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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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Caros leitores, publico hoje o último capítulo do Ensaio. Espero que vocês tenham gostado da travessia da “MULHER MADAMA”. Foram algumas semanas contando a história heróica da mulher que saiu do meretrício para o mais alto posto da sociedade piauiense.

  


 

Nem Capitu nem Sinhá Vitória, a nossa heroína não escondeu grandes segredos nem suscitou grandes insinuações. Não foi identificada pelos ombros e nem pelos “olhos de ressaca”, como a amante de Bentinho no genial “Dom Casmurro”; nem ficou conhecida por sonhar com a “cama do patrão”, como evidenciado no magistral “Vidas Secas”.

 

Os dois grandes gênios literários brasileiros – Machado e Graciliano – propuseram enigmas (in)decifráveis. O autor de Mulher Dama e Sinhá Madama trabalhou com a mulher sem enigmas, mas dotada de mistérios reveláveis e forjados pelo ambiente inóspito do sertão.

 

O romance tem um traço marcante de realismo, que projeta o ser humano para além do seu universo particular. Sem dotar-se de poderes “extra-humanos”, mostram-se imbuídos da força viva apta a transformar o universo que circunda as personagens.

                

Não há nada de macunaímico na história de Rosa dos Arcanjos e Dr. Alarico. As “falhas” de caráter de cada um não são varridas para baixo do tapete, ao revés, são expostas visceralmente na tentativa de combater a realidade que parece ser tão forte, tão marcante, capaz até mesmo de mudar os destinos de cada um.

 

Apesar do traço marcante de enlevo lúbrico, estimulado pelos arroubos românticos das duas personagens principais, o senso de realidade está sempre presente. O amor romântico não se sobrepuja à percepção de realidade do casal.

 

O determinismo parece ser mais forte do que a livre escolha; assim, a paisagem e o ambiente ganham contornos rígidos e onipresentes, mas sucumbem frente à força da vontade individual das personagens. O peso das escolhas projeta-se e supera os obstáculos criados pelo ambiente. Nesse embate ninguém sai ileso: nem as personagens nem o ambiente.

                       

Chega-se, no decorrer da leitura, a sentir o vento seco do semi-árido invadir a órbita do leitor. Nessa viagem à sequidão, nos misturamos ao ambiente esturricado e dele tiramos lições soberbas. 

                       

 Assim finda a história de Rosa dos Arcanjos e Dr. Alarico. Uma trajetória altiva, recheada de percalços. Percalços esses que serviram de catapulta e os remeteram ao cume, a ponto de transformar o ambiente e fincar valores até então relegados pela sociedade.

           

É cediço, no entanto, que o caso isolado não teve o condão de mudar os hábitos e os costumes. Mas uma simples fagulha foi capaz de desencadear uma sucessão de acontecimentos, num caminhar fecundo pelos valores individuais, não sobrepujados pela força das impressões daninhas coletivas.

           

         “Mulher Dama”, “Sinhá Madama” ou “Mulher Madama”. Todas numa só. Cada transformação carregava consigo um pouco do primitivo ser. E as mutações sofridas por um influenciavam na mesma medida o outro. Neste contexto, valores nefastos foram varridos, enxotados e afastados pela força de um sentimento que hoje é tratado como ultrapassado: o amor romântico.

 

            O fim solitário da “Primeira-Dama” nos remete ao início de tudo. Deixa-nos angustiados e ao mesmo tempo provoca a reflexão sobre as trajetórias que nos são oferecidas pela vida afora. Jornadas que não podem ser interrompidas por obstáculos, ainda que,  aparentemente, se mostrem maiores do que nossas forças.

 

Somos, na verdade, do tamanho de nossa persistência. É ela nos conduzirá pelos caminhos da vida e nos dirá o que somos ou o que seremos.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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