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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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O silêncio eloqüente de Rosa

z_junior@bol.com.br


              

Mais um capítulo nessa semana, caros leitores. Neste, Rosa do Arcanjos, a amante, demonstra serenidade diante de mais um infortúnio. Ela ajuda o Magistrado a se recompor da enfermidade que o acometeu  e, por conseguinte, viabiliza a vida política dele. 

 

Percebe-se, também, que o autor do romance releva as características de Rosa de forma peculiar:  o silêncio dela revela suas mais notáveis qualidades.

 

 Sem perder o tino, o autor denuncia, também, os preconceitos, a hipocrisia e a mesquinharia – sentimentos caducos e novéis que habitam o mundo dos vivos.                                                                                                 

 


 

O período de recuperação do Dr. Alarico em Parnaíba, apesar do peso da doença que se abatia sobre ele, foi mais uma oportunidade para aproximar Rosa do Arcanjos de seu companheiro. As adversidades novamente puseram à prova a mulher que, durante toda a vida, foi colocada em xeque. Desta vez, a superação teria que ser maior, afinal enfrentar um mal orgânico exigiria uma dose cavalar de sentimentos e uma determinação digna dos obstinados.

 

Não se fez de rogada a Primeira-Dama. Conduziu o problema, com a proficiência costumeira, e ajudou, sobremaneira, a recuperação de seu, agora, marido.

 

Na verdade, a sua condição de companheira inseparável, situação percebida muito antes pelo outrora magistrado, foi sedimentada de vez. As dificuldades serviram de trampolim para a nossa personagem mais emblemática.

 

O romance é um misto de superação, que reproduziu o que de melhor há no ser humano: a utilização da inteligência e da sensibilidade para romper barreiras, superar obstáculos e criar condições de vida num ambiente social inóspito.

 

Ademais, a denúncia da hipocrisia, do preconceito e da mesquinhez humana dá o tom e revela a personalidade dos que viveram na época. Apesar de retratar isso de forma contundente, o autor joga luz nesse ambiente “insalubre” entremostrando que o “pacote” de maldades que cada um de nós carrega pode ser vencido pela força individual do ser humano. 

 

Pouca coisa mudou no que diz respeito aos conceitos e preconceitos que se vertiam aos borbotões naquela época. A nossa sociedade, atavicamente, carrega o “gene” das conclusões preconcebidas, dos sentimentos débeis, que se enraizaram de vez com a atual visão patrimonialista.

 

A denúncia é antiga, mas serve, hodiernamente, como motor das relações interpessoais. Somos hoje o que fomos ontem. Seremos amanhã o que somos hoje. O que muda? As indumentárias, as máscaras, os modos, os vícios.

 

Se o romance fosse escrito hoje teríamos os mesmos personagens. O preconceito seria estampado diferentemente. Não menos nocivo, o sentimento que desagrega teria a forma cambiante que sempre teve.

 

A modernidade foi capaz de muita coisa. Avançou nisso, avançou naquilo, só não conseguiu destituir-se de sua própria torpeza.

 

“Mulher Dama, Sinhá Madama” é uma obra extemporânea. À frente do seu tempo, como foi Rosa, o romance não perde o ritmo e não se perde pela pieguice. Bem construído, o livro denuncia, revela e aproxima o leitor das personagens.

 

Discretamente, o autor projeta Rosa sem se valer de ardis. O silêncio eloqüente de Rosa a projeta ao longo de sua vida. Pouco se ouve dela. Podemos sentir seus olhos passando pelos fatos e analisando-os. Podemos sentir o seu coração pulsar lentamente sem alterações durante todos os fatos que a envolveram.

 

Mesmo nas situações em que a personagem maior é submetida aos suplícios dos acordos familiares e do modelo familiar da época, podemos perceber que na sua submissão há algo libertário. Paradoxalmente, a personagem fala nas suas inações. Seu silêncio rompe as barreiras, diz mais do que muitos que dispõem de uma loquacidade inerente.

 

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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