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Como havia
prometido, caros leitores, a partir
de hoje começo a publicar, em
trechos, o “Ensaio Literário” que
foi objeto de apreciação da
Academia Piauiense de Letras. Vou
tentar preservar os trechos que
tenham começo, meio e fim, para que
assim não haja “prejuízo” na
leitura, pelo menos no que diz
respeito a coesão e a coerência,
atributos caros aos textos que
pretendem ser bons.
Reforço, no entanto,
que não há nada de extraordinário
no Ensaio, afinal não tenho os
dotes necessários para manejar a
“Ultima Flor do Lácio” (língua
portuguesa) com maestria.
Só para terminar o
intróito, advirto-lhes que o
romance baseou-se numa história
verídica ocorrida nas cercanias de
São Raimundo, plasmada com
propriedade pela pena magistral de
Palha Dias.
A vida
imita a arte ou a arte imita a
vida? Não: a vida imita a vida e a
arte imita a arte, quando podem.
As
descrições, as conclusões, os
arremates, os encontros e
desencontros propostos pelo autor
de, “Mulher Dama, Sinhá Madama”,
servem de mote para o deleite de
quem mergulha no universo das
personagens reais que se vestem e
se despem de uma humanidade crua,
ríspida, construída não só pelo
autor, mas pelo ambiente que
influencia e se deixa influenciar
pela carga emocional que cada um
carrega e descarrega.
A
construção enigmática das
personagens reais do romance é
alicerçada pela força narrativa do
autor. Uma força que se desloca, ou
melhor, move-se carregada pela
densidade da realidade, mitigada
pela pena de ficcionista do grande
regionalista. Uma realidade
impregnada pelo desejo e pela força
de superação empurrada pelas
circunstâncias de uma sociedade
presa a preconceitos típicos de sua
época.
A
superação pela inteligência e pelo
desejo é o móvel desse romance.
Duas vidas, dois caminhos, dois
universos que se encontram e
resolvem trilhar juntos por
caminhos nunca dantes pensados.
Nada melhor do que o imponderável
para ponderar e retilinear a
sinuosidade dos trilhos que a vida
oferta.
Rosa dos
Arcanjos, personagem circunspecta,
inundada de desejos, vitimada pelas
ausências sempre presente em sua
vida, conduz e é conduzida pelo
vitimismo em que sua vida
mergulhou.
Impregnada de uma sujeição típica
de sua época, a personagem dimana o
ardor da paixão quando encontra o
carinho, ainda que clandestino, de
Dr. Alarico, renomado Juiz de
Direito da região de São Raimundo
Nonato.
Após
relacionamentos frustrados, amores
achados e impostos, Rosa dos
Arcanjos desabrocha nos braços do
vacilante amante. Preso pelo
desejo, oprimido pela moral vigente
da época, o magistrado vive um
dilema recheado de angústias, apto
a tirar sua permanente serenidade
de homem público.
O desejo
sobrepujando os ditames morais; o
homem sujeito aos arroubos da
concupiscência e a cupidez
exorbitando as arestas das
conveniências, num frenético jogo
de amantes, impelido pela avidez de
amar. É assim que são construídas
as primeiras linhas dos encontros
entre o magistrado e Rosa.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |