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   Com Zeferino Junior      

 

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 Entre projeteis e balaços

z_junior@bol.com.br


Há assuntos que voltam à tona recorrentemente. Mais uma vez a questão da hora é a polêmica levantada pelo Secretário de Segurança, Robert Rios, sobre o “ prende e solta” de criminosos.

 

Decepcionado por constatar que a criminalidade aumenta quando há solturas de presos pelos Juízes, o Secretário não se conteve e disparou sua metralhadora giratória. Chegou até mesmo a pedir punição para os que, no seu atuar legítimo, empreendem esforços para cumprir o que manda o regramento legal.

 

Os juízes, por seu turno, argumentam que são cumpridores fiéis da Lei, dela não podendo se afastar. Longe de terminar, a polêmica provoca discussões acaloradas e nos remetem a  dilemas shakespereanos.

 

A falência do sistema carcerário, o desaparelhamento do judiciário, a leniência dos poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário – estão na raíz desse problema (in) solúvel. 

 

A situação é gravíssima. Enquanto não resolvidos, os problemas ora apontados acabam por colocar em xeque a atividade dos agentes políticos, mormente os que estão envolvidos diretamente. Nesse caso: os magistrados, o Secretário de Segurança e o Ministério Público.

 

Os atores dessa contenda, que têm que prestar contas à sociedade, ficam numa encruzilhada. Os Magistrados não podem desprezar o ordenamento legal e, em suas decisões, por exemplo, alegar que, embora a lei seja favorável ao acusado não vai aplicá-la por estar em jogo a segurança da sociedade.

 

Os princípios que informam o Estatuto Repressivo, em regra, expende que o indíviduo, seja ele quem for – princípio constitucional da igualdade – deve ter seus direitos resguardados, embora seja, em tese, autor de um crime.

 

Se há previsão legal que o acoberte e, em regra, há, já que o Estado na sua morosidade e displicência atávicas não consegue conduzir um processo penal ágil, não há como não aplicar o ordenamento legal em voga.

 

Já o Secretário de Segurança Pública, no alto de sua competência e compromisso com a sociedade, vocifera com razão, afinal ele foi alçado à condição de “guardião” da segurança de cada cidadão desse Estado.

 

Nesse dilema shakesperano sobra pra todo mundo: os Juízes, “espremidos” pela Lei de um Estado Democrático, sofrem críticas de toda sociedade; o Secretário de Segurança, de mãos atadas, cobra respostas ágeis do judiciário, acusando-o, por seguinte, de leniência; o cidadão...bem, para esse, sobram projéteis e balaços a torto e a direita.  

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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