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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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Como havia prometido, caros leitores, a partir de hoje começo a publicar, em trechos, o “Ensaio Literário” que foi objeto de apreciação da Academia Piauiense de Letras. Vou tentar preservar os trechos que tenham começo, meio e fim, para que assim não haja “prejuízo” na leitura, pelo menos no que diz respeito a coesão e a coerência, atributos caros aos textos que pretendem ser bons. 

 

Reforço, no entanto, que não há nada de extraordinário no Ensaio, afinal não tenho os dotes necessários para manejar a “Ultima Flor do Lácio” (língua portuguesa) com maestria.

 

Só para terminar o intróito, advirto-lhes que o romance baseou-se numa história verídica ocorrida nas cercanias de São Raimundo, plasmada com propriedade pela pena magistral de Palha Dias.

  


 

A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Não: a vida imita a vida e a arte  imita a arte, quando podem.

 

As descrições, as conclusões, os arremates, os encontros e desencontros propostos pelo autor de, “Mulher Dama, Sinhá Madama”, servem de mote para o deleite de quem mergulha no universo das personagens reais que se vestem e se despem de uma humanidade crua, ríspida, construída não só pelo autor, mas pelo ambiente que influencia e se deixa influenciar pela carga emocional que cada um carrega e descarrega.

 

A construção enigmática das personagens reais do romance é alicerçada pela força narrativa do autor. Uma força que se desloca, ou melhor, move-se carregada pela densidade da realidade, mitigada pela pena de ficcionista do grande regionalista. Uma realidade impregnada pelo desejo e pela força de superação empurrada pelas circunstâncias de uma sociedade presa a preconceitos típicos de sua época.

 

A superação pela inteligência e pelo desejo é o móvel desse romance. Duas vidas, dois caminhos, dois universos que se encontram e resolvem trilhar juntos por caminhos nunca dantes pensados. Nada melhor do que o imponderável para ponderar e retilinear a sinuosidade dos trilhos que a vida oferta.

 

Rosa dos Arcanjos, personagem circunspecta, inundada de desejos, vitimada pelas ausências sempre presente em sua vida, conduz e é conduzida pelo vitimismo em que sua vida mergulhou.

 

Impregnada de uma sujeição típica de sua época, a personagem dimana o ardor da paixão quando encontra o carinho, ainda que clandestino, de Dr. Alarico, renomado Juiz de Direito da região de São Raimundo Nonato.

 

Após relacionamentos frustrados, amores achados e impostos,  Rosa dos Arcanjos desabrocha nos braços do vacilante amante. Preso pelo desejo, oprimido pela moral vigente da época, o magistrado vive um dilema recheado de angústias, apto a tirar sua permanente serenidade de homem público.

 

O desejo sobrepujando os ditames morais; o homem sujeito aos arroubos da concupiscência e a cupidez exorbitando as arestas das conveniências, num frenético jogo de amantes, impelido pela avidez de amar. É assim que são construídas as primeiras linhas dos  encontros entre o magistrado e Rosa.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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