Não há dificuldade
de se conhecer um
ninho de João de
Barro. Na sua
vizinhança imediata,
nas árvores que as
rodeiam ou nos paus
dos currais,
encontra-se uma
casinha deste amigo
do homem. Até nos
postes elétricos e
telefônicos, como se
quisesse colocar-se
em contato com a
sociedade, vê-se uma
bola de barro, que
mais parece um
diminuto forno
antigo de padeiros.
Este fascinante
pássaro, do tamanho
de um sabiá, de cor
ferrugem acanelada e
na parte inferior
mais claro, tendo o
peito quase branco,
é de uma ousadia e
sabedoria tão grande
que os humanos
deveriam segui-lo.
Principalmente
quando se fala de
moradia.
Esse pássaro produz
uma obra
arquitetônica que
causa admiração.
Primeiro lançam-se
ambos, macho e
fêmea, os alicerces
ou formam de barro
da estrada, o
assoalho da casa,
trazendo-o em
glóbulos do tamanho
de uma bala de
espingarda, que com
o bico e os pés
estendem. Sobre este
plano de 22 cms de
comprimento,
começando ao mesmo
tempo por dois lados
opostos, levantam as
paredes da casa,
que, quando em certa
altura, deixam
secar.
Recomeçam as obras,
dando as paredes, já
uma inclinação para
dentro, e depois de
mais uma
interrupção, dão-lhe
as últimas mãos
fechando e deixando
somente uma abertura
oval. Dividem a casa
por uma parede
interior em dois
compartimentos,
servindo o interior
como a ante-sala, de
onde se pode
alcançar por outra
abertura para a
câmara reservada a
própria cama dos
filhotes. Assim
estes estão seguros
contra a
importunação de
certas aves de
rapina.
Existem milhões de
famílias que não tem
a mesma sorte do
João de Barro. Estas
não possuem
condições
habitacionais
adequadas. Nas
grandes e médias
cidades é muito
comum a presença de
favelas e cortiços.
Ainda encontramos
pessoas morando nas
ruas, embaixo de
viadutos e pontes em
condições
inadequadas de vida.
A maioria das
famílias que carecem
de moradia, não
dispõe de renda e
precisa do apoio do
poder público,
muitas delas estão
na faixa de renda de
até três salários
mínimos e nessa
situação estas não
tem capacidade de
endividamento.
A falta de emprego
também tem relação
direta com a falta
de moradia. O Índice
de Desenvolvimento
Humano (IDH) no país
está relacionado com
o déficit
habitacional e
quando cresce,
precisa-se de casas.
Segundo o diretor de
Produção
Habitacional da
Secretaria da
Habitação do
Ministério das
Cidades, Daniel
Nolasco, o fenômeno
está relacionado com
o crescimento
vegetativo da
população e, também,
com a questão
social. Este afirma
que, 86% do déficit
habitacional, de 7,9
milhões de unidades
é construída para
pessoas com renda de
até três salários
mínimos. “Quanto
mais alta a
concentração, mais
baixa a renda, e,
portanto, maior a
dificuldade para se
adquirir a casa
própria” explica.
O objetivo da
Política Nacional de
Habitação (PNH),
coordenada pelo
Ministério, é
combater o déficit,
priorizando o
atendimento às
famílias com até
três salários
mínimos.
Atendendo o que reza
a Constituição
Federal de 1988, em
seu artigo 6º, onde
define que a moradia
é um direito de
todos os cidadãos, o
governo “Lula” tem
se preocupado muito
com essa questão,
são muitos os
programas da casa
própria, com linha
de crédito em várias
redes bancárias em
todo país. O mais
recente, “Minha
casa, Minha vida”,
pretende contemplar
as classes mais
desfavorecidas,
É muito difícil, no
atual contexto, onde
vemos pessoas e
governos preocupados
com o bem estar
social, ainda termos
que assistir atores
do cenário político,
que infelizmente nos
fazem engolir, por
osmose, fatos como
este relacionado à
denúncia do
ex-prefeito de São
Raimundo Nonato, em
que este se apossa
de material
destinado ao
programa da casa
própria e vende
abaixo do preço de
mercado deixando
estas famílias a ver
navios. Famílias que
com certeza
necessitam muito
mais do que ele.
É de tamanha
irresponsabilidade e
insensibilidade que
é difícil de
acreditar. Mas a
denúncia foi feita
e, segundo um ditado
popular “onde há
fumaça há fogo”.
Esta precisa de
provas para que
possa ser apurada e
que esse dinheiro
seja ressarcido aos
cofres públicos ou
estas mercadorias
sejam repostas no
seu valor real.
É dever do poder
público punir estas
pessoas que,
covardemente, se
apossam daquilo que
não é seu e que
seria de muito mais
valia indo para as
mãos de quem
realmente precisa.
Se este não o fizer
é preciso saber que
qualquer cidadão
comum, que se sinta
prejudicado pode
levar a denúncia ao
Ministério Público
(MP) e ressarcir
aquilo que lhe é de
direito.
O autor do feito vem
a público com uma
justificativa
esfarrapada que não
convence. É o mesmo
que subestimar a
nossa inteligência.
Na minha opinião
este tinha mais era
que pedir uma
investigação, se é
que não tem culpa no
cartório, uma vez
que todo acusado de
um crime, é
inocente, até que
provem o contrário.
E com isso tirasse
todas as dúvidas da
população para que o
curso das coisas
fluísse com mais
transparência e
credibilidade.
Espero que este não
seja mais um crime
que vai ficar na
impunidade para que
pessoas como estas
que necessitam
destes programas não
venham a sofrer esse
tipo de humilhação e
em função disto não
ocorra à busca pelo
direito à moradia.
Gostaria que o Sr.
Avelar ao
refestelasse na sua
boa cama em sua
bonita mansão,
lembrasse destas
pessoas que por sua
causa continuam ao
relento sonhando em
um dia ter a sua
casa própria. Se é
que esta denúncia é
verdadeira.
Se realmente for
confirmado que este
fato ocorreu, é
preciso que a
população repudie
essas figuras e
façam com estas
venha a ser extintas
do cenário político,
para não atravancar
o progresso, até
mesmo por que
eleição é assunto
sério, o voto é um
ato de cidadania
importante e não
pode ser chacoteado
por esse tipo de
político. Além do
mais é preciso que
as pessoas lembrem
que votar não é só
escolher um
candidato, ou
colocar o seu voto
na urna e pronto.
Elas precisam saber
que ao votarmos
estamos escolhendo
alguém para
representar a todos
nós, se este for
eleito e, portanto,
é de suma
importância,
verificarmos o seu
histórico, para que
pessoas como essas
não venham a cometer
esse tipo de crime
para com aqueles que
brigam por um espaço
na sociedade.
Referências
Bibliográficas:
Agência Brasil
Ferreira, Ciro Diogo
– Lendas Brasileiras
Luma, Lucineide Maria.