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Caros leitores, depois de narrar os
primeiros passos do casal – do
interior a capital – chega o
momento do ingresso no mundo
político do Juiz. Aqui começa uma
carreira exitosa do magistrado na
seara política. Começa, também, a
influência da amante na vida
pública do futuro governador do
Estado do
Piauí.
Ressalte-se, neste capítulo, a
contribuição de Rosa dos Arcanjos
no restabelecimento da saúde de Dr.
Alarico. Começa, também, a
“mutação” de Rosa dos Arcanjos. Os
primeiros passos para a
transformação definitiva.
Não
podendo se furtar de participar do
clima político da época, Dr.
Alarico envolveu-se nos debates que
suscitavam questões desse naipe.
Religião e política fulguravam e
estimulavam os contendores,
mormente os que exerciam funções
públicas, e serviram de mote para
as discussões que pautavam a roda
de debates.
Depois
dos embates travados, com ânimos
acirrados, entre diversas correntes
de pensamento sobre as questões
religiosas e políticas, mormente
com relação à questão do
secularismo – separação do Estado
e da Igreja – que culminou por
dotar aquele do manto da laicidade,
o indigitado juiz projetou-se e, de
forma brilhante, alcançou a
condição de Senador da República.
Os
esforços envidados para a conquista
do mandato acabaram por colocar à
prova, mais uma vez, a capacidade
de superação do “casal-amante”. O
obstáculo foi superado com o
brilhantismo de praxe.
Transpostos os obstáculos legais e
tendo conseguido de “volta” o
mandato, após se ver dele afastado
pelas urdiduras da pequenez da
política, o magistrado, mais uma
vez ajudado pela força
impressionante de sua amante,
desempenhou com brilhantismo a
função nobre de agente político.
Após o
mandato exercido na “Casa Alta”, o
magistrado finalmente chegou ao
posto mais alto da carreira
política: o Executivo Estadual.
Revelou-se, então, mais uma faceta
do grande homem que era Dr. Alarico.
Ombreado com Rosa dos Arcanjos, o
político proeminente deu várias
demonstrações de que os encargos da
vida pública seriam bem
desempenhados por ele.
O grande
desafio, porém, ainda estava por
vir. Acometido de uma enfermidade
deletéria, o Governador do Estado
teve que se recolher para poder se
restabelecer. Fato este que
“precipitou” a união legal dos
amantes. Mas, para que isso se
tornasse possível, do ponto de
vista legal, o ex-marido de Rosa
dos Arcanjos não poderia mais
habitar o mundo dos vivos.
“Coincidentemente”, foi o que
ocorreu. A imprensa, ciosa de suas
funções jornalísticas e
anti-jornalísticas, noticiou como,
no mínimo, suspeita a morte do
homem que se enlaçou, outrora, com
a Primeira-Dama.
Apesar
da vida conturbada do ex-marido,
envolvido em jogatinas e
bebedeiras, sucumbir naquele
momento parecia coincidência
demais. Até porque a morte se deu
em circunstâncias suspeitíssimas.
Some-se
a isso a imputação do ocorrido à
polícia militar, instituição
vinculada ao Governo Estadual,
tendo como chefe maior o Governador
de então.
O certo
é que a união tão almejada pela
Sinhá Madama finalmente ocorreu.
Com as pompas que a ocasião
demandava, a festa se deu com os
ornamentos e as lantejoulas
próprias das festas palacianas.
Ali, naquele momento, ocorreu a
transformação: a Mulher Dama - como
num passe de mágica, até então só
visto nos contos infantis -
transmudou-se em Primeira-Dama do
Estado do Piauí.
O manto
da legalidade que abrigou o casal
teve o condão de calcar aos pés o
preconceito que acompanha a união
“espúria”. O preconceito vertido
com tanta força esmoreceu diante
das conveniências jurídicas. Nada,
absolutamente nada, resiste à força
dos ditames da lei.
O
capítulo final da história de amor
que abalou a sociedade da época
caminhou naturalmente para o seu
epílogo. Dos caminhos percorridos,
dos sonhos resistidos, da força das
idéias e da incerteza do final
feliz, sobraram lições de
persistência e inteligência. Tudo
isso envolto pela força de duas
pessoas que souberam construir suas
histórias nos escombros dos
preconceitos e na mesquinhez das
adversidades naturais e humanas.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |