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Pegando o gancho do embate entre o
leitor Jordânio Ribeiro e o
colunista Edjalma Borges, que
girou em torno dos textos deste,
publicados neste portal, aproveito
para fazer algumas considerações
sobre escrita, inspiração e
simplicidade.
Já
fui questionado, por alguns
leitores, sobre a forma pela qual
escrevo. Alguns, de dedo em riste,
apontavam os meus “excessos” na
escrita. Para quem ou por que
escrevia daquela forma? Perguntavam
alguns.
Tive
a oportunidade de me defender.
Tentei me explicar. O certo é que
respondi e utilizei-me dos meus
insipientes dotes de escriba para
manter o meu “emprego” de colunista
neste portal.
Escrever exige, antes de tudo,
disposição. Arrisco-me a dizer que
quem escreve corre vários riscos,
até mesmo o risco de agradar e
fazer com que uma legião de pessoas
passe a admira-lo. Corre-se um
risco maior: ser considerado um
chato ou até mesmo inoportuno. É do
jogo.
Quanto à inspiração, eterna musa
fugidia dos poetas e escritores,
ocorre-me que “ela”, plagiando
Vinícius de Morais, “ tem raízes
como a fumaça e bóia leve como a
cortiça”. Quando a queremos, ela
escapa; inoportuna, às vezes nos
tira o sono ou nos interrompe de um
afazer qualquer.
Já a
simplicidade, atributo raro do ser
humano, é, para mim, o ponto mais
delicado dos que se atrevem a
escrever. Num país iletrado como o
nosso, o simples ato de escrever já
é tido como presunçoso, afinal
quantos não conseguem nem mesmo
construir uma frase capaz de ser
lida com clareza. O ideal é que se
escreva de maneira simples, sem, no
entanto, beirar a pieguice.
É
claro que algumas expressões mais
bem elaboradas “escapam” e acabam
por “pedantizar” o texto. Temos que
ter um pouco de cuidado com isso.
Lembrando, evidente, que não
podemos nos limitar por conta de
termos, aparentemente, rebuscados.
Esse é o nosso desafio:
equilibrar-se entre o simples e o
bem elaborado, com o objetivo
primeiro de informar sem complicar.
Não
vou entrar no mérito da questão que
envolveu o leitor Jordânio Ribeiro
e o novel colunista do portalsrn,
Edjalma Borges Como respeito muito
o ambiente democrático do portal,
acho que tudo ocorreu num ambiente
da normalidade, apesar do clima
hostil que se instalou no mural de
recados entre os dois.
Ficamos, portanto, no campo dos
argumentos e das considerações,
tanto de um lado como do outro.
Sugeriria aos dois que defendessem
seus posicionamentos em textos
publicados no portal. Seria uma
grande oportunidade para os
leitores que acompanharam a
polêmica e mais um gesto de
cidadania dos dois contendores.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |