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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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A nossa tragédia

z_junior@bol.com.br


A pergunta é certeira: “Você já transgrediu alguma norma quando estava concentrado para os jogos da seleção brasileira”. A resposta é precisa: “Já”. Entrevistado e entrevistador se satisfazem numa complacência com o imoral. Os milhões de  espectadores vibram freneticamente: “é o cara”!

 

O entrevistado começa a detalhar suas “imoralidades sadias’ que tanto alimenta o seu ego e os dos seus compatriotas.  “Já fugi da concentração em dias de jogo para fazer sexo; já fiz sexo no avião de volta de uma competição; gosto de duas coisas na vida: futebol e sexo”.

 

Assim é o tom da entrevista do nosso maior ídolo do futebol brasileiro, elevado à categoria de herói nacional pelo seu “grande” serviço prestado à nação. Romário, o baixinho, nos (des)encanta com sua performance verbal carregada de egocentrismo., numa entrevista dada ao Fantástico da TV Globo.

 

Quando Sérgio Buarque de Holanda, no seu clássico Raízes do Brasil, identificou o “Homem Cordial”  não quis ele dá à expressão nada abonador. Ao revés,  a tibieza, a  pusilanimidade e a indolência construída durante no nosso processo de formação cultural é que forjaram a consciência do brasileiro “cordial”.

 

A tragédia moral que nos acomete esgarça o tecido social que nos envolve. As leis, as normas ganham contornos mais sugestivos do que imperativos. Quando os primeiros traços do Estado de Direito, do império da Lei, foram esboçados, não tínhamos uma consciência de nação sedimentada. Os arranjos, a polticalha, o compadrio, gestaram o Estado brasileiro.

 

Transgredir, para nós, é uma façanha digna de júbilo. Por isso, a sanha em transgredir conforta nosso espírito e potencializa a admiração que temos  pelos transgressores, os viciados em vícios, os que preferem os descaminhos morais.

 

Como o que gerou o texto foi uma fala de um futebolista, nada melhor do que corroborar a tese com um fato envolvendo outro da área. Quando o Técnico de Futebol Wanderley Luxemburgo há alguns anos foi flagrado em operações suspeitas auferindo vantagens em transações de jogadores entre clubes e sonegando Imposto de Renda, preferiu, o famoso técnico, assumir o crime tipificado no Código Penal a assumir uma atitude no máximo imoral.

 

Na sua fala, ele foi enfático: “soneguei impostos, mas não me beneficiei das transações envolvendo clubes, empresários e jogadores”.

 

Em resumo, entre o ilícito e o imoral prefere-se o ilícito; entre o moral e o imoral, prefere-se este. Essa é a nossa dinâmica. Essa é a nossa vida. Essa é a nossa tragédia.

Zeferino Júnior – Servidor Público

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