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O
cidadão comum não entende o prende
e solta. Pensa ele no seu "universo
leigo": “ - Por que banqueiros,
doleiros, empresários, políticos
não passam nem mesmo uma semana na
prisão, quando são flagrados
perpetrando crimes? Por que o
acesso que eles têm aos tribunais,
aos juizes e aos grandes advogados
os tornam privilegiados num país
que arrota democracia, mas não
oferta tratamento igualitário a
todos.”
Até mesmo para os que conhecem os
escaninhos do nosso sistema
jurídico, digerir a ordem jurídica
que campeia por aí é tarefa
indigesta. Enquanto isso, dêem uma
olhada na estrutura da Defensoria
Pública; observem a estrutura que o
Estado montou para que o cidadão
sem colarinho, sem sobrenome, sem
pai nem mãe, possa buscar os
valores constitucionais que um dia
disseram que estavam à disposição
dele.
O Presidente do STF está certo:
para que ou para quem o espetáculo
serve? Para nada. Absolutamente
nada. Talvez sirva para saciar a
nossa tímida sensação de que está
havendo uma caçada implacável aos
corruptos, mormente os de
colarinho-branco, azul, preto.
Sensação que se esboroa, porém,
dias depois, após a soltura dos
presumidamente inocentes.
Pobre destino, o nosso. Quantas
operações irão acontecer? Dezenas,
centenas, milhares. Todas envoltas
pelo ambiente cinematográfico,
digna dos melhores filmes
americanos. Enquanto isso, os
esmolentos apodrecem nas prisões
medievais do país, muitos deles com
pena prescrita, com condenações
condenáveis e com o direito de
defesa calcado aos pés.
Gostei da manifestação do
presidente da Suprema Corte. Espero
vê-lo com mais freqüência nos
noticiários, condenando as prisões
feitas nas favelas e nas periferias
dos grandes centros que extrapolam
os limites do Estado Democrático de
Direito, que reduzem o cidadão
comum à condição de pária.
Já que o Ministro Gilmar Mendes
resolveu manifestar-se, muito bem
diga-se de passagem, espero que ele
mantenha essa postura firme,
arraigada, arrimada na nossa
"Constituição Cidadã", com todos os
que são vítimas das
arbitrariedades, pois senão estará
ele praticando a mais horrenda
ofensa ao princípio balizador da
Carta Magna: a isonomia.
Se os doleiros e empresários
merecem uma fala do Dr. Gilmar
Mendes por que os outros não
mereceriam? A fala dele está
correta, estaria mais correta se, a
cada achaque aos princípios
constitucionais, a voz dele se
irrompesse estridentemente em favor
dos injustiçados, afinal se o
aparato policial fez aquilo com os
peixes graúdos, imaginem com os que
ainda estão em estado larvral.
Bom, ficaremos atentos às falas
eloqüentes do representante maior
do Judiciário Pátrio. Certamente
todos os brasileiros ofendidos,
vilipendiados, molestados pelo
"Estado Policial" serão confortados
pela voz possante do nosso
brilhante ministro.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |