Um
certo internauta,
quando da ocasião em
que iniciava a minha
carreira como
colunista deste
jornal, onde escrevi
um dos meus
primeiros artigos “O
Congresso”,
declarou, no mural
de recados, que eu
não tinha assunto
para escrever. O
mais incrível de
tudo é que assunto
não tem faltado. Os
assuntos surgem no
dia a dia do nosso
cotidiano e o
próprio jornal, bem
como seus leitores
nos dão ideias. A
verdade é que estou
com uma vasta lista
de espera.
Dias
atrás o nosso leitor
“Marcos”, no mural
de recados, relatou
sobre uma certa
mulher, que em uma
roda de conversa,
onde o assunto era
uma mulher como
prefeita, definiu
estas apenas como
“donas de casa, que
serviam somente para
cuidar dos filhos e
do marido”, o que me
provocou uma grande
inquietação e o
incentivo a escrever
este artigo sobre o
tema: “Mulheres,
liberdade embora que
tardia” haja vista a
temporada em que, em
Guarulhos
representei a
“Mulher” na
Coordenação da UBM –
União Brasileira de
Mulheres – ocasião
em que, também era
dirigente do Partido
PC do B.
Atualmente estou
realizando um
círculo de palestra
sobre “Violência
Doméstica” com
ênfase na mulher, no
campo de estágio, na
ONG São José
Operário, em
Itaquera São Paulo.
Entendendo que não
poderia deixar de
manifestar a minha
opinião, o que seria
me omitir a um
assunto o qual é
pertinente, e o
“comentário” se dá
num momento
histórico em que não
nos permite este
tipo de
manifestação.
Desde
as conquistas da
Revolução Francesa,
que tinha como lema
Igualdade, Liberdade
e Fraternidade, que
são reivindicadas
pelas feministas,
que acreditavam que
os direitos sociais
e políticos
adquiridos a partir
de revoluções
deveriam se estender
também às mulheres
enquanto cidadãs.
Os
movimentos
feministas, tiveram
sua origem no ano de
1848, na Convenção
dos Direitos da
Mulher em Nova
Yorque, adquirindo
cunho
reivindicatório por
ocasião das grandes
revoluções. Algumas
conquistas podem ser
registradas como
consequência da
participação da
mulher nesta
revolução, como
exemplo o divórcio,
que na convenção da
mulher em Nova
Yorque adquiriu
cunho
reivindicatório por
conta das grandes
revoluções.
O
movimento feminista
ganha força por
ocasião da Revolução
Industrial, quando a
mulher assume postos
de trabalho e é
explorada pelo fato
de que assume uma
tripla jornada de
trabalho, dentro e
fora de casa.
Vale lembrar aqui,
aquele 08 de março
de 1857, em Nova
Iorque, em que
centenas de
corajosas mulheres,
tecelãs de uma
fábrica de Cotton,
organizaram a
primeira greve feita
exclusivamente por
mulheres. Estas
tinham uma jornada
de trabalho de 16
horas e
reivindicavam
jornada de 12 e
salários compatíveis
com os dos homens,
bem como licença
maternidade.
Durante repressão,
pelos patrões, e
pela polícia, estas
procuraram abrigo
dentro da fábrica,
onde foram
encurraladas. Os
seus agressores
trancaram as portas
ateando fogo e
queimando vivas 129
delas.
Fatos como este, de
tamanha crueldade
fez com que a
ativista mais
famosa, dos direitos
feministas, Clara
Zetkin, fizesse a
proposta de que o
dia 08 de março
fosse declarado como
o “Dia Internacional
da Mulher”.
Um ano depois, mais
de um milhão de
mulheres se
manifestam na Europa
e a data passou a
ser comemorada como
símbolo da Luta da
Mulher pela
emancipação no mundo
todo.
As
feministas afirmam
que sua luta não tem
por objetivo
destruir tradições
ou a família, mas,
alterar a concepção
de que “lugar de
mulher é em casa,
cuidando dos filhos
e do marido”. O
compromisso dos
movimentos
feministas é pôr fim
a dominação
masculina e à
estrutura
patriarcal. Com
isso, acreditam,
garantirão a
igualdade de
direitos sem,
contudo, assumir o
espaço dos homens.
No
Brasil a origem do
feminismo dá-se no
século XIX, onde as
primeiras
manifestações
desafiaram ao mesmo
tempo a ordem
conservadora que
excluía a mulher do
mundo público (do
voto, do direito
como cidadã) e de
propostas mais
radicais que iam
além da igualdade
política, mas que
abrangia a
emancipação
feminina,
pautando-se na
relação de dominação
masculina sobre a
feminina em todos os
aspectos da vida da
mulher, polemizando
as estruturas da
sociedade e
provocando uma
grande discussão
sobre os rumos.
A
constituição de 1891
excluía a mulher do
voto. Muitas
mulheres requereram
seu alistamento sem
sucesso. A
constituição de 1889
deu a elas esse
direito, mas na
última versão essa
medida foi abolida,
predominando a ideia
de que a política
era uma atividade
desonrosa para a
mulher.
Alguns momentos
históricos se
destacam no avanço
da luta da mulher,
entre eles as greves
de 1917, em 1922 o
surgimento do
Partido Comunista do
Brasil e a
realização da Semana
de Arte Moderna em
São Paulo.
Em
1922, Nísia
Floresta,
considerada pioneira
no feminismo
brasileiro, cuja
meta é conquistar a
igualdade de
direitos entre
homens e mulheres e
garantir a
participação desta
na sociedade de
forma igual a dos
homens e Berta Lutz
fundam a Federação
Brasileira pelo
Progresso Feminino,
que lutava pelo
voto, pela escolha
do domicílio e pelo
trabalho de mulheres
sem autorização do
marido.
No
país, o Rio Grande
do Norte é pioneiro
na legalização do
voto feminino, em
1927, onde a
primeira eleitora
registrada foi
Celina Guimarães
Viana. Em 1933,
finalmente é
elaborado o código
eleitoral que
estendia o voto e a
representação
política às
mulheres. A primeira
deputada do Brasil
foi Carlota Pereira
de Queirós,
representante do
sexo feminino, foi
eleita em 1934.
Nas
décadas de 60 e 70,
o feminismo eclode
na Europa e nos
Estados Unidos
bastante
impulsionado pela
efervescência
política e cultural
que essas regiões
passavam na época
que colocavam em
cheque os valores
conservadores da
organização da
sociedade, e, é
neste contexto que
se discute o livro
O segundo sexo
de Simone de
Beauvoir e que as
americanas se despem
dos sutiãs em praça
pública.
Durante a Ditadura
Militar as mulheres
organizaram-se,
independentemente de
partidos políticos,
idade e classe
social, para formar
uma militância
contra o regime
militar. Em 1975 a
ONU organizou o “Ano
Internacional da
Mulher”, passando a
ser discutida a
questão da mulher,
nas Universidades e
em meio aos
profissionais
liberais.
Os
movimentos
feministas,
atualmente tem como
bandeira de luta, no
Brasil, o combate à
violência
doméstica, que
atinge índices
elevados no país (
70% das mulheres
sofrem esse tipo de
violência) e o
combate à
discriminação no
trabalho.
Maria
da Penha, a
protagonista da Lei,
levou 20 anos
lutando para colocar
seu companheiro e
agressor na cadeia.
Este tentou, por
três vezes, matá-la,
deixando-a
tetraplégica. Foi
necessário denunciar
o Brasil na Corte
Internacional, onde
esta foi indenizada
provocando a criação
da lei que leva o
seu nome.
A
legalização do
aborto (que
atualmente só é
permitido em
condições
excepcionais) e a
adoção de estilos de
vida independente
são metas de alguns
grupos.
São muitos os
movimentos em prol
da igualdade de
direitos da mulher,
mas infelizmente
ainda vemos atitudes
como esta citada no
mural. A consciência
deveria vir da
própria mulher, haja
vista sermos maioria
no país, as
pesquisas mostram
que no Brasil há 100
mulheres para 80
homens, uma
porcentagem muito
considerável, com a
possibilidade de
reverter qualquer
situação
democrática, como é
a questão de uma
mulher no poder.
Portanto, enquanto
as mulheres não se
auto-valorizarem e
se manifestarem a
favor delas
próprias, vamos
sempre ser minoria
diante dos homens,
principalmente
naquilo que diz
respeito, à política
e a conquista de
direitos, uma vez,
que o machismo ainda
impera. Se
observarmos o
exemplo está
justificado, neste
jornal, no quadro
de colunistas,
onde se vê apenas
uma mulher,
legitimando-se uma
porcentagem de
apenas 10%, o que
considero o mínimo
do mínimo. Vendo por
esta ótica penso que
a questão em nossa
cidade ainda tem um
caminho muito longo
a percorrer.
Nós que lutamos pela
igualdade entre
homens e mulheres e
que queremos um
mundo mais justo e
mais humano não
devemos aceitar que
comentários desse
tipo sejam
proferidos,
principalmente por
mulheres. Por que
esta deve
representar e
batalhar contra as
injustiças que
condenamos e mostrar
que muitas
conquistas
beneficiam hoje a
humanidade e são
frutos do esforço,
da força e do
heroísmo de grandes
mulheres.
Lembro que há alguns
anos atrás, não me
recordo exatamente o
ano, em férias em
SRN, a minha amiga
Ana Stela Negreiros,
a “Teca”, estava
fundando uma
organização pró
mulher.
Na oportunidade,
esta sabendo que eu
tinha um certo
domínio no assunto,
mostrou-me o
Estatuto, o qual
estava em estudo.
Achei que estava
muito bom, mas desde
então, não tenho
notícias de há
quantas anda o
movimento. Até
gostaria de saber e
pedir que ela
convidasse essa
amiga do Marcos a
participar das
reuniões, para abrir
um pouco mais a
mente, pois este
enfatizou que esta
tem curso superior,
o que é mais grave,
já que esta deveria
estar contribuindo
com o combate a esse
tipo de preconceito.
Quero, aqui neste
espaço, enaltecer
todas as mulheres
que lutam por
liberdade e
igualdade de gênero
e expressão e dizer
que devemos
incentivar sim, uma
mulher para a
prefeitura de SRN. E
por que não? Quem
sabe seria a solução
de tantas mazelas.
Para isso é
necessário que seja
uma mulher de fibra,
preparada e
determinada. Uma
cabra da peste, que
não tenha
Complexo de
Cinderela, para
que não se deixe ser
manipulada e venha a
se comportar como
algumas citadas
neste jornal.
Aquela famosa frase
que diz “atrás de um
grande homem existe
sempre uma grande
mulher”, faz tempo
que não existe mais,
hoje elas estão é
do lado e em
alguns momentos à
frente.
Dan Brown em seu
livro “O Código Da
Vinci”, relata que a
mulher era quem
estava cotada para
chefiar a igreja,
quando da ocasião da
última reunião de
Jesus e seus
apóstolos, (última
ceia), na última
hora decidiram
entregar a chave
para S. Pedro. Esta
mulher era Maria
Madalena. Se isso
tivesse ocorrido as
coisas teriam sido
bem diferente. Mas,
mais uma vez, o
machismo predominou,
e o preconceito
falou mais alto.
Quero finalizar com
o um protesto ao
Mural, em sua
enquete para
prefeito de SRN, em
não citar nenhuma
mulher. Será que
está em falta? Não
tem nenhum nome? Ou
é porque esqueceram
mesmo? A pergunta
que não quer calar.
Fonte:
Feminismo e
Feminismo no Brasil
Wikipédia livre
Luma, Lucineide Maria.