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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


DEBATE, um processo democrático.

lumasoliver@yahoo.com.br


Pensar que no convívio democrático não existe conflito pode se tornar uma ilusão perigosa: apenas nos Estados autoritários permanece a aparente e perversa homogeneidade de pensamento, portanto o consenso como concordância de idéias e atitudes tem sido a meta principal desejada pelos homens.

 

O debate oferece condições para que as pessoas alcancem autonomia pessoal e capacidade para assumir compromissos na vida privada e pública. Esse exercício de aprendizagem é a forma mais nobre de preparar as gerações para as convivências democráticas, marcadas pelo pluralismo das tendências divergentes.

 

É importante saber qual a origem do DEBATE, que sociedades o valorizam; como podemos aprofundar nossos argumentos e recusar a manipulação das idéias; e por que o DEBATE é um caminho eficiente para a cidadania.

 

O debate é uma forma ou um jogo democrático a ser aprendido.

Em tempos contemporâneos, onde prevalecem à democracia, suas regras de convivência, recomendam o reconhecimento de nossas posições e o respeito às dos outros.

 

Em primeiro lugar vamos imaginar três situações:

 

SITUAÇÃO 01: Acontece numa lanchonete. João, um jovem torcedor do Flamengo, encontra-se com amigos torcedores de outros times. É domingo à noite, acabaram de assistir a uma partida cuja vitória foi do Flamengo. O pessoal avalia os lances e o melhor jogador em campo, discute a favor e contra a arbitragem. Se João for um debatedor justo, e se os amigos apresentarem argumentos, bem fundamentados, ele mesmo poderá concluir que seu time não foi o melhor em campo – apesar de ter ganhado o jogo.

 

SITUAÇÔA 02: Foi convocada uma assembléia de estudantes. A verba arrecadada na festa junina deve ser usada em prol da escola: qual a melhor forma de se gastar o dinheiro? A Associação de Pais e mestres sugere a reforma dos banheiros. Os alunos sugerem a compra de novos livros para a Biblioteca. Outro grupo prefere que o dinheiro seja usado na ampliação da quadra de esportes... Cada lado argumenta sobre seu ponto de vista no jornal mural durante um mês e agora a assembléia promove uma eleição para confirmar democraticamente, qual proposta convenceu a maioria dos alunos da escola.

 

SITUAÇÃO 03: É época de eleições. Há um debate político na tevê entre dois candidatos, de partidos diferentes. O telespectador assiste ao confronto cheio de perguntas e argumentos. Nos dias seguintes ao debate, o público se divide. Os eleitores se convenceram que determinado candidato pareceu mais preparado para governar, argumentou melhor sobre os assuntos... A imprensa pergunta “quem ganhou o debate” ou “quem melhor convenceu o eleitor”, e a corrida eleitoral percorre mais uns quilômetros nos caminhos da democracia.

 

Essas três situações são conhecidas. Quem nunca participou de um debate sobre futebol, política, religião ou até mesmo de um crime com requintes de crueldade?

 

Essas são situações sociais que envolvem a prática do debate. Um debate informal pode ser manifestação livre e pessoal a respeito de qualquer outro assunto... Debatemos no bar, na sala de nossa casa, no ônibus ou no trabalho. Ou inda podemos encontrar o debate definido por regras mais formais, nos congressos políticos ou científicos, nos tribunais ou escolas.

 

Afinal o que é o debate? Como ele se manifesta na vida das pessoas, desde quando, por quê?

 

O debate é um processo democrático que existe em sociedade, a qual está vivendo o momento da democracia e aceita o diálogo como forma de solucionar as questões sociais. É parte de um processo de diálogo que nasceu na Grécia, berço da filosofia e da democracia.

 

Era comum, na ágora (praça pública) das cidades gregas, debaterem-se os temas de interesses gerais. Lá surgiu um novo ideal de justiça, perante os antigos privilégios dos nobres. Todos os cidadãos excluídos (mulheres, escravos e estrangeiros) tinham direitos na democracia. Esses eram inerentes ao cidadão sem privilégio de não ter dinheiro ou ser de família de nobres. Quando esses direitos foram reconhecidos foi reconhecida à igualdade.  Havendo igualdade, havia a possibilidade de se discutir idéias, analisá-las e debatê-las.

 

O debate pode ser ainda uma discussão oral ou escrita onde há razões a favor ou contra um tema. O debatedor conduz seus argumentos para equacionar um problema, esclarecendo seus aspectos e encaminhando-os para uma possível adesão e solução.

 

Num debate não pode haver postura intransigente, bate-boca, desrespeito, a não aceitação às diferenças, a falta de diálogo e a imposição de opinião. Tudo isso mata o debate.

 

Imagine a situação número 01 que acontece com o João e os outros debatedores muito intolerantes que, de antemão, achassem que todo e qualquer palmeirense fosse teimoso; ou que os palmeirenses jamais discutissem os critérios do juiz da partida ou que se fechassem na avaliação de que seu time é o melhor do mundo porque é.

 

Pode até ser que, no exemplo futebolístico a maioria na lanchonete, acabe acatando esse tipo de argumentação por intimidação ou interesse pessoal, mas de qualquer forma, seria uma vitória no “grito”: o outro não foi convencido por argumentos e idéias, mas, foi obrigado a aceitar, umas situações fechadas, ditatoriais.

 

Para que o debate seja legal devemos seguir algumas regras, já que este é considerado um jogo, mesmo formal ou informal. Essas normas devem ser respeitadas pelos participantes.

 

A primeira delas é respeitar quem está falando. Iniciado o debate, esperar que o outro conclua sua idéia, mesmo que não concorde com ela, para depois pedir a palavra. Pode-se confirmar ou discordar da idéia proposta. Afinal o que está em jogo é a idéia e não a pessoa.

 

O debate pode ser, ainda, um amplo e posicionamento fértil para a circulação e intermediação de idéias: ou liberais, ou práticas, ou conservadoras, mais inovadas ou equilibradas ou ainda uma maneira do debatedor encontrar sua turma.

 

Num debate não há apenas posições extremadas. Um mesmo debate pode apresentar posições delimitadas e intermediárias. O mais importante é que elas tenham espaços para expressão, pois isto é próprio da democracia se conviver com situações e posições diferentes.

 

Para um bom debate a pesquisa é fundamental. É por meio dela que o debatedor vai falar pela “essência” e não pela “aparência”. Num debate informal a postura do “achismo” é um equívoco.

 

Na vida prática sabemos que existem muitos manipuladores que muitas vezes vencem na vida. O que podemos fazer é não nos deixarmos envolver pelos falantes, pela boa aparência e pelo discurso demagógico.

 

No cenário atual da cidade de SRN, pelo que se percebe, a polêmica do momento é o “camarote vip”. Um assunto que deveria ser debatido de forma democrática, antes de ser criticado.

 

É comum nas grandes empresas, seus proprietários, oferecerem um tratamento vip a seus funcionários em ocasiões especiais, principalmente, quando estes estão desenvolvendo um bom trabalho.

 

Eu já vivi uma experiência do tipo, quando da ocasião em que meu esposo era funcionário de uma empresa multinacional – Distribuidora de Cerveja – onde os vendedores que atingissem a meta, ganhariam um prêmio, que era nada mais nada menos, do que um final de semana em Blumenau, santa Catarina, na “OktoberFeste”. (festival tradicional de cerveja). O tratamento vip começou desde o aeroporto de “Congonhas”, onde fomos recepcionados na sala vip, com um coquetel vip. Éramos um grupo de mais de quatrocentas pessoas, em dois aviões fretados. Ao chegarmos em Navegantes, novamente fomos recepcionados na sala vip do aeroporto. Seguimos viagem de ônibus leito, com tratamento vip. Fomos hospedados em um hotel quatro estrelas. (na cidade não havia hotel cinco estrelas). Lá fomos recepcionados por bandas que apresentavam danças típicas. Em todo o roteiro, que incluía: a fábrica da Sulfabril; a fábrica da Hering uma fábrica de cristal; e uma colônia de italianos; bem como o Parque de diversão do “Beto Carrero”.  A bebida e a comida, nos melhores restaurantes da cidade, era por conta da empresa. Em todos os lugares que faziam parte do roteiro éramos recepcionados por bandas que tocavam músicas e danças típicas. No local principal do evento, onde eram feitas as apresentações de atividades, havia um camarote vip para o grupo. O mais importante de toda esse processo, é que o prêmio foi para ricos e pobres, desde os supervisores, coordenadores e vendedores.

 

Portanto, não vejo mal nenhum, o Padre oferecer aos seus funcionários e autoridades locais um tratamento vip, numa ocasião especial, como é o festejo do padroeiro. Vejo isso como uma forma deste, promover o seu governo e incentivar a sua equipe.

 

É necessário ficarmos atentos. É fundamental que aprendamos a ouvir. Que reconheçamos as posições dos outros. Que procuremos entender o que o outro quer transmitir, seja num texto ou numa conversa ou até mesmo numa atitude como essa do Padre.

 

O pensamento e a posição crítica, apenas pela crítica, é a resposta diante do cinismo de certas posições que pretendem ganhar a qualquer custo.

 

O debate é uma forma eficaz para acabar com a prepotência e a manipulação e de ficarmos atentos e respeitar às posições alheias, checarmos as nossas e aprofundarmos os nossos pontos de vista ou até mesmo refletir sobre nossas ações e atitudes.

 

Precisamos nos preparar tanto para a cooperação como para o confronto. Procurando, em primeiro lugar, o consenso, mas sabendo aceitar o dissenso. E isso se tornará possível por meio do exercício da reflexão e da discussão.

 

A reflexão é uma forma de desdobramento do próprio pensamento pelo qual buscamos avaliar e até discordar das convicções mais enraizadas. Refletir é ousar discutir consigo mesmo, como se cada um levasse “outro eu” para dentro de si.

 

Se por um lado à reflexão é um procedimento de “discussão” interior, por outro a “discussão” é uma forma de “reflexão” exteriorizada. Quando discutimos, manifesta-se, efetivamente o confronto com pessoas de quem podemos discordar, mas a quem precisamos aprender a ouvir e aceitar em sua diferença”.

 

Em outras palavras, a reflexão, ao colocar em questão nossa idéia preconcebida, torna-se um remédio para o “preconceito”. E a discussão permite o exercício da tolerância...

 

Por tudo isso, quem ganha com o debate somos todos nós e a DEMOCRACIA.

 

Referência Bibliográfica: Coleção: Debate na Escola

Kupstas, Márcia - Ed. Moderna 

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.