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Luma, Lucineide Maria,  oriunda de Coronel José Dias, onde aos treze anos migrei para São Raimundo Nonato, com a finalidade de prosseguir nos estudos. Concluí o Curso Ginasial hoje, Ensino Fundamenta, no Colégio D. Inocêncio e o Magistério na “Escola Normal Madre Lúcia” em 79 aos 21 anos.

 

Em 1990 passei a residir em São Paulo, na cidade de Guarulhos, onde estou até hoje.  Aqui concluí o curso de Pedagogia e exerço a função de Professora do Ensino Público Estadual.

 

Atualmente cursando Serviço Social, com o objetivo de voltar às raízes e contribuir com os meus conterrâneos naquilo que for possível na área social.

 

Como Já dizia a minha avó. “O bom filho é aquele que tem asas para voar e raízes para retornar”;

 

 


Habitação. Uma questão social que precisa ser levada a sério

lumasoliver@yahoo.com.br


Não há dificuldade de se conhecer um ninho de João de Barro. Na sua vizinhança imediata, nas árvores que as rodeiam ou nos paus dos currais, encontra-se uma casinha deste amigo do homem. Até nos postes elétricos e telefônicos, como se quisesse colocar-se em contato com a sociedade, vê-se uma bola de barro, que mais parece um diminuto forno antigo de padeiros.

 

Este fascinante pássaro, do tamanho de um sabiá, de cor ferrugem acanelada e na parte inferior mais claro, tendo o peito quase branco, é de uma ousadia e sabedoria tão grande que os humanos deveriam segui-lo. Principalmente quando se fala de moradia.

 

Esse pássaro produz uma obra arquitetônica que causa admiração. Primeiro lançam-se ambos, macho e fêmea, os alicerces ou formam de barro da estrada, o assoalho da casa, trazendo-o em glóbulos do tamanho de uma bala de espingarda, que com o bico e os pés estendem. Sobre este plano de 22 cms de comprimento, começando ao mesmo tempo por dois lados opostos, levantam as paredes da casa, que, quando em certa altura, deixam secar.

 

Recomeçam as obras, dando as paredes, já uma inclinação para dentro, e depois de mais uma interrupção, dão-lhe as últimas mãos fechando e deixando somente uma abertura oval. Dividem a casa por uma parede interior em dois compartimentos, servindo o interior como a ante-sala, de onde se pode alcançar por outra abertura para a câmara reservada a própria cama dos filhotes. Assim estes estão seguros contra a importunação de certas aves de rapina.

 

Existem milhões de famílias que não tem a mesma sorte do João de Barro. Estas não possuem condições habitacionais adequadas. Nas grandes e médias cidades é muito comum a presença de favelas e cortiços. Ainda encontramos pessoas morando nas ruas, embaixo de viadutos e pontes em condições inadequadas de vida.

 

A maioria das famílias que carecem de moradia, não dispõe de renda e precisa do apoio do poder público, muitas delas estão na faixa de renda de até três salários mínimos e nessa situação estas não tem capacidade de endividamento.   

 

A falta de emprego também tem relação direta com a falta de moradia. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no país está relacionado com o déficit habitacional e quando cresce, precisa-se de casas.

 

Segundo o diretor de Produção Habitacional da Secretaria da Habitação do Ministério das Cidades, Daniel Nolasco, o fenômeno está relacionado com o crescimento vegetativo da população e, também, com a questão social. Este afirma que, 86% do déficit habitacional, de 7,9 milhões de unidades é construída para pessoas com renda de até três salários mínimos. “Quanto mais alta a concentração, mais baixa a renda, e, portanto, maior a dificuldade para se adquirir a casa própria” explica.

 

O objetivo da Política Nacional de Habitação (PNH), coordenada pelo Ministério, é combater o déficit, priorizando o atendimento às famílias com até três salários mínimos.

 

Atendendo o que reza a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º, onde define que a moradia é um direito de todos os cidadãos, o governo “Lula” tem se preocupado muito com essa questão, são muitos os programas da casa própria, com linha de crédito em várias redes bancárias em todo país. O mais recente, “Minha casa, Minha vida”, pretende contemplar as classes mais desfavorecidas,

 

 

É muito difícil, no atual contexto, onde vemos pessoas e governos preocupados com o bem estar social, ainda termos que assistir atores do cenário político, que infelizmente nos fazem engolir, por osmose, fatos como este relacionado à denúncia do ex-prefeito de São Raimundo Nonato, em que este se apossa de material destinado ao programa da casa própria e vende abaixo do preço de mercado deixando estas famílias a ver navios. Famílias que com certeza necessitam muito mais do que ele.

 

É de tamanha irresponsabilidade e insensibilidade que é difícil de acreditar. Mas a denúncia foi feita e, segundo um ditado popular “onde há fumaça há fogo”. Esta precisa de provas para que possa ser apurada e que esse dinheiro seja ressarcido aos cofres públicos ou estas mercadorias sejam repostas no seu valor real.

 

É dever do poder público punir estas pessoas que, covardemente, se apossam daquilo que não é seu e que seria de muito mais valia indo para as mãos de quem realmente precisa. Se este não o fizer é preciso saber que qualquer cidadão comum, que se sinta prejudicado pode levar a denúncia ao Ministério Público (MP) e ressarcir aquilo que lhe é de direito.

 

O autor do feito vem a público com uma justificativa esfarrapada que não convence. É o mesmo que subestimar a nossa inteligência. Na minha opinião este tinha mais era que pedir uma investigação, se é que não tem culpa no cartório, uma vez que todo acusado de um crime, é inocente, até que provem o contrário. E com isso tirasse todas as dúvidas da população para que o curso das coisas fluísse com mais transparência e credibilidade.

 

Espero que este não seja mais um crime que vai ficar na impunidade para que pessoas como estas que necessitam destes programas não venham a sofrer esse tipo de humilhação e em função disto não ocorra à busca pelo direito à moradia. Gostaria que o Sr. Avelar ao refestelasse na sua boa cama em sua bonita mansão, lembrasse destas pessoas que por sua causa continuam ao relento sonhando em um dia ter a sua casa própria. Se é que esta denúncia é verdadeira.

 

Se realmente for confirmado que este fato ocorreu, é preciso que a população repudie essas figuras e façam com estas venha a ser extintas do cenário político, para não atravancar o progresso, até mesmo por que eleição é assunto sério, o voto é um ato de cidadania importante e não pode ser chacoteado por esse tipo de político. Além do mais é preciso que as pessoas lembrem que votar não é só escolher um candidato, ou colocar o seu voto na urna e pronto. Elas precisam saber que ao votarmos estamos escolhendo alguém para representar a todos nós, se este for eleito e, portanto, é de suma importância, verificarmos o seu histórico, para que pessoas como essas não venham a cometer esse tipo de crime para com aqueles que brigam por um espaço na sociedade.

 

Referências Bibliográficas: Agência Brasil

Ferreira, Ciro Diogo – Lendas Brasileiras

Luma, Lucineide Maria.

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Está coluna é de inteira responsabilidade da colunista Luma, Lucineide Maria.