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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


As crianças e seus direitos

lumasoliver@yahoo.com.br


Lendo as reportagens: “Inspeção detecta irregularidades e trabalho infantil em quatro cidades do Piauí” e “Município de SRN será multado por explorar menor”, onde fiquei muito preocupada com a situação, que não é comum somente à nossa região, senti necessidade de escrever sobre o assunto.

 

Segundo pesquisa da Unicef, o âmbito familiar e os centros educativos são os locais onde mais se exerce a violência contra os menores. Ela se expressa na discriminação, nos maus tratos por palavras, no abandono físico e emocional, no abuso, na exploração, na falta de carinho e no desprezo.

 

Geralmente os atos de violência, não são denunciados, o que torna um fenômeno, contra a infância praticamente invisível.

 

Infância, período, segundo as ciências, de crescimento do ser humano, que se estende desde o nascimento até a puberdade. É nesse período que a criança dá os primeiros passos para a sociedade. Poderíamos dizer que é o da ingenuidade.

 

Este período é o que nós podemos considerar o de maior importância para o ser humano, portanto os cuidados devem ser redobrados.

 

Os cuidados a uma criança começam desde a sua gestação, quando se inicia o acompanhamento, pré-natal, que é a primeira responsabilidade da mulher com a vida que está gerando. Esses cuidados são necessários para proteger a saúde da dupla, bebê/mamãe durante todo o período de gestação, até o parto.

 

É no período da infância que a criança se desenvolve em todos os sentidos, daí a grande responsabilidade dos pais em acompanhar esse desenvolvimento, protegendo, informando e educando, já que esta é uma questão dos pais e educadores, bem como de todos aqueles que zelam por ela.

 

Para que uma criança cresça saudável e com responsabilidade é essencial que esta tenha uma boa educação. Mas a boa educação não é aquela que se agride.

 

Embora sejam muitos usados e até socialmente aceitos, as “palmadas educativas” o puxão de orelha e a chinelada não são formas de educar. A violência não ensina nada e ainda intimida, causa dor e medo. A vítima não é capaz de se defender e a agressividade sofrida é prejudicial para a formação do futuro adulto, causando seqüelas como dificuldades de relacionamento e baixa-estima.

 

Os maus tratos físicos são os mais fáceis de diagnosticar, pelo aparecimento de escoriações, hematomas, luxações, fraturas, queimaduras, feridas e lesões. Mas há outros tipos de violências que são as emocionais que, por sua vez, são mais difíceis de diagnosticar.

Geralmente detectadas quando associadas a outros quadros severos de maus tratos que são observados no vínculo afetivo entre as crianças e o adulto; nos baixos níveis de adaptação social; nos problemas de conduta; nos transtornos na área cognitiva; nos fracassos escolares; na tristeza e depressão; e nos temores e sintomas físicos.

 

Os abusos na infância deixam seqüelas no desenvolvimento emocional das vítimas e tornam praticamente irreversíveis depois de anos de sofrimento. Entre os antecedentes de jovens e adultos com transtornos graves de personalidade, encontra-se sempre alguma forma de maltrato na infância e na adolescência.

 

A Constituição de 1988 garante direitos iguais e seguridade social para todos, dentre estes as crianças e os adolescentes. Com base nesses princípios criou-se o Estatuto da Criança, que legitima e apontam quais são os seus direitos.

 

A maior e mais grave violência é aquela onde se infringe os direitos da criança em todos os âmbitos. Infelizmente é o que se percebe em nossa cidade (SRN) e região, de acordo com reportagem deste Portal. Parece-me que esse problema é antigo.

 

Em 2007, quando ao passar férias na cidade, fui até a prefeitura, resolver um problema particular, onde presenciei uma Conselheira Tutelar levando ao conhecimento da secretária o problema das crianças no lixo, e esta até reclamava que já tinha levado ao conhecimento dos pais, por várias vezes e agora não sabia mais o que fazer. Isso implica dizer que o problema já se arrasta há muito tempo.

 

Vejo com bons olhos as atitudes dos órgãos fiscalizadores, mas sei também que é necessário que as autoridades, junto à população, além destes, tomem às devidas providências e punam os culpados. É necessário também, outro olhar para esse tipo de vulnerabilidade e necessidade social.

 

O controle social, como monitoramento e avaliação são quem vai fazer parte e propor ações para que sejam resolvidas as problemáticas. Para as Ações de Proteção Social existem verbas, que quanto mais estruturados os projetos, mais verbas os gestores recebem. O que se tem que fazer nestes municípios é estruturar os Centros de Referências como o CRAS - Centro de referência da Assistência Social e pelo CREAS – Centro de Referência Especializado da Assistência Social. O dinheiro público tem que ser transparente.

 

Os municípios devem fazer consórcios, isto é um prefeito de um município ajudando os outros para a solução dos problemas. Devem desenvolver técnicas todos juntos. No Brasil isto é garantido em Lei. Há uma emenda que garante os consórcios, onde um prefeito ajuda o outro a se estruturar para o atendimento às Ações de Proteção Social.

 

Vejo que o Prefeito, Padre Herculano, vem tomando atitudes democráticas, em conversar com a população, sobre questões sociais, o que demonstra flexibilidade, apesar das críticas, em aceitar e ouvir a população. Isso mostra que em tempos pós-modernos, um governo não se faz apenas com a figura do “Gestor”. Estes não trabalham mais sozinhos, há que ter a participação do povo, independente de ter votado ou não. Quero lembrar aqui que o governo é de todos e não só daqueles que o elegeram. Daí a idéia de “Orçamento Participativo”.

 

Portanto há que se fazerem campanhas para minimizar as situações de vulnerabilidade das famílias. Pra isso é necessário à criação de mais Centros de Referências, se for o caso, com amplas atuações e de forma efetiva.

 

Quero lembrar aqui, que faço estágio em uma ONG, em Itaquera, Município de São Paulo, onde existe um programa em que as crianças, ao saírem da escola, são assistidas, com alimentação e por meio de atividades sócio-educativas. Em entrevista com a diretora, que é pedagoga, esta confirmou que de 120 crianças que são cadastradas no Projeto, somente 20 se perdem pelo meio do caminho, umas porque se mudam com as famílias e outras por que fogem para morar na rua.

 

Essas crianças dos municípios citados, na referida reportagem precisam de programas como estes. Não sei se existem alguns, e se existem talvez, não estejam sendo desenvolvidos de acordo com o que preconiza a Lei, ou não estão atendendo à demanda.

 

Percebo que há uma boa porcentagem (+ ou – 30%) da população que participam ativamente, que são os “internautas”. Eu considero que este é um bom número para fazer a diferença. O zoológico inteiro, ou parte deste, precisa entrar em ações produtivas. Os albatrozes, os tucanos, ao invés de só fazerem a crítica pela crítica. Precisam parar para refletir, juntos o tamanho da força que estes têm. Só criticar não basta, é preciso atuar. E atuar de forma que venham a promover debates construtivos. Fazer denúncias daquilo que está posto de forma não satisfatória. O observador, que me permita, precisa sair do campo da observação e partir para a tomada de atitude. Pensem que não é toda cidade que tem um fenômeno, guerreiro, corajoso e sábio como o Weslley, no campo da imprensa. Com essa coragem de estar sempre denunciando. Como cidadão este está cumprindo com seu dever e os outros têm mais é que chegar junto.

 

Participem, promovam, denunciem a violência doméstica, disseminem a idéia de participação no governo. Só assim estarão contribuindo para uma sociedade justa e um país de IGUAIS, bem como para o progresso, de nossa tão querida cidade, São Raimundo Nonato.

 

Referêcias: Revista UNIDAS

Prefeitura de Guarulhos

 

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.