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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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Anapu é aqui

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Causou perplexidade a absolvição do fazendeiro acusado de encomendar a morte da missionária americana Doroth Stang. Até o recém-empossado presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, manifestou-se.


Segundo o Ministro da Corte Suprema, a decisão obedeceu os ditames da lei e o país não teve sua imagem abalada no cenário internacional. Citou, para corroborar o seu pensamento, que a não punição dos policiais ingleses que assassinaram o brasileiro Jean Charles não maculou as instituições judiciárias de lá.


Do ponto de vista formal, no caso específico, parece que a decisão obedeceu os critérios legais. Não houve desvirtuamento do procedimento. Foi concedido ao fazendeiro a possibilidade de um novo julgamento de acordo com o sistema legal, vez que a primeira condenação ultrapassou os 20 anos. Desse novo julgamento, resultou a absolvição.


O caso de Anapu - cidade do Pará onde ocorreu o fato - é um emblema, um ícone, de um país que não se encontra quando pretende colocar o seu sistema jurídico à prova. Uma nação que tropeça num modelo jurídico capenga, capaz de produzir decisões conflitantes e anacrônicas.


Ocorre que um país que pretende se firmar grande, economicamente e politicamente, buscando se projetar no cenário internacional como uma grande potência mundial, não pode conceber um ordenamento jurídico incapaz de atender às demandas e que, na sua atuação, não atinge o seu escopo social fundamental, qual seja, a pacificação social.


A simples produção legiferante é incapaz de ofertar um sistema jurídico coeso, conformado com as balizas de um Estado Democrático de Direito. Não basta produzir leis, é necessário que se produza com proficiência, com racionalidade, sem as amarras e as pressões de grupos hegemônicos, comprometidos, só, com seus interesses.


É certo que nenhum ordenamento jurídico está protegido dos interesses de grupos e classes. Faz parte do "jogo". O que se espera é que haja equilíbrio de forças e que todos os seguimentos sociais estejam devidamente representados.


Enfim, evitar a criação de leis divorciadas da realidade, racionalizar o sistema recursal, estruturar fisicamente o Poder Judiciário e punir com rigor o operador do Direito que se afasta dos princípios informadores da profissão, são meios eficientes de amainar as discrepâncias do sistema jurídico pátrio.


Sem isso, continuaremos produzindo decisões desafinadas, incutindo em todos a sensação sombria de que o nosso país é uma grande Anapu, com todas as peculiaridades nefastas que a contornam.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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