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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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O ingresso na política  

z_junior@bol.com.br


               Caros leitores, depois de narrar os primeiros passos do casal – do interior a capital – chega o momento do ingresso no mundo político do Juiz. Aqui começa uma carreira exitosa do magistrado na seara política. Começa, também, a influência da amante na vida pública do futuro governador do Estado do Piauí.                                          

  

               Ressalte-se, neste capítulo,  a contribuição de Rosa dos Arcanjos no restabelecimento da saúde de Dr. Alarico. Começa, também, a “mutação” de Rosa dos Arcanjos. Os primeiros passos para a transformação definitiva.

                                                                                                     

 


 

Não podendo se furtar de participar do clima político da época, Dr. Alarico envolveu-se nos debates que suscitavam questões desse naipe. Religião e política fulguravam e estimulavam os contendores, mormente os que exerciam funções públicas, e serviram de mote para as discussões que pautavam a roda de debates.

 

Depois dos embates travados, com ânimos acirrados, entre diversas correntes de pensamento sobre as questões religiosas e políticas, mormente com relação à questão do secularismo –  separação do Estado  e  da Igreja  –  que culminou por dotar aquele do manto da laicidade, o indigitado juiz projetou-se e, de forma brilhante, alcançou a condição de Senador da República.

 

Os esforços envidados para a conquista do mandato acabaram por colocar à prova, mais uma vez, a capacidade de superação do “casal-amante”. O obstáculo foi superado com o brilhantismo de praxe. 

 

Transpostos os obstáculos legais e tendo conseguido de “volta” o mandato, após se ver dele afastado pelas urdiduras da pequenez da política, o magistrado, mais uma vez ajudado pela força impressionante de sua amante, desempenhou com brilhantismo a função nobre de agente político.

 

Após o mandato exercido na “Casa Alta”, o magistrado finalmente chegou ao posto mais alto da carreira política: o Executivo Estadual.

 

Revelou-se, então, mais uma faceta do grande homem que era Dr. Alarico. Ombreado com Rosa dos Arcanjos, o político proeminente deu várias demonstrações de que os encargos da vida pública seriam bem desempenhados por ele.

 

O grande desafio, porém, ainda estava por vir. Acometido de uma enfermidade deletéria, o Governador do Estado teve que se recolher para poder se restabelecer. Fato este que “precipitou” a união legal dos amantes. Mas, para que isso se tornasse possível, do ponto de vista legal, o ex-marido de Rosa dos Arcanjos não poderia mais habitar o mundo dos vivos.

 

“Coincidentemente”, foi o que ocorreu. A imprensa, ciosa de suas funções jornalísticas e anti-jornalísticas, noticiou como, no mínimo, suspeita a morte do homem que se enlaçou, outrora, com a Primeira-Dama.

 

Apesar da vida conturbada do ex-marido, envolvido em jogatinas e bebedeiras, sucumbir naquele momento parecia coincidência demais. Até porque a morte se deu em circunstâncias suspeitíssimas.

 

Some-se a isso a imputação do ocorrido à polícia militar, instituição vinculada ao Governo Estadual, tendo como chefe maior o Governador de então.

 

O certo é que a união tão almejada pela Sinhá Madama finalmente ocorreu. Com as pompas que a ocasião demandava, a festa se deu com os ornamentos e as lantejoulas próprias das festas palacianas. Ali, naquele momento, ocorreu a transformação: a Mulher Dama - como num passe de mágica, até então só visto nos contos infantis - transmudou-se em Primeira-Dama do Estado do Piauí. 

 

O manto da legalidade que abrigou o casal teve o condão de calcar aos pés o preconceito que acompanha a união “espúria”. O preconceito vertido com tanta força esmoreceu diante das conveniências jurídicas. Nada, absolutamente nada, resiste à força dos ditames da lei.

 

O capítulo final da história de amor que abalou a sociedade da época caminhou naturalmente para o seu epílogo. Dos caminhos percorridos, dos sonhos resistidos, da força das idéias e da incerteza do final feliz, sobraram lições de persistência e inteligência. Tudo isso envolto pela força de duas pessoas que souberam construir suas histórias nos escombros dos preconceitos e na mesquinhez das adversidades naturais e humanas.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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