Madalena. Se isso tivesse ocorrido as coisas teriam sido bem diferente. Mas, mais uma vez, o machismo predominou, e o preconceito falou mais alto.

 

Quero finalizar com o um protesto ao Mural, em sua enquete para prefeito de SRN, em não citar nenhuma mulher. Será que está em falta? Não tem nenhum nome? Ou é porque esqueceram mesmo? A pergunta que não quer calar.

  

Fonte: Feminismo e Feminismo no Brasil

Wikipédia livre

 

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.