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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


S.R.Nonato e a Pedagogia

lumasoliver@yahoo.com.br


 

Como pedadgoga e participante desse portal, na qualidade de colunista, não poderia deixar de participar, efetivamente da discussão que outrora se instalou, a respeito da posição em que o curso de Pedagogia da Universidade local colocou a cidade.

 

Quando cheguei em São Paulo há dezenove anos atrás, uma das primeiras coisas que fiz foi prestar o vestibular para o curso de pedagogia. Era uma necessidade para exercer a função de professora do ensino básico e ao mesmo tempo, aumentar os conhecimentos, uma vez que entendo que o ensino básico é o a base para um bom desenvolvimento do aluno. Direcionei o mesmo para área da administração, o que me deu oportunidade de passar pela experiência.

 

Na época concorri com mais de oitocentos pretendentes e consegui galgar o décimo primeiro lugar. Fiquei surpresa, pois já faziam mais de dez anos que tinha concluído o magistério. Vi muita gente em prantos, pelas escadarias da Faculdade, por não ter sido selecionada.

 

Atribuo, essa façanha a um bom curso no ensino fundamental e médio, pois estudei em escolas conceituadas, como as dos Padres e das Freiras e a uma boa educação dada pelos meus pais com princípios e valores de pessoas simples, mas honestas e verdadeiras. Aos professores, sempre bem preparados muitos deles recém chegados do exterior com cursos de especialização e até mestrado e ou doutorado.

 

A pedagogia como ciência ou teoria da educação, que segundo o dicionário “Aurélio”, é um conjunto de doutrinas e princípios que visam a um programa; estudo de ideais de educação, segundo uma determinada concepção de vida, e dos meios (processos e técnicas) mais eficientes para realizá-los. Em fim, são princípios que norteiam a educação.

 

São muitas as justificativas para que o curso em SRN tenha sido classificado como o “pior” do país. O que, infelizmente coloca nosso Estado e a cidade numa situação totalmente desagradável aumentando o nível de preconceito e outras que denigrem o seu nome. É sabido que muita gente fala que o Piauí não está no mapa, de tão atrasado que é, isso só vem consagrar essa opinião dos maus fadados e sem escrúpulo.

 

Muitas das justificativas são totalmente sem nexo, poderíamos dizer que estão tentando “tapar o sol com a peneira”, e esconder uma situação que foi comprovada ou ainda procurando responsáveis, sendo que está mais do que evidente a culpabilidade.

 

Uma delas é a alegação de que os alunos estavam de ressaca. Ora todos nós sabemos que ressaca, não é embriaguez, e essa não tira o conhecimento de ninguém. Se for avaliar por esse ângulo, os alunos jamais irão tirar boas notas, haja vista, o público estudantil que é jovem, e é comum estes curtirem uma balada nos finais de semana. Isso ocorre em todos os lugares, não só em SRN. Por outro lado, a forma de seleção para realização da prova, é por amostragem e não significa que todos os alunos que tenham sido selecionados tenham ido à festa no dia anterior.

 

O Deputado, que se diz representante da cidade, vem a público se manifestar. Entendo que de forma tardia, por que este não o fez antes. Será que é por que “brasileiro só fecha a porta depois de roubado” ou é por que este quer aproveitar a oportunidade para camuflar, a sua imagem negativa que estava em alta e agora vem se fazendo de bonzinho para as pessoas esquecerem do seu histórico?

 

Alguns, como é o caso do nosso amigo colunista, Bartolomeu Souza, retrata a falta de recurso e estrutura bem como professores desqualificados. Concordo plenamente com este, ao mesmo tempo em que quero ressaltar que, “quem faz o nome da Universidade é o aluno”. Quando se coloca a falta de estrutura há que se lembrar que as verbas para a educação estão a desejar em todas as suas esferas: federal estadual e municipal. Temos que lembrar aqui também de uma coisa que é fundamental para uma boa formação que é o currículo.

 

Quero me referir aqui, não somente ao currículo escolar, mas sim ao currículo das pessoas que estão à frente da instituição e ou do processo como um todo. A cultura dessas pessoas, qual é a sua preparação, a sua formação, como elas estão se comportando e se estão preocupadas com o desenvolvimento do aluno e ou do curso.

 

Lembro-me de uma série de reportagem na rede globo, sobre educação, onde estas mostraram os vários tipos de estrutura, em todo o país, em relação à educação, onde havia uma professora que dava aula para seus alunos, debaixo de uma árvore. Outra que usava um estábulo de uma fazenda abandonada como sala de aula. O armário, onde guardava seus materiais era a cocheira dos animais. Eu sei que isso é uma vergonha para o país, mas sei também que nem por isso os seus alunos deixavam de aprender.

 

Não quero dizer que sou a favor que isso ocorra, mas quero mostrar que, em tempos contemporâneos, onde a pós-modernidade e a globalização, mostra os vários meios de o aluno aprender, este deve usar a Universidade apenas como um lugar de aperfeiçoamento do seu conhecimento e do seu currículo, onde este vai aprender a ser investigativo e ter o poder de consolidar aquilo que já traz de bagagem, que foi adquirida através de uma boa educação e de valores culturais.

 

O processo pedagógico vai ajudar desenvolver o senso crítico do aluno, de acordo com as mudanças, quase que de forma contínua que vem ocorrendo na sociedade democrática.

 

A Globalização nos coloca neste patamar quando esta dá oportunidade para as pessoas buscarem os seus direitos de forma mais livre e igualitária. Hoje somente o conteúdo não é suficiente para preparar o aluno para a vida profissional, e sim as ferramentas teórico-metodológicas, para que este desenvolva a sua capacidade de aprender e adquirir a base para o enfrentamento das situações que se tornam cada vez mais complexas.

 

O pensador Demerval Saviane, justifica que uma boa formação está ligada ao processo filosófico educativo e que a formação profissional deve ser aprendida num bom estágio, de vida e profissional, que faz parte do processo ensino aprendizagem.

 

Portanto quero dizer que não sei como é a situação político-pedagógica das escolas que estão mandando esses alunos para as Universidades e nem os projetos que estas desenvolvem, o que eu sei é que a tecnologia está em todo o universo e a maioria das pessoas, hoje tem acesso a esse recurso. Será que SRN não está inserido no processo globalizante ou os seus governantes e seus líderes políticos e até mesmo a população deixaram as coisas andarem de qualquer jeito?

 

As pessoas, de uma forma geral, têm mais é que correr atrás dos seus direitos, os pais tem que educar os seus filhos para um mundo globalizado, já que este é um processo que está em todos os países e em todos os lugares, desde os mais remotos.

 

Há que se ter consciência que hoje se assiste a um filme até mesmo antes desse ter chegado nos cinemas; uma mensagem que antes era transportada por alguém até o seu destino, hoje é via satélite e a comunicação é instantânea de um lado a outro do mundo.

 

De acordo com Antony Giddens, em “Mundo em Descontrole”, até o final da década de 50, não existia nenhum cabo transatlântico ou transpacífico exclusivo. Os primeiros comportavam menos de cem canais de voz, hoje conduzem mais de um milhão. Em 1969 foi lançado o primeiro satélite comercial. Agora existe mais de duzentos desses, transmitindo uma vasta amplitude de informação.

 

 A comunicação eletrônica não é apenas, um meio, onde as notícias, ou as informações são transmitidas mais rapidamente. Sua existência altera a própria estrutura de nossas vidas, quer sejamos ricos ou pobres.

 

Quando a imagem de Nelson Mandela pode ser mais familiar para nós que o rosto do nosso vizinho de porta, alguma coisa mudou na natureza da experiência cotidiana. (Giddens – pg 21)

 

 As mudanças, na vida cotidiana, das pessoas sejam ricas ou pobres, vem ocorrendo com a comunicação eletrônica e globalizada, uma vez que o alcance da tecnologia cresce e se faz presente na vida cotidiana de muitas delas. Este fenômeno está em todos os aspectos e em todas as dimensões, influenciando na vida de todos.

 

Cabe a população procurar esses meios, de forma que venham mudar os seus valores, as famílias que tinham costumes tradicionais devem começar a se transformar a cada dia e conquistar a sua igualdade de direitos, uma vez que isso vem provocando mudanças no trabalho e na política.

 

O povo de SRN precisa entender que estamos num país globalizado que surge identidades culturais diversificados em busca de liberdade e enfraquecimento dos antigos costumes para se criar um novo olhar, ou seja, uma visão de dentro pra fora, esses alunos deve fazer movimentos em prol de melhorias, devem estar mais engajados no processo-aprendizagem, com mais interesse. Cobrar das autoridades, SIM, mas também cumprir com o seu papel de estudante e de investigador para instigar uma verdadeira revolução no sistema anemológico que se instalou.

 

Uma boa sugestão seria começar uma pesquisa, qualitativa, do curso para que se adquira respostas satisfatórias para poder sair da aparência e partir para a essência e assim descobrir as verdadeiras causas do fracasso. E ainda, apontar caminhos para a melhoria do curso já que de acordo com a LDB – Lei de Diretrizes e Bases – da educação, este é condição para o profissional ministrar aulas no ensino básico.

 

Sabe-se que o MEC vai dar mais uma oportunidade para o curso se estruturar. Lembro que isso já ocorreu no curso de Direito da UnG, aqui em Guarulhos. Mas a Universidade, mais que depressa, se estruturou, para poder mandar profissionais preparados para o mercadode trabalho.

 

Lembro-me, também que a Medicina do Piauí ficou com nota “A”, sendo procurada por vários países, entre eles Cuba, onde está a medicina que é considerada a melhor do mundo. É isso que SRN tem que fazer. Se estruturar, para que da próxima vez o curso possa ter uma boa nota, senão este será fechado. Isso vai ser ruim para a população e para a região.

 

Acorda minha gente! Alguém tem que tomar partido. Será que devo dizer novamente que um lugar se faz pelo povo que nele reside? O direito de vocês, de uma boa educação, está sendo violado. O que está posto, é que de uma forma ou de outra vocês precisam saber quais e quantos são esses direitos, qual é a sua natureza e os seus fundamentos, se são direitos naturais ou históricos, absolutos ou relativos, para que, apesar das colocações, declarações e ou justificativas, eles sejam garantidos.

 

Espero que as autoridades locais tomem as devidas providências, que os alunos se manifestem, não basta só os vereadores tomarem partido, a população tem que vir junto, principalmente a estudantil e suas famílias. Há uma grande necessidade de mudança de conceitos.

 

Há que se fazer muita fiscalização, desde as verbas existentes até as pessoas que as administram. Fiscalizar, questionar é preciso. E isso pode e deve ser feito por todos e pela sociedade em geral, para que possamos sair com lealdade e com a cabeça erguida dessa situação constrangedora e todos possam usufruir o melhor e da melhor forma e assim serem e terem uma sociedade justa e sem percalços, para que sejam felizes. Pra isto o histórico deve mudar urgente. As feridas devem ser curadas.

 

Boa Sorte a todos!

 

 

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.