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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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O penúltimo capítulo do Ensaio traz o afinamento da personagem e o avizinhamento de sua transformação. Um fechamento apoteótico de sua trajetória magnífica.

 

Fiquem com mais esse trecho, caros leitores. Na próxima semana,  o capítulo final.

 


 

A sensação que dá é que Rosa quer nos proteger. As angústias vividas por ela não são repassadas para nós, leitores. Ela prefere escudar-se na sua introspecção inicial. Um recuo estratégico e necessário, apto a torná-la a grande personagem da obra.

 

A força da personagem é construída. Não é posta nos primeiros momentos. Por isso, cada capítulo é um degrau a mais na formação da personalidade de “Sinhá Madama” ou “Mulher Dama”.

 

Há uma mutação escalonada. A “Mulher Dama” caminha naturalmente para a “Sinhá Madama”, vírgula por vírgula, ponto por ponto, capítulo por capítulo.

 

E nessa transformação, percebe-se a transfiguração. Aos poucos, nós leitores, começamos a sentir falta de uma, ao mesmo tempo em que nos encantamos com os atributos da outra.

 

Podemos sentir as mudanças no correr da história. Ao se “despir” e ao se “vestir” dessas duas personagens que a habitam, vamos nos despindo também de nós mesmos e nos vestindo no mesmo instante.

 

Desnudos, nos encontramos; vestidos, nos perdemos. No curto intervalo dessa mudança, num átimo, podemos ficar presos no limbo. Quem sabe não seja o nosso verdadeiro lugar!!!

 

A tônica do romance é uma crescente. Não que haja uma distância abissal entre os valores de uma “Mulher Dama” e de uma “Sinhá Madama”, absolutamente. Se o inverso ocorresse – de “Sinhá Madama” à “Mulher Dama”,  a história teria o mesmo brilho e não seria uma curva em declínio, ao revés, alcançaria o cimo, na acepção metafórica da palavra.

 

As lições são muitas. Difícil compila-las em poucas linhas. As mensagens, embora para muitos pareçam repetidas, se consubstanciam na força da superação e da obstinação. Mais interessante, ainda, é a naturalidade das conquistas: todas ocorreram sem que as personagens precisassem mergulhar, todo o tempo, em crises existenciais.

 

Sem grandes dilemas existenciais, a personagem maior transforma-se como uma crisálida em borboleta, como se fosse um processo da própria natureza. Não se apega ela a elucubrações sobre o seu destino. Caminha sempre na certeza de sua ascensão, sem se perder por qualquer tipo de pedantismo ou soberba.

 

Dotada de “asas” e do afinamento comum da “mutação”, “Mulher Madama” é a terceira personagem do romance. Esse misto é que a torna grandiosa e reluzente.

 

Nota-se que as conquistas são apreendidas e serenamente digeridas pela personagem. A não ser num único desabafo, proferido ao contrair núpcias com o então governador, a “Sinhá Madama” encara todo o processo com a mesma suavidade de sempre.

 

Talvez seja a sua maior característica: serenidade e uma aparente certeza da vitória. Tudo caminhou na cadência perfeita. Tudo teve seu tempo e sua hora: na passada contínua e reta, mesmo diante dos serpenteados caminhos.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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