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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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A Voz Suprema

z_junior@bol.com.br


O cidadão comum não entende o prende e solta. Pensa ele no seu "universo leigo": “ - Por que banqueiros, doleiros, empresários, políticos não passam nem mesmo uma semana na prisão, quando são flagrados perpetrando crimes? Por que o acesso que eles têm aos tribunais, aos juizes e aos grandes advogados os tornam privilegiados num país que arrota democracia, mas não oferta tratamento igualitário a todos.”


Até mesmo para os que conhecem os escaninhos do nosso sistema jurídico, digerir a ordem jurídica que campeia por aí é tarefa indigesta. Enquanto isso, dêem uma olhada na estrutura da Defensoria Pública; observem a estrutura que o Estado montou para que o cidadão sem colarinho, sem sobrenome, sem pai nem mãe, possa buscar os valores constitucionais que um dia disseram que estavam à disposição dele.


O Presidente do STF está certo: para que ou para quem o espetáculo serve? Para nada. Absolutamente nada. Talvez sirva para saciar a nossa tímida sensação de que está havendo uma caçada implacável aos corruptos, mormente os de colarinho-branco, azul, preto. Sensação que se esboroa, porém, dias depois, após a soltura dos presumidamente inocentes.


Pobre destino, o nosso. Quantas operações irão acontecer? Dezenas, centenas, milhares. Todas envoltas pelo ambiente cinematográfico, digna dos melhores filmes americanos. Enquanto isso, os esmolentos apodrecem nas prisões medievais do país, muitos deles com pena prescrita, com condenações condenáveis e com o direito de defesa calcado aos pés.


Gostei da manifestação do presidente da Suprema Corte. Espero vê-lo com mais freqüência nos noticiários, condenando as prisões feitas nas favelas e nas periferias dos grandes centros que extrapolam os limites do Estado Democrático de Direito, que reduzem o cidadão comum à condição de pária.


Já que o Ministro Gilmar Mendes resolveu manifestar-se, muito bem diga-se de passagem, espero que ele mantenha essa postura firme, arraigada, arrimada na nossa "Constituição Cidadã", com todos os que são vítimas das arbitrariedades, pois senão estará ele praticando a mais horrenda ofensa ao princípio balizador da Carta Magna: a isonomia.


Se os doleiros e empresários merecem uma fala do Dr. Gilmar Mendes por que os outros não mereceriam? A fala dele está correta, estaria mais correta se, a cada achaque aos princípios constitucionais, a voz dele se irrompesse estridentemente em favor dos injustiçados, afinal se o aparato policial fez aquilo com os peixes graúdos, imaginem com os que ainda estão em estado larvral.


Bom, ficaremos atentos às falas eloqüentes do representante maior do Judiciário Pátrio. Certamente todos os brasileiros ofendidos, vilipendiados, molestados pelo "Estado Policial" serão confortados pela voz possante do nosso brilhante ministro.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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