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O penúltimo capítulo
do Ensaio traz o afinamento da
personagem e o avizinhamento de sua
transformação. Um fechamento
apoteótico de sua trajetória
magnífica.
Fiquem com mais esse trecho, caros
leitores. Na próxima semana, o
capítulo final.
A sensação que dá é que Rosa quer
nos proteger. As angústias vividas
por ela não são repassadas para
nós, leitores. Ela prefere
escudar-se na sua introspecção
inicial. Um recuo estratégico e
necessário, apto a torná-la a
grande personagem da obra.
A força da personagem é construída.
Não é posta nos primeiros momentos.
Por isso, cada capítulo é um degrau
a mais na formação da personalidade
de “Sinhá Madama” ou “Mulher Dama”.
Há uma mutação escalonada. A
“Mulher Dama” caminha naturalmente
para a “Sinhá Madama”, vírgula por
vírgula, ponto por ponto, capítulo
por capítulo.
E nessa transformação, percebe-se a
transfiguração. Aos poucos, nós
leitores, começamos a sentir falta
de uma, ao mesmo tempo em que nos
encantamos com os atributos da
outra.
Podemos sentir as mudanças no
correr da história. Ao se “despir”
e ao se “vestir” dessas duas
personagens que a habitam, vamos
nos despindo também de nós mesmos e
nos vestindo no mesmo instante.
Desnudos, nos encontramos;
vestidos, nos perdemos. No curto
intervalo dessa mudança, num átimo,
podemos ficar presos no limbo. Quem
sabe não seja o nosso verdadeiro
lugar!!!
A tônica do romance é uma
crescente. Não que haja uma
distância abissal entre os valores
de uma “Mulher Dama” e de uma
“Sinhá Madama”, absolutamente. Se o
inverso ocorresse – de “Sinhá
Madama” à “Mulher Dama”, a
história teria o mesmo brilho e não
seria uma curva em declínio, ao
revés, alcançaria o cimo, na
acepção metafórica da palavra.
As lições são muitas. Difícil
compila-las em poucas linhas. As
mensagens, embora para muitos
pareçam repetidas, se
consubstanciam na força da
superação e da obstinação. Mais
interessante, ainda, é a
naturalidade das conquistas: todas
ocorreram sem que as personagens
precisassem mergulhar, todo o
tempo, em crises existenciais.
Sem grandes dilemas existenciais, a
personagem maior transforma-se como
uma crisálida em borboleta, como se
fosse um processo da própria
natureza. Não se apega ela a
elucubrações sobre o seu destino.
Caminha sempre na certeza de sua
ascensão, sem se perder por
qualquer tipo de pedantismo ou
soberba.
Dotada de “asas” e do afinamento
comum da “mutação”, “Mulher Madama”
é a terceira personagem do romance.
Esse misto é que a torna grandiosa
e reluzente.
Nota-se que as conquistas são
apreendidas e serenamente digeridas
pela personagem. A não ser num
único desabafo, proferido ao
contrair núpcias com o então
governador, a “Sinhá Madama” encara
todo o processo com a mesma
suavidade de sempre.
Talvez seja a sua maior
característica: serenidade e uma
aparente certeza da vitória. Tudo
caminhou na cadência perfeita. Tudo
teve seu tempo e sua hora: na
passada contínua e reta, mesmo
diante dos serpenteados caminhos.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |