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Está
chegando a hora. Depois de
especulações, ofensas, agressões,
fuxicos, o cenário político da
cidade está se montando para mais
uma “dolorosa” disputa eleitoral.
O
adjetivo relacionado a dor a qual
me referi acima não tem sentido
metafórico: o seu sentido é literal
ou melhor visceral: as vísceras
estarão expostas por três meses e,
dependendo do resultado, por mais
quatro ou oito anos.
Preparem os “analgésicos”, caros
(e)leitores. De preferência, os
mais potentes. Os ânimos já estão
acirrados desde as preliminares.
Os
“congressos carnais” que darão
ensejo à concepção dos candidatos
estão acontecendo nas alcovas da
política local.
Os
candidatos da atual administração (argh!!!)
são “gerados” pelo processo
abiogênico. Não há fecundação. A
matriz é uma só. Da matriz surgem
os descendentes. Dos descendentes
surgirão mais descendentes e assim
o ciclo se completa e retorna para
o início. O Eterno Retorno!!!
A
oposição ainda não se encontrou.
Grande novidade!!! A situação
rachou. Uaaala!!! O atual
vice-prefeito, Dr. Isaías, rompeu,
pelo menos por enquanto, com o
atual prefeito.
Todos com a calculadora na mão.
Vamos fazer as contas: 1000 votos
pra cá, 1000 votos pra lá, 2000 pra
acolá. Somas, subtrações e
divisões. Todos querem achar o
número ideal e, pimba!!, encontrar
o eleito.
Não
sou tão cartesiano assim. Os
números, em época eleitoral, não
são como aves migratórias, que
seguem ferozmente o líder do bando,
ops!!, uma ressalva: bando é
coletivo de pássaro e não de
bandoleiros.
Pois
bem. Estabelecidas a premissas
iniciais, cabe uma análise
superficial de quem escreve
superficialmente nesta coluna.
Já
há um derrotado nesta eleição, uma
vítima, com nome e sobrenome: Edson
Ferreira.
Explico: o representante de São
Raimundo Nonato no parlamento
estadual defendeu ardorosamente a
candidatura da Doutora Ana Teresa.
Enfrentou a ira de alguns
familiares e num processo lento e
desgastante não conseguiu emplacar
a menina. Conheci alguns detalhes
dos bastidores dessa escolha.
Envolveu até mesmo o famoso Roberto
Jefférson ( o do mensalão). Noutra
oportunidade eu conto a vocês.
O
“novo” candidato do clã Ferreira
saiu, e não poderia ser diferente,
das bases familiares. Assim será
até o Juízo Final. Acaso ele vença,
tomara que não, o deputado
derrotado não terá influência
nenhuma na gestão do dinheiro
público, pois os novos gestores
serão os ascendentes do “novo”
candidato. Ou seja, o deputado
perde se o candidato perder e perde
se candidato vencer. Entenderam!!!!
Muitos dizem que três candidatos
favorecem o atual governo
municipal. Eu discordo. Acredito
que quem mais perdeu nesta história
foi exatamente o clã. A fissura se
deu no corpo político carcomido
deles.
Quem
possibilitou a vitória deles na
última eleição foi exatamente o
atual vice-prefeito, Dr. Isaías. A
diferença, na eleição passada, para
o segundo colocado, Pe. Herculano,
foi de 5% (cerca de 1000 votos).
Lembrando que a campanha do Padre
só teve 20 dias.
Agora eu pergunto quem perdeu com a
candidatura do Dr. Isaías? A atual
administração ou o candidato que
recebeu os votos do atual vice?
Alguém pode dizer: “e os votos do
Marcelo Castro que foram despejados
na candidatura do Pe. Herculano e
que agora vão migrar para o
Isaías”?
Há
um detalhe que deve ser levado em
conta para refutar essa tese. As
bases eleitorais do Marcelo estão
muito ligadas ao Herculano: vide os
votos da vereadora Socorro Macêdo,
do vereador Laércio. São votos que
se confundem com os do Padre.
É
uma opinião pessoal, é claro. Mas
acredito que num cenário de três
candidatos o mais forte é a
candidatura identificada como a de
oposição. Se o Dr. Isaías conseguir
crescer na campanha ele avança nos
votos da atual administração, pois
os votos do Padre são mais
consolidados e têm características
mais independentes.
Outro detalhe a favor do Padre é o
alinhamento dele com os governos
estaduais e federais. Como a
candidatura dele está ligada ao
Presidente da República e ao
Governador do Estado, tudo leva a
crer num crescimento natural,
depois de iniciado o processo
eleitoral.
Reitero, no entanto, que é uma
análise particular, envolvida numa
inclinação própria de quem é a
favor da candidatura do petista.
Mas, sugiro que alguém apresente
uma visão diferente, afinal de
analista político e louco todo
mundo tem um pouco.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |